Flight

Chegou quentinha o volume 4 da revista Flight. R$69,00 pedindo na Livraria Cultura, que também traz os outros volumes em um mês mais ou menos.

Virei fã da Flight desde o ano passado. Comprei numa livraria do aeroporto de Munique pra ter o que ler no avião, arriscando mais por causa da capa, e depois disso virei fã da maioria dos seus autores. É um livro em quadrinhos editado por Kazuo Kibuishi, autor de 3 das 4 capas, e sai todo ano. A linha editorial da Flight envolve autores que não possuem uma linguagem muito convencional de quadrinhos, uma parte deles trabalham com animação (alguns fazem sketches pra Warner, Pixar e Nickelodeon) e outros tem mesmo um pé na ilustração comercial. E outros fazem quadrinhos bem diferentes do circuito mangá-Marvel-DC (tem alguns que derrapam um pouco nesse campo, mas é natural).

Nem todo o conteúdo da Flight é genial. É como um CD com 24 músicas, nem todas são legais (no meu gosto, as histórias envolvendo bichinhos falantes, fadas, duendes e guerreiros musculosos em um universo futurista são um ponto baixo). Mas as outras histórias compensam em dobro, quiçá o triplo. No geral, elas possuem uma criatividade inspiradora, ficam no limiar do underground e do corretinho pão-com-manteiga, ou seja, são trangressoras mas não são pretensiosas, não precisam de um manual urbano-artístico pra entender a leitura, e a maioria delas, pelo fato de serem histórias curtas, conseguem sintetizar um bom roteiro junto com desenhos magníficos.
E a edição é primorosa, não faz feio na estante.

(Destiny Express, de Jen Wang, Flight 2. É a história de uma menininha que desenha enquanto espera o trem. Mais sintético, só fazendo :-o )
Alguns dos autores mais freqüentes da Flight são meus colírios para esta vista cansada de ver tanta guerra. Vera Brosgol, Jen Wang, Justin Ridge, Cris Appelhans, Hope Larson, Catia Chien, Bill Plimpton, Israel Sanchez, uma belíssima supresa nesse quarto número. Fábio Moon entrou com uma história singela chamada “Cortina”. Se parar pra pensar, o trabalho de Bá e Moon tem mesmo a cara da Flight.

É quase um catálogo criativo, uma Heavy Metal menos pretensiosa e mais simples.

(The Espresso Police, de Yoko Tanaka, em Fligh 3. Um crítico de café espresso e seu ajudante macaquinho. Só.)

(The Blue Guitar, de Neil Babra, Fligh 4. Desenhos maviosos.)
O blog Flight também é um acepipe criativo quase comparado ao blog Drawn ou Line and Colors na quantidade e variedade de informações, mas voltado pro conteúdo e pros colaboradores da revista.

Em tempo, se tiver que escolher só duas por causa da grana, compre o volume 2 e o 4 que são os melhores. Vem com musa inspiradora de brinde.

No Comments

  1. Carolina disse:

    Hei Hiro….

    Muito linda mesmo essa revista… que espetáculo de capa, não? : )

    Estou acompanhando sempre as coisas por aqui. Ah… e você já viu isso? http://www.gmoura.com/blog/2007/05/vai-um-corte-de-cabelo.html

    beijoca!
    Carol

  2. Hiro disse:

    Oi Carol.
    Já vi isso sim (ou melhor, já ouvi isso). Só não coloquei aqui nesse blog por não ter muita relação com desenho. Às vezes eu espero um assunto paralelo aparecer pra embutir esses assuntos que parecem off-topic.

    Tô pensando em fazer um blog só de coisas bizarras, quem sabe ai não fico tão preso em um assunto?

    Abs!!

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