Misturebas visuais

Quem faz amor não faz guerra, já dizia o velho clichê da montanha. Como o sujeito se comporta mais com o Senhor das Armas do que Austin Powers (Bill Clinton deixa saudades), alguém resolveu incrustar um pouco de sexo e prazer na figura do Bush filho.

A notícia saiu hoje no UOL, e é daquelas artes irresistíveis e perenes, como a passagem de uma libélula. O inglês Jonathan Yo fez um retrato de Bush com pedaços de fotografias pornográficas, incluindo tiquinhos de felação, genitália exposta e outras coisinhas peludas e cheias de veias. Sobrenaturalmente, a pintura tem mais carisma do que o original em carne, osso e pólvora.

Como hoje basta fazer polêmica pra ser considerado arte, a australiana Priscilla Bracks fez Bin Laden, o Coringa preferido de Bush, retratado como Cristo.

Na tendência de misturar personalidades polêmicas com alto nível de antipatia e truculência nata, fica a deixa para fazer um rosto de Hugo Chaves só com verduras, ao estilo de Giuseppe Arcimboldo, que pintava homens-quitanda no século XVI.

Tim Novak fez um crossover misturando a técnica de Arcimboldo pra compor o Alien, criação de H.R. Giger (o inesquecível striptease cósmico da Ripley no primeiro filme fez milhares de jovens terem as gônadas amadurecidas antes do tempo), feito em 3DMax.

Vi uma vez na TV que o necroartista sueco Giger tirava inspiração em galinhas e coelhos abertos e com as vísceras expostas pra fazer suas criações. Dá pra sentir uma presença de costelas, traquéias e esôfagos em seu trabalho.

Pra mim essa é a melhor cena de Alien, desenhada por Giger, depois da cena da calcinha.

Curiosidade extra: o nome da nave tripulada em Alien, Nostromo, veio de um romance de Joseph Conrad com o mesmo nome. Conrad escreveu “The Heart of Darkness”, que foi inspiração direta para o filme “Apocalypse Now”, de Coppola.
É desse filme a memorável frase de Marlon Brando: “The horror, the horror!”

Mulheres e Photoshop

Não é fácil ser mulher. Como dizia um amigo meu muy sexista: “mulher bonita é redundância”. Vinícius de Morais também não ajudou muito com a frase “As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”.

Essa imagem veio da Cosmopolitan russa, a filial tovarisch da revista Nova (aquela que parece que as capas são feitas para homens, pois só tem gostosas com pouca roupa)

Como meu russo é tão rico como meu aramaico, só posso supor que as instruções em cirílico são “coisas que uma gordinha tem que perder pra ficar joinha”, ou “cuidado com as curvas”. Ou numa visão mais pueril, é um manual de operadores de Photoshop para cheinhas com potencial de beleza latente. Não importa, é uma lista de coisas que se devem ser perdidas para se sentir glamourosa, para desespero de milhares e milhares de garotas que não conseguem comprar o mesmo jeans da Paris Hilton. Em contrapartida, nesses “sonos da razão que geram monstros”, segundo Goya, é que surgem aberrações como bulimia e anorexia.

Felizes são aquelas que curtem um pastel de feira sem culpa.

Sorriso das tomadas elétricas

Já havia comentado sobre pareidolia, que é a palavra que se dá quando alguém acredita que vê a Virgem Maria numa mancha de ferrugem ou Elvis Presley numa cueca mal lavada.

Como você vê o que sua mente quiser ver, nessa comunidade um tanto bizarra chamada “Faces Around Us”, as pessoas enviam fotos de qualquer coisa que seja parecida com um rosto. São centenas de fotos de janelas, tomadas, parafusos a doces de balcão. Qualquer coisa que tenha dois olhos e uma boca tá valendo. Site frequentadíssimo por criativos e paranóicos que acreditam estar serem observados a todo momento.

Algumas são forçada de barra, mas não se pode ter tudo.

Dêem um quico no Speedy

Não só eu, mas como milhares de pessoas estão com a conexão Speedy com uma bola de ferro amarrada no pé. Estou com uma fantástica velocidade de 3 kb/s, o suficiente pra fazer download de confete de papel.
Paciência, paciência…

Miyazaki

Convalescendo feito um animal ferido no esgoto por causa de uma segunda gripe em menos de dois meses, aproveitei a deixa que saiu no blog da revista Flight.
É um pequeno documentário feito em 199 sobre o gênio Hayao Miyazaki em uma turnê de promoção de “Princesa Mononoke” no Canadá. Fala um pouco sobre a sua filosofia de trabalho e a relação dele com crianças. Tem um pouquinho sobre o passado dele e de inspirações (e de pessoas inspiradas por ele).

O momento em Neil Gaiman cumprimenta Miyazaki é digno de ser eternizado, congelado em carbonite.

E esse é um trecho do DVD (infelizmente tá em espanhol), onde Miyazaki visita a Pixar de surpresa. Sai faísca.

Livros de cabeceira

São muitos aqueles que me escrevem pedindo dicas de livros para quem está começando a ilustrar.

Na humilde opinião deste que vos digita, já que não sou propriamente culto, existem dois tipos de livros para ilustradores. Aqueles que inspiram e aqueles que orientam. E frequentemente alguns deles fazem os dois papéis.

Pra ter idéias e inspirar, eu recomendo TODOS os livros. Desde a Bíblia, passando por Capitão Cueca e Harry Potter, livros de matemática, física, guias de viagem, livros de culinária (acho que só livro de ponto não adianta muito). É possível encontrar inspiração em tudo, e não só em livros, mas também em qualquer coisa, de internet a conversas em pizzarias, contanto que você tenha o olhar e saiba processar algumas informações que venham em flocos pra você. Saber ler é meio caminho pra saber ilustrar. E pode crer, ao contrário do que dizem, nenhuma informação é inútil. O cérebro tem HD suficiente pra absorver toda informação possível.

Livros que orientam eu indico dois. Embora já tenha falado sobre eles aqui, vale a pena sublinhar a importância deles.

The Education of an Illustrator, de Marsahll Arisman e Steven Heller. Antes do Guia do Ilustrador, esse livro era minha bússola. Aborda vários aspectos éticos, profissionais, financeiros, formação de carrera, gerenciamento de talento e com textos bem parrudos sobre o papel da ilustração em vários aspectos.
Pra quem lê inglês, acho que esse livro é fundamental para quem quiser alguma informação mais consistente, por figuras graúdas da ilustração (Marshall Arisman é um monstro da ilustração). É uma mistura de informação, filosofia e cultura sobre ilustração.

O outro, The Handbook of Pricing and Ethical Guidelines. Esse livro é minha tábua de salvação na hora de fazer orçamentos de trabalhos que não são muito comuns no meu cotidiano de ilustrador. Publicado pela Graphic Artists Guild, é uma gigantesca tabela de preços, utlizações e contratos utilizado nos EUA. Praticamente todas as possibilidades e condições de uso de uma ilustração estão lá. Embora seja dirigido para o público americano, os valores numéricos e percentuais podem servir como orientador na hora de fazer um orçamento, principalmente aqueles arrastados e calhamaçudos.

Já o utilizei em reuniões com o cliente, já o utilizei pra explicar para alguns art buyers o que é cobrado em uma ilustração e novamente, é outro livro que, se tiver cacife e ler inglês, deveria sim fazer parte de uma biblioteca básica de um ilustrador.

Ambos os livros podem ser encomendados na Livraria Cultura ou pela Amazon. Custam entre 80 a 120 reais.

E para aqueles que ainda não tem cacife nem cartão de crédito com limite sorridente, nunca se esqueçam do Guia do Ilustrador, que é de graça e está aí pra estender a mão para todo ilustrador que tiver medo de atravessar a rua da profissão (ai!).

Ping Pong Club

Embora não seja fã de animação japonesa de TV (Miyazaki e Satoshi Kon não entram nessa lista), perdi mais de três horas da minha vida que não voltam mais para ver essa série chamada “Ping Pong Club” (e ainda não vi tudo). Não conseguia parar de assistir . Ela foge do padrão da maioria dos animês tontos e cheios de cliches; ela é doente, esquisita, homofóbica, pornográfica, nojenta e mal-desenhada e parodia todos os chavões das outras animações e cultura pop japonesas, e se você gostar desse tipo de humor grotesco e sujo, não vai parar de rir (não é comum ver um desenho onde um dos personagens deixa o pinto à mostra pra ganhar um jogo). É uma versão animada do programa “Sushi TV” que passa no Multishow (onde o mérito é todo do locutor). É trash total.

Falado em japonês, com legendas em inglês. Se souber ler um pouquinho já dá pra dar uma pá de risadas. Abaixo está só o episódio 1, mas alguma alma bondosa colocou toda a série no Youtube, são mais de 26 episódios de quase meia hora.

I Love Livro

Uma vez eu li, não sei aonde, que quem tem um livro nunca fica sozinho. Mesmo o sujeito mais cagado, mais isolado, mais feio, sentado sozinho na única mesa com uma pessoa em um restaurante lotado de casais e grupos de amigos, se ele estiver com um livro ele se isola do mundo e fica em paz consigo mesmo, pelo menos por um tempinho.

Eu perdi o número de vezes que ia comer sozinho levando um livro ou uma revista como companhia. A partir dessa experiência, da leitura transformar uma refeição tristonha em um momento de intropecção e contentamento é que nasceu o conceito básico das toalhinhas de bandeja. Elas foram feitas para serem lidas em grupo, pra tirar o barato das informações, ou sozinho. E assim passa dez ou quinze minutos rapidinhos, não acontece a sensação de deprê de comer como um rejeitado e sai de lá com um pouco mais de informação.

Quer me fazer feliz, me dá cem reais e me deixe durante uma hora na Livraria Cultura. Ficar garimpando livros lá ou em sebos me faz um bem melhor do que duas horas de futebol entre peludos.

Duas dicas pra quem gosta tanto de livros que só falta fazer sexo com eles (alguém já ouviu aquela piada? Não se empresta carro, livro ou mulher. Porque quando e se eles voltam, voltam diferentes).

Para quem é tarado por capas, entre nesse site, o Book Covers. Existem milhares de capas de livros ali, todos americanos. De todos os estilos, gráficos e literários, com soberbos trabalhos de tipografia, fotografia, ilustração e direção de arte. Tantos livros, tão pouco tempo…

Agora, pra quem curte catalogar, cuidar e conservar livros e prefere vender o carro pra montar uma estante de livros digna dos seus tesouros de papel, tem uma opção virtual que, garanto, você perde horas preciosas da sua vida com isso. O Delicious Library é um programinha que é uma estante de livros virtual. Você digita o nome do livro e, como mágica de festa de criança, o livro aparece ali na estante! Ele puxa as informações da Amazon, com resenhas, isbn, o raio-x do livro. Tudo em ordem alfabética por título ou autor.

E não só faz catálogo de livros, mas também de DVDs, games e música. Playstation 3 vira peso pra segurar porta perto disso em termos de diversão.

Só para usuários de Macs.

Periférico imprestável

Confiando na propaganda positiva que alguns sites especializados estavam fazendo do NuLooq, e pelo preço dele ser amortizável ($89) no meu orçamento, resolvi encomendar um, crente que teria uma ajuda extra na hora de trabalhar com Photoshop, Painter e Illustrator.

Ele é um acessório que se vende como um navegador inovador. Tem um anel girável no corpo, um disco girável no topo e 5 botões programáveis. No site oficial da Logitech ele diz que você pode customizar qualquer ação de qualquer programa nele. Como eu vivo trocando tamanho de pincéis, mudando porcentagens de transparências e aumentando tamanho de fios a toda hora, achei que isso pouparia tempo fazendo essas coisas só girando o disco ou o anel, ao invés de puxar o slider ou digitar numericamente os valores.

A teoria na prática é outra, e o NuLooq é sem dúvida o pior periférico que já comprei. Ele não faz nenhuma das ações previstas no site, não é possível programar nada além de zoom, mexer na barra de rolagem ou criar, salvar e fechar novos documentos (coisas que os botões extras da tablet já fazem). Mudança de tamanho de pincéis, traços e transparências viraram mentiras de homem casado pra amante. Promete mas não cumpre. Não possui upgrades de outros programinhas paralelos que vêm junto, como o Navigator (que é uma boa idéia mas estranhamente jogada no canto do lixo) e pior, é desconfortável como usar uma lata de cerveja como mouse. Como não dou sorte com corporações tecnológicas, já enviei várias reclamações pra Logitech, sem resposta, é claro. Resta-me fazer despacho num cruzamento com ele, desejando que seus criadores acordem com a boca cheia de formiga.
Agora eu tenho um peso de papel com cabo USB.

E pensar que com U$89 dá pra comer 2 vezes com acompanhante no Ráscal…

Hadoukens animais

Pra pensar e inspirar, alguns colocam fotos de bichinhos fofinhos em poses ainda mais fofas, chegando ao nível diabético, como gatinhos dormindo junto com cãezinhos. Outros adoram fotos de crianças rosadas, tipo Anne Guedes, remetendo a uma época angelical e inocente onde não era necessário trabalhar pra sobreviver. Eu gosto dessas fotos onde o bicho dá o troco, nem que seja o último movimento dele. Tornam-se histórias dignas de serem escritas ou desenhadas.

Essa foto da lula foi retirada de um blog francês, o Lilela. O cefalópode apetitoso solta um hadouken líquido no adversário, não suficiente pra livrá-lo da panela, mas será lembrada com admiração pelas companheiras moluscas no fundo do mar.

Esse outro é um filme que eu escutava na faculdade de Biologia e sempre acreditei que fosse uma lenda urbana. É um atestado da imbecilidade humana, uma linha de raciocínio digna de Homer Simpson. Pra eliminar uma carcaça de baleia na praia, a prefeitura decide usar dinamite, achando que, como nos desenhos do Pernalonga, ele seria pulverizado.
A chuva de carne podre, vísceras e ossos destruindo carros é coisa de Charles Fort.

Quem jogava Street Fighter e a barra de vida do seu personagem só tinha um risquinho vermelho, era questão de soltar um combo bem planejado que ele podia virar o jogo (o vídeo abaixo só tem sentido para aqueles que molhavam a cama ou a mão pensando na Chun Li).

Coelhinhos suicidas


Eu tinha um exemplar de “The Book of Bunny Suicides”, de Andy Riley, que foi subtraído involuntariamente das minhas posses lá na agência em que eu trabalhava (quem estiver com ele tem meu nome bem na primeira página, pode devolver que nada de mal lhe acontecerá). É um casamento adequado entre o fofo e o amargo. Bem na linha do humor negro de “The Far Side”, de Gary Larson, embora esse seja bem nonsense. Coisas doentes e engraçadas fazem meu dia ficar mais ensolarado.


Encontrei nesse site obscuro quase todas as páginas escaneadas desse livro. Uma oportunidade de ver mil maneiras criativas que um coelho põe fim à sua vida antes das suas patinhas virarem chaveirinho brega.

Coisas que comi com pão

A faculdade foi uma das melhores fases da minha vida, pela farra, pelas festas, pelas viagens e pela liberdade. Mas foi um período em que eu era mais duro e liso que azulejo.
Nessa fase, eu não era carnívoro, nem herbívoro nem onívoro. Eu era panívoro. Embora existissem vários grupos alimentares, o meu só consistia de uma coisa: Pão Pullmann, aquele que insistia em grudar no céu da boca e só saía com uma copada de líquido.

De dia o metabolismo era mantido pelo bandejão do Crusp ao custo de uma moedinha (naquela época era uma sujeira, tinha até vira-lata andando no meio das mesas). De noite, pão com alguma coisa que encontrava no meio do caminho, não necessariamente na geladeira ou em locais higiênicos. E naquela época não tinha essas coisas chiques e nobres como Wickbold (o de grãos é a finesse dos pães de forma). Era Pullman ou Seven Boys, porque eram mais baratos (novamente, sons de violinos tristes e gaitas de foles).

Esses desenhos foram layouts para uma toalhinha de bandeja maluca que encontrei por acaso no meio da bagunça digital. É óbvio que ela nunca saiu, mas a idéia era ótima: todas as coisas que comi com pão na época das Diretas Já.

Todos esses recheios não são mentira. Eles existiram e eu realmente comi essas alquimias, dignas de torcer as tripas do pessoal dos Mentes Ociosas.
Hoje descobri o significado da frase “o que não mata, engorda”.

Por fim, como golpe de misericórdia, cheguei a usar um ferro elétrico virado de cabeça pra baixo pra fazer um misto quente, num dia miserável em que a única coisa que eu queria era o afago de uma mulher (que eu não tinha) ou uma refeição quente (que também não tinha, pois ninguém comprava gás naquela república).
Passar roupa com isso depois era impossível e a camisa ficava cheirando a gordura de mussarela.

“É quadro de criança”

Foi isso o que algumas pessoas disseram quando viram o quadro de Jackson Pollock cotado a 140 milhões de dólares.

É obvio que a questão aqui é mais complexa e envolve outros fatores que devem ser levados em conta antes de julgar a arte dele como simplista e pueril (afinal 140 milhões de dinheiros não podem estar errados), mas o fato é que a maioria dos cidadãos comuns, que não tem contato freqüente com a arte, pensam a mesma coisa.

Coincidentemente, foi filmado um documentário chamado “My Kid Could Paint That”, ou “Meu Filho Pintaria Isso”, sobre uma menininha de 4 anos chamada Marla Olmstead, que pintava quadros abstratos próximos ao estilo de artistas como Pollock e Kandinsky. Ganhou em torno de 300 mil dólares pelas pinturas e foi suficiente pra gerar polêmica digna de passar no programa da Oprah. Os pais foram acusados de explorar a garotinha como uma vaquinha que dá leite. A mesma história que aconteceu com Macaulay Culkin e o cantorzinho mirim que dava vontade de esganar de tão irritante chamado Jordy.

Novamente a questão do que é arte. Pessoalmente, comecei a achar que o conceito de “arte”, além do sentido do dicionário, é algo pessoal como a escolha de um time de futebol. Cada um vai interpretar o que é arte de acordo com suas experiências, vivências e crenças. Coloque isso numa lista de discussão ou numa conversa de bar e pronto, está montado um cenário propício para farta distribuição de porrada.

Quem teve apoio, segurança e é bem resolvido em vários aspectos na vida e adora arte vai interpretá-la de uma maneira. O contrário, de outra. O meio-termo, também. Aquele que nunca ligou pra arte vai ter outra visão. Talvez nenhum deles esteja errados.

Eu, por exemplo, somente há alguns meses, depois de refletir muito, assumi que o que eu faço, ilustração, também é arte. Pelo fato de ter vindo de uma família mais simples, sem muitas opções, escolher essa carreira era uma roleta russa (sons de violinos tristes e gaitas de fole). Não tinha muita margem pra errar, então para minimizar isso, só admitia que fazia ilustração, deixando a arte, que era algo mais livre e “irresponsável” dentro de uma gaveta escura. Agora que as coisas já estão estabilizados, era hora de conciliar o que eu sou e que faço.

Tem gente que vai esbaforir e dizer que ilustração não é arte. Mais uma discussão onde o punho e o perdigoto falam mais forte que a razão.

Seu amiguinho, o Cocô risonho

A coprofilia anda solta nesse blog.

Mais uma da série “Coisas que só se vê no Japão”. Onde mais você veria uma animação, que passa na TV aberta de lá, ensinando de forma quase Teletubbie como fazer o número 1 e o número 2 pra crianças?

Embora seja algo bizarro, é um tipo de material que faz falta aqui, quem tem criança pequena em casa sabe como é difícil ensinar o pequeno ser a fazer as necessidades no vaso. É quase uma tradição oral, passada apenas de mãe para filha ou de amiga com filha para outra. Nossa cultura é pudica demais quando o assunto são coisas que o organismo excreta.

Quase tudo dirigido a esse público infantil no Japão tem essa cara “fofóide”. O lado bom é que a criança realmente entende o processo de expelir o que deve dentro da porcelana. Mas é muito exagerado para nossos olhos ocidentais. Fico imaginando como deve ser divertido fazer uma reunião pra criar o roteiro, os diálogos e o storyboard desse desenho. So dá merda.

É um pesadelo em formato de animação, conseguir fazer as necessidades com uma platéia torcendo, e um globo soltando papel prateado com trombetas e luzes comemorando a saída do torpedo, que reparem, é bonitinho, dá risada é dá até vontade de ser seu amiguinho. Mesmo assim ele é mandado pra dentro do esgoto sem dó. Amiguinho descartáveis.

Se tivesse toda essa festa e expectativa na infância pra fazer cocô, acho ganharia um trauma que até hoje estaria cagando num penico escondido no escuro.

Eu quero é aquela alça no trono do menino.

Amanda Grazini

Quem lê meu blog com uma freqüência que garantiria um cartão de fidelidade sabe que tenho uma profunda admiração pelas mulheres ilustradoras americanas. Tirando o suavíssimo Ronnie del Carmen, todas tem um toque sutil feminino que faz a diferença. Coincidência ou não, quase todas participam ou participaram da revista Flight. Jen Wang, Vera Bee, Hope Larson, Catia Chien, Becky Cloonan e outras que ficam meio à parte, como Audrey Kawasaki e Tara McPherson.

Pois bem, babação à parte, tive uma agradável surpresa de ter conhecido no último Bistecão Ilustrado a graciosa Amanda Grazini (morte aos trocadalhos dos carilhos). Ela já era frequentadora do evento gorduroso-artístico há mais tempo do que eu, mas só nesse último eu tive um contato imediato com ela. E vi seus cadernos e desenhos.

Seu trabalho é tão bom quanto as gurias citadas acima. Traços delicados, mas fortes, com personalidade e um talento feminino. Como sempre, de causar inveja naqueles que, como eu, parece que manejam o lápis com uma barbatana de baleia no lugar das mãos.

A rasgação de seda é intensa, mas é proporcional ao talento dessa menina. Além de xavecar o suficiente pra um dia ganhar um desenho dela pra fazer parte da minha pequena galeria dos ilustres ilustradores (o meu “muro dos lamentos”, no bom sentido).

E o blog dela também tem coisa pra caramba pra refestelar as vistas.

Os 10 quadros mais caros do mundo

Bah, esqueçam esses quadros de gente morta e com histórias gosmentas e aterradoras. O negócio aqui agora é sério. É dinheiro que você nunca vai ver junto em sua vida.
Saiu no blog Karemar a lista dos 10 quadros mais caros de todos os tempos. Quando eles falam que é caro, é porque é caro com $ maiúsculo. Agora, se essa lista é correta, só a Sotheby’s pode dizer. Não vi os Girassóis do Van Gogh na lista (será que é dinheiro de pinga no mercado multimilionário)? E curiosidade, Picasso manda ver quente e grosso na lista.

Depois disso você tem toda liberdade pra chorar no cantinho do jardim porque querem pagar 50 contos pelo seu trabalho.

Em ordem crescente:

10- Iris, de Van Gogh – US$53.900.000,00

09- Femme aux Bras Croisés, de Pablo Picasso – $55.000.000,00

08- Rideau, Cruchon et Compotier, de Cézanne – $60.500.000,00

07- Retrato do Artista sem Barba, de Van Gogh – $71.500.000,00

06- O Massacre dos Inocentes, de Rubens – $76.700.000,00

05- Bal Au Moulin de la Galette, de Renoir – $78.000.000,00

04- Retrato do Dr. Gachet, de Van Gogh – $82.500.000,00

03 – Dora Maar com Gato, de Picasso – $92.500.000,00

02- Garçon à la Pipe, também de Picasso – $104.100.000,00

01- O top da lista: Portrait of Adele Bloch-Bauer, de Gustav Klint – $135.000.000,00

Como diz no texto, parece que logo logo o título do quadro com mais zeros à direita vai para Jackson Pollock com o quadro Nº5. Se confirmado, foi negociado por $140.000.000,00!

Leitinho das crianças

O menininho branco que nem Gasparzinho e com uma coroa que pareciam tetas na cabeça era o antigo Friminho, personagem dos laticínios Frimesa.

Redesenhei o personagem a pedido da Pandesign, e ele continua branquelo, porém mais maneiro.

Enxofre e tinta à óleo

Já vi gente que conseguiu vender um iPhone Nano e Shuffle (!!) no Mercado Livre. É como o ditado popular diz: nasce um otário a cada minuto. Enquanto eles existirem não vai faltar espertos, principalmente nesses leilões virtuais. No pai do Mercado Livre, o eBay, você encontra mais coisas bizarras. Já teve gente vendendo a própria esposa, um vidro com ar das pirâmides e um rim.

Em 2000 uma história muito bizarra saiu do cantinho das negociatas escusas do eBay pra entrar nos arquivos X da vida. No disse-me-disse, no boca-a-boca, a história de um quadro assombrado vendido atravessou os continentes pra virar lenda urbana.

O quadro se chama “The Hands Resist Him”, pintada por Bill Stoneham em 1972. O aspecto angustiante e depressivo do quadro deve ter dado origem à essa falácia, além de um detalhe perturbador, que era como a boneca refletia a luz dependendo de que ângulo era visto. Relatos dizem que pessoas ficaram doentes, criaturas e sons estranhos apareciam nas janelas das casas de quem comprava o quadro. Dizem que o primeiro fulano que comprou o quadro morreu após a compra macabra. Tudo bem, morreu 12 anos depois, em 1984, mas morreu. O bastante pra alimentar mais a fama de demoniado. Stoneham, ao contrário, continua vivinho e ainda ganhando dividendos da fama negra desse quadro.

As pessoas acreditam naquilo que querem acreditar, ora pois. Se você digitar “haunted painting”, irá aparecer três ou quatro quadros alegadamente assombrados, tentando seguir os mesmos caminhos desse quadro. Já não bastava os quadros de crianças chorando visto como coisas do além-túmulo.

Quer passar mal e ter a sensação agonizante de algo semimorto rondando em casa por causa de algo pendurado na parede? Olhar prum pôster do Michael Jackson na meia-luz deve acabar com a sanidade de qualquer um.

Post Scriptum: só pra provar que não estava brincando quando vendem qualquer coisa no eBay, vejam só o anúncio de um espírito num pote à venda. Não deve ser um espírito de gente, deve ser de um passarinho que morreu aí dentro porque não fizeram furinhos na tampa.

O fim das bactérias de teclado

A Apple lançou os novos iMacs, finos como cintura de modelo, classudos, e caros pra caray. Como sempre.

Mas o que fez minhas meninas dos olhos ficarem no cio foram os novos teclados. Fininhos como fatia de pizza. Parecidos com os teclados dos MacBooks.
Melhor do que esse teclado, só mesmo aquele flexível que o hackerzinho usa em “Duro de Matar 4″.

É o fim do lixo sedimentar que ficam nos teclados, virando uma cultura de ácaros. Toda aquela gama de sujidades que ficam decantadas no fundo, como cabelos, caspas, pêlos, migalhas, pele morta, agora não tem onde ficarem presos. Chega de limpar o teclado batendo no fundo e o cachorro vindo checar se não tem resto de comida no meio. Chega de ter um teclado com mais cabelo que travesseiro de motel.

Pena que é branco, as teclas ficam encardidas em dois tempos.

Isabel Samaras

Artes pra contemplar com baldinho de pipoca e um chicotinho de couro.

Isabel Samaras tem a compulsão e o talento de misturar o mais brega, saudosista e inocente dos seriados antigos com perversão e humor negro. Deve ser o prato preferido de advogados, censores, fãs e fanáticos. Um senhor Spock gay seria ilógico, como ele mesmo diria. Esse papel coube ao Sulu.

Tonto? Zorro? Spock?

IlustraBrasil 4

É a quarta edição do IlustraBrasil, mas pra mim é como se fosse a primeira. Calouro desse evento, cá estou eu na foto apontando todo pimpão pra minha representante ilustrativa.

É com orgulho que fico na mesma parede que vários colegas ilustradores de peso, gente que admiro há muito tempo .

Esse trabalho da Patrícia Lima era tão fofo!

O IlustraBrasil é o maior evento brasileiro para falar e propagar a ilustração da maneira como deve ser: séria, profissional e rica para os que não convivem nesse universo de tablets e aquarelas, como para discussão e debates para quem é do metiê.

Como o Orlando disse, o maior mérito do IlustraBrasil, da mesma forma que o Bistecão, é promover a sociabilização entre os ilustradores. Sair de casa, ficar no meio dos iguais pra se sentir menos sozinho e mais forte, como profissional e como carreira. E manter os contatos depois disso. Senão a gente vira bicho do mato e acaba definhando num estúdio escuro e mofento, se alimentando de passado e pão velho. Pelo menos a gente encontra camaradas pra envelhecer juntos.

É outro daqueles eventos que você sai com um sorriso na boca, orgulhoso de não apenas ser um ilustrador sozinho, mas também de pertencer a uma comunidade de ilustradores. Quase uma grande família italiana, só com irmãos e primos que torcem pro mesmo time. Estavam lá o mestre Benício pra matar saudade, o Marchi, Gabriel Bá e Fábio Moon, Cissa Estevez, o Montalvo, Kako, Shuman, Gustavo Duarte, Junião, Spacca, Faoza, Cárcamo, Batistão, ufa, alguns poucos pra mencionar entre uma multidão de ilustradores. Fora aqueles que eu vi mas com certeza não reconheci por nunca ter encontrado na vida.
No meio do evento, tal qual o lema dos Pokémons (temos que pegar todos eles), rolava uma corrida pra conseguir autógrafos de todos ilustradores nos catálogos da exposição.

Veio gente de caravana de ônibus do Rio, veio ilustrador que só conhecia de nome e de desenho, veio ilustrador que já é raposa velha e vieram amigos. Foi a maior concentração de talento rabisqueiro por metro quadrado, não tinha lápis e papel que dava conta do recado.

Foi com prazer que pude conhecer finalmente o Alarcão e o Marcelo Martinez, o primeiro que só mantive contato virtualmente à distância, algo como uma versão viada de “Nunca Te Vi, Sempre Te Amei” entre ilustradores. A rasgação de seda rolava solta e desavergonhada, era purpurina virtual para todos.

A exposição dos trabalhos rola até o dia 06 de setembro no Sesc da Lapa, na rua Scipião 67. E lá também vai ter muitas palestras e workshops, todas voltadas para ilustração. O evento foi organizado pelo pessoal da SIB, pessoal poderoso e consciencioso dos assuntos do céu dos ilustradores, referentes à criação, talento e paixão pelo traço, e também dos assuntos da terra dos ilustradores, que é a velha conhecida questão dos contratos e preços.

Depois de encher as mentes e os olhos com a exposição, fomos todos em massa no Sujinho pra fazer uma versão segundiana do Bistecão, para encher os buchos de sólidos, líquidos e pastosos. Filés à cubana do tamanho de arraias voavam soltas sobre as cabeças do dezenas de ilustradores que tricotavam entre si.

Entre eles, o Hermenegildo Sábat, convidado ilustre ilustrador, um dos maiores talentos argentinos, dando uma canjinha no meio das mesas.


Kako e Junião na indefectível sessão rabisco no Bistecão IlustraBrasil.
Ano que vem vai ter repeteco e vou estar lá, agora batendo cartão.

Agora vou pra cama que já tem 29 horas que não durmo.

Mais fotos


Ao chegar você é recepcionado pelo espírito de Carlos Gardel, ilustrado por Hermenegildo Sabat.
Pirata by Orlando.



Diretoria da SIB em peso (Chicão, Jinnie Anne Pak, Marcelo Martinez, ?, Orlando, Daniel Bueno, e Alarcão). O ponto de interrogação é porque não sei quem é, quem souber por favor me diga que eu coloco o bendito nome aqui.

Sessão diga “diga diurese” com o Soud, Benício e a Cissa Estevez.

Orlando e Sabat.

Eu, Gilberto Marchi e Benício. Vai que passa algum talento ficando perto….

Chicão, ? e Marcelo Martinez.

Orlando.

Chiquita

A dançarina de flamenco batida no liquidificador com a deusa Kali foi feita para uma revista que logo vai estar nas bancas e está na exposição IlustraBrasil 4, desde ontem, no Senac da Lapa (Rua Scipião, 67).

Estou correndo feito cachorro fugindo com filé roubado esses dias, o tempo tá curto e não queria escrever uma resenha desavergonhada com poucas palavras, então hoje à noite eu falo sobre esse magavilhoso evento que juntou o maior quantidade de talento por metro quadrado.

Extraordinary Giant Gentlemen

Postado no blog Drawn uma animação fantástica em 3D que mistura Gundam (robô gigante fetiche japonês) com a corte da rainha Vitória.
O pai da criança, o estúdio Blur, faz videogames, aberturas de programas e comerciais.
Como um curta em 3D, “A Gentlemen’s Duel” é mais legal e divertido do que o Lifted, da Pixar.
“A Gentlemen’s Due”>

Também tem outra animação da Blur, mais morna, chamada “Goopher Broker”. É como pipoca de porta de escola, é bem feito, tem cara boa, mas não tem muito gosto, a não ser por algum eventual provolone frito ou amendoinzinho perdido no meio do pacote.

Mais estranho e introspectivo, com acabamento inferior, porém melhor que o da marmota é o “The Last Knit” de Laura Neuvonem. Mistura de TOC (transtorno obsessivo-compulsivo) com animação 3d.

Polvo-cobertor

Quando você estiver sem inspiração pra desenhar, olhe pra natureza. De vez em quando surgem uns animais que nem na mente mais maconhada seria possível imaginar, quanto mais acreditar que sejam verdadeiros.

Já tinha lido sobre o polvo-véu (ou polvo cobertor, em inglês), do gênero Tremoctopus, na faculdade de Biologia, mas nunca tinha visto um até ontem. O jeitão até lembra o alienígena abissal no final de “O Segredo do Abismo”.

Tem até um vídeo no Youtube com o bicho em ação vindo de um programa ordinário japonês de auditório. A sensação de lavabo de boteco em programas de auditório, com algumas exceções, não tem pátria.

Com todas essas transparências, ele pede para ser aquarelado.

Mistérios no tempo e no espaço

A realidade é mais estranha que a ficção, já dizia o velho chavão. Duas histórias que viajam no tempo e no espaço (olha o Hiro) que inspiram os criativos e fazem soltar o único parafuso dos mais crédulos e paranóicos.

O Mickey do passado

Essa imagem de algo parecido com o Mickey foi descoberta em uma antiga igreja na Áustria, a igreja comunitária de Malta. Tem 700 anos de idade, acredita-se que foi desenhada no começo do século XIV. Incógnita ou coincidência, seriam os deuses ilustradores?
Matéria completa em um jornal australiano, aqui.

Nave alienígena na Lua


Essa já conhecia há algum tempo, nunca havia visto as fotos. Da mesma forma que houve uma comoção entre aqueles que esperam carona em caudas de cometas quando foi anunciada o rosto em Marte, descoberta pela Viking 1 em 1976, algum tempo depois a tripulação da Apolo 20 teria encontrado uma cratera de meteoro na Lua com uma gigantesca nave avariada. A nave parece uma caneta e parece que está lá estacionada há muuito tempo.

É quase certeza que seja uma história falsa. já que a missão da Apolo 20 foi cancelada pela Nasa. Mas mesmo assim tem gente que estuda isso e jura de pé junto que isso tá lá, em cima das nossas cabeças em noites de lua cheia.
Se é verdade ou não (existem polêmicas, como sempre, pois assim como o rosto de Marte, alega-se que a nave na verdade é uma pedra), não importa. O clima de mistério, igual à cena de “Alien” em que os tripulantes da Nostromo encontram uma nave perdida cheia de ovinhos de coisa-ruim, fica no ar, e a imaginação corre solta feito sal Coelho.

Como dizia Mulder, quando as explicações acabam, é hora de considerar as possibilidades extremas.

E verdade ou não, é no mínimo curioso. E cada um vê o que quiser ver, como a Virgem Maria numa fatia de pão.

Joy Ang

[img:Chunli.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Já existe a Jen Wang, de quem sou fã debulhado, e agora vi no Drawn o mavioso trabalho da Joy Ang.
A maioria dos caras que jogaram Street Fighter (quem não comprou um Super Nintendo só por causa dele e do Super Mário?) já viu um desenho dela nas revistas de games ou no manual de instruções. Ela faz parte do time de ilustradores que fazem as ilustrações dos personagens dos jogos da Capcom, entre elas a Chun Li, que até virou apelido para uma certa parte do corpo feminino entre a moçada que pega no joystick.

Além desse estilo anabolizado, ela tem um estilo mais delicado de trabalho, de fazer entrar mosca na boca.

Buzz

Não tem muito a ver com ilustração, ao mesmo tempo que tem, pois muitos ilustradores também são diretores de arte, e sendo diretores de arte sempre tem que ter um olho na estética e outro em desenvolvimento de conceito e no marketing.

Em marketing falar “bonito” é fundamental. Grupo social vira networking, público-alvo vira target, orçamento é budget , tendência é trend e o buxixo boca-a-boca é chamado de buzz.

Buzz é uma das táticas mais eficientes hoje em dia para se vender e promover um produto ou uma marca. Não empurra nada, não existe uma divulgação maciça e psicologicamente você fisga o consumidor pelo desejo ao mesmo tempo pela opinião formada dos outros que juram de pés juntos que é bom à beça porque disseram pra ele que é bom à beça. É o marketing viral, ou simplesmente viral, que vai se espalhando e entrando na cabeça das pessoas de maneira beem suave, mas quando menos você percebe, tá seco pra comprar. São aquelas coisas que vêm do nada e todo mundo tá comprando ou está presente nas conversas de almoço por quilo. Como aquele tênis com rodinhas ou esses tamancos feios de plástico furado que tá na crista da onda. Como eu trabalho muito com marketing infantil, o buzz é uma das maneiras mais supimpas de divulgar qualquer produto nesse público, para desespero dos pais e pedagogos.

Há algum tempo rola na internet um filme que é uma das melhores estratégias de buzz para divulgar um site e uma empresa.

A história desse vídeo muita gente conhece. É a turma feliz como pinto no lixo que trabalha na Connected Ventures, uma empresa que trabalha com web, fazendo um lipdub da música Flagpole Sitta.

Todo mundo comenta exatamente a mesma coisa: eu quero trabalhar lá. Cheio de gente jovem, magra, simpática e bonita, num astral de festa de amigo secreto num ambiente de trabalho que parece um centro acadêmico em dia de trote. 0 vídeo é muito bem feito, a dublagem é profiça e você sempre termina de vê-lo com um sorriso na boca. O suficiente para aquele que trabalha em um emprego pegajoso e remerrento sinta vontade de pular pra dentro do monitor, ou então ele solte uma lagriminha pensando que ele é um bosta num emprego de merda. Os comentários no Vimeo confirmam isso.

Novamente em termos marketeiros, o que a Connected Ventures fez foi um lucky strike, a melhor propaganda institucional desse ano e você nem percebe isso. Com certeza ela foi planejada para ser divulgada dessa forma, os fãs fazem o serviço de divulgação, pois é algo legal e barato, dando a impressão de que qualquer um, contanto que esteja feliz e trabalhando num lugar legal, consiga fazê-lo. Basicamente é o mesmo que aconteceu com a divulgação dos clips da banda Ok Go. Pessoal esperto.

É questão de algumas semanas ou meses de aparecer alguma campanha publicitária feita por alguma agência parruda usando esse conceito (gente feliz, bonita dublando uma música fuá, se é que já não existe) para algum produto deslocado, sem chegar no resultado do original.

Sobrou até para a garota bonitinha que canta no começo do clip, Amanda Lyn Ferris. É uma das responsáveis pelo sucesso entre os barbados e já tem sites especializados em internet e vida digital considerando a mocinha a nova musa da internet (existia uma antes?). Logo, logo aparece na revista Wired, se é que já não apareceu.

Para pá-pá….