O franzer da testa ao ver um logotipo muy feo

A Wacom, das queridinhas tablets e da cobiçada Cintiq, renovou o logotipo. À primeira vista parece que foi um job processado e parido pelo Hans Donner por causa dos degrandantes degradês e pela profusão de cores que chocam e conflitam na frente dos seus olhos. Mas infelizmente não foi, o que significa que os arautos do apocalipse gradiente estão se proliferando.

Tudo bem, posso não entender de design 100%, mas como diz o bom senso, eu sei quando não gosto de alguma coisa. 5 cornetinhas coloridas juntas com volume e gradiente geram um sentimento de estranheza daqueles quando você vê um chihuahua de três patas velho com vestidinho cor-de-rosa.
Se fosse uma empresa de brinquedos, ainda vá lá, mas para uma empresa que fabrica um acessório dirigido para designers, ilustradores e artistas digitais, se torna um desafio de compreensão mental, como um Sudoku na frente de um macaco.

Não tão pior, mas dando uma estranheza visual também é o novo logotipo do Photoshop.
Um balão com um buraco no meio pra mim significa papo-furado.

Em suma, pra que melhorar se podemos piorar?

Revista Ilustrar

Todo ilustrador tem orgulho e respeito pelo que faz, mas existem alguns momentos em que ele se sente um burrinho de piñata, levando porrada por todos os lados de pessoas imaturas e ensandecidas, querendo tirar o que lhe é mais precioso, que são suas entranhas doces e coloridas na forma de desenho. Felizmente não são todos momentos assim. Há aqueles em que você encontra clientes respeitosos, satisfação pessoal e tranquilidade em família, que transformam a profissão do desenho num privilégio. Um desses momentos aconteceu há algum tempo com o lançamento do Guia do Ilustrador.

Novamente, Ricardo Antunes tem se mostrado um patrono da profissão, o lado yin para o prestígio e valorização da profissão do ilustrador. Ele é daqueles que seguem a linha “traga-me soluções, não problemas” de forma suave mas constante.

Ricardo agora tem um lugar garantido no céu dos ilustradores com o lançamento da Revista Ilustrar. Num esforço de um exército de um homem só (ou dois, pelo visto no expediente), a revista também está nos mesmos moldes do Guia do Ilustrador, ou seja, está disponível pra download e não precisa pagar nada. Mesmo sendo de graça tem um valor inestimável.
Principalmente porque no Brasi existem poucas e inexpressivas similares no gênero, ao contrário do que acontece nos EUA, Europa e Japão.

A proposta da revista é divulgar a profissão do ilustrador e dos trabalhos dos ilustradores. Nesse primeiro número tem coisas do Samuel Casal, Eduardo Schaal, uma entrevista esperta com o Alarcão e outra magnificent do Arthur de Pins, cujo estilo de ilustração tentei repassar em uma das toalhinha de bandeja. Também tem um tutorial do Antunes e matéria sobre o IlustraBrasil 4.

A número 2 promete.

Zodíaco e o cartunista que virou perdigueiro

Quem viu o filme “Zodíaco“, do David Fincher (Seven, O Clube da Luta), viu que a história (real) tem como um dos personagens principais um cartunista, Robert Greysmith, que escreveu o livro que que foi a base do roteiro do filme. Ele trabalhou no San Francisco Chronicle fazendo cartuns políticos bem no estilo gráfico da grande maioria dos cartunistas americanso, cheios de hachuras e linhas soltas, como os trabalhos de Berke Breathed, Vince McCormick e Garry Trudeau.

Como no filme não mostra absolutamente nenhum trabalho de Greysmith, abaixo vai alguns cartuns antes dele quase perder a cabeça caçando o Zodíaco.

E num oferecimento mórbido para quem é fã daquela revistinhas Picolé de criptogramas e consegue resolver Sudoku sem borracha, abaixo é um dos enigmas enviados pelo coisa-ruim ao jornal onde Greysmith trabalhava.

No filme é mencionado o livro “Codebreakers”, usado pra decodificar o enigma. Mas curiosamente, a mesma chave e método de decodificação, bem simples por trocar uma letra por um símbolo, apareceu antes no conto “O Escaravelho Dourado”, de Edgar Allan Poe.

Capitão Arsênio e as maravilhosas máquinas de voar

[img:Arsenio.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Capitão Arsênio não é militar, mas um cientista maluco e steampunk pacas. É uma criação do argentino Pablo Bernasconi, que fez o livro “O Diário do Capitão Arsênio”, uma mistura muito feliz de colagem, engenharia e criatividade. Ele mostra as várias simpáticas e absurdas engenhocas e as tentativas frustradas dele voar. O livro custa R$30,00 e é da editora Girafinha. Preço de uma pizza e faz menos mal.

No UOL tem uma amostra muito econômica do livro, com umas 6 imagens boas e um trechinhos dos textos pra dar uma petiscada e ter certeza antes de abrir a carteira pra adquirir um.

Pausa pro café

[img:Suitcase.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Em alguns dias eu volto de férias e acerto as pendências que ficaram soltas por aqui. Inclusive respostas a alguns comentários.
É um exercício de perseverança postar algo pelo Palm.

Halo em português

Aparvalhado pela maciça campanha mundial de lançamento de Halo 3, pra X-Box 360, comprei um pra ver se o cacife dele era tão bom assim. O jogo tem um visual apetitoso, a jogabilidade é meio assim-assim, mas a novidade é que ele é todo dublado em português. E antes que viesse um gosto amargo na boca, achando que seria uma bomba de igual efeito moral ao Jack Bauer falando tupiniquês, o que me fez desistir de acompanhar o resto do seriado pela TV, a dublagem é muito boa! Tem uns palavrões nível 1 (que dá pra falar na frente da mãe), como o soldado que ordena pro outro“Senta logo essa bunda aí”, e não dá pra deixar de rir dos monstrinhos-anões que ficam berrando “Uai” com sotaque mineiro a toda hora.

Ainda preciso aprender como entrar na X-Box Live aqui no Brasil.

Toalhinha de setembro

Como tenho colocado posts com antecedência por causa de uma viagem, acho que já deve estar nas lojas a nova toalhinha de bandeja do McDonald’s com o tema Esportes. Nada a ver com o Pan, mas a associação é inevitável. Tinha umas curiosidades mais maneiras que foram cortadas (como a de que carros de Fórmula 1 não possuem marcha-ré ou que os astecas jogavam pelada com uma bola de uns três quilos de borracha maciça e que sempre tinha um infeliz que era sacrificado no lado perdedor), mas por alguns motivos, ficaram de fora.

Shunga, hentais e impressoras sexuais

A agência Publicis da Romênia criou anúncios para HP dirigido para onanistas com uma fixação pela perversão japonesa e que também possuem alguma aspiração artística. Misturar sexo, Japão e impressoras tem sua lógica para quem fica excitado ao ler a frase “jato de tinta”.

Dois desenhos pra pintar (ops) com números em estilo hentai e shunga. Considerando o cliente, até que tem uma dose de ousadia saudável.

Shunga são gravuras antigas japonesas de sexo, cujos mestres são Utamaro e Hokusai. São as versões arcanas e naftalínicas dos atuais hentais, subproduto do mangá e animê de baixo valor nutritivo mas amplamente aceito no Japão e no Ocidente.

Tara McPherson

Encontrei uma nova musa pra ficar babando. Tara McPherson é uma ilustradora tão sinistra, obscura, mas com uma doçura, leveza e linhas tão claras e limpas que até parece bipolar ou esquizofrênica, pois aparentemente são duas pessoas diferentes morando no mesmo corpo e fazendo um trabalho de encher os olhos.

Seu livro “The art of Tara McPherson” é um deleite, principalmente as páginas em papel vegetal, com os rabiscos na linha antes-e-depois.

Bizarramente, olhem pra figura. Ela não é a personificação em carne, ossos e tatuagens dos seus próprios desenhos?

Arrastador de veados

Fico na esperança de que exista um oitavo círculo escondido no inferno para pessoas que fabricam ou vendam coisas que fazem mal. Um círculo específico para fabricantes de armas, minas terrestres, traficantes de drogas, vendedores de produtos pra emagrecer com estratégia de marketing multinível, fabricantes de cigarros ou inventores de apetrechos para caça.

Quem imaginaria que pudesse existir algo assim pra vender? Um arrastador de cadáveres de veados. O produto deixa um gosto estranho na boca e a embalagem gera karma ruim pro designer que o criou.
Issa!

As formiguinhas e a rainha da arte barata e sem alma

Há alguns anos, estava discutindo com um amigo ilustrador sobre a diferença entre a ilustração publicitária e a editorial. Eu era a parte publicitária e ele a editorial, e hoje aprendi que esse tipo de discussão só acaba com guerra de amendoim e egos machucados. Para ele, ilustradores publicitários eram fábricas de desenho, um ramo da ilustração que produz trabalhos sem conteúdo e em série.

O Alarcão enviou essa dica de uma matéria escrita pelo Gilberto Scofield no Globo que mostra que meu amigo estava errado. As fábricas de ilustração existem, mas ficam na China.

A matéria é bem interessante. Mostra como a cidade de Dafen é o centro mundial de produção e exportação de arte barata, onde se faz 60% da produção mundial de falsos Van Goghs e Leonardos (segundo ele, a Wal Mart é a maior cliente). Uma cidade de 10.000 habitantes que quase todos trabalham com pintura.
Percebe-se pelas fotos que o conceito de produção em série aqui não é uma metáfora.

Senti uma certa tristeza ao ver essa matéria. Ilustração e arte é algo que sempre deveriam ser feitos com paixão, gerando além de reconhecimento profissional e financeiro, também uma realização pessoal.Pelo menos todos os ilustradores e artistas que conheço seguem essa carreira por absoluta decisão própria e porque, por algum motivo inexplicável, acreditam em seus próprios talentos pra seguir em frente. Não sinto que é isso o que acontece em Dafen, cuja massificação da produção dos trabalhos parece incinerar qualquer tipo de satisfação ou amor pela arte, sendo apenas um subemprego pra ganhar alguns yuans a mais. É uma situação em que você nem pode chamar esses garotos de artistas, mas de pintores (alguns com certeza talentosos e com uma gana de fazer algo mais autoral).

Cor ao seu dispor


Esse site do Big Huge Labs tem um aplicativo um pouco meia-boca, mas curioso ao mesmo tempo (meia-boca porque não funciona direito, curioso porque se ele fosse mais acurado seria uma ferramenta útil). Você faz upload de uma foto qualquer que ele gera uma paleta de cores HSB de tudo o que tiver lá dentro, ou pelo menos, 50% das cores. Vai entender, fotos sempre são analisadas de maneira mais responsável do que ilustrações, que geram uma lista de cores bem merreca.

Mágicos, cozinheiros, idéias e propriedade intelectual

[img:Hat.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Você não registra uma idéia. Não adianta ter uma bela sacada e ir correndona Biblioteca Nacional pra registrar que não funciona. Tem que ter uma forma, um desenho, um boneco de um livro ou um layout. Mas idéia sozinha não é registrável. Ou seja, a idéia é de quem realizá-la primeiro. Toca pra correr, então.

Algo parecido acontece com os mágicos. Não se registra uma idéia de um truque mágico inovador que deixaria Criss Angel lambendo poeira. Ou com um chef de cozinha. Também não se registra um prato que ganharia lagriminhas do Anton Ego.

Como eles faze pra proteger essa propriedade intelectual?

Aqui tem um texto muy interessante. Chama-se “How Magicians Protect Intellectual Property Without Law“, ou em português, “Como Mágicos Protegem Propriedade Intelectual sem Lei”. O site é meio confuso, tem que ir na parte superior direita e clicar onde está escrito “Go to download document” pra baixar o pdf bem grandinho.

O texto é em inglês, é pomposo, extenso e parrudo, mas é interessante pra entender como isso seria possível. Se funciona pra mágicos, deve funcionar pra idéias lampejantes também.

Brinquedinhos bem desenhados para mulheres de bom gosto

O maravilhoso do design é pegar um objeto ordinário e transformá-lo em algo tão diferente do conceito original e que se torne lindo e funcional ao ponto de torná-um objeto de desejo. Ou, nesse caso, objetos para desejo.

Para meninas que escovam o cabelo 100 vezes antes de dormir, a loja Jimmy Jane vende apetrechos funcionais para sexo solitário ou não, com um design diferenciado. Acho que vou pedir um empréstimo no BNDES pra montar uma lojinha dessas aqui em São Paulo.

Some a isso o criador e ilustrador dos Gorillaz, Jamie Hewlett, e você tem uma série colecionável de 6 vibradores chamada “Ultimate Members”. Cada um com uma cor e um personagem. Um para cada dia da semana, sobrando o domingo pra descansar.

São tão legais que nem precisa ser mulher pra ter um.

Guerra dos Mundos grátis

Visto no blog Drawn, uma oferta irrecusável de uma adaptação de 125 páginas de “A Guerra dos Mundos”, de H. G. Wells, adaptada para o estilo da época em que ele foi criado originalmente, totalmente di grátis, na faixa, escrita e adaptada por Ian Edginton e ilustrada por D’Israeli.

Embora bem adaptada, sem muitas inovações (creio que propositais) ainda acho melhor o livro original, sem ilustrações. H. G. Wells era um ótimo construtor de “imagens mentais”, você viaja em seus livros em primeira classe, era um mestre pra descrever ações, ambientes e climas tétricos. Infelizmente trituraram “A Ilha do Dr. Moreau” em adaptações abismais, principalmente a última com o Marlon Brando. E um dia irão descobrir “O Alimento dos Deuses” e algum ilustrador inspirado vai fazer uma adaptação da história em que animais e pessoas comem um alimento misterioso e aumentam de tamanho.

Latrina nacional

Angelo Shuman, um dos grandes ilustradores brasileiros, tanto em talento como em altura, criou essa tarja em protesto aos eventos fecais ocorridos essa semana em Brasília.

Ele liberou o uso disso pra qualquer um que queira usar como protesto. Em suas próprias palavras, “uso livre, podem usar o arquivo para fazer adesivos, canecas, chaveiros, pau de macarrão, etc”.

Arte do cu do cão

Mais um flagrante que os japoneses tem uma fixação pelo orifício de dejetos canino.
Já postei antes sobre os sacos de pegar bosta de cachorro e a solução gráfica encontrada pelos designers de embalagens, de uma sutileza de um boi entrando no matadouro.

Agora são sacos de lixo decorados com a mesma posição de ré com a mesma exposição daquele lugar que não bate sol, só que dessa vez representados de maneira mais icônica e com um nada sutil “X” marcando o lugar de saída de mercadorias rejeitadas (peraí, em cachorros o sol bate naquele lugar, sim).

Eu preciiiso de um saco desses. Pra guardar jobs, ilustrações e orçamentos rejeitados.

As baleias, o Japão, a animação e o Greenpeace

Um combo para aqueles que adoram baleias e são simpatizantes pela proibição da caça dessas gorduchas do mar e também adoram animação, principalmente japonesas e com técnicas diferentes.

Esse filme para a Greenpeace explica de onde veio essa prática de comer carne de baleia, pelo menos no Japão. Na época da Segunda Guerra, onde faltava-se tudo e a fome só não era mais forte que o sentimento de devoção pelo país e pelo imperador, as baleias foram uma alternativa como alimento. Mesmo depois de acabada a guerra, o hábito de comer carne de baleia continuou. Esse é o mote desse filme, visto de um ponto de vista diferente e inteligente.

O animador dessa beleza é Koji Yamamura, que fez uma animação com o mesmo estilo sobre chamado “Franz Kafka’s Ein Landzartz”, de perder a respiração por um momento.

Curiosidade extra, baleia em japonês é “kujira”. Gorila em japonês é “gorira”. Juntando os dois nasceu “Gojira” ou em língua gaijin, “Godzilla”.

A memória de Samanta.

Já havia comentado sobre o simpaticíssimo trabalho da Samanta Floor, uma menina de talento meigaçado (meigo e engraçado). Eu sou fã incontinenti do seu humor simples e divertido como mixirica com sorvete pra comer vendo reprise de Seinfeld.
Essa tirinha sobre memória é simplesmente inesquecível, desculpe o trocadilho. Ilumina o dia de todos que gostariam de ganhar um cérebro novo no Natal.

Acho que ela também deve anotar número de telefone em pedaços de papel sem anotar o nome. Pior, se for como eu, mesmo com um bloquinho de anotações do lado, deve anotar esses números de telefone em revistas, envelope do banco ou recibos de Redeshop e nunca mais encontrá-los.

Mortadelo e Salaminho 9/11

O assassinato de Kennedy foi um trauma tão grande que é comum algumas pessoas que viveram aquela época perguntarem para outros: “o que você estava fazendo quando Kennedy morreu?”.
A mesma coisa se repete depois de 6 anos. “O que você estava fazendo no 11 de setembro?”.

Todo mundo se lembra o que estava fazendo. Em detalhes.
Eu pessoalmente só vi tanta gente de boca aberta olhando pras TVs de shoppings, bares e nas ruas no dia em que o Senna morreu.

Recebi isso de um amigo meu, Felisberto, que mora em Tampa.

É uma reprodução de uma página de Mortadelo e Salaminho de 1993 (Mortadelo y Filemon, em espanhol, que aliás, fazem ainda um baita sucesso por lá).
É pura coincidência, sem nada sobrenatural ou com intenções terrorísticas humorísticas. Mas que é curioso, é.

Da mesma forma que são curiosas as coincidências com o número 11 relacionadas com esse dia, principalmente por que acho que eu tenho um pouco de TOC relacionado a números.
Existem às dúzias circulando pela net, 99% delas palermices, mas tem uma que me arrepia os pelinhos do pescoço: 11 de setembro é o 254º dia do ano (2+5+4=11). Depois ainda restam 111 dias até o final do ano. Uia!

A assinatura de um ilustrador

Saiu no Drawn hoje uma dica deliciosa sobre um site da revista Life com uma coleção de dezenas de assinaturas de ilustradores que colaboraram com a revista no século passado.
Algumas assinaturas são tão estilosas que dão até inveja.
Abaixo são meus preferidos, a do Al Capp, pai do Ferdinando; do Charles Addams, pai da Família Addamas; e o supremo ser-ilustrador, Al Hirschfeld (um mês atrás um diretor de arte imberbe perguntou pra mim: “Hiro, por que você fala tanto desse Hirschfeld em seu blog? Tem cara que manda melhor no desenho que ele”. São nessas horas que eu queria ter a verve do House ou do Montalvo).


O primeiro diretor de arte com quem eu trabalhei foi o Saulo Garroux na revista Vida, da Editora Três, há uns vinte anos, mais ou menos. É tempo pra caray!
Naquela época eu ainda era puro e ingênuo como um carneirinho, e eu assinava meus desenhos com uma coisa que se parecia com um eletrocardiograma que ocupava 1/10 da área total do desenho. Uma vez ele se encheu e disse pra mim: “O tamanho da assinatura de um desenhista em seu trabalho é inversamente proporcional à sua insegurança”. Essa frase nunca saiu da minha cabeça, sempre tentando achar um argumento que rebatesse esse pensamente, e nunca achei um adequado. Excluindo o Millor Fernandes dessa história, por favor.

Depois de diminuir o tamanho da assinatura, continuei com o eletrocardiograma, mas aí alguém chegou pra mim e disse: “Por que você assina seu desenho como assina seu cheque?”
Som de mais uma ficha caindo.

A coisa evoluiu e hoje a assinatura ficou tão pequena e escondida que compete com o Wally. Pura diversão.

Pantones que você nunca vai usar na sua vida

Um catálogo de Pantone antigo tem mais de mil cores, mas se a gente for trabalhar com um tipo de laranja, por exemplo, sempre cai no 137, 144 ou no máximo no 151. O resto das cores caem no ostracismo. Por hábito, preguiça mental ou empatia pelas outras cores. Talvez use o Pantone 269 pra pintar hematomas frescos ou o 451 pra representar coliformes fecais, e só.

Sempre que tive que usar o catálogo Pantone pra escolher uma cor, com aqueles chipzinhos destacáveis, era comum ficar com algumas páginas totalmente vazias e outras que sobravam e a gente dava pras amigas destacarem pra combinar cor de roupa ou pra pintar a parede.

Agora a Pantone lança um novo set de cores chamado Goe com mais 2.000 cores novas. Tantas cores pra escolher, tão pouco tempo…e tão pouco dinheiro, já que eles devem custar uma nota preta.

Acho que nossos olhos não possuem cones e bastonetes em quantidade suficiente pra identificar as diferencas entre todas essas cores.

Update or die

[img:Logoupdaters.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Fui convidado pelo Wagner Brenner, ex-diretor de criação da McCann e criador doUpdate or Die, para colaborar no conteúdo do seu blog parrudo. Parrudo em quantidade de posts, em número de colaboradores, em visitações e na seriedade, mesmo sendo leve e divertido como pintinho colorido. É um blog de atualidades escrito por gente da área de propaganda e artes, e acho que sou o primeiro ilustrador a botar algumas linhas ali. Não envergonharei vossa classe.

Em alguns dias vou começar a colaborar lá com alguns textos que escrevi no meu blog e que tenham pertinência com o Updaters, além de colocar algumas coisas interessantes que não tem muito a ver com ilustração e arte (sexo e mundo bizarro acho que também não entram lá, mas acho que se for novidade talvez tenha alguma chance). Como não sou o Nakamura que controla o tempo, talvez não consiga ser tão prolífico como aqui, mas como sempre digo, é pouco mas é de coração.

Clones publicitários

Culpem os anuários de criação, o One Show ou a Archive, onipresentes nas mesas dos criativos, ou as propagandas subliminares feitas pelos ancestrais e antepassados publicitários que influenciaram também os novos trabalhadores da arte da divulgação ou aleguem uma fantástica sincronia conceitual mas não temporal. Culpem também as pizzas meia muzzarella, meia enfarto das madrugadas com café e Coca-Cola. O fato é que existe uma membrana fina como um hímen que separa a coincidência da cópia clonada.

Esse site francês deve ser a janela de identificação dos supeitos para alguns diretores de arte e redatores. É uma compilação de dezenas e dezenas de propagandas impressas que ou usam um conceito similar, mas têm o benefício da dúvida por utilizarem ícones universais, como lábios em forma de coração, até reproduções assexuadas de idéias e até layout. Define-se aqui a diferença entre plágio doloso e plágio culposo.

Falando sério, um diretor de arte ou redator nunca tem 100% de certeza se está criando algo novo, mesmo com pesquisas em anuários de quinze anos atrás. É natural alguma coisa escapar de vez em quando. Ilustradores também, às vezes na maior inocência reproduz uma idéia que já existe, de outra forma. Como disse antes, às vezes acontece por que estão trabalhando com símbolos e ícones universais, às vezes por que existe uma associação óbvia entre a forma e a idéia. Mas algumas vezes existe mesmo o espírito vilanesco da apropriação indébita em alguns. Poucos, felizmente.

O site não tem uma home page propriamente dita, então tem que fuçar nas diversas categorias. Achei no Updaters.

Aprenda a desenhar e seja rico e feliz

Houve uma época em que não existia Coca Light, nem celular, nem TV a cabo, mas se tomava Grapette, fazia amigos pelo Pen Pal (aquele que você escrevia cartas mimosas para amiguinhas na Índia, Tailândia ou na Itália) e colocava-se um plástico colorido na frente da TV preto e branco pra “emular” uma TV colorida.

Esse anúncio que me enviaram é dessa época.
Era uma época em que quem quisesse fazer sucesso na vida e com as mulheres era só fazer um curso de desenho, alguns à distância como os do Instituto Universal Brasileiro, que anunciavam em todas as revistas Disney da época. Dava até a impressão que, se você se fizesse um curso de desenho, você se tornava mais bonito e mais musculoso.

Era uma época maravilhosa onde as editoras e as revistas pagavam muuuito bem pelas ilustrações.

Como as coisas mudam.

Computer arts no Brasil

Chafurdando a banca da esquina, daquelas que ficam ao lado de uma padaria e que ainda insistem em vender cartas de Yu Gi Oh piratas, pensei ter visto algo que não condizia com a simplicidade favélica daquela banca: uma Computer Arts ao lado da Playboy da Barbara Paz. Uma revista importada ali? Uia, lançaram a Computer Arts no Brasil! Notícia boa pra quem comprava essa revista importada e gastava uma bela grana (80 reais), ou para quem sempre queria mas não tinha atrevimento financeiro para isso. Só não vem com os CDs, mas o essencial, que são os arquivos de tutoriais, podem ser baixados no site oficial da revista.

havia comentado antes sobre ela, mas vale frisar um pouco mais. Embora ela seja um pouco tendenciosa a respeito do estilo (os editores devem adorar iustrações undergrounds e ornamentadas, coisa que o Adhemas Batista faz muito bem). Os tutoriais são legaizinhos, os textos de equipamentos e programas também, mas o que é poderosa nessa revista são os textos sobre criatividade, mercado, profissionalismo e maneira de trabalhar. Como na antiga desculpa de seesse comprar a Playboy (que a gente comprava por causa das entrevistas), nesse caso esses textos valem a subtração do seu rico dinheirinho.

Será que dá pra ter um fio de esperança da editora Europa também editar a Imagine FX por essas terras?

O Executivo, o Dragão e os Órfãos

De vez em quando a gente se depara com trabalhos de deslocar o queixo, mas por causa da falta de tempo ou por pura preguiça não procuramos saber quem são os criadores. Isso não acontece quando se trata de artistas ou empresas pesopesadas, e na área editorial quase sempre o crédito é dado de maneira fácil de se ver. Isso não acontece dentro da publicidade, então se quiser saber quem fez o quê tem que fuçar.

E de repente você descobre que algumas peças que você mais admira foram criadas pela mesma pessoa. Aí o nome dela entra na prateleira da sua mente e não sai mais.

Jamie Caliri é um desses caras. Descobri que ele é o responsável por duas obras de animação curtas, mas admiráveis.

A primeira é um comercial da United Airlines que saiu no Superbowl de 2006, o megaevento esportivo que produz megaproduções publicitárias para serem veiculadas em seus espaços megamilionários. É uma animação toda feita em papel, com uma delicadeza e criatividade autoral raro de se encontrar em publicidade. Mostra um executivo que vira cavaleiro quando viaja, na visão do seu filho, e tem que matar um dragão por dia. É tão bacana que ouso dizer que o que estraga são os créditos do cliente no final.

A música tema no final é Rhapsody in Blue, de George Gershwin. De vez em quando toco ela aqui no trabalho bem alto pra acordar.

O outro trabalho magnífico desse cara são os créditos finais animados do filme “Lemony Snicket’s A Series of Unafortunated Events”, ou pachorramente traduzido aqui de “Desventuras em Série”. Comprei esse DVD só por causa dessa animação.

E pra quem gosta de ver as entranhas de um trabalho, Jamie Caliri deixou um “making of” do comercial da United. Vale a pena ver o trampo que dá e a harmonia entre o trabalho manual feito na munheca com o computador.

Focando agora por essas terras, em estilo similar (com suas devidas diferenças, óbvio) tá rolando no momento na TV a campanha “Prestígio” do Itau Personalité.
Foi criado pela DPZ e a animação foi feita por Chico Jofilsan, Daniel Pommella e Paula Nobre para o estúdio Lobo.

iPod Touch

Uia!
Saiu o novo iPod, o melhor amigo do ilustrador depois do cachorro e do gerente de banco. O iPod Touch é o iPhone que não faz ligação.

Eu já aqui pensando em quantas ilustrações tenho que fazer pra ter um desses (de 300 a 500 doletas pra só 8 e 16 Gigas de capacidade, uma esmola comparado com o novo iPod clássico, com 160Gb).
É hora de tirar a capinha de silicone do iPod Video e deixar riscado feito o rosto do Keith Richards, assim a sensação de desapego vem mais rápido.

Se bem que não precisa muito esforço, porque a própria capinha de silicone consegue riscar o alumínio dos iPods.

Quanto vale seu desenho?

Saber cobrar é uma arte, talvez mais difícil até que desenhar, para alguns.
Preços corretos são vitais par manter o mercado de uma profissão equilibrada e atuante. Cobrar menos por um trabalho sempre irá atarrachar os valores no mercado de forma contínua, portanto cobrar corretamente além de ser vital pra conta corrente do ilustrador, também é uma questão de ética e consciência com outros amigos do traço.

A SIB – Sociedade dos Ilustradores de Brasil – lançou uma tabela de preços editoriais baseados em pesquisa com vários ilustradores porretas. Tem a flutuação entre valores mínimos e máximos, mas não significa que seja o máximo que possa ser cobrado, são apenas referências. O importa é não cobrar menos do que o proposto. A tabela tem um peso significativo por ser confeccionada com carinho pelas mãos de ilustradores com talento reconhecido e a carcaça cansada de tanto trabalhar, não tem chutômetro e achismo no meio. E pra felicidade de todos que querem respeitar seu rico e suado dinheirinho com seu talento, a tabela está disponível para todos os seres viventes da face da Terra (clique em IRV – Índice de Referência de Valores).