Das coisas nascem coisas

O título acima é de um livro fantástico do designer e pensador Bruno Munari, leitura obrigatória, depois dos livros de Gianni Rodari, para quem trabalha com criatividade, principalmente por que são livros que fazem você pensar de maneira a dizimar rastros de endurecimento mental. Desse livro eu volto mais tarde pra falar sobre ele.

É que o post das charges políticas me fez lembrar de uma conversa que eu tive com o Leo Gibran sobre a Mafalda.
Que a Mafalda nasceu de um erro, de um projeto que não deu certo. Ou seja, de uma coisa que nasceu outra coisa, também.

Curiosa a sequência de acasos que culminou na Mafalda política véia de guerra:
Em 1963, a agência argentina Agnes Publicidad procura um ilustrador pra desenvolver personagens para seu cliente, uma empresa de eletrodomésticos chamada Mansfield. A agência contrata um ilustrador chamado Miguel Brascó.
Brascó só foi à agência por causa do nome do funcionário entrou em contato com ele, Norman Briski, por que ele viu um sinal num sobrenome que era a mistura do seu nome com a de um outro ilustrador que ele gostava, chamado Oski (que salada).

Ao chegar lá, Brascó viu que o projeto não tinha a sua cara, além de estar atolado de trabalho, então passou o job pro seu amigo, Joaquim Lavado, o Quino.

Quino, por sua vez, faz várias tirinhas para o cliente. O cliente, e a agência, por sua vez, mudam o briefing e o trabalho do Quino, recusado, ficou órfão. Quino então guarda as tirinhas na gaveta pra virar comida de traça.

Um ano depois o jornal “Primera Plana” liga pro Quino pedindo umas tirinhas. Ele enxota as traças da gaveta, leva as historinhas que iriam virar campanha publicitária, dá o nome pra menina de Mafalda por causa de um bebê que ele viu em uma novela, as historinhas são editadas e o resto todo mundo já conhece.

É como eu sempre digo à exaustão (e quem me conhece sabe que faço isso): as coisas não acontecem por acaso.

No Comments

  1. Julia disse:

    Mas que acaso bom esse em? Amo as tirinhas da Mafalda!

  2. Matias disse:

    Oi Hiro, só um detalhe: os nomes dos personagens deveriam começar com “M” (de Mansfield, que vemos no jornal que o pai lê, publicidade escondida). Quino escolhera o nome dela já para apresentar as tiras à agência; pelo menos é isso que entendo ao ler essa história contada de várias maneiras.

  3. Carolina disse:

    Muuuuito legal esse post, Hiro. Isso é muito verdade. As coisas só acontecem para quem faz coisas… hehehe… ; )

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