“É quadro de criança”
Foi isso o que algumas pessoas disseram quando viram o quadro de Jackson Pollock cotado a 140 milhões de dólares.

É obvio que a questão aqui é mais complexa e envolve outros fatores que devem ser levados em conta antes de julgar a arte dele como simplista e pueril (afinal 140 milhões de dinheiros não podem estar errados), mas o fato é que a maioria dos cidadãos comuns, que não tem contato freqüente com a arte, pensam a mesma coisa.

Coincidentemente, foi filmado um documentário chamado “My Kid Could Paint That”, ou “Meu Filho Pintaria Isso”, sobre uma menininha de 4 anos chamada Marla Olmstead, que pintava quadros abstratos próximos ao estilo de artistas como Pollock e Kandinsky. Ganhou em torno de 300 mil dólares pelas pinturas e foi suficiente pra gerar polêmica digna de passar no programa da Oprah. Os pais foram acusados de explorar a garotinha como uma vaquinha que dá leite. A mesma história que aconteceu com Macaulay Culkin e o cantorzinho mirim que dava vontade de esganar de tão irritante chamado Jordy.
Novamente a questão do que é arte. Pessoalmente, comecei a achar que o conceito de “arte”, além do sentido do dicionário, é algo pessoal como a escolha de um time de futebol. Cada um vai interpretar o que é arte de acordo com suas experiências, vivências e crenças. Coloque isso numa lista de discussão ou numa conversa de bar e pronto, está montado um cenário propício para farta distribuição de porrada.
Quem teve apoio, segurança e é bem resolvido em vários aspectos na vida e adora arte vai interpretá-la de uma maneira. O contrário, de outra. O meio-termo, também. Aquele que nunca ligou pra arte vai ter outra visão. Talvez nenhum deles esteja errados.
Eu, por exemplo, somente há alguns meses, depois de refletir muito, assumi que o que eu faço, ilustração, também é arte. Pelo fato de ter vindo de uma família mais simples, sem muitas opções, escolher essa carreira era uma roleta russa (sons de violinos tristes e gaitas de fole). Não tinha muita margem pra errar, então para minimizar isso, só admitia que fazia ilustração, deixando a arte, que era algo mais livre e “irresponsável” dentro de uma gaveta escura. Agora que as coisas já estão estabilizados, era hora de conciliar o que eu sou e que faço.
Tem gente que vai esbaforir e dizer que ilustração não é arte. Mais uma discussão onde o punho e o perdigoto falam mais forte que a razão.
















Verdade Hiro…discutir “o que é arte” é tão complicado qto discutir fubebol ou política. No momento (afinal opiniões não devem ser tão estáticas) julgo ilustração como design (junção de projeto e estética com referência na arte). Acho que embora sejam e/ou estejam bem próximos continuam sendo duas paralelas que se tangenciam mas ñ cruzam. Outro ponto é o fato de geralmente a arte ser concebida como objeto único e o design como algo feito para consumo em massa.
Eu vim aqui no seu blog pra justamente falar sobre esse filme, vi o trailer hoje!
Voce foi mais rapido e ja tinha postado =P
Abraco!
Eu tenho um conceito bem simples de arte: não consigo fazer igual? É arte! Hiro, tuas ilustrações são notadamente arte, sem nenhuma dúvida!