Toalhinha nova de dezembro

Entra em alguns dias no McDonald’s a nova toalhinha de dezembro.

Ela é a segunda versão da lâmina “Invenções que deveriam ser inventadas”, feita há 10 anos.
Depois de alguns anos, essa é a primeira lâmina “besteirol” com tema totalmente livre, ao contrário das outras que sempre estavam relacionadas com algum evento ou assunto com o McDonald’s (nem sei como o nome X-Mano conseguiu passar incólume).

Fico devendo o desenho autografado para quem acertou qual era a traquitana que havia postado há alguns meses atrás.

Além da assinatura, de praxe escondida, essa lâmina tem uma peculiaridade para quem curte quadrinhos: ela está carregada de referências, nomes e coisas que apareceram nas historinhas do Pato Donald, Spirit, desenhos animados sortidos e outras coisas pra ficarem caçando enquanto limpam o molho especial da boca.

A cara dessa lâmina ia ser bem diferente, mais modernosa e futurística. Me deu uma iluminada em fazê-la como um catálogo dos anos 50, daqueles que o Biotônico Fontoura era anunciante, depois de ficar jogando “Bioshock” (que mistura “O Iluminado” com “Laboratório Submarino 2021″), que tem todo visual repleto de anúncios, cartazes e arquitetura de coisas do tempo em que se assistia “E o Vento Levou” no cinema.

Ele é ilustrador, ele é tetraplégico e ele desenha (muito) melhor do que eu.

Nada melhor do que comemorar um ano de blog com um post que faz qualquer um se sentir mais humilde.
Cortesia do Alvaro Sasaki, que enviou essa dica.

Olhar para o vídeo de Shiro Kotobuki, um ilustrador tetraplégico, trabalhando apenas com a boca e um tablet bem calibrado fez com que eu me sentisse do tamanho de um cupim por eu ter reclamado de umas dores nas costas por ter desenhado a noite inteira. Mesmo sendo em japonês sem legendas dá pra entender perfeitamente.

Essa é a segunda parte do documentário:

Ele é um dos criadores de personagens do jogo para marmanjos Rumble Roses (que a partir de hoje vou jogar com mais respeito) e ilustra garotas maravilhosas melhor do que eu ou qualquer outro sujeito com dez dedos funcionando. Já havia visto essas ilustrações, mas jamais havia pensado que isso era obra de alguém nas condições do sr. Kotobuki. Merece meu reverenciamento virtual e minha declaração oficial de humildade reconhecida.

Chega ser uma ironia ele ilustrar essas beldades deliciosas em sua condição. Em seu site, aliás com muito conteúdo, tem seu portfólio, que vai fazer muito carinha ficar de mamilo duro de inveja ou admiração.

E a gente aqui, com todas as partes funcionando, inclusive as de baixo, é uma panelada na testa quando sentir preguiça de estudar pra desenhar melhor.

Jack, pintor impressionista e estripador nas horas vagas

[img:Sickert.jpg,full,alinhar_esq_caixa]A verdadeira vingança dos nerds se deu com o Grisson, chefe murrinha de C.S.I., um dos poucos personagens que mostra que ser CDF é ser bacana. Na Inglaterra vitoriana, não existia Gil Grisson, no máximo o Inspetor Frederick Abberline.

Há alguns anos, a escritora Patrícia Cornwell escreve um romance chamado “Portrait of a Killer: Jack the Ripper – Case Closed” onde ela supunha que o sujeito mofento que virava as prostitutas de Londres do avesso no começo do século XX era um pintor impressionista inglês chamado Walter Sickert. O livro fez algum auê um tempo atrás porque Cornwell alegava que o que ela havia colocado no livro era legítimo e realmente Sickert era na verdade Jack, o Estripador. Pesa contra a autora a prolificidade que ela publica romances detetivescos, como alguém que solta empadinhas numa festa de criança. Como não li o livro pra dar os pitacos, fico ainda com “From Hell”, de Alan Moore, esse sim de dar nó em bainha de mielina.

O fato é que Walter Sickert existiu de verdade, e pintava de verdade. Resta saber se estripava de verdade.
Ele pintou uma série de quadros funestos chamados de “Assassinatos de Camdem Town”, uma série retratando várias interpretações da cena de uma prostituta assassinada com um sujeito sorumbático sentado na cama.

Sickert é um dos poucos, senão o único, a juntar as palavras “mórbido” e “impressionista” numa mesma tacada.

Belchfire Runabout 313, o carro do Pato Donald

Procurando referências do carro do Pato Donald para um quadro de aquarela que estou fazendo para uma amiga que vai contrair matrimônio em alguns dias, pois ela e o noivo são fãs de quadrinhos, me deparei com mais um exercício criativo preocupado em trazer para o mundo real as traquitanas originárias de Patópolis (Duckburg, em inglês), tal qual o fulano que criou uma maquete da Caixa Forte do Tio Patinhas. É um poster detalhadésimo com todas as estruturas, peças e partes do carro do Pato Donald. (clique pra ver maior).

Alguns garotos passaram a infância desenhando o Mach 5 do Speed Racer, outros carros de Fórmula 1. O carro dos meus sonhos era o todo curvilíneo do Pato Donald, com espaço mequetrefe para levar Huguinho, Zezinho e Luisinho na traseira. Descobri que ele tem nome e data de fabricação: é o modelo Belchfire Runabout 313, criado em 1934. Único dono.

Mujer e diñero es bueno, pero dibujar es mejor

[img:3X3.jpg,full,alinhar_dir_caixa]A Revista Sacapuntas é o equivalente da Revista Ilustrar dos argentinos, com a vantagem de ter nascido antes. Também é nos mesmos moldes da cria do Ricardo Antunes, é digrátis (DE GRAÇA, não precisam escrever perguntando quando custa) e é daunloudável para ser visto no formato PDF. Só a entrevista e as dicas de aquarela de Carlos Nine (futuro post aqui) já compensa o espaço ocupado no hard disk.
São 11 revistas agradabilíssimas pra baixar, e não se intimide com a língua de Hugo Chavez (a língua, tenho dito). Mesmo com um portunhol golpista como o meu é possível entender o conteúdo.
[img:Sacapuntas2.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Já a revista 3X3 é a lorde aristocrata entre as revistas de ilustração. Ela não é de graça como as outras (custa em torno de 20 doletas), mas aqueles que se aventurarem em folhear suas páginas vão ver um material de altíssima qualidade na frente de vossos olhos cansados de tanto desenhar (atentem para o detalhe mimoso do nome da revista se incorporar à ilustração da capa. Folheei uma há alguns anos atrás na casa de um diretor de criação, o suficiente para dar vontade de assinar se já não tivesse com o saldo do cartão em carne viva.

Bajumbo moi noi noi jecker

Não encontro letras de algumas músicas da Billie Holliday ou da Ella Fitzgerald que adoro na internet, mas em compensação encontrei a letra da musiquinha da abertura do jogo Loco Roco, o único jogo que justifica a compra de um PSP na opinião deste que vos digita. O visual vetorial dele dá vontade de ficar desenhando no Illustrator por horas a fio, escutando essa musiquinha mucosante, que gruda na cabeça e não sai. O fato de não ser de uma língua “oficial” faz o inconsciente trabalhar dobrado tentando decifrar as palavras que a criançada canta.

Tem ilustrador que bebe pra relaxar, outros jogam bola, outros lavam lata de lixo e ficam tirando pulgão do jardim. Meu relaxante muscular é LocoRoco e Katamari, mesmo aparentemente sendo feito para os pequenos imberbes. Bioshock também é fantástico e tem a melhor direcão de arte que já vi em um game, mas esse dá medinho.

Disney podia ter começado com um bloquinho de papel

Se isso for mesmo um flipbook de verdade, daqueles que você gasta bloquinhos e bloquinhos de papel desenhando metade pra baixo deles pra dar impressão de movimento, então alguém dê o testículo esquerdo parabenizando o autor, porque deve ter estourado o saco fazando isso. Mas mesmo sendo fake, como diria Aracy de Almeida: “Dá dez pau pra ele!”.

Amodeio muito tudo isso

Designers compulsivos pela simetria inversa, mais um artefato criado para gerar reações opostas e ambivalentes, como no post do capacho de dupla utilidade. É a teoria do Yin e Yang na forma de expressão gráfica.

Essa camiseta emo você dá pra sua namorada quando sua relação anda classificada como “maizumenos”, numa oscilação constante entre o afagar e o esganar, alternando entre dias ruins (aqueles que vocês brigam e cada um fica com um bico do tamanho do beiço da Angelina Jolie) e não tão ruins (aqueles que vocês brigam e transam no final), com uma esperança de temperatura de leite morno de que as coisas ainda dêem certo no final.

Mas aqueles que gostam mais de uma direção de arte paquidérmica e menos sutil, podem trocar a estampa por esta, onde o bem e o mal moram juntos ao mesmo tempo, coisa que acontece a todo tempo no universo real, ao contrário dos religiosos mais fervorosos que acreditam que o mundo só existem dois rótulos, o suficiente pra caber tudo e todos.

Vinicius Vogel

É inevitável. Você vai na seção de literatura infantil das grandes livrarias para fuçar e olhar o que tem de bom no mercado, e é impressionante a quantidade de publicações preguiçosas com textos sorumbáticos e ilustrações semiprofissionais que ficam ocupando espaço nas prateleiras. Por isso mesmo, quando uma ilustração chama a atenção em um livro, o mínimo que a gente faz é procurar os créditos pela belezura. E felizmente, a quantidade de gente boa no texto e no traço também é de peso.

Há algum tempo comprei a coleção “Ciência Divertida” por causa do autor, Jorge Luis Calife, e por causa dos desenhos, do Vinicius Vogel. Ilustrações muito limpas e meigas, uma delícia pra passar na frente dos olhos.

Vinicius Vogel é um ilustrador divertido e versátil na parte infantil, características que não são muito comuns de serem encontradas em dupla em geral nas pessoas. Ele puxa um pouco para um traço francês divertido, um pouco pra ilustração da época de 50, mas é só encheção de linguiça pra dizer que o trabalho dele é joinha.

Essas ilustrações de capa da série “Amigas para Sempre”, da Record, pulam feito perereca assustada das prateleiras, de tão belas e fofas, feitas para um público mais madurinho, que os marketeiros chamam agora de “tweens”.

Pegando no pincel de verdade

Nos últimos meses tenho dividido a ilustração digital com a ilustração convencional, retomando uma prática perdida por causa do Steve Jobs e da pauleira da agência de publicidade. E as primeiras impressões quando você volta da loja de material artístico depois de alguns anos, é: como é caro! Como ocupa espaço! Mas em compensação a paz de espírito de rabiscar com um lápis profissional e mexer com uma aquarela de gente grande é calmante como uma meditação zenbudista. Méritos ao Bistecão que me fez voltar a mexer com grafite de novo.

Seguindo uma dica do Montalvo, encontrei e indico esse site gringo, o Dick Blick, que envia materiais artísticos pra cá, para alegria da Mastercard. Mas os preços compensam. Pelo menos os pincéis série 7 são muito mais baratos que os daqui e os estojos de aquarela profissinal custam quase 4 vezes menos, isso sem falar nas outras comesticidades tolas mas interessantes que pipocam por lá, como godês de porcelana, que são difíceis de se encontrar por aqui e outras traquitanas modernosas pra incrementar o estúdio.

A internet é a arma do demônio para quem é curto de grana. Esse conjunto de aquarela de metal da Winsor & Newton parece uma frasqueira de bebum dos anos 40 e eu tava namorando há um tempo. Custa aqui R$400, e lá só U$69. É a nossa maldição por nascer brasileiro, ‘pagarás juros altíssimos até tua alma definhar’.

A vantagem do Dick Blick são para as pessoas que moram em lugares menos favorecidos de provisões artísticas, onde é mais fácil comprar leite de garrafinha do que uma pastilha de aquarela Winsor & Newton. Vem coisa de qualidade na porta de casa.

Quanto ao problema de espaço, tirando a prancheta zero bala que não tem jeito de esconder, vá pra loja de pescaria. Todo o material de desenho, exceto papéis, pode ser acomodado e organizado em umas caixas de respeito que hoje são vendidas nessas lojas equivalentes a sex-shops para pescadores, japoneses e estressados. Antigamente só existiam modelinhos bem favélicos de caixas de iscas, parecidas com kits de primeiros socorros vagabundos. Hoje, por duzentos reais, dá pra comprar uma estação de organização artística que cabe debaixo da prancheta.

Os melhores modelos são da americana Plano, parecem caixas de pescar dos Thunderbirds, de tanto plástico e tantas peças móveis. Além de separar por categorias, dá também pra levar essas gavetas na mochila em separado em qualquer lugar. Vira a lancheirinha do ilustrador pra levar em numa viagem pra praia ou num almoço modorrento de domingo com os parentes.

Proibido para menores


Duas ilustrações que fiz que fazem parte de um montante para o livro “Proibido Para Menores” da Editora Matrix, um livro de piadas, adivinhas e outras amenidades ingênuas feito para um público recém-desmamado, escrito pelo Paulo Tadeu, consorte da hermosíssima Fernanda Guedes e 50% dos Irmãos Bacalhau.

Em breve nas livrarias.

Por Shiva, que bonitinhos!

A fada do cartão de crédito trouxe um livro muito, muito bonitinho. Sanjay Patel misturou mitologia hindu com o visual de Meninas Superpoderosas sem o traço preto em volta e o resultado foi um livro colorido e divertido como passar uma tarde ao lado de vacas floridas no Rio Ganges. Toda a cambadinha é muito fofa e com jeito cuticuti muito meigo, tão doces que podem causar diabetes. É a versão “baby” de vários deuses da terra do curry, como o elefantinho Ganesha e a multitarefa Shiva. Os deuses dos vetores agradecem.

Ilustrações para decorar quarto de filho de professor de yoga kundalini.

Custa menos que um rodízio de vaca assada, R$28,00 na Cultura (só que demora um pouco).

Alguém desligue essa ilustradora da tomada

d’Holbachie Yoko é uma Yoko que deu certo como artista.

Tenho estudado há algum tempo o traço dela, pois pretendo usar algo parecido para a próxima lâmina de bandeja do McDonald’s (pretensão é foda). Ela é tão colorida, tão lisérgica que seus desenhos parecem feitos de ácido e açúcar, quem lamber um deles encontra Jim Morrison na primeira esquina. A sua paleta de cores varia da mais berrante para a mais luminosa, passando pela cor de perereca venenosa. Seus desenhos parecem bichos de piñata vivos com sangue acrílico magenta 100% correndo em suas veias. E o pior, ela faz isso magistralmente.

Não é fácil trabalhar com esse tipo de paleta de cores intensa, a sacada dela é usá-las sem fazer suas ilustrações plastificadas e pasteurizadas. Quem souber controlar isso, irá controlar o mundo.

Nintendo DS vira Cintiq de bolso

Dica do leitor Platy, que merecia trinta dinheiros pela ótima informação.
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Para aqueles que ficam se onanizando ao pensar numa Cintiq enquanto ficam olhando para uma foto colada do produto com durex ao lado da cama, o programinha Colors transforma a unidade de diversão portátil chamada de Nintendo DS em uma Cintiquinha. Dá pra fazer uns esboços e sketches bem primatas, mas pode até quebrar um galho enquanto mata o tempo na fila e não tem mais saco de atravessar fases de catando cogumelos com o Mário ou lavando cachorro pirracento em Nintendogs.

Segundo o fabricante, assim como as Tablets e a sua namorada delicada, o programinha é sensível à pressão, gerando linhas mais fortes ou mais finas e variação de cores, e os rabiscos videoguêimicos ficam guardados em um cartão de memória. Teoricamente ele se transformaria em um sketchbook digital. A vantagem é que, aparentemente ele é digrátis, basta ter um programinha para dar uma hackeada no console, segundo o site oficial.

Na dúvida, compre o Nintendo DS porque se ele não funcionar como sketchbook pelo menos irá diverti-lo como videogame. Pelo menos como game portátil eleé um investimento muito maior do que o PSP, que tirando LocoRoco, só tem coisas que saíram do traseiro pra jogar.

Corra Spirit, Corra

Fãs incontestáveis do trabalho sutilíssimo de Will Eisner, cuja obra seria necessário um mestre da sétima arte para ser transposta para a telona, preparem as agulhas de tricô para furarem os olhos em protesto. Frank Miller está cometendo o crime de dirigir e roteirizar o filme do Spirit. Ou vai ser uma maravilha ou vai ser uma bosta de rasgar o orifício. O histórico do homem puxa pra segunda avaliação, pois os créditos que ele ganhou com “O Cavaleiro das Trevas’ e “A Queda de Matt Murdock” foram anulados pelos roteiros constrangedores das 2 seqüências de Robocop.

Como disse Geena Davis em “A Mosca”: Tenha medo, tenha muito medo!

Para evitar o efeito megatônico do impacto do filme, está à venda o livro “Will Eisner Sketchbook”. Olhar minunciosamente para os desenhos de Eisner feitos à grafite amansa o fígado e clareia os olhos, ao contrário do que se espera desse filme.

Kiki Café

Kiki’s Delivery Service é meu desenho preferido de Miyazaki até hoje. Juntando a paixão pelo desenho com o vício de um bom café espresso de padaria que vende pedaço de pizza, tem-se uma versão 2.0 de “Latte Art”, com desenhos mais precisos do que os modelos anteriores de coração e florzinhas feito a palito de dente.

Eu teria a maior dó de enfiar a boca nessa xícara.

Para aqueles que acham que compram livros demais, o que vocês estão montando é sua Antibiblioteca

[img:Organobook.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Uma coisa agradabilíssima entre o mundinho colorido e surrado dos ilustradores é perceber como nossos amigos do traço têm uma desenvoltura azeitada para escrever (Alarcão, Montalvo, Ricardo Antunes, Shuman, uma pequena amostra indecente dos que escrevem tão bem quanto ilustram). Não posso falar por todos, mas aposto meu Spirit autografado pelo Eisner que todos são apaixonados por livros. Isso torna a cabeça o órgão mais importante para um ilustrador, seguido dos olhos para ver, das mãos para desenhar e da bunda rígida para sentar por horas seguidas.

Muitos, mas muitos mesmo devem passar pelo mesmo dilema que eu: apaixonados por livros, não podem passar na frente da Livraria Cultura para aliviar alguns zeros na conta bancária e ficam acumulando livros e livros que sabem que não vão ler naquele mês ou naquele ano, sempre com a desculpa de deixá-los pra aposentadoria, como se fossem hamsters guardando semente de girassol pro inverno. E o pior, acumulando livros nas prateleiras, formando camadas e camadas em cima e na frente, formando pilhas nos eixos x, y e z da sua casa, com a mulher perguntando “por que não troca no sebo ou vende” e se sentindo ofendido como se chamassem seu cachorro de viado pulguento, e consternado porque ele é mesmo pulguento mas ama mesmo assim, incondicionalmente. Fora a culpa do momento, de estar acumulado florestas dentro de casa, cadáveres de árvores com tinta preta escrita.
E nem adianta sugerir e-books, pdfs ou leitura pelo monitor. Só a Luiza Possi supera o cheiro de um livro recém-comprado.

Para quem sente esse tipo de culpa, tranquilizem-se.[img:Blackswan2.jpg,full,alinhar_dir_caixa]

Comprei um livro chamado “The Black Swan”, de Nassim Nicholas Taleb, que analisa as coisas que julgamos impossíveis de acontecer, como uma baleia entrando mil quilômetros adentro de um rio, dois aviões batendo em seguida no WTC ou um meteoro cair em cima da cabeça de um pré-suicida na verdade acontecem numa frequência mais generosa e sempre tentamos minimizar o fato com um raciocínio lógico porém limitado e estreito.
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No livro há um trecho maravilhoso sobre Umberto Eco, mais conhecido pelo “Nome da Rosa” e “Pêndulo de Foucault”, mas pra mim o melhor dele é “Viagem à Irrealidade Cotidiana”. Um pensador de primeira grandeza, que possui uns 30.000 livros em sua biblioteca particular e que admite que não leu a maioria deles!

Eis sua justificativa (traduzida livremente do livro):

O escritor Umberto Eco é proprietário de uma grande biblioteca particular (contendo 30 mil livros), e separa as pessoas que o visitam em duas categorias: Aqueles que reagem com “Uau! Signore professore dottore Eco, que biblioteca o senhor tem! Quantos desses livros o senhor já leu?”, e outros – uma pequeníssima minoria – que entendem que uma biblioteca particular não é um acessório pra levantar o ego do seu proprietário, mas uma ferramenta de pesquisa. Livros não lidos não são menos importantes do que livros já lidos. A sua biblioteca deve conter mais o que você ainda não sabe do que você já sabe. Você irá acumular mais conhecimento e mais livros à medida que envelhece, e o número crescente de livros não lidos em sua prateleira será ameaçador. Sem dúvida, quanto mais você sabe, maior sua lista de livros não lidos. Vamos chamar essa coleção de livros como uma antibiblioteca.

Senhores, não sintam mais culpa pelo acúmulo de celulose impregnada com tinta em vossos muquifos. Se Umberto Eco dá a benção e a explicação para tal ato que mais se assemelha a um transtorno obsessivo-compulsivo, quem será o pobre apedeuta que irá contrariá-lo?


Só pra aumentar ainda mais a coceira pra ter mais livros, meu amigo Marcelo Mecchi indicou um site chamado GetAbstract, que é um site só com resenhas de livros (não tem romances, só livros profissionais, como economia, publicidade, lógica, matemática, história). Você assina o site, que é digrátis e eles mandam uma resenha de um livro toda semana em pdf para seu e-mail. Foi assim que conheci o Black Swan. E a resenha é muito mais turbinada que na Amazon. Pra quem gosta desse tipo de livro é um X-Tudo.

Inserindo um trauma permanente de infância em 15 segundos e um clique.


Pra dizer que não tem nada a ver com desenho, isso se parece muito com as idéias deturpadas de quadrinhos alternativos, mas é só uma desculpa pra mostrar essa foto que mostra que nem tudo o que é fofo, macio e agradável pode se tornar uma lembrança de uma infância feliz. Que coelho sinistro da porra! Se essa menina virasse uma ilustradora teria criado o livro “Suicide Bunnies”. Ou teria concebido um filme como “Donnie Darko”, o melhor filme que eu não entendi nada que já vi até hoje.

Não precisa ir muito longe. Meus maiores traumas de infância vem de um aprazível sorvete Chica-Bom e daqueles plásticos coloridos que simulavam TVs coloridas na década de 70. Um dia vou escrever um livro dos porquês disso.

Carburadores e ilustradores


Tudo pode ser ilustração, até mesmo rabiscos e gatafunhos feitos durante uma conversa com um art buyer agradável ou um desenho técnico.
Esse anúncio (pode clicar na imagem pra ampliar) foi feito pela Sancho BBDO, de Bogotá. O conceito é forte: as peças tem nomes dos profissionais que trabalham em uma oficina autorizada da Chevrolet chamada Los Coches, cada um com sua função, cada um com sua importância e todos fazendo parte de uma coisa maior. Nada como filosofiar em cima de uma junta homocinética, aqui reencarnada com o nome de Carlos Rey.

Não encontrei quem foi a criatura que ilustrou essa peça, mas fica aqui o elogio pelo teclado. E a idéia de fazer uma toalhinha de bandeja esquartejando um carro ou um helicóptero, para aqueles que tem sede de partes metálicas e de entender como as coisas funcionam (esses devem perder uma hora da vida assistindo a um dos melhores programas da Discovery, “Como é Possível”, que encontra beleza até na fabricação de um prego).

Street Fighter IV regado a nanquim no modo preview

Street Fighter foi o motivador de quase todo garoto e marmanjo comprar um SuperNintendo ou entrar no mundo do crime roubando trocados pra jogar em máquinas de fliperama. Para rapazes solitários, o SuperNES substituia uma namorada tranquilamente ao atravessar as noites de sábado arrebentando as falanges dos dedos tentando executar um hadouken perfeito ou tentar ver a calcinha da Chun Li em câmera lenta.

Esse trailer mostra o novo Street Fighter IV, e embora não tenha muitas dicas de como serão os gráficos, que tomara que sejam em 2D, mostra que dá pra fazer alguma coisa diferente com o tema games. A animação com farta distribuição de porrada interage com ondas e respingos de nanquim branco, preto e vermelho. Curioso e bem feito.

A falta que faz um designer gráfico

O que importa é a intenção e a informação, mas tem casos onde a sutileza faz falta. Imagine um dia cair um job na mesa de um designer gráfico pra fazer um projeto de pictogramas ou sinalização sobre diarréia. Ou será que a idéia é chocar e trocar a diarréia pelo vômito?

Dicas americanas de como se tornar um ilustrador profissional autônomo (puxando mais para os quadrinhos)

[img:Engageds.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Uma dica de lustrar dourado que saiu no blog Drawn.
Dave Roman é um desenhista sintético, econômico mas com estilo. Eu curti muito uma historinha meiga que ele fez chamado “How We Got Engaged“, ou “Como Ficamos Noivos”, que ele fez com sua consorte contando como começaram a vida a dois. Tipo de história que parece ter sido feita com açúcar e afeto. Ela está inteira no site Webcomicsnation.

Ele trabalhou durante 9 anos na Nickelodeon Magazine, acumulando experiência dando aulas e olhando centenas de portfólios.
Em seu blog “It’s Yaytime!” ele dá várias dicas para os tenros e verdinhos na área da ilustração, quase uma versão novaiorquina do Guia do Ilustrador, mais focado para quem quer trabalhar com Comics. Logicamente, nem tudo pode ser adaptado para a realidade da terra da Rita Cadillac, mas uns 90% das informações são válidas para qualquer país com liberdade de expressão e pobreza.

Reproduzi todo o texto aqui, ele é grande e tá em inglês. Infelizmente, hoje não tem conversation, inglês hoje é uma necessidade. O volume de informação que você perde por não saber a língua nativa do Elvis é descomunal, fora as possibilidades de você ilustrar para outros países, graças à internet.

What kind of illustrator are you?
For any one assignment there are thousands of artists that could potentially be hired. Why should an editor or art director hire you? You need to figure out what makes your art unique. Because when there are a thousand artists who would all like the same gig, often just being good isn’t enough. You have to have a distinctive voice. It’s not about whether you can draw a bowl of fruit, it’s about how bad-ass, or realistic, or cute you can draw that fruit and convince people that no one has ever drawn it that way before. This sometimes gets confused with “the hot style,” but really it comes down to making art that lots of people find appealing and want to see more of. Figure out what your strengths are and what adjectives people use to describe the way you draw. Is it elegant, surreal, old-fashioned, cute, edgy, hip, classy, pretty, dynamic, dramatic, soft, hard, or all of the above? You may not want to categorize yourself, but to a certain extent you will need to if you want to focus yourself and find the places that will actually hire you. Continue reading

Quanto custa um personagem para a Copa do Mundo?

[img:Hanh.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Aproveitando o gancho dos megaeventos esportivos que destroem e constroem coisas belas, a dona de um escritório de design, em uma conversa informal, perguntou pra mim qual seria o valor para a criação do mascote para a Copa do Brasil em 2014.

Respondi brincando que não fazia a mínima idéia, mas que devia ser um trabalho tão desgraçadamente complicado, que levaria tanto tempo para encontrar os valores e daria tanta dor de cabeça para checar os dados que eu cobraria só pra fazer o orçamento. E que dependendo de como vai estar o ânimo do governo na época, acrescentaria uma porcentagem se insistirem em usar um indiozinho ou um psitacídeo (papagaio, periquito ou arara) como símbolo.

Uma anta ou uma capivara daria pra dar um descontinho. Ou valorizando os animais menos favorecidos de maneira individual na escala evolutiva, a tanajura daria um belo mascote.

El Logotipo de las Olimpiadas de Madrid 2016 es muy hermoso, mucho más que London 2012 pero non tanto que China 2008

[img:Madrid2016.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Foi divulgado pelo COI o logotipo das Olimpíadas de Madrid 2016. Es una mano com uma letra “M” no meio.
Não cabendo aqui questionar a beleza, funcionalidade ou lógica desse logotipo (afinal ele não é tão feio como o de Londres 2012 que vale uma pedrada bíblica que justifique isso), até porque ainda não fizeram o racional desse trabalho pra divulgação, o fato é que gastando meio minuto da sua vida que não voltam mais você não encontra um elemento que lembre a Espanha. Ou será que meus olhos cansados de ver tanto sofrimento não conseguem captar essa mensagem?
Bom, melhor isso do que colocar coisas batidas como touro preto, paella ou castanholas.

Talvez dentro do contexto isso fique mais claro. Em contexto entende-se veiculação massiva, chaveirinhos, filmes, mascotinhos, bandeiras, promoções, assinatura em produtos de patrocinadores, e como Yull Brinner dizia em “Ana e o Rei do Sião”, etcetera, etcetera, etcetera.
Coisinhas para aumentar ainda mais o beiço proeminente de Hugo Chavez em relação à Espanha, candidato olímpico de queda de braço sem alça.

Curiosidade: o pai do logotipo é um argentino, Joaquin Mallo, e foi escolhido pelo voto popular.

Aqui foram os dez logotipos finalistas que, como candidatas a Miss Universo que tiram o segundo e terceiro lugar, são jogados no ostracismo depois de um beijinho e um abraço no vencedor.

As Havaianas curvosas de Chris Sanders

Chris Sanders é um sujeito que tem um fetiche por havaianas voluptosas, olhos amendoados e bichos bizarros. Foi um dos diretores e ilustradores que conceberam “Lilo & Stitch”, um filme que quase ninguém reparou no tratamento de aquarela dos cenários.

Vê-se aqui que ele controlou sua mão pra desenhar a irmã de Lilo da maneira mais comportadamente Disney possível. Mais um da série “ilustradores que amam mulheres e coisas atormentadas”. Em seu site tem vários sketches, não tantos como na maioria dos outros ilustradores, mas o suficiente pra lavar os olhos com imagens refrescantes.
Seria um equivalente ao Paul Gauguin só que na versão animação e trocando o Taiti pelo Havaí.

Preto e Branco

A animação japonesa “Preto e Branco” veio de um gibi que já foi publicado no Brasil, acho que pela Conrad.

Criado por Tayo Matsumoto, conta a história de duas crianças, irmãos, que possuem superpoderes não muito em explicados. Um deles, Preto, é mais velho, normal e cuida do menorzinho, Branco, que é meio limitado e apatetado. Nada de olhos gigantes amendoados, nada de vilões maniqueístas comprados em supermercado de tão padronizados, nada de soluções de roteiro e desenho baratas e/ou preguiçosas.

Tá correndo o risco de concorrer ao Oscar, junto com Persépolis e Ratatouille, segundo a lista que saiu no Updaters. Não diz muito, porque as Tartarutas Ninjas também estão querendo passar a mão no homenzinho dourado.

Centenas de repolhinhos na platéia

Há um ano atrás, quando fazia consultoria para a Grendene, conheci a Ana Amélia, que cuidava da parte de produtos infantis de lá. E conversa vai, conversa vem, ela me contou que, quando tinha que falar em público, imaginava repolhinhos (nas suas próprias palavras) no lugar das pessoas na platéia. Assim ela não ficava nervosa e conseguia falar em público solta e desenvolta como linha correndo de um carretel novo.

Pois bem, tentei usar essa técnica diante da platéia de Aracaju. Como não dava certo, porque me lembrava da história do repolho na privada, o que me tirava o fio de raciocínio, a solução foi olhar pro holofote. Assim eu ficava cego com a luz e não conseguia ver direito a turba que me intimidava mais que um art buyer que acordou do lado errado da caverna. Se fosse assim, devia ter levado um óculos escuros, tal qual fazia Roy Orbison. Passado o congelamento nas partes íntimas e estômago no começo, você passa a falar feito uma matraca.

Aqui semicamuflados, Walter Vasconcelos e Paulo Cavalcante fazendo a palestra num bem-bolado sobre ilustração contemporânea. E os dois desenham pra carvalho, estou só coletando umas imagens pra falar sobre os dois aqui.

O pessoal de Aracaju foi muito hospitaleiro, tanto que só faltava escutar minha mãe chamando pra jantar. E pra quem for pra lá, tomem muito cuidado com o fatal amendoim cozido que eles vendem no mercado. É uma delícia, mas é uma ameaça digestiva que toma seu estômago como refém se comer demais.

A paixão por desenho passa pelo pericárdio

[img:Vertebrae.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Para ilustradores que um dia pensaram em estudar medicina, mas acharam melhor usar a lâmina apenas para apontar o lápis ao invés de abrir camadas de pele pra cortar um apêndice supurado, o site da biblioteca da Universidade de Toronto tem mais de 4.000 pranchas de ilustração em todos os sistemas do corpo humano possíveis. Nessas horas é que dá vontade de beijar o cara que inventou a internet. Informação valiosa e digrátis (ou à borla, como dizem os amigos portugueses) para quem ama anatomia além do tradicional e vulgar coxa-e-bunda para admirar a beleza de um pâncreas ou a mimosidade de um intestino delgado.

E como dizem os comerciais do Polishop, espere, ainda tem mais!

Meu ex-colega de cuba e bisturi em sessões de dissecação de ratinhos brancos Otávio enviou uma dica de causar ereção em Hannibal Lecter ou no Dr. Ross. Atenção estudantes de medicina que essa dica é duca.
É o link para a obra completa “Gray’s Anatomy”, que deu origem ao nome da série de TV remerrenha. Escrita e editada em 1918 por Henry Gray, ainda deve ser a bíblia de anatomia das aulas de jaleco branco e[img:Vertebra.jpg,full,alinhar_dir_caixa] deve custar uma pequena fortuna e pesar uma pequena tonelada, o equivalente do Lehninger para Bioquímica ou o Barnes para a Zoologia de invertebrados. Como a obra inteira está online, acho que ela caiu em domínio público (mas não atirem pedras ou fezes, não tenho certeza).

Ainda que seja dirigida para médicos, é um prato cheio de docinhos para ilustradores que queiram aprender os segredos do corpo humano que não seja com uma mulher (ou homem, para as damas).

Cristo, não me deixe espirrar no meio do desenho

Com uma técnica parecida com uma litogravura de Gustave Doré, que ilustrou o Inferno, de Dante, mas com um componente alucinatório duplamente complicado: além de ser ilustrado com uma linha só, foi tudo baseado em movimentos circulares concêntricos. Paciência de monge ilustrador de iluminuras é pouco.
Não há informação de quem seja o ilustrador, apenas os editores, Knowles & Maxim.

Tenham fé, ilustradores.

O oitavo mês de gravidez de uma SailorMoon

Já que se vai ensinar sexo e as consequências de um encontro de gametas, planejadas ou não, que se faça em tom de mangá para, pelo menos, prender a atenção. Ou alimentar dois fetiches ao mesmo tempo: a tara por hentais e por grávidas.

Em breve uma versão da Trixie, do Speed Racer de barriga, esperando um filho do macaco Zequinha depois de uma noite alucinante dentro do Carro Mamute.