Gary Baseman

Esta quinta aconteceu um workshop com Gary Baseman na Fnac de São Paulo, em Pinheiros.
Ilustrador e artista gráfico cohecidíssimo por diretores de arte, ilustradores e pela turma de vanguarda, é um sujeito extremamente produtivo e bem-humorado.

Muita gente (adoradores de X-Men, mangás e arte renascentista) podem torcer o nariz por causa dos seus traços (que este ser acha maravilhosos justamente por ser simples e expressivo}, mas foi interessante entender o processo de criação de Baseman. Seus personagens, desenhos e toy arts possuem um conceito bem definido, que não deve agradar às naturezas mais pudicas. É divertido e trangressor ao mesmo tempo, algo como fazer sexo em lugares públicos.

Ilustração bem elaborada com Toby, considerado seu alter-ego.
Como Pee e Poo, ele criou bostas como personagens, sexo oral, empalamento, regozijo com fluidos corpóreos, fixação anal e outras perversões divertidas. Mas não é algo depravado hardcore, como ver um “snuff movie” ou assistir um filme pornô fetichista com excrementos dos anos 80. É um trabalho bem humorado e com uma sólida base conceitual. Dá pra colocar na parede da sua sala sem problemas, só não dá pra decorar um salão de festa infantil com ele (até dá, porque ele fez uma série bem dirigida ao público infantil, um desenho animado pra Disney (oh!) chamada Teacher’s Pet).

Não é um aventureiro. Já ganhou 3 Emmys e foi considerado um dos 10 caras mais criativos do mundo.

Esse é Hot Cha Cha Cha. Quase todos os personagens são recorrentes e são batizados também.
Em um momento, ele definiu bem a fina barreira entre um ilustrador e um artista. O ilustrador possui “bondaries”, ou limites, que são definidos pelo uso, pelo cliente, por diversas variáveis que hoje tem o nome de briefing. O artista não possui esses “bondaries”, ele é livre como uma capivara pra explorar o que ele bem entender. O céu e o fim da tela são os limites.

Seus trabalhos são muito ligados à confecção e comercialização de toy arts, um mercado que vem crescendo aos poucos no Brasil, mas nos EUA, Europa e Japão é bem desenvolvido, tanto que eles jogam terra em cima da Polly Pocket.

Novamente, mais um profissional de calibre que mostra que o principal é ter um conceito muito forte antes de desenvolver um trabalho, pois fazendo isso é meio caminho andado. Mesmo que esse conceito lide com fezes e vísceras bonitinhas.

E também realçou a importância de se ter um sketchbook, que em sua definição, é seu “safety blanket”, ou o cobertor que dá segurança, como Linus da turma do Snoopy.

5 thoughts on “Gary Baseman

  1. O duro que acho muito legais estas ilustrações (teria eu algum disturbiu patológico?)… tem todo um aspecto agressivo/meigo… chegando até a provocar as lembranças dos mais velhos, já que os traços lembram muito as primeiras animações da Disney.

    Uma ilustradora que tem o traço bem similar e abertamente ja disse que se inspirou nos desenhos antigos da Disney (que bizarro) é a Camille Rose Garcia (http://www.camillerosegarcia.com/)… é o belo sinistro… muito bom também…

  2. Existe a “perversão gráfica”, que Baseman, Mark Ridell ou mesmo Mutarelli usam e são geniais e também existe a perversão explícita.
    É o mesmo que a diferença entre erotismo e o pornô arreganhado.

    E Rose Garcia é chagada do Baseman, ela fez alguns trabalhos em conjunto com ele.

  3. hiro, um amigo confidenciou que você estava na platéia do baseman (tb fui ver a palestra do moço).
    ‘ele tem mesmo cara de hiro’ foi o que eu disse para o meu amigo :-).

    legal ver você ao vivo. a internet tem dessas coisas né? acho fascinante as possibilidades, antes inimaginávies, que ele permite! conheci e fiquei amiga de várias pessoas no ano passado por conta da minha ‘constelação de blogs’.

    [ ]s, miki

  4. Nossa Miki, você despejou uma cesta de posts. Obrigado pela preferência.

    Agora, você podia ter me cutucado pelas costas e se apresentado. Várias pessoas lá na palestra fizeram isso e adorei conhecer o pessoal que posta aqui.

    Eu não mordo, pelo menos não quando estou de bom humor.

    Abs!

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