Coisas que comi com pão
A faculdade foi uma das melhores fases da minha vida, pela farra, pelas festas, pelas viagens e pela liberdade. Mas foi um período em que eu era mais duro e liso que azulejo.
Nessa fase, eu não era carnívoro, nem herbívoro nem onívoro. Eu era panívoro. Embora existissem vários grupos alimentares, o meu só consistia de uma coisa: Pão Pullmann, aquele que insistia em grudar no céu da boca e só saía com uma copada de líquido.
De dia o metabolismo era mantido pelo bandejão do Crusp ao custo de uma moedinha (naquela época era uma sujeira, tinha até vira-lata andando no meio das mesas). De noite, pão com alguma coisa que encontrava no meio do caminho, não necessariamente na geladeira ou em locais higiênicos. E naquela época não tinha essas coisas chiques e nobres como Wickbold (o de grãos é a finesse dos pães de forma). Era Pullman ou Seven Boys, porque eram mais baratos (novamente, sons de violinos tristes e gaitas de foles).
Esses desenhos foram layouts para uma toalhinha de bandeja maluca que encontrei por acaso no meio da bagunça digital. É óbvio que ela nunca saiu, mas a idéia era ótima: todas as coisas que comi com pão na época das Diretas Já.

Todos esses recheios não são mentira. Eles existiram e eu realmente comi essas alquimias, dignas de torcer as tripas do pessoal dos Mentes Ociosas.
Hoje descobri o significado da frase “o que não mata, engorda”.

Por fim, como golpe de misericórdia, cheguei a usar um ferro elétrico virado de cabeça pra baixo pra fazer um misto quente, num dia miserável em que a única coisa que eu queria era o afago de uma mulher (que eu não tinha) ou uma refeição quente (que também não tinha, pois ninguém comprava gás naquela república).
Passar roupa com isso depois era impossível e a camisa ficava cheirando a gordura de mussarela.
















Iguarias universitárias… Eu tinha um amigo que o negócio dele era miojo. Ele não tinha fogão, só forno elétrico. Fazia um miojo no forno, era um pudim que só se comia com garfo e faca!
Meu lanche favorito que minha mãe fazia era pão com io io cream. Já que é pra apelar…
Abs.
Sensacional post!
Experimenta (se ainda tiver estômago pra isso) pão francês com doce de amendoim (daqueles em barra e com amendoins inteiros) e requeijão.
Abraço.
André
Não dá nem pra comentar estas iguarias, Hiro. XP
A propósito, em que época você fez USP? Pelo seu relato, deduzo que na década de 1990, quando eu estive por lá, a situação do bandejão era um pouco melhor – mas não muito. De todo modo, já existiam as alternativas dos “quilos” (que, para alunas que fazem regime, não chegam a ser absurdamente caros) e dos “dogões” com tudo dentro (inclusive milho verde, ervilha, requeijão e batata-palha).
P.S.: a cara de felicidade da sardinha no pão é hilária!
O lance do ferro de passar já foi citado por Jack Kerouac no “Pé na estrada”. Você estava em boa companhia!
HAhaHAhaHAhaHAhaHAhaHAha!!!!!!!
Soh quero te dizer que me acabei de rir e vc fez meu dia melhor.
Ahh, tadinho!
Chamem o Remy, de Ratatouille!
Maria - Miojo era a segunda salvação da lavoura. O problema é que ele exigia panela limpa, água e fogo. O que a gente fazia era socar o pacote de Miojo, jogar o tempero no meio das migalhas e comer crú feito pipoca na frente da TV, quando tinha TV.
Danilo – Io Io Crem não vale, porque ele nasceu pra ser passado no pão.
André – Isso já é mais freak. Deixo esse acepipe para as novas gerações.
Silvana – Fiz a faculdade no final dos anos 80 (sou velho pra caray). Ainda não haviam os “porquilo” mas tinha o tiozinho onipresente do hot-dog “podrão”, que tinha a cobertura com aparência de vômito mas era muito gostoso (pra quem tinha fome).
Matias – Kerouac era o Harry Potter dos universitários naquela época (não li “Pé na Estrada”, só “The Subterraneans”), mas eu não era beatnik, era apenas um nerd com muita fome e pouco dinheiro.
Barbara – Valeu!
Agora eu sei da onde surgiu o boato que o hamburguer do Mc tinha carne de minhoca. Foi tudo culpa sua! rs…
Hahahaha, um barato esse post, adorei! Meu pai fazia sanduba de pizza com pão francês, porque a fome era grande e o $$$ curto…daí rendia e enganava mais o estômago! Ah, e na república de um amigo meu do trabalho, eles compravam linguiça por metro, 1m por aluno e pediam assim mesmo no açougue!
Um conhecido meu, em seus tempos de skatista sem dinheiro (hoje ele é artista plástico sem dinheiro, mas isso não vem ao caso), gostava de comer sanduíche de picolé de coco. Ele dizia que precisava ter uma refeição completa, mas que carregar dois volumes não era prático para quem andava de skate. Então, ele abria a embalagem do picolé, deitava o bicho dentro do pão francês e arrancava o palito.
[...] See all the “art pieces” at JibJab (this post is dedicated to Hiro ). [...]
Hiro, vi isso hoje, no BoingBoing, e na hora lembrei do seu post
http://www.jibjab.com/view/47050
inspiração para os seus próximos sanduiches!
eu como coisas semelhantes e nem estou mais na faculdade! :]
Mais uma receita para o seu Livro de Receitas do Durango: farinha de trigo com água assada na frigideira e regada a ketchup. Um “dilíça”!
putamerda Hiro, assim você me mata de rir!
este post é a explicação definitiva para a alcunha do hiro entre os seus mais antigos amigos publicitários: o “trash”…
aliás, que puta alcunha…
Meu apelido era Trash, mas não era eu quem vendia camiseta usada por uns trocados pra ter o que comer no café da manhã. Hihihi.
A-do-rei os sandubinhas decorativos do JibJab, são muito fofos! Mas… sanduíche de picolé de coco?! Só por Deus, viu?
A receita do Paulo é de um pão tandoor!
Um amigo uma vez estava em um lugar que não tinha absolutamente água nenhuma, cuja úníca fonte de líquido era uma mercearia da esquina.
No desespero, ele fez miojo esquentando um refrigerante de laranja de nome impronunciável…
A boa notícia é que esse amigo meu ainda está vivo, e bem!
Minha nossa, San…isso ganhou o troféu nojidade. É horrível!
Isso não é coisa de universitário! Isso é coisa de gente com larica! hehehe
Excelentes ilustrações!
Adorei esta publicação, dei muitas gargalhadas. Já saí da faculdade e ainda estou passando por estes perrengues, estou trabalhando em uma cidade distante da minha casa, aluguei um kit net e trouxe meus eletro domésticos só que não pude usar nada por que a corrente daqui é 220v. Comprei um forno elétrico, tenho comido miojo de várias formas. Descobri uma receita fácil e gostosa: maças assadas com mel e granola, este tem sido meu lanche preferido.
Sou da Igreja dos Santos e já tentei fazer faculdade, mas digo que sai por outro rumo e hoje sou Padre.
Que Deus ilumine sua história e guie teus passos meu jovem!
Reza e espere que Jesus Cristo sempre irá te ouvir, em nome de Deus eu te abençoo!
Sempre conte com o pai!
Um Grande abraço para seu ótimo tópico!