Buzz
Não tem muito a ver com ilustração, ao mesmo tempo que tem, pois muitos ilustradores também são diretores de arte, e sendo diretores de arte sempre tem que ter um olho na estética e outro em desenvolvimento de conceito e no marketing.
Em marketing falar “bonito” é fundamental. Grupo social vira networking, público-alvo vira target, orçamento é budget , tendência é trend e o buxixo boca-a-boca é chamado de buzz.
Buzz é uma das táticas mais eficientes hoje em dia para se vender e promover um produto ou uma marca. Não empurra nada, não existe uma divulgação maciça e psicologicamente você fisga o consumidor pelo desejo ao mesmo tempo pela opinião formada dos outros que juram de pés juntos que é bom à beça porque disseram pra ele que é bom à beça. É o marketing viral, ou simplesmente viral, que vai se espalhando e entrando na cabeça das pessoas de maneira beem suave, mas quando menos você percebe, tá seco pra comprar. São aquelas coisas que vêm do nada e todo mundo tá comprando ou está presente nas conversas de almoço por quilo. Como aquele tênis com rodinhas ou esses tamancos feios de plástico furado que tá na crista da onda. Como eu trabalho muito com marketing infantil, o buzz é uma das maneiras mais supimpas de divulgar qualquer produto nesse público, para desespero dos pais e pedagogos.
Há algum tempo rola na internet um filme que é uma das melhores estratégias de buzz para divulgar um site e uma empresa.

A história desse vídeo muita gente conhece. É a turma feliz como pinto no lixo que trabalha na Connected Ventures, uma empresa que trabalha com web, fazendo um lipdub da música Flagpole Sitta.
Todo mundo comenta exatamente a mesma coisa: eu quero trabalhar lá. Cheio de gente jovem, magra, simpática e bonita, num astral de festa de amigo secreto num ambiente de trabalho que parece um centro acadêmico em dia de trote. 0 vídeo é muito bem feito, a dublagem é profiça e você sempre termina de vê-lo com um sorriso na boca. O suficiente para aquele que trabalha em um emprego pegajoso e remerrento sinta vontade de pular pra dentro do monitor, ou então ele solte uma lagriminha pensando que ele é um bosta num emprego de merda. Os comentários no Vimeo confirmam isso.
Novamente em termos marketeiros, o que a Connected Ventures fez foi um lucky strike, a melhor propaganda institucional desse ano e você nem percebe isso. Com certeza ela foi planejada para ser divulgada dessa forma, os fãs fazem o serviço de divulgação, pois é algo legal e barato, dando a impressão de que qualquer um, contanto que esteja feliz e trabalhando num lugar legal, consiga fazê-lo. Basicamente é o mesmo que aconteceu com a divulgação dos clips da banda Ok Go. Pessoal esperto.
É questão de algumas semanas ou meses de aparecer alguma campanha publicitária feita por alguma agência parruda usando esse conceito (gente feliz, bonita dublando uma música fuá, se é que já não existe) para algum produto deslocado, sem chegar no resultado do original.
Sobrou até para a garota bonitinha que canta no começo do clip, Amanda Lyn Ferris. É uma das responsáveis pelo sucesso entre os barbados e já tem sites especializados em internet e vida digital considerando a mocinha a nova musa da internet (existia uma antes?). Logo, logo aparece na revista Wired, se é que já não apareceu.
Para pá-pá….
















Hiro!
Com certeza o novo filme (comercial) da Nokia é esse comercial que você cita…. (“alguma campanha publicitária feita por alguma agência parruda usando esse conceito… para algum produto deslocado, sem chegar no resultado do original.”)
O cara andando na rua, ouvindo o seu nokia laranjinha com mp3 e as pessoas na rua dublando a música que ele está ouvindo.
Leva segundos, não? : )
Esse é pretensioso.
Ainda vai aparecer um papel carbono exato do vídeo vendendo refrigerante.
Legal o vídeo, já tinha visto.
Agora, esse “falar bonito”, que me perdoem, mas acho uma tremenda babaquice. É o estrangeirismo desnecessário, supérfluo, exagerado. Afinal, são termos que já têm tradução consolidada, tradução essa que não é estranha aos nossos ouvidos tipo “retroalimentação” pra “feedback”.
Pois é, essa mania oca de achar que o Aurélio não é suficiente para ter que emprestar palavras do Michaelis.