Garoto Cósmico

Senhores, contemplem!

Alê Abreu é ilustrador e faz coisas fofas, coloridas e de alto astral, fazendo seu karma ao deixar as pessoas com um sorriso na boca.

Em breve vai ser lançado nos cinemas o seu filme, o “Garoto Cósmico”. É um longa animado de finesse, coisa boa mesmo. Animação é fluida, as músicas são legais e o enredo não é uma tentativa de ser um consumível Cartoon Network, mistura com maestria ficção quase científica, fantasia colorida com o elementos brasileiros (como ele próprio se define, uma obra “barroco-científica”.

Ele é do meu time, adora Miyazaki e Violeta Parra. Já é metade do filme garantido.

Se você tem filhos, leve o rebento pra ver e falar pra ele no meio do filme que “ó, foi feito aqui no Brasil”. Se não tiver, vai assim mesmo pra sentir o céu mais azul depois de sair do cinema.

Vai passar agora no Anima Mundi, em São Paulo. Se der sorte você me encontra lá.

Onde se ganha o pão não se come a carne

Quando faltar trabalho pra ilustrador e tiver que escolher outra profissão, seja animador de bonecos de programa infantil.
É o emprego que você pediu a Deus e vendeu a alma ao diabo. A não ser que o apresentador do programa seja o Alexandre Frota.
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Essas fotos são de um programa infantil russo e a apresentadora já foi miss Rússia. E o animador pode ganhar o salário em feijão que ele não reclama.

Lembrou os tempos em que eu era imberbe e colava os olhos na tela da TV pra ver Silvana e o Bambaleão. Acho que todo moleque da minha idade se “apaixonou” pelas coxas da Mulher-Maravilha, pela mini-saia da Poderosa Ísis e pelos cabelos escorridos da Silvana. Bons tempos em que você não precisava trabalhar.

E pensar que alguém tirava a casquinha dela vestindo um leão canastrinho na mão….

Flash Wars

A metalinguagem rola solta aqui nessa animação divertida de Alan Becker, chamada “Animation vs Animator”. O homem-palito escolhe a interface do Flash como seu campo de batalha e usando as ferramentas pra se defender.

Visto no blog Line and Colors, outro blog fantástico sobre ilustração e desenho.

Toda vez que alguém com tempo livre encontra a musa da criatividade, um anjinho nasce no céu (argh!)

Hope Larson

Senhores, contemplem!

Admiro há tempos o trabalho de Hope Larson, que faz parte do mesmo time (que sou fã) da Vera Brosgol, Jen Wang, Catia Chien e de mais uma cambada de talento, que podem ser vistos em bando na revista Flight (essa semana ainda vou postar algo sobre essa revista, só esperando a nº 4 chegar nessas mãos ansiosas).

Eu tenho dois livros dela, o Grey Horses e o Salamander Dreams.

Quem curte uma história sem supersujeitos, mas com uma boa dose de poesia e delicadeza com aquele toquezinho de limão feminino, sorria que hoje o sol nasce mais cedo. Para felicidade dos mortais gostam desse tipo de trabalho e contam os centavos no final do mês, ela disponibilizou “Salamander Dreams” inteirinha pra download!

Ela merece um beijo de agradecimento (e comentário típico de homem, além de talentosa também tem uma beleza suspirável). Muy hermosa.

De graça e com autorização da criadora não é toda hora que aparece.

E esse é o cafofo onde saem essas delicadezas na forma de quadrinhos. Por que toda ilustradora tem um gato no estúdio?

iPhone made in China

Seguindo conselhos, criei uma nova categoria chamada “Another China”, adivinha pra quê. Não é pra comentar Confucionismo, é pra descer lenha no descarado mundo da pirataria da terra de Mao.

O Fábio Henrique me enviou essa dica. É engraçado e preocupante ao mesmo tempo.

O lançamento do iPhone só acontece no dia 29, mas na China, pra variar, já criaram a versão Jack Sparrow do telefone da Apple. Detalhe para o nome, não é iPhone, é “tPhone”, é o top de linha dos produtos-papel-carbono, feito com o mais fino alumínio e a bateria mais radioativa do mercado. O filme mostra um sujeito “unboxing” (uma moda no Youtube, gente que filma produtos novinhos sendo retirados da caixa) mostrando a pobreza dos acessórios e das funções que não funcionam.

A embalagem é uma aula de design gráfico de como não fazer uma embalagem, é o atestado no papel de “tamos nem aí” que os chineses barbarruivas dão pra quem compra essa coisa. Deve dar choque no ouvido ou servir de repelente de mosquito.

E o detalhe do som do Windows sendo iniciado no tPhone é provocação poética.

A sensação de que crianças famélicas com as pernas acorrentadas na mesa e um rottweiller hidrofóbico vigiando a linha de produção desse tipo de latrocínio da propriedade intelectual é evidente.
E se fazem esse tipo de produto é porque tem gente que compra. E não devem ser poucos.

Em breve na Santa Efigênia ou nos Camelots da Avenida Paulista.

Ilustrações coadjuvantes

Nem sempre o ilustrador faz trabalhos grandes, autorais, glamourosos ou que vão salvar o mundo. De vez em quando aparece um trabalho simpático, honesto, mas não dá pra colocar no portfólio, por causa da relevância, do uso ou do estilo. Como alguns passo-a-passos ensinando a fazer bolo de caixinha, por exemplo.

Fiz esses “desenhos de criança” para o lançamento da geladeira Aquarela da Consul, uma geladeira que você pode desenhar nela como se fosse um quadro branco. Perfeita para ilustradores que tem o hábito de assaltar a a geladeira no meio da madrugada pra dizer olá pra coxinha de frango.

É o tipo de trabalho que você até se pergunta por quê contrataram um ilustrador pra fazer isso. Mas ainda bem que o fizeram.

A Arte de Vomitar Parte 2

Uma extensão do post sobre Hugos.
Dessa vez é pra mostrar um concurso do melhor design de saco de vômito protagonizado pelo site Design for Chunks que rolou há dois anos, mas ainda vale a pena pra ver a diversidade de modelos de sacos para exteriorizar coisas semidigeridas que andavam em círculos dentro do estômago (tem que ser macho pra ser bulímica, vomitar é um ato tão desagradável e asfixiante como se afogar em piscina de criança).



Pelo menos esses sacos são mais alegres e divertidos do que os fornecidos pelas companhias aéreas. Tão coloridos que parecem caixinhas de McLanche Feliz com brindes desagradáveis.

E pra frisar o que o ditado popular diz, que o ócio é a oficina do diabo, aqueles que forem fascinados pelos sacos de vômito podem entrar no site Vomitorium, que é o maior museu natural dos sacos de vômito do mundo, com direito a resenhas e classificações.
É o suco natural de milho com atum e ácido de estômago sendo elevado a status de arte.

A arte do seu Carvalho e do senhor Pinheiro

Tim Knowles é um artista britânico que procura usar o mínimo de intervenção humana em suas artes, ou seja, ele fica sentado esperando o trabalho ficar pronto de várias maneiras.
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Um exemplo desse desapego da forma, do traço e do braço é a arte vegetal que ele faz. Ele amarra canetas nas pontas de galhos de árvores e deixa o suave movimento do vento fazer traços aleatórios rabisquentos em papéis e telas. E depois vende sua arte, dando como comissão pras plantas um punhado extra de adubo.
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Nasce assim a versão clorofilada de Jackson Pollock.

O resultado do trabalho dele é matematicamente interessante. Não vejo isso como arte, mas como um gráfico. É quase uma representação de um fractal, um desenho aleatório, caótico, mas que segue um padrão que não é linear. Teoria do caos pura.
O exemplo de Pollock não foi por acaso. Matemáticos estudaram o trabalho dele e constataram que Pollock, mesmo sem saber, também utilizava padrões fractais em sua arte, padrões regulares que repetem seguindo um padrão aleatório definido. Taí a explicação, se você achava que não entendia os quadros de Pollock é porque você é ruim de matemática ;-P
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Desenhar envolve muita matemática. Engana-se aqueles que ficam horrorizados com equações que parecem enxames de abelhas, a filosofia da matemática é genial para entender muitas coisas na vida cotidiana e na arte de representar um desenho num papel.

Uma coisa é fazer desenhos que seguem regras, como prédios e carros e elementos em perspectiva, que seguem uma lógica regrada e cartesiana, onde a margem de erro é zero, senão o desenho sai imperfeito.

Outra é aprender a entender padrões aleatórios. Desenhar nuvens, terra, copas de árvores, tudo o que for aleatório é caótico apenas na aparência, existe um padrão que deve ser encontrado para não descaracterizar o desenho.
Entender a lógica de algo aleatório é a chave de fazer desenhos orgânicos e naturais convincentes. Aliás, quase tudo na natureza é representado de maneira geométrica aparentemente randômica, mas não é. A relação áurea e a seqüência de Fibonacci (quem for bom de charada vai entender o que existe por trás dos números 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21….e não são os números malditos de Lost) existem desde em uma flor até na disposição das escamas de um peixe.

Pra quem quiser se aventurar por esse mundinho matemático recomendo o livro “Caos”, de James Gleick, um pouco técnico mas bom pra entender o famigerado “Efeito Borboleta” nas artes visuais e “O Poder dos Limites”, de Gyorgi Doczi, esse um compêndio sobre as proporções e relações geométricas de todas as coisas do mundo, de um vaso até um ideograma chinês.
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Outro livro que trata do entendimento matemático das coisas da natureza é o I Ching, mas isso é conversa pra outro departamento.

Suppa

Encontrei ontem dois diamantes em forma de livros infantis.

Um deles foi ilustrado pelo já reverenciado neste blog, o Renato Alarcão. E o livro foi escrito pela Cléo Busatto.
“Pedro e o Cruzeiro do Sul” é um livro delicioso, fala de perdas e estrelas. O texto e a história são maravilhosas, e as ilustrações do Alarcão fazem os olhos deste oriental abrirem mais um pouco.

Belíssimo.

O outro foi “Branca de Neve e Rosas Vermelhas e outras histórias”, escrito pelo Walcyr Carrasco e ilustrado pela Suppa, pela editora Manole.

Quando você vê uma ilustração da Suppa, alguém toca Edith Piaf ao longe, ao mesmo tempo que o cheiro de croissant assado entra pela janela.

O trabalho dela é de uma leveza e ao mesmo tempo de uma simpatia tão grande, tão grande você sorri com as meninas de olhos grandes como farol de carro e boquinhas pequenas como pétalas de mimosa.

Com traços simples e longilíneos, é um estilo único que transmite uma elegância amigável e delicado. Como uma francesinha bonitinha de cabelo chanel.

Não conhecia sua história, mas depois que li que ela trabalhou na Fundação Jacques Costeau na França colorindo histórias em quadrinhos, um carimbo permanente de fã bateu no peito. Um dos motivos que fiz faculdade de Biologia, ó estupidez adolescente, foi o Jacques Costeau.

A Suppa tá na minha lista de ilustradores com quem eu quero um dia fazer um trabalho juntos.

Pãozinho quente

De vez em quando surgem alguns camaradas que lavam a alma encardida de brasileiro, cansados de serem confundidos com guaranis, reboladoras voluptosas de traseiros ou artesãos da caipirinha, ainda mais quando o assunto é relacionado com desenho.

Os gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon foram considerados um dos Top 100 pela revista Entertainment Weekly, que todo ano cria esse chamado “Popwatch”, que é uma lista do que é considerado o mais quente no momento em todas as áreas de entretenimento. Não é sempre que alguém fique na mesma lista que Angelina Jolie e Harry Potter.

É um mérito, principalmente por causa do tipo de trabalho dos dois, num país onde quadrinhistas nacionais são tratados como entregadores de botijão de gás, sempre pela porta dos fundos. 10 Pãezinhos e Mesa pra Dois são bons de dar raiva.
O trabalho mais recente deles é uma versão de “O Alienista”, tão bom quanto.
A ilustração que eles fizeram pra revista explica bem o conceito do trabalho deles.

A ilustração no fim do universo

Fim do universo é maneira de falar.

Esse diagrama é muito conhecido pelos nerds, geeks, e todos aqueles que ficam olhando pro céu esperando que um disco voador desça e o abduza pra uma vida melhor longe da família e do emprego medíocre. É uma placa de alumínio enviada junto com as naves Pioneer 10 e 11, numa tentativa de explicar quem somos nós, de onde viemos caso alguma inteligência alienígena trombasse com ela. Também pode ser um manual de instruções de como invadir a Terra.
É mais provável se um dia essa placa chegar nas mãos (patas? tentáculos? pseudópodes?) alienígenas, ele vá se indagar e pensar “que porra é isso?”, da mesma forma que fazemos com as aranhas gigantes de Nazca.

A história desse desenho é mais pitoresca. Quem ilustrou foi uma mulher, Linda Salzman Sagan, na época esposa de Carl Sagan (cujo livro “O Mundo Assombrado por Demônios” é bom à beça, juntamente com a série “Cosmos”).
Foi Carl Sagan quem criou a lógica dos elementos contidos nesse desenho, propôs pra Nasa levarem esse peso extra na possibilidade de encontrar vida inteligente fora da Terra e eles toparam.
E assim nasceu a primeira ilustração justificadamente com utilização em território ilimitado.

Mansão Mojizu para personagens enfastiados

O site Mojizu é um desfile gigantesco de personagens moderninhos, parece até uma versão online do Pictoplasma. Você cria um personagem, manda pra lá e ele vai ficar desfilando.
Tanto personagem dando sopa dá até receio. Perfeito pra conseguir inspiração, terrível para quem quiser fazer o mal com eles e fazer toy arts com espírito chinês.
Os personagens não são irregulares, tem um certo nível de qualidade que até impressiona em alguns casos.

Museu dos discos horripilantes

Houve uma época na humanidade – mais exatamente na década de 70 – onde não existia bom senso, bom gosto, senso de ridículo , escalas de Pantone ou a profissão do diretor de arte e do designer gráfico.

A moda, os cabelos, os filmes pornôs dessa época não deixam saudade, mas hoje viram motivo de risada (do tipo quando você pega uma foto sua com calça boca-de-sino e vem aquele gosto amargo na boca). E vem também a imagem das chacretes com nomes criativos (Fátima Boa Viagem, Suely Pingo de Ouro, Fernanda Terremoto, e a imortal Rita Cadillac, e conselho, nunca assistam o filme pornô que ela fez e que passa de vez em quando no Sexy Hot, pois vocês nunca mais vão dormir).

Esse site é o museu dos horrores em vinil, uma compilação de dezenas e dezenas das piores capas de LP que a mente humana criou. Não encontrei um site equivalente de LPs brasileiros, mas que tem muito material canarinho que merecia entrar nessa lista. As capas abaixo são contemporâneas da trilha sonora da novela “Pai Herói” e do LP “Excelsior, a Máquina do Som”. Joga naftalina que é encrenca.

Essas são uma módica amostra do que tem lá. Capas mais pesadas com nú explícito de tirar o apetite também fazem parte do repertório.


A maldição dos Jackson ataca novamente.

Esse é o avô do Snoop Dog.

Fé à força, por bem ou por mal.

Esse ser é uma mistura do Liberace com o Mutano dos Novos Titãs.

Se para alguns o carro é uma extensão do pênis, para outros o braço da guitarra faz essa função.

Que merda é essa? Eu era lindo e inocente e acabei pulguento na sarjeta?

Quando os farofeiros vão à praia e decidem gravar um disco.

Todos meus amigos morreram, só me resta Jesus…

Esse eu tava pagando pra ouvir. Como será uma música pra cachorro gay? Como será um cachorro gay?

Como dirira Coronel Curtis, “O horror, o horror!”.

Cores

Aí vai um site pra quem ama cores. Como um ex-diretor de criação bem ruinzinho que eu tive, que tinha essa frase como marca registrada pra qualquer coisa que você criava, até mesmo pra um tijolinho pra vender carro usado:
“Precisa de mais côresh! Mais côresh!”
Os anúncios ficavam com cara de arara vermelha e arara azul batidos no liquidificador e ele ficava feliz (mas o cliente não).


O site/blog Colourlovers tem milhares de combinações de cores pra você se inspirar ou quando tiver preguiça. Alega que ele apresenta as “últimas tendências de combinações de cores”, então tá. Pelo menos ele é tão útil como aqueles livros japoneses de combinações de cores que custavam uma fortuna.

E esse anúncio da Motorola feita pela Ogilvy do Chile deve ter se inspirado nesse princípio.

Os daltônicos agradecem.

O japonês pervertido na peixaria

Vera Gleiser, que mora em Seul, me mandou essa imagem de um guia de campo para nerds pervertidos.
É a matemática e a geometria sendo usadas para satisfazer o fetiche de onze entre dez nerds de carteirinha: sexo à distância. Criada por coreanos, desejado por muitos.

Se você, amiguinho solitário que vê sensualidade apenas nas curvas do número 8, leve uma régua e um transferidor na próxima vez que você andar de metrô e uma cocota de minissaia sentar na sua frente.

Existem coisas na cultura japonesa que, como disse anteriormente, só morando ou sendo um japonês autêntico pra entender. Embalagens mostrando fiofós de cachorros, cerveja pra crianças, doce de feijão, máquinas de vender calcinha usada, pachinko….


Uma coisa que tem público cativo lá são hentais (desenhos animados pornôs) com tentáculos. Geralmente são monstros ou demônios sodomizando garotas com cara de Sailormoon. O sexo sempre é forçado, as perseguidas sempre sofrem e o público pervertido faz “ola” de alegria. É o fetiche adulto equivalente aos robôs gigantes com nomes pomposos.

O curioso é que talvez (veja bem, eu disse talvez) essa tara por moluscos cefalópodes venha do século XIX.
Todo ilustrador ou apaixonado por artes já viu essa gravura:

É “A Grande Onda de Kanagawa”, que muitos dizem ser a representação de um tsunami. De tão conhecida praticamente virou ícone pop.
Ela foi criada por Katsushika Hokusai, que viveu até 1849, durante o período Edo. Era um apaixonado pelo mar e pelo Monte fuji. Sua arte é muito conhecida pelo mundo, e adorado no Japão.

E eis que no meio dos seus trabalhos tem um exemplar que deve ser o tataravô que deu início a essa tara por seres frios, viscosos e gelatinosos:

Essa pintura se chama “O sonho da mulher do pescador”. Ou seja, ela não deseja o vizinho musculoso ou o afiador de espadas do vilarejo, o que ela quer mesmo é o que o marido vai trazer da pescaria.

Acho que as peixarias devem deixar alguns caras com o circo armado no Japão.

Tem tubarão em Toque-Toque?

Não veja Mar Aberto na véspera de viajar pra Fernando de Noronha ou Aruba.

É desagradável, pra cacete. Você sua dentro da máscara de mergulho esperando um tubarão roçar nas suas pernas.

Não veja “Casa de Areia e Névoa” se você estiver procurando uma casa pra comprar. Você pode ficar com vontade de viver de aluguel por um bom tempo. A paranóia faz o homem urbano ficar vivo!

Não veja “Abismo do Medo” se você planejou descer nas cavernas do Petar no final de semana. Tem um outro, “A Caverna”, que é um lixo, mas esse passa bem o clima de como é uma caverna por dentro (eu ia pro Petar pra ajudar a coletar espécimes de bagre cego pra faculdade). Quem é claustrofóbico deixa uma marca marrom nas calças.

Muita gente pensou, “pelo menos o cartaz é legal, que pusta idéia”, mas na verdade é uma “homenagem” desavergonhada.

Salvador Dali e Philippe Halsman criaram isso em 1951. A obra se chama “In Volupta Mors”. Sem Photoshop e sem filtros. Na munheca mesmo.

Não é teoria da Conspiração, mas quase tudo o que você acha legal na indústria do entretenimento tem uma fonte anterior mais digna ou de melhor qualidade.

Voltando ao Dali, ele era um inovador. Era um pirado, um José Celso Martinez catalão, mas era genial.
Essa instalação na época fez frisson. De perto é um amontoado de quadros com o foco principal na sua mulher pelada, Gala, de quem ele era apaixonadíssimo. De longe você vê a cara do Lincoln.

Tem muito anúncio e ilustrações que usam esse recurso, virou até carne de vaca.

Esse orangotango com ossos dourados tem um toque que lembra as esquesitices do Michael Jackson (não foi ele quem comprou o esqueleto do Homem-Elefante?).

Essas fotos tirei no museu Dali, em Figueres, Espanha.

A bandeira do Brasil vai fazer plim-plim

Alguém dê um briefing pro Hans Donner pra ele ficar ocupado.

O novo projeto dele é mudar a bandeira nacional.

Eu li essa no Design Flakes , de onde emprestei a imagem de abertura, muito obrigado, e confirmada na revista Windows Vista, onde ele deu entrevista.

Segundo Donner, o Brasil só vai melhorar depois que mudarem a bandeira (!!!), principalmente mudar a frase “Ordem e Progresso”. Encarno as palavras perdigotas vindas da própria boca do sujeito:

“Os positivistas não entendiam de design, hoje todo mundo entende, e sabe a importância dos símbolos. Aquela inclinação prejudica o país”. A proposta dele é dar um giro na esfera azul transformando a faixa branca de descendente em ascendente e incluindo a palavra “amor” no início da frase. Recuperaria, assim, o lema dos positivistas, “o amor por princípio, a ordem por base o progresso por fim”, que originou o “ordem e progresso”.

Rugas na minha testa dizendo hãhn?? Sinto cheiro de discurso CRAP nisso?

Crianças cheirando cola, tiroteio nas favelas, corrupção política, tudo isso vai mudar pra melhor quando fizerem o Feng Shui dessa bandeira. Tenham fé, pobres de espírito e de design ruim.

Tem mais:

O designer Hans Donner não mudaria as cores da bandeira, mas acrescentaria um leve degradé dando “volume”. É a aplicação do jogo “claro-escuro” um dos focos da sua palestra no 16° Festival da Publicidade de Gramado. Ele mostrou várias situações de sua vida onde estiveram presentes situações de claro-escuro.

O mundo precisa de degradé! Parodiando o comercial do Fox, com degradé as pessoas vão ficar mais amorosas, pessoas mais amorosas não vão fazer guerra, sem guerra vai ter mais tempo das pessoas fazerem mais degradé, e assim Hans Donner consegue por em prática seu plano de dominar a Terra.

Existe alegação de internação por insanidade gráfica?

Tô até vendo a hora de vir alguém defendendo essa idéia. Afinal, se tem gente que topa beber a primeira urina do dia pra curar doenças….

A arte de Ratatouille & Jim Flora

Já havia comentado sobre os livros da série “The Art of”, que falam do processo de criação dos maiores filmes de animação em 3D do momento, é pêssego em calda pra quem gosta de ver estudos e sketches.

Pois bem, já chegou o “The Art of Ratatouille”, dá pra pedir pela Livraria Cultura (R$110,00). São centenas de estudos de cada detalhe do filme, só a parte das placas de restaurantes e sinalizações de rua é uma aulinha de design europeu dos anos 60. Vale cada centavo.

Um outro que chegou na mesma semana foi “The Ancient Book of Myth and War”, projeto independente feito por quatro colaboradores da Pixar: Scott Morse, Lou Romano, Nate Wragg e Don Shank. É uma galeria de ilustrações com uma interpretação bem gráfica sobre mitologia e guerra (US$25,00 na Galeria Nucleus, e ele vem autografado pelos quatro autores, chega mais rápido do que pela Cultura).



O estilo das ilustrações desse livro é profundamente inspirada em outro ilustrador, esse mais ativo na década de 50, chamado Jim Flora.

O estilo de Jim Flora inspira praticamente todo mundo na Pixar. É só ver os sketchbooks. A abertura e créditos de Monstros S.A. são puro Jim Flora.
São traços estilosos, que lembram a época da Pantera Cor-de-Rosa e os desenhos da UPA que faziam companhia para este velho ilustrador solitário na infância.

Novamente falando, é confortante ver que mesmo na animação mais moderna que existe, a fonte de onde ela vem e todos os criativos que nela trabalham ainda vêm do passado e se baseiam ainda no bom e velho lápis e papel.

Entre o fuzil e o pincel

Qual é o último lugar em que você espera ver um ilustrador?

Talvez dentro da presidência da República, ou em uma reunião para controle da raiva de halterofilistas com mais de 100 quilos.

Ou no Iraque no papel de um soldado americano.

O pessoal da SIB enviou no fórum o link pro site de Steve Mumford. Ele é ilustrador, é soldado e está no Iraque.
E produziu sketches e aquarelas belíssimas de Bagdad.




Além do talento de Mumford, esses sketches e pinturas são parte da história. Uma coisa é você pintar uma pera ou uma moça pelada na grama. Outra coisa é você fazer um registro in loco de um acontecimento (desagradável) que faz parte da história. Lógico, não é algo na intensidade de uma foto do Robert Capa, mas tem seu valor que passa do artístico.
Também você percebe a força que tem um sketchbook (e mais força ainda a capacidade de captar as coisas à sua volta rabiscando rapidamente).


Outra coisa que você não imaginaria ver em Bagdad é um vendedor de rua de materiais artísticos. Culpa do nosso pré-conceito estereotipado de ver as coisas de acordo com o que a CNN mostra, esperando ver apenas coisas como mercadores de especiarias e cabras nas ruas.

Quem vê cara não vê bunda

Existe um componente na mente do japonês que deve ser geográfico. Só morando lá pra entender como algumas coisas funcionam.
As capas das revistas de mangá, por exemplo. Quem trabalha com direção de arte no ocidente acha aquilo um pesadelo em quadricromia e cores especiais, mais uma infinita variedade de tipos (dá pra falar em tipos com ideogramas japoneses?) misturados de maneira harmônica, dentro dos parâmetros japoneses. Só um diretor de arte japonês consegue fazer isso, um ocidental perderia a sanidade.

Onde mais poderia se esperar uma inversão de posição de um filhote cuti-cuti numa embalagem? Num país onde se lê de trás pra frente, da esquerda pra direita, bebe Pocari Sweat e Pepsi sabor pepino, oras.

Aqui nós temos essa fofésima embalagem de papel higiênico com a face meiga dos labradorzinhos em primeiro plano (humm, será que subliminarmente é pra que eu sinta a maciez aconchegante como se estivesse limpando o traseiro com um filhotinho de labrador?)

E no Japão eles têm um saco pra pegar merda de cachorro com a bunda do cachorro em primeiro plano!

Adoro o Japão por causa dessas irreverências. Onde mais alguém colocaria um cu pra vender um produto? (fixação anal, segundo alguns psicanalistas).

Mosca toys

Encontrei um diagrama que havia perdido há alguns anos.

Acreditem ou não, tentei criar uma toalhinha com o tema “Moscas”, e havia um box ao lado ensinado a ter diversão com esses insetos nojentos. Foi bem no comecinho, há uns 10 anos, eu era um novato nas toalhinhas e não havia ainda mensurado os limites entre criatividade e estapafúrdia. Nem havia relacionado o binômio mosca/bactéria em um recinto onde se vende comida.

Mas naquela época eu cheguei a fazer esse brinquedo. Não com quatro moscas, mas com uma, daquelas varejeiras azuis bem gordas, e funcionou! Ela até escapou por uma fresta e foi voando para o infinito. Talvez tenha se arrebentado na teia de alguma aranha. Lembra a cena da mosca berrando por socorro de “A Mosca da Cabeça Branca” que fez gelar minhas partes íntimas quando criança (“socoooorroo, purr favoor, miajuuudem!” em vozinha falseada).

Outra brincadeira envolvendo moscas e crianças pobres, sádicas e solitárias é o número da mosca amestrada de circo.
Você pega uma mosca com cuidado (tem um know-how zenbudista pra fazer isso), cola as costas da mosca em um palito de fósforo com uma micropitada de Superbonder (tem que ser muito, muito pouco senão a cola mata a mosca) e aí você raspa a geladeira de isopor da sua mãe até soltar as bolinhas. Espete uma bolinha de isopor num alfinete e coloque em cima das patas da mosca.

E eis que a mosquinha começa a girar a bolinha de isopor, issa!

Era uma brincadeira ótima pra fazer na faculdade, mas não impressionava muito as garotas.

Não pode se esquecer de lavar as mãos depois disso, você não imagina onde esse bicho põe as patas e a quantidade de bactérias que moram nele.

Enchedor automático de lingüiça

O brilhante Renato Alarcão criou há algum tempo atrás um conceito chamado CRAP – Critical Response to the Art Product, um sistema randômico pra gerar um texto verborrágico e prolixo sobre arte sem nenhum conteúdo, utilíssimo em festas do amigo rico da sua esposa que você não conhece. Com certeza você conhece um tipo desses, o típico intelectual de orelha de livro e de pesquisa no Google. Ou aquele que se considera artista e que faz um trabalho que precisa vir acompanhado de um manual de instruções para ser entendido, e caso você não entenda é porque é leigo ou despreparado intelectualmente.

André Koti criou um site onde ele pega o conteúdo “CRAP” do Alarcão e transformou em algo interativo. Quem souber fazer contas de análise combinatória vai ver que o número de possibilidades de críticas vazias é gigantesco.

Nas aulas de filosofia chinesa aprendi que a grande diferença do conceito de sucesso entre o ocidente e o oriente é a maneira que os povos entendem a “expressão do sucesso”.
O nosso conceito de sucesso vem mais do conceito greco-romano, onde bons e eloqüentes oradores conseguiam atingir altos cargos e posições sociais. O conceito oriental antigo vem do silêncio; aqueles que tinham o dom de ouvir e proferir poucas palavras eram julgados mais capacitados exercer cargos importantes.

E este é o texto original escrito pelo próprio Alarcão:

Ilustração é arte?

por Renato Alarcão

Dizem que o “beijo da morte” para um artista moderno é ter seu trabalho rotulado de “ilustração”, esta arte menor, que atende a interesses puramente comerciais, dizem eles. O que falta para os ilustradores conquistarem algum respeito não é arte, mas simplesmente o discurso artístico.

A verbologia filosófica que agrega valor simbólico ao trabalho. Mas isso é passado! Após muitos estudos, elaborei um sistema bastante simplificado que permitirá a qualquer um – inclusive um ilustrador – falar como um verdadeiro artista! Veja abaixo como funciona o “Manual de Critica de Arte Instantânea”: Sentindo-se verbalmente desarticulado? Criticamente sem palavras? Ou simplesmente lamenta a falta de eloqüência ao deparar-se com o mundo das “Beaux Arts”? O Manual de Frases Instantâneas para Critica Artística, também chamado CRAP, (um acrônimo derivado do termo em inglês Critical Response to the Art Product) é a solução do problema de quem não encontra palavras para descrever com inteligência, aquilo que seus olhos vêem.

Em breve estas frases vão estar naturalmente incorporadas ao seu discurso artístico natural e você vai rapidamente colher elogios a sua percepção e insight.

Em geral, quem domina o discurso CRAP consegue até cobrar mais caro do que seus colegas verbalmente desarticulados.

Natal da turma da Mônica

Como o Natal tá chegando, nada mais oportuno do que subir esse post que lembra Natal feliz e ingênuo.

A moçadinha mais nova não conhece, mas senti cheiro de Amendocrem com Biotônico Fontoura quando vi isso:

O Natal da Turma da Mônica era um desenho que passava nas vésperas de Natal na Globo há mais de 30 anos. Era um tempo que não existia TV a cabo, internet, Coca Light e nem a Fernanda Lima.

Depois que o desenho acabava, a gente comia a ceia de Natal e abria os presentes…(lagriminha)
Vendo esse desenho minhas rugas e cabelos brancos sumiram. A musiquinha do final está grudada na minha cabeça até hoje.

Eu me tornei mais sociável quando criança por causa desse desenho. Eu cantava “Feliz Natal pra todos, Feliz Natal” pros meus tios e agregados num tom desafinato allegro, até ganhar sorvete ou uns trocados pra parar de cantarolar esse refrão.

E nunca havia me tocado como o Bidu é irritante nesse filme.

Era um tempo onde comecei a desenhar usando um clipart feito de papel de seda com carbono chamado “Desenhocop” (aliás, o criador dessa engenhoca era um sujeito chamado Toninho Duarte, já falecido). Eram folhas com desenhos de bichos ou carros, traçados com carbono. Aí a gente passava o lápis com cuidado (pra durar duas ou três vezes mais), transferia o desenho pro caderno e pintava.

Tinha um desenho também que passava na Cultura, em preto e branco, de um sujeito que montava uma árvore de Natal e viajava pro espaço num foguete feito de telhas Eternit pra conseguir a estrela que fica no topo…procurei no Youtube mas nem sei por onde começar. Também foi parte da minha infância.

Eu REALMENTE estou ficando velho!

(em tempo: tem alguns ranhentos que reclamaram que esse curta está presente nos DVDs dos novos desenhos do Maurício. Tudo bem, mas nem todo mundo aqui compra DVD do Maurício, certo?)

Par de vasos

Aah, o mundo da internet pode ter seus críticos, mas o legal é que ele deixa o mundo petinininho.
A fabulosa Carla teve a paciência de me enviar uma imagem do anúncio do Focus feita pela JW Thompson que é espelho do anúncio da Yazigi feito pela McCann Erickson. Resta saber se o ilustrador da outra também foi Thomas Broome, já que não existem rastros de informação sobre esse anúncio na net. Big dog fight.

E novamente o primeiro da fila:

O pai do Guia do Ilustrador

Senhores, contemplem!

Conheçam Ricardo Antunes, o pai do Guia do Ilustrador. Ele veio ao Brasil direto das terras lusas para passar uma noitada a comer espetinhos de vaca morta e falar mal de clientes.

(Ricardo Antunes é o das flechinhas vermelhas, junto com o Montalvo, Marina, Marchi e eu, cercado de fragmentos de queijo e picanha).
Sujeito extremamente bem-humorado e pimpão, Ricardo Antunes mora há 17 anos em Portugal. Só a genética explica por que ele não tem sotaque lusitano. Se eu fico dois dias em Porto Alegre volto pra São Paulo falando “capaz” e “atucanado (atarefado)”. Muito gira o rapaz.

Se não fosse por ele o Guia do Ilustrador não existiria. É o típico caso chavão onde “uma pessoa faz a diferença”.

É impressionante a maneira que o Guia está se disseminando pelo mundão afora (depois eu faço um posto sobre isso aqui), de maneira quase viral. O legal é que o Guia está sendo também utilizado por designers e arquitetos, nossos irmãos camaradas de profissão.

De brinde ainda conheci o Gilberto Marchi, figura lendária da ilustração brasileira.

(Não é qualquer mortal que é ilustrdo pelo Gilberto Marchi).

E na saideira de pança cheia e papos atirados, a maior concentração de ilustradores por metro quadrado. Da esquerda pra direita: Chicão, Marchi, Monalvo, Angelo Shuman, eu, Antunes, Eduardo Schaal, JAL e Rogério Vilela.

Mutantinho?

O Marcelo enviou o link desse vídeo, de um garoto chamado Zach de apenas 3 anos que pinta como gente grande.

Pra mim só tem duas explicações: ou um ilustrador morreu e entrou no corpo desse moleque ou então isso é uma farsa bem montada por pais exibicionistas (já que não tiveram uma filhinha pra ser Miss Sunshine). Tem muita coisa esquisita, o vídeo é montado de maneira frenética e cortada que você nem tem certeza se é o menino ou a baixinha vidente do Poltergeist pintando essa Tartaruga Ninja.

Paintingkid
Como ele não tem comportamento de ser um autista savant como
esse garoto que pintou Roma inteira só de memória; os pais são felizes demais com ele pra ser um tumor no cérebro e nem é um caso digno do dr. House, tudo leva a crer que isso é fake. Até onde aprendi em fisiologia e anatomia, um cérebro de três anos não é desenvolvido o suficiente pra perceber formas e valores de brilho e cores, fora a coordenação motora. Uma batatinha com dois olhinhos seria o máximo que sairia desse rebentinho.

Ou seria uma inveja porque ele desenha melhor do que eu quando tinha 20 anos?

Dez reau pra ele!

Propagandas gemeladas

Esse anúncio da Yazigi foi feito pela McCann Erickson usando ilustrações de Thomas Broome há alguns meses. Ficou bem conhecida pela net.

Fiquei procurando minhas Vejas de maio em vão, já que foram pro tiozinho da reciclagem, pois há algumas semanas eu juro que vi anúncios de página dupla de algum carro da Ford (eu acho que era Ford, pois se foi um Chevrolet só pode ter saído da McCann, a mesma da Yazigi, o que tornaria essa confusão ilógica) usando essa mesma linguagem visual, mesmíssima. Você não encontra uma imagem do anúncio na internet, no Google, nem no site da Thompson ou da Ford. Issa!

Alguém mais viu isso ou é o Alzheimer chegando mais cedo?