Quanto vale seu desenho?
Saber cobrar é uma arte, talvez mais difícil até que desenhar, para alguns.
Preços corretos são vitais par manter o mercado de uma profissão equilibrada e atuante. Cobrar menos por um trabalho sempre irá atarrachar os valores no mercado de forma contínua, portanto cobrar corretamente além de ser vital pra conta corrente do ilustrador, também é uma questão de ética e consciência com outros amigos do traço.

A SIB – Sociedade dos Ilustradores de Brasil – lançou uma tabela de preços editoriais baseados em pesquisa com vários ilustradores porretas. Tem a flutuação entre valores mínimos e máximos, mas não significa que seja o máximo que possa ser cobrado, são apenas referências. O importa é não cobrar menos do que o proposto. A tabela tem um peso significativo por ser confeccionada com carinho pelas mãos de ilustradores com talento reconhecido e a carcaça cansada de tanto trabalhar, não tem chutômetro e achismo no meio. E pra felicidade de todos que querem respeitar seu rico e suado dinheirinho com seu talento, a tabela está disponível para todos os seres viventes da face da Terra (clique em IRV – Índice de Referência de Valores).
















Há alguma previsão de tabela da SIB para publicidade, Hiro?
Ainda não tem nenhuma previsão, Silvana. Ficamos no aguardo, mas acho que não deve demorar muito pra sair.
Abs!
Oi, Hiro.
Participo de uma comunidade de ilustradores muito séria (coisa rara no Orkut) e outro dia rolou uma acalorada discussão que teve como centro o site Camiseteria, que “É um site de venda de camisetas, onde os usuários do site criam as estampas. Você manda sua estampa pra lá, e ela será votada pelos outros usuários durante 10 dias. Dependendo da nota final, ela será escolhida no site e será impressa.”
O autor da estampa escolhida ganha 1000 reais, 600 em dinheiro e 400 em compras.
Vale ressaltar que quando se envia uma estampa pro referido site, esta passa a ser propriedade dele.
Evidentemente o site, que fatura mais de 100.000,00 por mês, foi muito criticado pelos ilustradores mais “rodados” pela exploração a que submete os artistas que enviam suas estampas (recebem pouco e ainda perdem os direitos sobre suas criações). O Camiseteria só encontrou defesa por parte dos ilustradores que fazem ilustração voltada para o mercado de estampa e de moda, o argumento foi de que o prêmio do site é um valor muito bom dentro do mercado de estampa e de moda.
Depois do “incêndio” apagado na comunidade, fiquei pensando como dentro da ilustração existem vários segmentos (editorial, publicitário, estamparia, moda etc.) e cada qual deles tem seu próprio referencial de preço.
Será possível um dia unificar ou pelo menos aproximar mais todos estes segmentos de modo que atinjam todos um referencial mais próximo de preços e um segmento não prejudique o outro?
Hiro, não achei essa tabela no site. No link “orientação rofisional” só estão os códigos e os modelos de contrato.
A tabela tá bem na página inicial da SIB, na parte inferior escrito “IRV”. Clica lá que você acha.
Olá Dragon.
Não acredito que os ilustradores um dia chegarão a um consenso, é uma das vantagens e ao mesmo tempo um dos problemas da carreira.
Ilustação editorial, publicitária, estamparia, criação de personagens, tudo em teoria é a mesma coisa. Mas os mercados são diferentes, as mentalidades são diferentes e mesmo dentro de uma ramificação existem diferenças entre clientes e ilustradores. Isso acontece também entre médicos, arquitetos, todas as profissões.
Esse tipo de prática, a da Camiseteria, e de outras empresas que praticam preços abaixo do mercado, faz com que os ilustradores se fechem em “faixas”. Existirão aqueles que se contentarão com pouco e desistirão com o tempo depois que perceberem que o artista não vive só de arte e água, aqueles que se conformam e ficam numa posição intermediária, recebendo valores pequenos, mas que dá pra sobreviver, e outros que persistem muuito e criam contatos corretos e conseguem ter uma boa renda e serem referência. São faixas de profissionais que possuem mercados que não se flertam entre si. Acredite, clientes grandes ainda pagam o correto pela qualidade e profissionalismo. Se empresas como a Camiseteria existem é porque tem gente que faz. É fato.
Enquanto houver insegurança e ansiedade no jovem ilustrador em mostrar seu trabalho, isso vai ser sempre explorado. As candidatas a modelos que vem do sul que o digam.
O problema são as pequenas e médias empresas, principalmente as pequenas que estão se transformando em médias. Essas bizarrices acontecem tanto na publicidade como em editoras.
Agora, outro problema é a falta de conscientização dos ilustradores que possuem alguma projeção no mercado.
São poucos os ilustradores que batalham pela profissão, e menos ainda aqueles que tem bom senso de usarem argumentos flexíveis que gerem canais de comunicação entre os ilustradores, o cliente e o consumidor final.
É só você ver na SIB ou nas listas, a grande maioria de quem participa ou tem alguma representação são ilustradores editoriais. Raramente você vê ilustradores que trabalham com publicidade e design com esse tipo de postura.
Isso não acontece só aqui no Brasil. Acontece também nos EUA, Inglaterra, Japão…só que ali, existem entidades que representam os ilustradores de maneira ferrenha entre as editoras e agências de publicidade, como a GAG, além da consciência de ilustradores com mais tarimba e fama no mercado sempre frisarem sobre a questão profissional quando possível, tornando-se uma referência para os novos que estão começando e paralelamente também fazendo as empresas contratantes tomarem consciência de como é o ilustrador como profissional.
Por aqui, infelizmente, só existem ações esporádicas e isoladas, alguns profissionais que sempre tentam puxar pra esse lado de forma quixotesca, como o Montalvo ou o Ricardo Antunes.
Eu pessoalmente acredito que entidades como a SIB ou a Abipro deveriam ser mais proativas usando exemplos que acontecem nos EUA, como o Sketch-a-Crawl, que promovem a imagem do ilustrador perante o público, criando canais de comunicação entre ilustradores e art buyers e editores.
A esperança é a última que morre. Antes, cozinheiro de restaurante era quase um subemprego, e hoje virou chef de cozinha e é uma profissão valorizada (mas que poucos ganham bem, como todas). Ilustração já foi bem vista, ganhava-se bem, e por comodidade e falta de adaptação, ela acabou se desmembrando e se desvalorizando em vários aspectos.
Espero que a situação se reverta, com consciência.
Abs.