Carlos Estevão

Houve uma época em que as coisas pareciam mais ingênuas, as notícias eram em preto-e-branco, os pais davam o nome de “Getúlio” aos seus filhos e os carros tinham uma lataria da grossura de uma pizza.

Nessa época, mais ou menos na época de 60, havia um ilustrador e chargista muito pelúcio, como diz o Hector Gomes. Tinha um humor negro refinado e um traço que lembrava muito o tipo de trabalho do Aragonés ou do Prohias, autor de Spy vs Spy, da Revista Mad. O nome dele era Carlos Estevão.

Eu achei há alguns meses um exemplar de “Ser Mulher” em um sebo (o nome sebo vem de “ensebados”, o estado de que alguns livros se encontram à venda nesse tipo de recinto, o que não faz juz porque já encontrei pérolas baratinhas nesses lugares). É uma compilação dos trabalhos antigos de Carlos Estevão na finada revista “O Cruzeiro”, o preferido da sua avó nas leituras no cabelereiro (que há anos eram a maioria japonesas e se chamavam “Neusa”). Era conterrâneo do Péricles, criador do famoso “O Amigo da Onça”, personagem totalmente incorreto que, nos dias de hoje, seria passivo de processos e reclamações por uma pequena turba (falsa) moralista. Ri à beça com essa revista.


No site Memória Viva (entre na opção “Carlos Estevão) tem uma coleção com outras charges do Carlos Estevão. Você vai ver que naquela época, marginal no Rio era o sujeito que andava todo de branco, na estica, tocando um sambinha na madrugada e filando cerveja dos outros. Que piada.

No Comments

  1. Silvana disse:

    Marido que chama a esposa de filhinha, filha e filhota… xiiii… tinha que dar no que deu! :D

  2. Julia disse:

    Ai, ai… Saudade dessa

  3. Agora o Memória Viva tem um site inteiramente dedicado ao Carlão: http://www.memoriaviva.com.br/carlos estevao

    E vem por aí a biografia.. ;)

  4. Hiro disse:

    Brilhante, Sandro.
    Mais um que vai virar post.

Leave a Reply