Dedication

“Dedication” é um filme que fala sobre o romance entre um problemático escritor infantil e uma ilustradora de livros infantis desiludida. Mais um filme com a mensagem “onde se ganha o pão não se come a carne”?

Billy Crudup, que faz o papel do escritor (e que foi o filho do Peixe Grande e o chefe fuinha de Missão Impossível 3), vai ser o Dr. Manhattan(!!) na filmagem de Watchmen. Torcidas de nariz à parte, creio que ele não tem jeito pra ser um dos Blue Man Group hipervitaminado (na humilde opinião deste camponês do traço, Watchmen é uma obra infilmável, se é que existe essa palavra).

Tenha medo, tenha muito medo….

O discurso final de Anton Ego

Quando era moleque e não tinha grana, eu passava meu tempo nos cinemas de Mogi das Cruzes, no cine Avenida e Urupema, assistindo mais de uma sessão de um mesmo filme. Era um hábito tolo, pra que eu saísse do cinema com a sensação de que o preço pago pelo ingresso tinha valido a pena, mesmo com os filmes ruins do Terence Hill e Bud Spencer. Até lá, cinema era apenas um motivo de passar o tempo, era um hábito mecânico escapista, não me lembro de nenhum filme significativo que justificasse cinco estrelas em minha memória, talvez com exceção de “E.T.”, mas como estava acompanhado, não deu pra repetir a dose nesse caso.

A mágica aconteceu quando vi pela primeira vez “Caçadores da Arca Perdida”. Fiquei tão maravilhado com aquele filme, com todo vagalhão de sensações que saía da telona, que perdi o número de vezes que vi e revi esse filme (na verdade foram 12 vezes em, até quando o filme saiu de cartaz). Era a primeira vez que um filme me fazia feliz. Pra um garoto pobre, era quase o equivalente a ganhar um autorama.

O último filme que me fez feliz que nem criança foi “Ratatouille”. Feliz no sentido de sair do cinema leve e pensando. Repeti a sessão (pagando dessa vez) como fazia há 28 anos atrás.

“Ratatouille” é um filme sobre talento e a persistência do talento. Troque a culinária pelo desenho e garanto que todo ilustrador que teve que lutar contra a família, contra as opiniões e contra todas as chances no começo da carreira não se identifique com o ratinho Remy. Todo ilustrador que se sentia um peixe fora d’água, que tinha algum talento que o transformasse em um alienígena na frente de todo mundo, pois era taxado como artista, e como artista também era automaticamente taxado de vagabundo ou sonhador ou era uma maneira bem detergente para escapar de cuidar dos negócios da família, renegando sua origem.

Ou quem também no começo de carreira, devido à sua origem humilde, não se sentiu um rato mulambento quando entrou em uma redação ou uma agência pela primeira vez na vida, sentindo-se como aquela peça de Tetris que não se encaixa no espaço e atrapalha todo mundo que vem atrás.

Obviamente nem todo mundo começou a carreira se sentindo um rato de esgoto sem lugar no mundo, mas aqueles que começaram, como eu, entendem bem qual é essa sensação.
Nesse ponto é um filme tocante. Isso sem falar da parte técnica. Trouxe lembranças da minha infância, como na cena em que Anton Ego come o ratatouille feito por Remy.

Falando em Anton Ego, é tocante e genial seu discurso final, principalmente na parte em que ele fala sobre a origem de um artista. A voz do Peter O’Toole somada a esse texto é de espremer o coração do ilustrador ou artista mais rabugento e metálico que possa existir (lagriminha).

Encontrei a transcrição e a tradução por acaso num blog sobre o Marcelo Rubens Paiva (!!), escrito pela Ana Cláudia.
Quem não assistiu e apenas ler esse discurso, pode achar até chinfrim. Mas somado à narração do Lawrence da Arábia com as cenas do filme, transforma-se em uma tocante homenagem a quem insiste e precisa viver do talento:

In many ways, the work of a critic is easy. We risk very little yet enjoy a position over those who offer up their work and their selves to our judgment. We thrive on negative criticism, which is fun to write and to read. But the bitter truth we critics must face is that, in the grand scheme of things, the average piece of junk is more meaningful than our criticism designating it so. But there are times when a critic truly risks something, and that is in the discovery and defense of the new. Last night, I experienced something new, an extraordinary meal from a singularly unexpected source. To say that both the meal and its maker have challenged my preconceptions is a gross understatement. They have rocked me to my core. In the past, I have made no secret of my disdain for Chef Gusteau’s famous motto: Anyone can cook. But I realize that only now do I truly understand what he meant. Not everyone can become a great artist, but a great artist can come from anywhere. It is difficult to imagine more humble origins than those of the genius now cooking at Gusteau’s, who is, in this critic’s opinion, nothing less than the finest chef in France. I will be returning to Gusteau’s soon, hungry for more.

E em português:

“De várias maneiras, o trabalho de um crítico é fácil. Nós arriscamos muito pouco e, a despeito disso, desfrutamos de uma vantagem sobre aqueles que submetem seu trabalho, e a si próprios, ao nosso julgamento. Nós nos refestelamos escrevendo crítica negativa, que é divertida de escrever e de ler. Mas a verdade amarga que nós, críticos, temos que encarar é o fato de que, no grande esquema das coisas, até o lixo medíocre tem mais significado do que a nossa crítica assim o designando. Mas há momentos em que um crítico verdadeiramente arrisca algo, e isso ocorre na descoberta e na defesa do novo. Noite passada, eu experimentei algo novo, uma refeição extraordinária preparada por uma fonte singularmente inesperada. Dizer que tanto a refeição quanto quem a preparou desafiaram meus preconceitos é uma grosseira simplificação. Ambos me abalaram em meu âmago. No passado, não fiz segredo do meu desdenho pelo famoso lema do Chefe Gusteau: Qualquer um pode cozinhar. Mas só agora verdadeiramente percebo o que ele queria dizer. Nem todo mundo pode se tornar um grande artista, mas um grande artista pode vir de qualquer lugar. É difícil imaginar alguém com origem mais humilde do que o gênio agora cozinhando no restaurante Gusteau’s e quem, na opinião deste crítico, não é nada menos do que o maior chef da França. Estarei voltando ao Gusteau’s em breve, faminto por mais”.

Arte mijada

Mais um pra entrar na lista de “Art Attack” versão podreira.

Não basta existirem pigmentos e marcas de tintas consagradas como Talens e Winsor & Newton, com cores esfuziantes e substâncias higiênicas. Existem aqueles que fazem questão de serem encardidos e usarem todo tipo de alquimia alternativa possível pra pintar. Quanto mais orgânico e ofensivo, maior a repercussão.

Já tivemos o sujeito que pinta com sangue, com o instrumento do amor, instalações da porra e agora Robert Waters entra pro grupo utilizando-se de urina, vinagre balsâmico e óleo de motor pra transmitir seu sentimento e talento com uma ajuda providencial da polêmica.

Esse tipo de “tinta” à base de amônia e ácido deve acabar com os pincéis de pêlo de marta. Fora o cheiro de banheiro ao lado de lanchonete de rodoviária que esse quadro deve exalar em sua sala.

Fuck you, como diria Milton Glaser

Essa perolazinha encontrei no blog do Alarcão.

Essas pestes que aplicam golpe do vigário envolvendo ilustradores, fotógrafos e toda sorte de fornecedores de serviços, aparecem a todo momento, inclusive tentando flertar com lendas vivas como Milton Glaser:

Essa quem me contou foi o ilustrador Mirko Ilic, amigo do Milton Glaser, fundador do histórico Push Pin Studios e designer gráfico de fama internacional.

O designer liga para o “gentleman” Glaser para orçar um projeto de cartaz. Sem ter a menor noção de que fala com um profissional que é uma lenda-viva nas artes gráficas, o jovem dá início à sua abordagem profissional.

- “Mr. Glaser, queremos contratá-lo para fazer um cartaz, etc e tal… Quanto o Sr, cobra?”

- “Entre 10 e 20 mil”

- “Whoa! Tudo isso? Será que podemos chegar a um meio-termo? Pense bem, afinal um cartaz terá sua ilustração bem grande, ficará exposto em vários locais de circulação onde muita gente vai poder vê-lo…”

Silêncio do outro lado da linha.

_ “Isso sem contar na divulgação do seu nome, Mr Glaser. Será que conversando podemos chegar a um valor mais em conta, dentro do nosso orçamento?”

_ “Fuck you” , disse o gentleman Milton Glaser antes de bater o telefone.

Snow-bo

A internet é uma faca de dois legumes pra quem trabalha com ilustração. Ao mesmo tempo em que ela é um canivete suíço digital, que ajuda a fazer as coisas em menos tempo, como procurar referências e informações, do outro ela é um poço de distração. Um dos motivos que eu parei de freqüentar o Orkut foi o desperdício de tempo que ele gerava. O Youtube também, pra gastar meia hora não precisa de prática nem habilidade.

Porém, alguns minutos a menos não tem preço quando você encontra coisas maravilhosas, como esta animação curtíssima que encontrei por acaso.

Snow-bo é uma animação feita pela Vera Brosgol e Jenn Kluska.
Já falei muito da Vera Bee aqui neste blog, eu sou um fã fervoroso do seu trabalho. Cheguei até a comprar uma ilustração dela, devidamente enquadrado e disposto ao lado dos quadros da Fernanda Guedes e do Samuel Casal.

Acho o estilo de trabalho bem parecido com o meu, só que com aquele toque de limão feminino que só vou ter na próxima encarnação.

E essa animação é cuticuti, porém também é de um humor negro. Neríssimo, na verdade, mas é por isso mesmo é que ele é bom. Mesmo que tenha uma sensação de “quêisso?’ no final.

Como enviar um elefante por e-mail?

Imagine a cena, que já deve ter acontecido com vários ilustradores: você fica se matando de trabalhar pra entregar um arquivo no meio da madrugada de sexta, e quando termina percebe que nem comprimindo com alicate ele fica com menos de 20 megas. A agência que encomendou seu trabalho é uma toupeira digital, o art buyer acha que “ftp” é palavrão e todo mundo quer o arquivo já, mas não tem idéia que o limite pra enviar por e-mail é de uns 8 megas. O desespero invade seu corpo, você grava um CD, pega um táxi às 4 da manhã e leva o trabalho pessoalmente na agência. Não é sonho nem pesadelo, já aconteceu comigo pelo menos duas vezes.

Tem duas maneiras de evitar esse apoquentamento:
Se você tem um site, pode criar uma área de ftp e mandar as indicações e senha pra criação ou o art buyer acessar seu site e recuperar os arquivos. Porém, não é raro disso acontecer, vão aparecer essas toupeiras digitais que não sabem como acessar uma área de ftp nem com um passo-a-passo, que é trabalho pra criação e eles não tem tempo nem de defecar.
Porém, essa dica é boa pra você, ilustrador atarefado, que precisa de vez em quando acessar arquivos à distância. Deixe modelos de contrato, de orçamento ou outras coisas úteis e necessárias nessa área que você pode acessá-los quando estiver fora do estúdio, não precisando correr feito um condenado pro estúdio pra mandar aquele orçamento até o final do dia que vai fazer com o gerente do banco não precise fazer algo feio com a sua conta no vermelho.

Outra dica é o programa Pando. Descobri ele através do Heinar, da revista Mac +. O Pando é um programinha maneiro que envia arquivos de até 1 giga. É de graça e funciona assim: você baixa o programa, que é bem leve, e ele funciona como um cliente ftp. Você digita o e-mail pra quem você quer mandar e insere os arquivos gigantes dentro dele e os envia.

Do outro lado, a mensagem que você enviou só tem um arquivinho merreca, bem pequeno, orientando ele a também baixar o programa e em seguida ele transfere os arquivos parrudos no HD do sujeito. Simples como pimpampum. A vantagem é que quase tudo fica no clique do e-mail, sendo assim à prova de preguiçosos e desconectados.

Taí, já descobriu como mandar aqueles filminhos de sacanagem praquele seu amigo solitário. Ou vice-versa.

A tara das telas grandes

Tem gente que anda pensando em vender um rim ou se entregar à prostituição para comprar uma Cintiq. Para quem não conhece, a Cintiq é um equipamento que mistura uma tablet com uma tela de LCD de 21 polegadas, o que permite você desenhar diretamente sobre a tela, como se fosse sobre papel. Eu tenho uma e tive que me entregar em algo similar à prostituição, só que não havia prazer envolvido no processo.

Mas para quem não se contenta com 21 polegadas, existe também um outro equipamento chamado Conoto.
É uma Cintiq gigantesca, enorme. Dá até pra fazer sexo em cima dela. A Cintiq vira Game Boy perto disso.

Mas, pra que tão grande? Digitalmente você trabalha até melhor em uma área menor (acho que o cara se perde na proporção). Olhando, até parece uma versão moderna daquele chinês que pintava cartazes gigantescos de filmes, para serem usados nos cinemas da Avenida Ipiranga e São João, há uns 15 anos atrás. É a tablet para ilustradores com hipermetropia aguda ou com catarata avançada.

É o tipo de equipamento que você além de vender o rim, tem que dar sua mãe como caução. Não é tipo de coisa que você pede pro seu amigo trazer de viagem.
Aliás, fico com aquela coceira pra saber quanto custa um treco desses.

Mas não se iludam, isso é apenas mais uma ferramenta. A Conoto ou a Cintiq sozinhas não fazem um cara desenhar melhor .

O horror, o horror

A fada do cartão de crédito trouxe pra mim um livro que há um tempão tava querendo botar as mãos nele: “The World of Charles Addams” (90 paus na Livraria Cultura).

Charles Addams era cartunista da revista New Yorker na década de 30 e 40, e foi lá que ele lançou os primeiros cartuns da “Família Addams”. Pra quem não sabe, o desenho animado da Hannah Barbera segue fielmente os traços originais de Addams. Que mistura insalubre faria um homem misturar um moribundo sinistro com um amante latino, gerando o Gomez, e mesmo assim dando certo?

Eu pessoalmente prefiro Tio Chico a Fester e Mãozinha a “Coisa”.

O humor negro de Addams é inteligente, pra lá de inteligente. Tem um finesse gótico, uma elegância cadavérica, e família, mesmo sendo mórbida e mofenta, era mais feliz do que a família do Celso Pitta.

(a planta baixa da mansão Addams, um adendo do mesmo cara que fez as plantas da mansão Wayne e do hotel Bates).

Jill Thompson

Conversando com o Kako sobre minhas intenções aquarelísticas, ele me emprestou sua coleção maravilhosa da Scary Godmother, da Jill Thompson. Um homem sem amigos é um rato sem rabo.

Não a conhecia, o que me fez arrepender amargamente por não ficar mais inteirado do universo dos quadrinhos. Dá pra encontrar alguns por uns 25 reais também na Cultura.

Novamente o humor encontra o horror com uma estética desgraçadamente maravilhosa. As aquarelas de Thompson são elegantes e o humor da Scary Godmother lembra uma tia solteirona que eu tenho, acho que muita gente tem aquela tia solteirona e varapau que dá gargalhada até quando o caminhão de lixo passa em frente. O humor é mais simplório, coisa que uma criança pode ler sem fazer xixi na cama, mas não por isso menos gostoso de ler.

Dá um Lovecraft ou um Clive Barker pra um pimpolho ler pra ver a reação que dá.

Sandman babies, pra quem gosta de ver Morpheus no tamanho do Ursinho Pooh.

O mundo do Guia do Ilustrador

O Ricardo Antunes enviou um relatório de como anda o Guia do Ilustrador , o equivalente do Manual do Escoteiro Mirim para quem trabalha com desenho, pelo mundão afora. Vai muito bem obrigado, pode-se dizer de boca cheia que ele conquistou os 5 continentes. Depois de pouco mais de 2 meses, mais de 10.200 downloads foram downloadados em 63 países diferentes. Mais um pouco e até o Vaticano vai entrar na lista.

Não contam aí os arquivos enviados por ftp, e-mail ou disseminados por aí de maneira informal, é o Clube da Luta dos ilustradores. E bota luta nisso.

Poesia aquarelada e animada

O redator e assistente de detetive Marcelo Lourenço enviou um link do Youtube de um filme que ganhou o Oscar de melhor curta de animação em 2000, um desenhinho pra deixar sua cabeça mais leve e mais suspirante.

É um trabalho fabuloso feito pelo holandês Michael Dudok de Wit chamado “Father and Daughter”. A animação das aquarelas é perfeito, é simples e sintético, tem um ritmo quase oriental, sem falas e sem cores, mas é recheado de pequenas ações que parecem não ter importância, como um solavanco no meio da estrada, um passarinho no meio do lago, um detalhe da roda da bicicleta, mas no conjunto são os personagens do filme. A história é triste, não tem explicação, como uma criança deve entender o que é uma perda ou qualquer outro devaneio filosófico de padaria. Sem dúvida é uma das animações mais belas que já vi. O formato e o tamanho do Youtube não faz jus, mas pelo menos ela não passa desapercebida. Como são difíceis de encontrar essas animações em DVD. Ando procurando pelo russo “O Velho e o Mar”, pintado em placas de vidro e que também ganhou o Oscar; o húngaro “Krysar”, feita de cascas de nozes contando uma versão dark do Flautista de Hamelin e outros, mas nheca.

Toalhinha McDia Feliz

Já deve estar entrando nas lojas do McDonald’s a nova toalhinha de bandeja, a indefectível e infalível toalhinha anual sobre McDia Feliz. A desse ano foi em forma de histórias em quadrinhos, uma tentativa de dar uma suavizada para um tema um tanto árido e sério.

Aqui tem um adendo ampliado da lâmina comprovando que, ao contrário de algumas correntes que são soltas por aí, todo Big Mac conta no dia, inclusive os da promoção nº1:

Namastê

Ilustrações com cheiro de curry, vindas da Índia, onde não é muito comum sua presença em listas e anuários de ilustração. A gente se acostuma com os G8 da ilustração que esquece que em todos os países existem ilustradores, mesmo em Burkina Faso e Curaçao.



Foram anúncios para uma conferência nos EUA sobre assuntos da Índia. A agência fica em Kolkata, e é a Bates David Enterprises.
O ilustrador é Timir Majumdar.

Olha pra cima

Recebi de várias pessoas esse “bottom virtual” pedindo para postar no blog como forma de protesto. Então tá, como falar não?

Num momento trágico onde as autoridades (defina autoridades) brincam de batata quente com um assunto que há tempos era uma tragédia anunciada, surge uma forma de protesto interessante. Na falta de um nariz vermelho, que virou chavão, alguém criou um símbolo gráfico bem elaborado pra dar voz a milhares de pessoas que querem uma resposta e uma solução já. Foi criado por Neto e Michel Lent.

Independente se essa é a melhor solução, pelo menos é alguma coisa, é uma forma de protesto. Talvez a única para muita gente que se sente impotente, por mais que o governo diga que é imaginação e exagero seu.

Quem viaja de avião constantemente como eu fica com o coração do tamanho de uma ervilha com essas notícias. Eu, que sempre defendi a idéia de que voar era mais seguro que andar de carro, agora acho o contrário. Graças à esse pessoal dá outra dimensão à palavra “idiota”.

É uma estupidez com atestado e carimbo. Até mesmo quem joga SimCity não faz um aeroporto nessas condições, não o cerca com centenas de prédios e casas e dá uma área de escape curtinha.

Tempo é dinheiro

O Cris Vector (breve post sobre ele) mandou essa dica e vale a pena ser compartilhada para todo freelancer.

Eu já havia comentado sobre isso aqui no post que fala como cobrar um trabalho, e o Guia do Ilustrador tem uma parte só sobre isso, mas mesmo assim o número de pessoas que me escrevem perguntando quanto devem cobrar por um trabalho feito em papel A2 não é brincadeira.

Novamente eu digo, ilustração não é peça de flanela pra ser cobrada por metro quadrado. É fundamental saber quanto custa sua hora, pois é essa a base do cálculo. No meio, é chamado de hora-homem (sem conotações sexuais, por favor). A partir daí você calcula o resto.

O site Freelance Switch tem um calculador de custo de hora. Bem mais detalhado, ele calcula todas as variantes (ou seja, do cafezinho da padaria ao IPTU), planeja quanto você quer guardar pra sua aposentadoria na sua velhice e no final, dá o quanto você tem que cobrar por hora. Útil como um canivete suíço. Ele é em inglês e a moeda é em dólar, mas isso não influencia em nada, pode colocar os valores numéricos em reais que funciona.

Aí você descobre quanto custa uma hora da sua vida, quanto custa assistir uma sessão de Ratatouille e quantas horas você tem que trabalhar pra pagar aquela multa de trânsito que não foi culpa sua.

Bello!

Harry Potter e os Piratas Amarelos

Mais um”Made in China” para causar risos pela audácia e ousadia.

Saiu no blog Mutant Frog, especializado em cultura oriental, que por sua vez saiu no Boing Boing. Dessa vez a vítima é Harry Potter.

No meio da cultura pop e das epifanias de fãs e fanáticos, onde a adoração fica a um passo de um processo religioso, é comum que fãs escrevam histórias envolvendo seus ídolos. Na net é comum encontrar novos episódios de Arquivo X, da Xena ou da Caverna do Dragão pra download. Isso é uma amostra de paixão e devidamente e corretamente creditado. Quem compra ou lê um fanfic sabe que não é o autor original quem escreveu, mas quem se importa? Se Mulder ainda continua a procurar a verdade, é isso que importa.

Mas não é o que acontece aqui. Os livros chineses de Harry Potter foram feito para trouxas. Os créditos safados foram dados à autora do livro, J.K. Rowling, que inclusive tem a honra de ter um pé de orelha ensebado.

Os títulos, “Harry Potter and the Filler of Big” ou “Harry Potter and Beaker and Burn” fazem parte do universo paralelo de Hogwarts, onde o inglês é uma língua aborígene (tamanha a quantidade de erros em um texto pequeno). Chamaram os melhores designers gráficos que o Yuan pode comprar e as melhores ilustrações do CD de clip art.

Somente no mundo da magia você pensaria em encontrar Harry Potter com a formiga Flik, de “Vida de Inseto” e um condor ilustrado no estilo de Walter Lantz, o pai do PicaPau, com um acesso de delirium tremens.

E para dar mais veracidade (defina veracidade), eles incluem atém a ficha catalográfica, uma diversão à parte. Padrão IXO 9000 de qualidade duvidável. (será que as letras “a” acabaram e trocaram pela letra “s”?). É provocação pura.

Se a capa é essa tragédia, como será a história??

100kg de Mulher Maravilha

Esqueçam as coxas da Linda Carter, os peitos desenhados por George Perez ou os músculos esculpidos por Alex Ross.

O blog Fat Wonder Woman é a vingança das que sempre perdem a briga com a balança e daquelas que nunca acham seu número em qualquer loja de roupas no shopping. Criado pelo cartunista Jamar Nicholas, é um blog fantástico, que tem simplesmente como mote ilustrar de diversas maneiras possíveis a Mulher Maravilha Gorda!

É um conceito criativo, diferente e a proposta de vários ilustradores diferentes (e muito talentosos) darem sua versão da amazona adiposa faz com que o blog seja obrigatório. Tem dezenas de outras versões de onde vieram essas, cada uma mais deliciosa, divertida ou obesa que a outra.

Tirando alguns maldosos e malevolentes que partem pra parte escrota dessa visão, colocando banhas cadentes e celulites granulosas às toneladas na coitada, a maioria explora a sensualidade de uma mulher mais cheinha. Só faltava a versão Botero.

Quem imaginaria a Mulher Maravilha com os braceletes dourados apertados e usando o laço dourado como cinto pra segurar as banhas eróticas?

Lifted

O compadre Marcelo Lourenço deu a dica e eu repasso pra quem ainda não viu “Ratatouille”. Serve também pra quem já assistiu.

O site Blue Bus disponibilizou, não sei por quanto tempo, o curta-metragem “Lifted”, que passa antes de “Ratatouille”, inteirinho na íntegra. É quando “Monstros S.A.” encontra “Taken”.
Na opinião deste servo, não é tão bom quanto o curta dos homens-banda que antecedia “Carros”, mas é da Pixar, então mesmo assim dá de dez a zero em cima de “Gaia”.

Mas o filme, ahh, o filme…troque a paixão pela culinária pelo desenho e as palavras finais do crítico Anton Ego se tornarão um afago para quem anda precisando umas palavras perfumadas que levantem o astral de quem vive de arte. No final, o filme se trata sobre talento e a persistência de se tornar um artista, mesmo com todo mundo e as probabilidades apostando contra você.

Ilustrasite morreu. Viva o Ilustragrupo.


Depois que saí da agência de publicidade e me transformei em um ilustrador autônomo, duas coisas me ajudaram de uma maneira impagável, com informação e orientação profissional: a SIB e a Ilustrasite. Se há dez anos eu trocaria uma ilustração por um punhado de feijões trágicos, hoje estou mais consciencioso das obrigações, deveres e potencialidades da minha carreira por causa de ambos (não basta desenhar, tem que saber negociar).

Infelizmente o Ilustrasite morreu na terça, fatidicamente na mesma hora que o avião bateu. Foi um dia muuuito estranho. Por vários motivos que não convém serem discutidos aqui, mas como uma senhorinha que tenta consolá-lo diria simplesmente que “chegou a hora dele”.

Pra quem não sabe, o Ilustrasite era um grupo de discussão sobre ilustração, criado pelo Montalvo e aberto a profissionais véios de guerra e gente iniciando a carreira. Nesse aspecto o Ilustrasite era único, era uma ferramenta orientadora para quem estivesse perdido na hora de cobrar ou fazer um contrato. Sempre havia um ilustrador veterano disposto a dar uma palavra morna e confortável e um dedo indicador para mostrar o caminho. Também tinha momentos flamejantes onde esse dedo indicador era requisitado para ser enfiado em lugares inenarráveis.

Era um trabalho Brancaleônico do Montalvo. O apego e dedicação que ele tinha com a questão da formação do comportamento dos novos ilustradores era algo que só Cristo se arrebentando e carregando a cruz entende. Ele era esquentado, intolerante e machucava com as palavras (ao mesmo tempo, sabe-se lá que síndrome de Jeckyl e Hyde dá nele de vez em quando, também é extremamente cordial, atencioso e correto). Conheço ele pessoalmente, e posso dizer que ele é gente boníssima, biscoito fino que fica quente de vez em quando.

É inegável o papel que ele e o Ilustrasite tiveram em várias ilustradores, inclusive eu, é uma dívida impagável. O Ilustrasite também foi o maior divulgador do Guia do Ilustrador, filhote direto e carregando o mesmo dever de orientar novos ilustradores. Todo esse trabalho não foi em vão.

Infelizmente o jeito Montalvo de ser também trazia efeitos colaterais pra ele. E desgaste aqui, desgaste ali, ele resolveu desligar os equipamentos que faziam a Ilustrasite respirar. Espero que agora ele consiga descansar um pouquinho. Se isso adiantar, posso dizer sem erro que o que o papel dele já foi cumprido com louvor e vai trazer mais frutos do que ele imagina, e tanto ele como o Ilustrasite já fazem parte história da ilustração dessa terrinha.

Ilustragrupo

Porém, uma ferramenta como o Ilustrasite iria fazer falta, principalmente para os brotos ilustradores. Pensando nisso, e também no medo do vácuo gerar filhotes oportunistas e discrepantes, o Orlando Pedroso se prontificou e criou um novo grupo de discussão, o Ilustragrupo.

A proposta ainda é exatamente a mesma do Ilustrasite, que é debater, conversar e ajudar tudo e a todos na área de ilustração. Só a moderação vai ser mais…moderada (ou seja, é mais livre, mas nada de putaria porque também existe o botão de ejeção para os mais incovenientes). De início, todos os peixes grandes migraram para o Ilustragrupo, o que é importante, pois é esse pessoal que vai dar apoio pra quem chega com um ponto de interrogação na cabeça. Estão lá eu, o Kako, Eldes, Shuman, Samuel Casal, Marcelo Martinez, Ricardo Antunes e mais uma renca de ilustradores que, se somados os anos de experiência chegam-se facilmente à idade de São Bernardo do Campo.

A mudança de casa foi bem rápida, pra sentir menos os efeitos. Ainda tem cheiro de tinta virtual no ar.

Para quem não é associado ao grupo, aproveita pra entrar por que todo mundo aprende bastante lá:

É só clicar no botão “entre nesse grupo”.

The Two Towers

Ilusão de ótica pra variar, aceita porque é grátis.

Duas Torres de Pisa, inclinadas como devem ser. Qual delas está mais inclinada?


Nhá! Nenhuma, as duas são idênticas.

O espaço entre as duas faz parecer que a da direita está mais capenga.

Tadahiro Uesugi

Apresento-lhes um outro Hiro ilustrador.

Tadahiro Uesugi é o japonês mais francês do mundo. Suas ilustrações tem um clima elegante com cheiro de Chanel. Suas mulheres são lânguida, esguias, magras, pescoçudas e todas tem um olhar blasê que parecem as bailarinas do Chico Buarque. Não tem ramelas, não soltam pum, não tem casquinha de ferida, são perfeitas como Audrey Hepburn. Jamais consegui imaginá-la sentada numa privada.

O trabalho dele é chiquérrimo, nem parece que é um homem que faz. E embora pareçam feitas em tinta acrílica ou guache, ele só usa Photoshop, 100% do seu trabalho é digital. Mais uma prova que programa é só uma ferramenta, para desespero de alguns puristas.

Das coisas nascem coisas

O título acima é de um livro fantástico do designer e pensador Bruno Munari, leitura obrigatória, depois dos livros de Gianni Rodari, para quem trabalha com criatividade, principalmente por que são livros que fazem você pensar de maneira a dizimar rastros de endurecimento mental. Desse livro eu volto mais tarde pra falar sobre ele.

É que o post das charges políticas me fez lembrar de uma conversa que eu tive com o Leo Gibran sobre a Mafalda.
Que a Mafalda nasceu de um erro, de um projeto que não deu certo. Ou seja, de uma coisa que nasceu outra coisa, também.

Curiosa a sequência de acasos que culminou na Mafalda política véia de guerra:
Em 1963, a agência argentina Agnes Publicidad procura um ilustrador pra desenvolver personagens para seu cliente, uma empresa de eletrodomésticos chamada Mansfield. A agência contrata um ilustrador chamado Miguel Brascó.
Brascó só foi à agência por causa do nome do funcionário entrou em contato com ele, Norman Briski, por que ele viu um sinal num sobrenome que era a mistura do seu nome com a de um outro ilustrador que ele gostava, chamado Oski (que salada).

Ao chegar lá, Brascó viu que o projeto não tinha a sua cara, além de estar atolado de trabalho, então passou o job pro seu amigo, Joaquim Lavado, o Quino.

Quino, por sua vez, faz várias tirinhas para o cliente. O cliente, e a agência, por sua vez, mudam o briefing e o trabalho do Quino, recusado, ficou órfão. Quino então guarda as tirinhas na gaveta pra virar comida de traça.

Um ano depois o jornal “Primera Plana” liga pro Quino pedindo umas tirinhas. Ele enxota as traças da gaveta, leva as historinhas que iriam virar campanha publicitária, dá o nome pra menina de Mafalda por causa de um bebê que ele viu em uma novela, as historinhas são editadas e o resto todo mundo já conhece.

É como eu sempre digo à exaustão (e quem me conhece sabe que faço isso): as coisas não acontecem por acaso.

Armazém de chargistas políticos

Visitando o blog do chargista Rico, encontrei um link que é o equivalente a um armazém de chargistas políticos, causa da quantidade e da variedade de estilos (se bem que a grande maioria possui aquele estilo que agrada muito os americanos, que são charges políticas ricas nas hachuras e rabiscos).

A proposta do Daryl Cagley’s Professional Cartoonist Index é criar um catálogo de chargistas políticos americanos e do mundo inteiro. Entre secos e molhados do humor sério – pois não é qualquer um que consegue ser um cartunista político sem usar expressões clichê e que não levantam nem lábio de desprezo, e nesse ponto admiro quem consegue fazê-lo de maneira magistral – estão alguns brasileiros, além do Rico: Lailson, de Pernambuco, e Simanca.

O interessante lá é que o site também funciona como intermediador de serviços. Ele oferece as charges para quem quiser publicá-las e, acredito eu, faz a ponte entre as partes.

Conexões de Miyazaki

Esse final de semana peguei uma gripe tão violenta que fez minha cabeça inchar e doer ao ponto de parecer com a do coitado abaixo.

Convalescendo de maneira morimbunda na cama, achei vários posts separados que juntos dão um assunto legal, coisa de papo boteco (pelo menos eu não sabia, já que só sei que nada sei, então desculpe se alguém e sentir ofendido com a suposta novidade).

Que Miyazaki é um gênio, todo mundo sabe, e quem não sabe tem que levar um sapato na cabeça pra aprender. Ele tem um “mojo” especial que dá um toque único em qualquer história que ele adapte pra virar animação. Como aconteceu com Kiki, pessoalmente meu preferido até hoje.

Resumindo, as histórias contadas por ele devem ficar melhores do que o original.

A história de Howl’s Moving Castle (que os tradutores famigeradamente chamaram aqui de “O Castelo Animado”) veio de um livro escrito por Diana Wynne Jones com o mesmo nome. Não ouvi criticas muito favoráveis ao livro, a opinião geral é que Miyazaki tomou um gancho de idéia com um potencial criativo latente e os personagens do livro, deu seu toque pessoal no roteiro e saiu aquela jóia da coroa.

(Vixemaria, originalmente Howl seria um mago roqueiro com cabeleira a la Hanson?)
No ano passado, Diana lançou a continuação de Howl’s Moving Castle, aproveitando a fama do filme, chamada “The Castle in the Air”. Não li o livro, mas pela resenha ele se passa na terra das Arábias e os personagens originais não estão no livro, então tá.

Miyazaki não vai fazer a continuação, mas o curioso é que ele já havia criado um filme antes, em 1986, chamado “Laputa, the Castle in the Sky“. Coincidência ou assombração, é muita similaridade. Na dúvida, vale quem veio primeiro.

Nausicaa na toalhinha de bandeja

E se der tudo certo, encontrei uma informação que vai dar pra encaixar na próxima toalhinha de bandeja sobre Nausicaa.

Nausicaa era o filme que se passava num planeta embolorado e mofento, um dos primeiros da epoca de ouro de Miyazaki. O gibi que está nas bancas ilustrado por ele também é biscoito fino.

O nome “Nausicaa” vem da mitologia grega. É uma princesa e ela faz parte do livro “A Odisséia”, aquele sufoco em que Ulisses tenta voltar pra casa. Ela ajuda Ulisses depois de um naufrágio.

E depois de resgatar o herói, ela se casou com Telêmaco, filho de Ulisses, e teve um filho chamado Persépolis, que é o título da brilhante obra de Marjane Satrapi, já comentado aqui. Persépolis, era a capital da antiga Pérsia, onde hoje fica o Irã.

Segundo Orlando Duarte, brilhante jornalista esportivo, um escritor grego chamado Agalis alega que Nausicaa foi a criadora da Pelota Basca!!!

Tempo pra quem tem tempo

Embora nosso amigo designer opiáceo Hans Donner tenha como uma das suas metas de vida mudar a maneira das pessoas enxergarem o tempo baseado na onipresente teoria dos degradês e claro-escuro, tem gente que também tenta fazer isso com menos alarde e melhor resultado, pelo menos com um conceito mais simples e fazendo o uso de cores chapadas.

Não consegui identificar quem foi o criador desse relógio feito em animação em Flash, mas é divertido.
O Polar Clock conta os dias, meses, horas, minutos e segundos baseados em anéis animados.
Graficamente interessante, pena que tenha que se manter o browser aberto pra checar a hora de tomar remédio.

Carlo Giovani

Se eu tivesse conhecido o Carlo Giovani há uns cinco ou seis anos, eu estaria mais jovem. Eu teria dormido mais, comido melhor e minha miopia teria se estabilizado nos 4 pontos em cada olho.

Foi uma época em que os brindes de McLanche Feliz ainda eram perrengues, quase boco-mocos de tão ruins. Aí tínhamos que criar embalagens com design diferentes e com brincadeiras de papel pra destacar e montar, pra gerar um conceito de marketing chamado “valor agregado”. Eram de uma a quatro por mês, um ritmo de trabalho monstro que parecia que tinha o reloginho do Jack Bauer atrás de você contando os minutos em contagem regressiva.

Carlo Giovani é um monstro da lâmina, cola e papel. Todo mundo já viu o comercial muito cuto feito em stop-motion da Elma Chips, com os bichos de papel. É dele. A agência foi a Almap.

O que ele faz não é só legal, tem um design funcional e bonito. É um tipo de trabalho que mexe com os dois lados do cérebro ao mesmo tempo. Não basta o trabalho de desenvolver a faca, calcular as dobras e os espaços do papel. As ilustrações também são matadoras. No final ele cria brinquedos de papel que agrada rebentos e marmanjos.

No site dele tem mais, muito mais coisas divertidas que fazem a festa para os olhos, como esse anúncio feito pela Ogilvy para o Instituto Souza Cruz.

Quando vejo esse anúncio eu acho liindo, mas fico imaginando o trabalho que dá montar cada um desses bichos….

Ovos piratas!

A Letícia enviou esse artigo e resolvi postá-lo, mesmo não tendo relação com ilustração ou com violação de direitos autorais. Mas de vez em quando surgem umas histórias tão absurdas, tão surreais que parecem saidos de um episódio dos Simpsons. No final, além de indignar, também pode ajudar a inspirar.

O próximo produto a ser pirateado na China agora são…ovos!! E não são aqueles ovos pretos de mil anos, é ovo pirata mesmo.

Esses ovos são vendidos apenas na China, para a camada mais pobre, pobre, pobre da população, o que é mais indignante.

A questão aqui é a audácia e o trabalho que dá pra fazer isso. O ovo inteiro é químico, feito de gelatina, ácido benzóico, ácido clorídrico, alume (um cristal que antigamente se passava em cima de cortes de lâminas de barbear pra parar de sangrar) e outras coisinhas como o valor nutritivo inversamente proporcional ao nível toxicológico. É podreira pura, veneno mimético, que o Mentes Ociosas diriam “Não Presta” categoria Ouro depois de vomitar as entranhas. As substâncias contidas nesse ovo podem causar demência! Se vocês lerem o site com a receita, verão que não existe um único componente orgânico!

E o trabalho pra produzir um ovo falso? O que pode ser mais fácil do que coletar um ovo quentinho saído de uma cloaca de uma galinha? Como pode um procedimento com pelo menos 6 etapas, até a fabricação da casca falsa feita de calcáreo e cera, ser mais barato que um ovo de verdade?

Cada ovo falso é vendido a 3 centavos de dólar. Já o curso de 3 dias que ensinam a fazer esse acepipe do demônio custa 150 dólares. Já vi que o pessoal ganha em cima do curso, e não do produto. Como alguns cursos de computação meiaboca que existem por aí.

Isso é surreal, minha mente não concebe isso.
Dá pra até virar um roteiro!

Sobre genitália e os homens

Aproveitando o gancho pintoso abaixo, o Angelo Shuman enviou uma notícia no fórum da SIB também sobre esse assunto, só que em uma escala menor (menor em tamanho, maior em escândalo).

Segundo o semanário alemão Der Spiegel, a ilustradora de livros infantis Rotraut Susanne Berner foi convidada a publicar seus trabalhos em uma editora americana. Porém, ela deveria fazer alguns “ajustes” para não ofender o público pudico americano, entre eles eliminar desenhos de pessoas fumando e pulverizar os desenhos de uma mulher nua e um pintinho expostos em um museu.

Antes que alguém fique soltando labaredas ou fique horrorizado com a idéia de mostrar partes pudentas para pimpolhos born in America, o Spacca enviou umas imagens da peladinha e do pintinho para vossos julgamentos:


A Pamela Anderson mostra muito mais num decote pedindo socorro pra soltar um botão do que isso.
E lógico, Berner rejeitou a “proposta”. Se fossem alguns ilustradores que eu conheço, eles mandariam enfiar o pintinho naquele lugar que não bate sol.

Pintu ra

Alguém arranje uma namorada para Tim Patch.
Na falta do uso do instrumento do amor desse rapaz para as coisas que lhe foram destinadas – e isso não inclui dar uma mijadinha – ele o usa para pintar quadros, talvez na vã esperança de ganhar alguma atenção ou desgastar um pouco a ferramenta, tal qual acontece com os dentes dos roedores.

Quem comprar uma dessas pinturas pode dizer por aí que é uma arte do carvalho!

Adobe Rex

O post reclamão sobre minha funesta compra de um Adobe CS3 rendeu um artigo variante que sai na revista Mac + desse mês (já deve estar saindo nas bancas). E essa é a ilustração para a matéria. Uma visão heróica-exacerbada para um fato digital picareta-mundano.

Falando nisso, ninguém me deu uma satisfação, nem da loja, nem da revendedora, nem da própria Adobe. Cambada de filhadafrutas, só me resta o Jornal da Tarde e o tribunal de pequenas causas.