Mete o dedo

Bill Gates viu a apresentação do iPhone do Steve Jobs e pensou no fundo da sua poltrona de vilão: “idiotas, vocês vão ver o que é ter prazer tocando coisas com os dedos”.

Aí ele inventou a mesinha de centro mais cara do mundo!

A Microsoft lançou a Surface, um computador com tela sensível de 31 polegadas. Sem mouse, sem teclado. Sem dinheiro pra comprar uma coisa dessas. Deve ser caro pracachete!
Tudo você faz nos dedos, igual Tom Cruise em Minority Report, nas suas devidas proporções.
Ai do sujeito que derramar Coca-Cola nessa tela


Pelo pouco que vi na apresentação, é um produto curioso. Se a Microsoft desenvolver um sistema de reconhecimento do tipo de toque, é possível desenhar com um pincel ou com um lápis de verdade com diferentes resultados. Sei lá, pelo menos no filme tem uma menininha desenhando com um pincel comum. Se isso funcionar, adeus reconhecimento de pressão, adeus tablet, a Cintiq vira abajur de canto de sala. É babante.
Perto dele o Nintendo DS vira chaveirinho.

O problema dessas novas tranqueiras digitais é que a gente vai ficando cada vez mais dependente de silício e luz elétrica. Se dá um apagão isso nem serve como geladeira de praia, e as pessoas vão ficar perdidas porque não sabem mais mexer num mouse ou desenhar com um lápis comum.

Do jeito que as coisas estão indo, não duvido que num futuro não muito distante os dois dêem tapinhas nas costas e as empresas se tornem uma só. Algo como Applesoft ou Microtosh. Aí acaba essa putaria de Windows versus Mac.

Don’t you see Bill? We have the technology to change the world!
No Steve, we have the technology to rule the world!
Hahahaha!

China de novo: dessa vez é pessoal

Mais uma vez a China.

Quando você pensava que já tinha visto o pior da maior violação dos direitos autorais em larga escala, ou a clonagem de animais à base de brocha e tinta, ou ficar indignado vendo gritos de histeria de idiotas vendo tigres famintos detonarem bois vivos num pseudo-safari(é revoltante), eis que agora o alvo dos piratas amarelos e a Turma da Mônica!

Foi o Felipe que postou essa pérola negra nos comentários, que está no Loto Azul.
O local do crime dessa vez é a Muralha da China!

Parece até uma visão “Galeria Pagé” do Dali! Uma Mônica sem um braço e usando máscara, um Cebolinha sem camisa, peixes-aves circundando o casal deformado saindo da casa de doces da Maria e Joãozinho ao lado de um Dunga subnutrido!!! Ilustradores, tenham medo, tenham muito medo! O bicho-papão vai pegar seus trabalhos e ele fala “xei xei”.

Chama o Maurício!

Depois reclamam que eu pego no pé deles! Temcupaeu se eles se superam cada vez mais? Daqui a pouco eles vão piratear os próprios chineses. Peraí, já estão fazendo isso….

O novo Star Wars, o velho Star Wars e o que Piratas do Caribe tem a ver com Star Wars

Apaguem os sabres de luz, Star Wars fez 30 anos. Quando assisti pela primeira vez eu tinha 12 anos, e fui ver no gigantesco cine Comodoro, que ficava na Avenida São João. Mas como sempre fui diferente, sempre fui mais fã de Contatos Imediatos do Terceiro Grau, que estreou praticamente junto, do que Guerra nas Estrelas.
Chega de saudade.

O novo Star Wars

Vai estrear ainda esse ano o novo Star Wars – Clone Wars. O primeiro era bem bacaninha, feito pelo criador do Laboratório de Dexter, Genndy Tartakovsky. Tinha um pique que até o filme não tinha.
O novo parece deveras legal. Agora toda a estrutura do desenho vai ser feita em 3D. E parece divinamente divertido.

“>No site oficial não tem muita informação (aliás nenhuma), apenas o filminho, cuja qualidade é melhor do que tá rolando no Youtube. É de enrolar os cabelos do nariz.
“>

O velho Star Wars

Esse é para aqueles que acham que o melhor Star Wars ainda é “O Império Contra Ataca” e os Ewoks são ratos de que andam em duas patas que deveriam ser extintas.

Ralph McQuarrie foi um ilustrador que fazia aviões para a Boeing antes de se tornar um dos maiores concept designers de Star Wars, junto com os Hildebrant brothers. Boa parte das naves foi ele quem criou.
Existe uma página no Flicker repleta de concept boards dos três primeiros filmes da série, todos ilustrados por ele.
É de causar ereção em um nerd. Foi uma dica do Jetter, lá da SIB.

C3PO era pura Maria, o andróide de Metrópolis, de Fritz Lang.

Piratas do Caribe X O Império Contra-Ataca

O texto abaixo não é meu. É do Marcelo Lourenço, redator e diretor de criação da FL Europe em Lisboa e nas horas vagas faz de conta que é cri-cri de cinema.
Apesar das limitações, até que esse texto tem uma certa relevância, nas comparações que ele fez.

Em tempo, pra entender o texto: Piratas do Caribe: O Baú da Morte em Portugal se chamou “Piratas dos Caraíbas: O Cofre do Homem Morto”.
Quem quiser ver outra listinha de nomes de filmes em Portugal, esteja à vontade de clicar aqui.

Talvez seja só eu mas acho que “Os Piratas das Caraíbas – O Cofre do Homem Morto” é uma versão pirata (olha o trocadilho!!!) do “StarWars – O Império Contra Ataca”.

Ou em outras palavras:

O anti-herói, o pirata egoísta Jack Sparrow, é capitão do seu amado navio, o Black Pearl.

O anti-herói, o pirata egoísta Han Solo, é capitão da sua amada nave especial, Millenium Falcon.

Jack tem que pagar uma dívida ao terrível Davy Jones.

Han tem que pagar uma dívida ao terrível Jabba The Hutt.

Durante o filme, o bom rapaz Will Turner descobre o que aconteceu ao seu pai e promete salva-lo.

Durante o filme, o bom rapaz Luke Skywalker descobre o que aconteceu ao seu pai e promete salva-lo.

A mocinha do filme, Elizabeth, começa a discutir/flertar com Jack.

A mocinha do filme, Princesa Leia, começa a discutir/flertar com Solo.

O “comic relief” do filme é garantido pela dupla Pintel and Ragetti, dois piratas, um baixinho e o outro magro e alto.

O “comic relief” do filme é garantido pela dupla R2 D2 e C3PO, dois robôs, um baixinho e o outro magro e alto.

Jack Sparrow não paga a sua dívida e é engolido pelo Kraken.

Han Solo não paga a sua dívida e é congelado em carbonite.

Os amigos de Jack decidem salva-lo. E para isso contam com a ajuda do antigo capitão (e também pirata) do Black Pearl.
Mas será que podem confiar nele? Afinal, Barbarossa já traiu Jack no passado.

Os amigos de Han decidem salva-lo. E para isso contam com a ajuda do antigo capitão (e ex-pirata) do Millenium Falcon, Lando Calrissian.
Mas será que podem confiar nele? Afinal, Lando já traiu Han no passado.

Se no próximo filme o Orlando Bloom descobrir que é irmão da Keira Knightley, o George Lucas pode chamar a polícia.

A saga de comprar um Adobe CS3

Uma das coisas que compreendi nesses três anos trabalhando como autônomo foi respeitar a propriedade intelectual. A minha e dos outros.

Por diversos motivos sincronizados, resolvi comprar o novo Adobe CS3. Foi a primeira vez que eu comprei um produto da Adobe diretamente pela minha empresa (as outras versões foi o responsável pela parte de informática da agência que eu trabalhava que fez o trabalho sujo).

É caro pra bedéu, mas tem que considerar o seguinte: é ferramenta de trabalho, é através dele que você ganha seu pão e sua TV a cabo. Ferramenta de trabalho tem que ser tratada com respeito.
Pra evitar esse tipo de pensamento funesto, é só pensar em quanto tempo esse programa se paga. Com 5, 10, 20 trabalhos, uma hora ele se paga. Portanto, quanto mais consciência na hora de cobrar pelo trabalho, mais rápido ele se paga. Simples como dois mais dois.

Ou não?

O problema da Adobe, assim como da Apple, pode ser resumida nessa frase: Eu amos os produtos deles, mas eles não me amam.

Na minha parca ingenuidade, achei que comprar um Adobe CS3 seria como comprar um pacote de maizena. Eu pago, eles entregam.
Mas nananina. Comprar um CS3 é como abrir um crediário numa loja de móveis de Tupaciguara. Tem que enviar cadastro da sua firma, telefone, e-mail e referências bancárias! Açougue da esquina não vale.

A empresa que você contacta pra comprar o programa NÃO vende o programa, mas você descobre isso só mais tarde quando aparece uma encrenca. Todo o processo é feito por uma distribuidora, que é contactada pela loja, que repassa pro comprador. Aí já viu, tem a porcentagem de cada um.
Dá pra comprar direto da distribuidora pra ficar mais barato?

É óbvio que não!

Então a novela continua. Depois de enviar as informações, tem que esperar um mês pro produto ser entregue. Se nesse processo você quiser mudar alguma informação, como telefone de contato, o pedido é destruído e feito um novo. E você volta pro começo da fila.

Se você tiver uma empresa num endereço, mas quiser entregar em outro, por exemplo na sua casa, nem em seus piores pesadelos. Tem que chorar feito uma Joana D’Arc na fogueira pra que entreguem em outro endereço. Só conversando com o gerente da loja que NÃO vende o programa. Ai, ai.

Aí te ligam avisando que o programa chegou. Tem que ter alguém em casa senão já era. Parece até que eles vão entregar uma geladeira na sua casa, mas são só uma caixinha de programa e uns documentos, certo? Erraaadoo!

O portador vem e me entrega um envelope. No envelope estão os boletos com cifras alarmantes, a documentação e o protocolo de entrega.

Aí eu digo pro portador: “Cadê a caixa com os programas?”

“Não tem caixa”, responde ele exigindo o protocolo de entrega.

Não entrego o protocolo porque não recebi nada, ele fica uma arara e mando ele esperar até resolver a situação. Ele vai tomar um pingado na esquina e ligo pra loja que me vendeu o programa:

“Hiro, você não sabia? Não tem mais caixa de programa, agora é tudo por download. Se você quiser a caixa com manual físico demora mais um mês ou dois pra chegar”.

“Não, não sabia, ninguém me avisou”.

“Ah, mas todo mundo já sabe disso, é pra diminuir os custos”.

Fato número 2: Vieram duas notas e dois boletos. Um com o valor do uso do programa e outro, no valor de 160 reais pela mídia. Só isso já era caro, 160 reais por um punhado de DVDs, caixa e manual, mas tudo bem. Aí eu pergunto:

“Escuta, se é por download, por que eu tenho que pagar a mídia? É minha conexão de internet, vou usar meus DVDs pra gravar o programa e ainda tenho que pagar?”

E a resposta do vendedor:

“Hiro, esse preço da mídia é o preço que a Adobe cobra pra você entrar no hotsite, fazer o login e baixar o programa”.

!!!!!!!!!!!!!!!

Discussão de meia hora, chegando ao ponto de discutir a semântica da palavra “mídia”, o portador quase dormindo no portão de casa e no final ele argumenta:

“Não posso fazer nada, somos apenas revendedores. Se quiser questionar esse pagamento da mídia, só diretamente com a Adobe”.

Nesse ponto já havia dispensado o portador puto da vida porque havia perdido quase uma hora da vida dele na frente da minha casa.

Resolvi baixar o programa enquanto chorasse as pitangas na central da Adobe.

Mas cadê o e-mail com o link pra baixar o programa??

Ligo de novo pra loja, reclamo que eles não enviaram o link conforme instruções e eles duvidam da minha conversa.
Vasculho o e-mail de dez dias atrás, junto com centenas de mensagens da SIB e da Ilustrasite. Nada.

“Ô fulana, não veio mesmo! O que eu faço?”

E a resposta:

“Com certeza você jogou o e-mail fora achando que era spam. Agora só na Adobe, a gente é só revendedor!”

“Mas vocês podiam ter me avisado eu iria receber um e-mail da Adobe com as instruções.”

“Mas eu não disse isso pra você?”

“Não, já disse que não”.

E novamente: “Ah, mas devia saber. Todo mundo sabe, trabalhamos com grandes agências que sabem os procedimentos”.

Fui chamado de ignorante e insignificante sem nenhuma sutileza. Se fosse sensível estaria chorando de raiva.

“Tá, eu sou pequeno, sou ignorante, mas preciso que vocês resolvam esse problema. Como faço pra conseguir baixar o programa?”

“Agora só na Adobe”

“Putaquipariu!!”

E ligo na Adobe, 20 minutos esperando minha vez. Conto meu problema, eles mandam um novo e-mail, com as instruções. Relativamente fácil.

Recebo o e-mail, entro na página de download, refaço minha senha senão o processo não vai pra frente e leio as instruções.

São seis arquivos para download, ao total dão mais de 3 gigas de download.

O primeiro, e principal, de mais de 2 Gigas, levou 4 horas, mesmo com banda larga. No final deu um erro de transmissão e tive que começar tudo de novo!

“Putaquipariu!”

São uma da manhã, há 8 horas baixando o arquivo porque hoje, justo hoje, a internet tá lenta.

Amanhã de manhã vou ter os arquivos na minha máquina e de repente fico nervoso de novo porque esqueci de reclamar sobre a cobrança da mídia que não existe.

Sem caixa, sem manual, sem nada pra tocar, uma sensação estranha de ter comprado um pacote de ar. Tudo bem, é ecologicamente mais correto desse jeito, mas pô, avisa antes!

É uma desorganização tamanha que parece que o Pateta dirige a empresa.

Nessas horas entendo porque existe pirataria.

Em tempo, comprei o novo Painter há algumas semanas e foi paft-puft. Comprei na loja, paguei e levei. Numa caixinha preta bonitinha com um CD e manual mais do que físico dentro.

Aprendendo a desenhar com Hector Gomez

Uma das melhores coisas que a internet trouxe, depois da pornografia a domicílio, foi a facilidade de aprender. Se há 10 anos a gente tinha que ir até à biblioteca ou fuçar toneladas de revistas atrás de uma informação ou uma referência fotográfica, hoje basta um clique no Google.

Quem quiser aprender a desenhar, trabalhar com anatomia e colorizar, também não precisa mais pegar condução e comer esfiha de carne fria no intervalo. Também tem cursos bons online.

Um deles é o do Hector Gomez Alísio.

Ele tem vários cursos interessantes pra quem tá começando e quer fazer alguma coisa melhor do que uma cópia tosca do Goku ou desenha o Wolverine como se fosse o Alexandre Frota em agonia muscular. Ele também ensina técnicas de sombra e luz, perspectiva, quadrinhos e tratamento de cores no Photoshop. Todos por um preço bem acessível.

Hector já fez HQs para a Marvel (X-Men), DC, Dark Horse, Eclipse, Topp Comics, ou seja, a nata da HQ. O Amazing Muchachas tem umas gostosas que, como o próprio Hector diz, são o pelúcio.

E essa é a Taki, a ninja semipelada do jogo Soul Calibur que ele fez. Nunca ganhei uma rodada jogando com ela, mas tem suas compensações.

Heroes & Illustrators

Sempre fiquei meio assim-assim com o personagem Isaac Mendez, o pintor drogadito de Heroes. Sempre achei uma forçada de barra a idéia de um pintor usar suas telas pra fazer um gibi (!!!).

Afinal, manifestar o futuro com bico-de-pena e papel canson não causa tanto frissom.
Nada como superpoderes para anular a direção de arte, diagramação, planejamento e até o layout pra fazer uma revista. Afinal, ele precisa apenas…pintar (ui!)

Ocái, os fãs mais ferrenhos de Heroes já devem saber sobre isso há tempos, mas eu não sou um fã ferrenho. House ainda é meu número 1 na lista de seriados bacanas.

Quem pinta os quadros do seriado e do site da NBC (9th Wonders) é Tim Sale (belo sobrenome), ilustrador da Marvel e DC que já fez Batman, Demolidor e Hulk, quase sempre em parceria com Joseph Loeb. Os quadros são leiloados e os fundos são doados para um fundo contra epilepsia infantil.

A Arte de Vomitar

É possível encontrar inspiração em qualquer lugar, inclusive em sacos de vômito.
Nunca passei pela experiência de vomitar em um avião com um ou dois estranhos ao lado, nessa intimidade forçada de compartilhar alguns dos fluidos e gases mais íntimos de uma pessoa (e fazer jogo de adivinhação do tipo “putz, o cara comeu quiche de queijo” só pelo cheiro?), tampouco nunca vi ninguém fazendo uso desse peculiar recurso ao meu lado. Um dia essa sorte acaba.

Michael D. Cooper é um professor da universidade da Califórnia que coleciona esses sacos de vômito. No site pessoal ele disponibiliza o acervo de anos e anos viajando de avião.
Embora seja um trabalho sujo, os sacos de vômito são uma mídia interessante, que dá pra fazer algo mais do que uma cor chapada com o logotipo da empresa. Quem sabe colocar charges ou tirinhas pra quebrar o gelo pós-Hugo? O fato é que saco de vômito é uma peça que você não coloca no portfólio.

A grande maioria é sem graça, mas existem outros um tanto prosaicos:

Esse é da African Airlines. Muito instrutivo.

Esse é da Thai Airlines. Bonito pra um saco de vômito.

Esse é fashion pracaray da Lufthansa. Eu teria prazer em vomitar nesse saco.

Esse saco de pão é da Santorillos Ferryboat. Pontos de cola dissolvíveis em saliva, desastre à vista.

E isso é o fino, o Oscar dos sacos de vômito. Além de uma direção de arte feita num banheiro de rodoviária, ele é também um saquinho pra você mandar revelar seus filmes caso não tenha vomitado dentro. Que bela sacada de marketing. Ainda bem que hoje existem as câmeras digitais.

E pra finalizar, uma homenagem àquelas moçoilas corajosas que tem como missão pegar seu saco de vômito cheio, morno e fedogoso com um sorriso largo no rosto, como quem pega uma lancheira esquecida por uma criança serelepe.
É uma historinha maravilhosa feita por Jen Wang intitulada “A Dança da Comissária de Bordo“. O nome já diz tudo, Jen Wang rocks!





How to start as an illustrator

Mais um texto de auxílio pra quem está começando a percorrer a estrada de tijolos amarelinhos da ilustração fornecido por quem entende. Não esqueçam de baixar, ler e santificar “O Guia do Ilustrador”, que é o manual do escoteiro mirim dos ilustradores em começo e meio de carreira.

Keri Smith deixa em seu site um prosaico texto chamado “How to start as an illustrator”.
Tirando uma ou outra dica que só acontece na terra do Tio Sam, o resto é amplamente aproveitável, pois são dicas globais, funcionam em qualquer país capitalista que tenham ilustradores trabalhando.

Em inglês sem legendas.

Ali também você encontra duas pérolas pra download em pdf. O “Artists Survival Kit”, que são minicards pra ajudar você quando estiver enferrujado ou com um bloqueio criativo; e 100 idéias para um ilustrador, divertido e ao mesmo tempo útil popurri destrava-mente.

Como se sentir miserável como artista

Novamente um texto tirado do site de Keri Smith.
Não curto muito essa confusão entre arte e ilustração, mas esse texto é bom o suficiente pra esquecer essa guerra dos sexos. Se trocar a palavra “artist” por “illustrator” funciona do mesmo jeito. E não se sinta miserável, pelo menos não mais do que você já se sente.

Coisas de filmes americanos

Tenho uma pá de trabalhos que não posso ainda colocar no meu site ou nesse blog porque os produtos ainda não foram lançados ou ainda não tive autorização do cliente. Enquanto isso vou postando trabalhos antigos. Beeem antigos, daqueles que ninguém se lembra.

Essa toalhinha, por exemplo. Fiz em 2000, sete anos atrás.
Lembro que fiz essa lâmina num ritmo paft-puft. Fiz ela num final de semana, pra cobrir um baita problema que tinha acontecido na época. Hoje com certeza as ilustrações teriam um tratamento diferente, mas o texto continuaria firme e forte.

E o pior, sete anos depois os filmes continuam com os mesmos clichês.
Em compensação, os seriados melhoraram. Viva House.

Com quantos layers se faz um navio

Há tempos fico franzindo a testa com esse passo-a-passo do pessoal da DR2 Comunicação. Um misto de incredulidade e admiração ao mesmo tempo que fico imaginando que, se eu forçasse meu Photoshop a trabalhar com 3 mil layers, no dia seguinte o programa não abriria porque ele teria morrido de exaustão.

É um trabalho de formiga detalhista, comprovando minha teoria que ilustradores que fazem esse tipo de ilustração superultradetalhada tem que ter espiritualidade elevada, pela paciência e pela necessidade de se criar um novo tipo de percepção, coisa de bebida de Carlos Castañeda. Não é coisa que um gladiador espartano faria.

Só os números fazem você se sentir cansado:
2 ilustradores, 45 dias de trabalho, arquivos de Photoshop com 1,3 Gigas, com mais de 3 mil layers…

E pensar que eu tinha um ajudante que fazia tudo fundido num layer só porque não gostava de “gastar layers”.

Codex Gigas, a Bíblia do Diabo e Hellraiser

Diz a lenda que no começo do século 13, um monge fora castigado e confinado em uma torre pra escrever um livro sobre o Velho Testamento e que ele terminou ilustrou e escreveu inteirinho em uma noite com a ajuda do diabo.

Codex Gigas, que em latim significa “Livro Gigante”, pois mede 89,5cmx49cm e pesa 75 quilos) também é chamado de “A Bíblia do Diabo” por causa da lenda acima e por causa dessa ilustração que o monge enfastigado fez em uma de suas páginas:

Hoje o livro se encontra na Suécia.
Não é um livro maligno nem é sobre magia negra, talvez o monge tenha desenhado o diabo porque teve um dia ruim ou acordou com o ovo esquerdo, fora isso ele é só um manuscrito enorme sobre o Velho Testamento. Mas sempre paira um ar misterioso e hermético nesses livros feitos na idade média, quem leu ‘O Nome da Rosa” de Umberto Eco sabe que clima é esse.

Nessa época, os ilustradores desses livros eram os próprios abades, que escreviam letra por letra, criavam as iluminuras e diagramavam o livro. Era trabalho pracaray, e o pagamento era uma benção divina. Se a vida de ilustrador hoje é difícil, antigamente era mil vezes pior, tendo Deus como diretor de arte e o abade superior como art buyer.
Aí Gutemberg chegou com a prensa, e todo mundo nas torres monásticas perdeu o emprego. Todos voltaram para os prazeres terrenos menos enclausurados, como orar o dia inteiro e plantar alface.

Falando em monges, mistérios e artes negras, quem curtiu o podreira Hellraiser vai lembrar do “Pinhead” e outros tipos bizarros. O livro de Clive Barker é bem mais claustrofóbico (aliás, quase todos são), mas o filme acerta no visual do pessoal gótico do fundão. O primeiro e o segundo são show de bola, os outros é material pro gato jogar terra em cima.

No filme eles são uma raça chamada “Cenobitas” e vivem num inferno muito fashion.

Na vida real, cenobitas são um gênero de monges que vivem isolados em comunidades, seguindo regras rígidas ditadas por um abade.

As outros gêneros são os Eremitas, que vivem isolados e sozinhos (daí que veio o nome que a gente dá praquele tio que não sai de casa nem pra festa de Natal); os monges Giróvagos, que são os ciganos da fé, pulam de mosteiro em mosteiro e os Sarabaítas, que o pessoal não vê com bons olhos e não são convidados pro amigo secreto, pois não possuem regras, nem abades e dizem que mentem pra Ele. Até entre eles existem os anarquistas, graças a Deus.

Até um tempo atrás eu acreditava na história de que diziam que cenobitas eram monges que viviam isolados e se auto-mutilavam, buscando purificação através da dor. Isso tá mais pro Sarabaítas. Mas é um nome que não impõe respeito prum diabo (nós somos Sarabaítas, viemos te buscar) , então jogaram a culpa no que tem o nome mais mofento.

Agora se você sonha em um dia entrar pra essa turma emo da pesada e sua vida é uma merda, aí vai um cubo da “Configuração dos Lamentos” pra você montar e ficar passando a mão o dia inteiro, na esperança disso abrir e sua vida ganhar uma nova perspectiva:

Tom & Jerry & Tom & Jerry


Antes de Tom & Jerry existia….

Tom & Jerry!

Antes do gato e rato criado por Joseph Barbera, uma dupla de um magricela e um baixote também chamado Tom & Jerry foi criado pelos estúdios Van Beuren, na “golden age” dos cartoon, mais ou menos na época em que surgiu o Mickey e os Sobrinhos do Capitão. Tudo preto-e-branco, e ingênuo como um anão da Branca de Neve.

O curioso é que Joseph Barbera começou sua carreira desenhando Tom & Jerry humanos nos estúdios Van Bueren.

Novamente o ciclo da vida do Rei Leão em outro formato?

Separadas no nascimento

Marjani Satrapi, a bela morena autora de Persépolis, tem uma irmã gêmea famosa e faminta:

A da direita é a Nigella Lawson, que tem um programa de culinária na GNT. Ela é famosa e voluptosa por colocar de volta na sopa a colher que ela deu uma bocada, tomar suco de laranja direto na garrafa e guardar depois na geladeira ou recolher restos de vinho dos copos dos convidados de volta pra garrafa. E come com gosto. Coisa de homem. Um dia eu faço o pernil com Coca-Cola que ela mostrou no programa. Nojento e maravilhoso ao mesmo tempo.

Acho que Marjani mandaria uma Fatwa contra mim se visse ser comparada com Nigella.

O Guia do Ilustrador

O Guia do Ilustrador acabou de ser lançado. É um trabalho magnífico feito pela iniciativa de Ricardo Antunes, de quem eu tive o prazer de trocar alguns e-mails regados a mel, e de mais 10 ilustradores que valem ouro (Benício, Montalvo, Schaal, Kako, JAL, Mozart Couto, Orlando, Cárcamo, Shuman e Rogério Vilela). Tem trechos adaptados do famoso Guia do Estagiário, do Eugênio Mohallen, que aliás também foi minha leitura quando era moleque em publicidade, e revisão jurídica do advogado Eduardo Pimenta, especialista em direitos autorais.


Nem vem com a desculpa de que não tem dinheiro nem pra tomar um pingado na padaria esse mês. O Guia está disponível pra download sem ter que pagar um puto por ele. Mesmo de graça o valor desse guia é inestimável.
São 64 páginas divididos em 12 capítulos da mais rica fonte de informação para ilustradores já feita.
É uma leitura obrigatória. No Brasil não existe nada parecido dirigido especificamente para ilustradores.

Está tudo lá. Como começar a carreira de ilustrador, as dicas pra montar portfólio, pra se apresentar comercialmente, como trabalhar, posturas, montar uma empresa e passar nota, dicas pra formação cultural do ilustrador, como negociar dindim, trabalhar com materiais convencionais e digitais, aconselhamento sobre direitos autorais, entre outros e outros assuntos que são pertinentes não só pra quem está pensando em se tornar um ilustrador, está começando ou já é macaco velho na área. Coisas que afligem 10 entre 10 ilustradores, inclusive este que vos digita.

Numa profissão como a nossa, que tem por natureza misturar arte e paixão, é natural alguns mais inspirados deixem o profissionalismo seja deixado de lado, em função do ego ou do desequilíbrio emocional mesmo. Afinal, não existe um conselho ou nada oficial pra regulamentar a profissão, como ditar o que é certo ou errado? Pra acabar com essa história dita por alguns idealistas ou desinformados mesmos de que ilustrador só pensa em dinheiro, que é capitalista, que faz da arte uma prostituta sifilítica, mas não vêm uma profissão ali.

O Guia vem pra jogar um balde de água fria em quem pensa que desenhar é padecer num boteco tomando absinto ou tubaína enquanto tenta mudar o mundo numa folha de papel.
É uma profissão que merece (e vai, se depender da gente) ser vista como algo honrado e edificante como engenheiro ou médico. O Guia do Ilustrador é um grande passo pra isso. Ele dá 200 passos pra frente na carreira do ilustrador enquanto esse blog anda com patinhas de caranguejo.

Não existe orientação profissional nas escolas ou faculdades de artes ou mesmo em outros lugares, 10 entre 10 que estão começando se sentem como cristãos jogados numa arena, não sabendo se é pra pentear ou fugir do leão. Esse blog era um esforço minúsculo pra tentar ajudar a tapar um pouco esse buraco, mas o Guia é uma lufada de ar fresco num ambiente fechado e peidorrento.

Ele vai virar uma ferramenta tão útil e presente como um garfo ou um mouse, pra ser indicada e mencionada pra todo mundo que procura um lugar ao sol como ilustrador. Recusar a ler esse guia é deixar de ser ingênuo pra virar ignorante.

Se eu tivesse esse guia há 20 anos, minha vida teria sido mais fácil, teria evitado micos como comprar notas em lugares onde Lúcifer usa como banheiro, teria evitado de carregar sacola do Pão de Açúcar em reunião de job ou simplesmente aprenderia a cobrar e negociar como gente grande mais cedo. Pelo menos tarde do que nunca.

9 minutos de Ratatouille

No site dos trailers da Quicktime tem uma versão de 9 minutos do novo filme da Pixar, Ratatouille.

Só vai funcionar os links pra Hi-Definition trailers, os comuns parece que estão desabilitados.

Se o filme tiver 90 minutos, então são 10% do filme dados como amostra grátis. Nada mau.

Dessa vez eles fizeram um trabalho de iluminação soberbo, combina com o clima “fantasia de Amélie Poulain em Paris”. E os detalhes da animação estão cada vez mais detalhados e suaves.

Em tempo: Ratatouille é um prato provençal feito de legumes.

O valor de um desenho

Como o blog vem sendo acessado por muitos ilustradores em começo de carreira e estudantes, vou comentar sobre um fato que aporrinha 10 entre 10 desenhistas brotinhos (e também aqueles com taxímetro rodado há muito tempo):

Como cobrar por um desenho?

Antes de dizer como cobrar, é melhor dizer como não cobrar:

E aprendi na porrada que você não vende desenho. O ilustrador não vende ilustração.

Ele vende o direito de uso do desenho.

Por exemplo, um cliente pede pra você desenhar um patinho amarelinho.
Você não vai cobrar pela folha de papel Continue reading

A reencarnação de um ilustrador – Nível 2

Já viram que dá pra fazer lápis das cinzas de um ilustrador cremado.

Agora descobri uma nova maneira de materializar os ilustradores do além-túmulo (ou além-vaso?).

A coisa entra em outro rumo. Nos EUA, sempre lá, você pode ser cremado e suas cinzas misturadas em tinta a óleo e, como na filosofia do Círculo da Vida do Rei Leão, você retorna, só que na forma de um quadro! É só pagar entre mil e dois mil dólares pra isso. E ela dá desconto pra marines e militares que morreram no Iraque. Dúvida? Dá só uma checada no site oficial com design feito por um lenhador emo.

Isso é Dorian Gray demais pro meu gosto. Coisa de história de Stephen King. Vai que os olhos desse quadro fiquem se mexendo à noite?

Ou se a mulher de um ex-ilustrador colocar o quadro no quarto? Como ela vai transar com outro com o ele olhando, estando ele em espírito e 30% de corpo no quadro?

Se eu for cremado e quiser usar essa idéia, no mínimo vou pedir no meu testamento pro Benício ou o Alarcão pintar o quadro com minhas cinzas. Afinal, vou exigir um mínimo de qualidade, e quer honra maior do que um companheiro ilustrador prolongando minha existência?

(Homem, tu és pó e do pó retornarás, nos ombros de Winsor & Newton….)
Olha só que massa, isso pode gerar um novo mercado de trabalho para ilustradores: retratistas de cadáveres em pó. E nada de fazer o sujeito pintado de palhacinho chorando.

Depois é só lavar os pincéis e o estúdio com água e sal grosso.

Mari Saito

Já faz algum tempo que não freqüento o Orkut. Perdia um tempo precioso com bobagens, sentia um pouco de raiva quando entrava em comunidades como Desenhistas ou Mendigos do Orkut (a comunidade é boa, os tópicos é que davam raiva) ou lia artigos de gente “qui escrevi axim”, ao mesmo tempo que achava pérolas do riso em outras como “Quase morri com uma bala Soft” ou “Jesus era um X-Man?”. Tem até uma comunidade pra mim e as toalhihas de bandeja, mas sou desalmado mesmo, nunca prestigiei o lugar. Agora só entro de vez em quando pra apagar as mensagens de gente vendendo remédio pra emagrecer ou moçoilas bonitas querendo passar doença venérea digital. Reencontrei alguns amigos de faculdade, outros de colégio, mas o lucro de ter freqüentado o Orkut foi ter conhecido o Heinar Maracy, ex-editor da Macmania, e a Mari Saito.

Os desenhos da Mari me chamaram a atenção, pois ela tem o estilo cuti-cuti que eu curto de montão, bem coloridos e cheios de alto-astral. Ver o trabalho dela já dá vontade de ver passarinho verde na janela.
Ela já trabalhou com animação e hoje é free-lancer e faz entre outras coisas aquelas estampas da Puket.

Hoje ela virou meu terceiro braço. Quando meu volume de trabalho chega no nível crítico, eu uso seus préstimos pra me ajudar. Pra quem sempre trabalhou sozinho feito o Cavaleiro Solitário da prancheta, foi um belo exercício de descentralização.

Ela acabou de montar seu site, e só estava esperando isso pra postar algo sobre ela aqui. Dá uma passadinha lá pra ver um pouco de gente sorrindo.

Disney e direitos autorais


Eric Faden criou esse curta metragem explicando o que é direito autoral, como usá-lo, como não usá-lo, entre outras coisas, utilizando-se de dezenas e dezenas de cenas de todos os filmes da Disney e Pixar possíveis. Ele usa cada personagem falando uma palavra ou frase, montando a explicação como uma saladapara o cérebro e para os ouvidos.

Afinal, quem melhor pra passar informações sobre direitos autorais do que a própria Disney? O último capítulo até explica, de forma irônica, por que ele usou os personagens do pai do Mickey. Com um tom de revolta de esquerda, pode-se dizer assim.

Mas é perfeito demais pra ser verdade.

O vídeo seria maravilhoso se ele não defendesse partes polêmicas como o domínio público e a natureza do uso das imagens. São questões que afligem a qualquer um que trabalhe com produção intelectual, e que deveriam ser sagrados por partes dos criadores. Tem um cheiro de Creative Commons nessa história. No começo ele até põe a princesa Yasmin pra falar que a lei é “a stupid law”.

Se mexessem nessas partes, o vídeo seria amplamente instrutivo para quem está querendo entender como funciona o uso de direitos autorais. Dessa forma não.

Cheguei a escrever um post elogioso e o recomendei nas listas da SIB e do Ilustrasite, mas olha só, é isso que dá assobiar e chupar cana ao mesmo tempo. Escutar inglês já não é fácil, com 50 carinhas diferentes falando tem que prestar atenção redobrada. Fiquei mais encantado com a forma do que o conteúdo. Além disso, confundi o título, Fair (y) Use Tale, como “Uso justo”. Tá mais pra “Uso livre”, frase que é arrepiante.

Essa frase já explica o contexto da idéia de Faden: “Fair use isn’t a right. Fair use is only a legal defensive position. And it’s not fair”.
Se estivesse com o inglês azeitado, não ia passar vexame virtual.

Presta atenção da próxima vez, animal!

Se não conseguirem vê-lo no site oficial, já tem uma versão no Youtube, por pouco tempo. “The Company” pode tirar isso do ar a qualquer minuto.

Calvin e Haroldo, o Filme

Sem trombetas nem corações entrando em colapso.

Persépolis vai ser uma animação em longa metragem. Calvin, o filme, não.

É uma experiência feita por uma aluno italiano chamado Donato di Carlo para seu curso de artes.
Embora seja um projeto amador, com falhas de desenho e continuidade, no geral ficou muito bom! Existem parte animadas por colagem, talvez feitas num Flash, mas outras são desenhadas na munheca mesmo. Como experiência de um outro olhar sobre Calvin, vale a pena. Mas acho que se fosse feito pelo próprio Watterson, as cenas, enquadramentos e ate mesmo a musiquinha seriam beem diferentes.

Mas quem tiver a esperança disso virar algo mais profiça vai ficar esperando Godot.

Bill Watterson sempre foi contra a utilização de Calvin em outras mídias que não fossem os quadrinhos. Em merchandising então ele é visceralmente contra.
É por isso que nunca se viu nenhum joguinho, camiseta, chocolate ou xarope do Calvin. Se existem é coisa da terra de Camelot.

Agora, quem quiser ver uma versão bem trash do Calvin, também tem um sketch do “Frango Robô”, que passa no Adult Swim. É tosco ao quadrado, uma animação de massinha feita por indigentes. Não é todo mundo que vai gostar, mas acho divertido por não se levar a sério. Onde mais você veria um Transformer morrendo de câncer de próstata?

Quem criou “Frango Robô” é o ator Seth Green, o filho do Dr. Evil em Austin Powers e namorado lobisomen da feiticeira lésbica de Buffy, a Caça-Vampiros. Um currículo de mestre.

43 idéias para crescer como sujeito criativo

Bruce Mau é um designer canadense poderoso. Mais que um designer, ele é um pensador e um inovador ao mesmo tempo. Ele tem um quê subversivo de Giani Rodari e Paul Arden juntos, mas isso é só um rótulo, e até ofensivo pra ele.

Suas idéias funcionam não só pra design, mas pra qualquer um que trabalhe com criatividade.
O cara sabe trabalhar com conceitos, coisa que hoje em dia parece coisa que se compra pronto em supermercado. Adoro quebradores de dogmas como ele.

Só o título que ele criou para seu instituto chamado “IwB – Institute Without Bondaries”, algo como “Instituto sem Limites” já é de tirar o chapéu. A idéia é melhor ainda, é um programa de 12 meses para criar novos pensadores misturando arte, design, invenções, mecânica, economia objetiva e estratégia evolutiva. Parece bom se conseguir decifrar.

Ele criou um manifesto em 88, chamado “Manifesto Incompleto de Bruce Mau”. São mais de 40 tópicos que ele acredita serem fundamentais para a formação de um sujeito criativo e produtivo, e também são as regras sagradas que ele utiliza em sua empresa. Deve ser legal trabalhar lá.
Concordo com 90% do que ele diz, são 90% muito bem colocados e merecem ser lidos como mantras pra ilustradores em qualquer estágio da carreira. Os outros 10% são pra gerar saudável discussão, com certeza.

Como sei que muita gente não lê inglês (tentem aprender na marra, pois sem inglês você vira borboleta de uma asa só no mercado profissional), eu traduzi os 43 tópicos pra uma fácil assimilação. Assim você gasta energia criando, e não traduzindo. A tradução não está ao pé da letra, mas tentei passar a idéia principal da melhor possível: Continue reading

Persépolis, o filme

Dei um pulo na cadeira quando vi a notícia no Drawn!

Persépolis virou animação de longa metragem!

E parece que é muito, muito, muito bom! Arre! E nem sabia que isso estava em produção. Dá uma sacada no teaser!

Já comentei sobre Persépolis aqui. Pra mim é um dos melhores quadrinhos já feitos, ao lado de Maus. Nem é quadrinho, é literatura mesmo. Sem explosões, espadas ou gente soltando raio pelas ventas, mas com muita sensibilidade. O melhor exemplo de quadrinhos onde o menos é mais.
O desenho é simples, sintético, sem firulas diagramóides nem cores ardidas. Mas é maravilhoso. E a história é muito boa, pra mim ganha longe do Livreiro de Cabul ou do Caçador de Pipas. Marjani Satrapi, a própria protagonista, põe você dentro de 40 anos de história polvorosa do Irã. Acima dos fatos históricos, o que faz Persépolis campeão são os pequenos detalhes, como a venda de fitas K7 piratas da Madonna ou os passeios de carro numa cidade em polvorosa pela revolução islâmica. Não é isso que o ditado diz? Que o diabo mora nos detalhes?

A grosso modo, seria uma Mafalda muçulmana, que ficou jovem e virou mulher. E fuma. (Se Mafalda ficasse velha, ficaria igualzinha a Oriana Falacci, uma jornalista italina cano-grosso que morreu há pouco tempo).

(Essa é a Marjani Satrapi, tem a cara da Marji do Persépolis, dãã!)

Pelo pouco que vi da animação, os traços estão mais refinados que o gibi, como movimentos leves e delicados. E ótimo, é em preto-e-branco. E em francês! E de francês só sei o que é Camembert!

No Youtube ainda tem 3 pequenos clips de um minuto e meio. É conferir e arrepiar os pelinhos do braço. E aproveitem porque acho que logologo eles vão ser retirados.



Ainda dá pra comprar os livros em lugares como a Cultura.

Vergonha, teu nome é Pau!

Há um tempo atrás, quando fiz essas lâminas sobre origem dos nomes, eu queria fazer um box ao lado com uma coleção de nomes bizarros que os cartórios colecionaram durante anos.

Nomes próprios como Um Dois Três de Oliveira Quatro, Bocetina, Silvesteristalone, Áscaris, Agrícola Beterraba, Oliúde (em homenagem ao cigarro ou à capital do cinema), Domícila ou sobrenomes de famílias inteiras como Cachorrosky, Batman, Frescura e Barroso Feio existiram ou existem de verdade. Imaginar o que se passa na cabeça de um pai ao dar esses nomes ao filho deve ser uma diversão pra psicólogo ou sociólogo. No caso de reprodução malfeita de nomes de astros, é uma projeção dos dotes do mesmo para o filho, fora o desejo de sucesso e dinheiro saindo pelo ralo no futuro. Nos outros nomes, é caso de perder esperança na humanidade.

Obviamente o departamento jurídico mandou vaporizar a idéia.

Recebi isso por e-mail, e fico imaginando se isso não é montagem ou pegadinha.
Se não for, o desembargador que fez esse texto tava de sacanagem. Literalmente sacanagem.

Sexo entre ilustradores

O que ilustradores fazem entre quatro paredes com outra pessoa além de trabalhar em dupla com um assistente? Eles fazem sexo, é assim que eles se reproduzem, se divertem e esquecem dos prazos apertados.

Para aqueles que gostam dos dois (ilustração e sexo), existe um blog muito interessante, chamado Sex In Art, que mistura as duas coisas. Mistura outas coisas mais, pois a proposta é divulgar tudo o que se refere à arte do sexo, desde esculturas, brinquedos a fotografia, passando pelo desenho.

Na categoria “Ilustração” existe lá um popurri muito rico de diversos estilos diferentes de ilustradores. Vão desde mangá até arte psicodélica.
Alguns caras que mandam bem ilustrando gente com pouca roupa e terceiras intenções:

Kukula é o nome desse/dessa ilustrador/ilustradora. Kukula, nome que não vai embora da cabeça…

PB de Maya Hayuk

Divertido estilo de Dan Hasegawa.

Esse é velho conhecido da moçada, Adam Hughes, também bota álcool na fogueira dos hormônios na juventude.
Vale a pena canalizar a energia nesse site ao invés de visitar sites didáticos de anatomia e fisiologia feminina para homens solitários, ou ficar batendo papo no MSN com mulher falsa.

Farta distribuição de porrada

Dificilmente eu coloco o mesmo assunto em dois posts diferentes, mas tem horas que isso compensa.

Um dos blogs que eu acho mais originais tá ficando grande. Eu já falei sobre o projeto Fist-a-Cuffs, onde ilustradores criam monstros pra duelarem num tira-teima, com direito até a cinturão de ouro.

O lado bom desse projeto é que são monstros que não são levados a sérios, o que torna o projeto mais divertido e também são criados por desenhistas que tem uma linguagem mais próxima à ilustração autoral do que quadrinhos, embora pra mim ilustração e quadrinhos fazem parte do mesmo pacote.
Agora no round 2, 3, 4 e 5 tem mais gente de tarimba participando, como Ronnie del Carmen, Javier Hernandez de “Love & Rockets” e mais uma pá de gente.

E agora eles fazem murrinha de duplas, ficou mais legal. A criatividade também esparrama pelas bordas, é um monstro mais divertido que outro.

E como bônus, eles também agora fazem historinhas com os participantes do pegapracapá digital. Mucho bom.

O Casamento de Alan Moore

Esse blog nunca se prestou pra fazer o gênero “Caras”, mas existem momentos onde o ritual sagrado do matrimônio tem um significado maior de que daminhas de honra e bolos doces demais, sendo justificável esse assunto.

Quem lê o blog do Neil “Sandman” Gaiman ficou surpreso ao ver um post sobre….o casamento de Alan Moore e Melinda Perry Gebbie.

Quanto você não daria pra ser convidado num casamento desses?

Além do visual “Extraordinary Gentleman” que o criador de Watchmen usava, o clima era lisérgico e ainda você corria o risco de mijar junto com Neil Gaiman no banheiro. Além de esbarrar com outros mitos dos quadrinhos.

(então é essa a cara que tem o sr. Dave “Watchmen” Gibbons?)
Se a banda era bizarra, imagine como deveria ser a comida?

Ou a lua-de-mel?

120 Faces de Fernanda Guedes

Conforme prometido, nenhuma tragédia grega ou publicitária aconteceu e consegui dar um chego na vernissage da exposição Faces, da Fernanda Guedes, na Galeria POP.

São 120 faces de várias pessoas diferentes, completamente diferentes, feitos em tinta acrílica. Uma galeria riquíssima de caras, tipos, bocas e cabelos. É como comida de mãe, tudo é divino e fica na lembrança. Não é à toa que ela é o que ela é.

Logo na entrada la Guedes já nos recepcionou toda pimpona, chiquérrima na roupa e nos sorrisos.

(Minha esposa, Kátia, Fernanda Guedes e eu, mais interessante lendo do que vendo).


No meio das caras existem alguns famosos, tem que adivinhar. Esse do canto inferior direito, por exemplo, tem a cara do Dr. Chase, o mauricinho da série House. Mas não sei se é ele, tem que perguntar pra Guedes.

A exposição fica até 09 de junho, aproveita pra se inspirar um pouco. As artes expostas estão à venda por um preço muito, muito acessível. Sem exageros, é mais caro e mais difícil comprar um ingresso pro show do Blue Man Group do que ser proprietário de um La Guedes. Chances como essa não aparecem a toda hora.