Um milhão é pouco

Os fins justificam os meios? Por exemplo, é válido te acordarem às 8 da manhã de sábado pra pedir doação pra criancinhas com câncer na clavícula? Posso roubar uma gravata da Dior se eu só tenho dinheiro pra comprar um da Luigi Bertoli e tenho uma reunião com o Justus à tarde? Posso me sentir feliz se eu comprar um carro que não preciso e que custa 60 mil por 45 mil e dizer orgulhoso pra minha mulher: “querida, economizamos 15 mil!”? Hummm.

Vejam esse caso:

O projeto “One Million Masterpiece“, ou “Um Milhão de Obras de Arte” é uma mistura de assistencialismo, ilustração, teoria do caos e marketing de guerrilha, até que bem inteligente.

Você se dá um “join” no site e faz uma ilustração quadrada para ser carregada num mosaico que mais parece uma tela de Game Boy quebrada. Pode desenhar qualquer coisa, uma letra “A” ou o decote da Monalisa. Nem precisa ser ilustrador (na verdade, a maioria não é, de acordo com os desenhos).

Depois que dar o upload da sua ilustração, ela vai ficar nesse mundinho, onde seus desenhos ficam do tamanho de bactérias:

Aumentando um pouco dá pra definir melhor as ilustrações.

A proposta é tornar seu “trabalho” visível para o mundo inteiro, ao mesmo passo que angaria fundos pra entidades com Childs Care e WWF. Mas eu pensava que esse dinheiro vinha de outras maneiras, mas pelo que vi, as doações vem de VOCÊ, que desenhou um quadradinho de graça e nem pediu nada pelos direitos autorais. Achava que era um projeto onde grandes empresas doavam uma grana em troca do seu quadradinho, mas não…o que era pra ser um Devianart para micróbios vira uma fonte de captação de renda vinda direto do autor, que coisa!

Se ainda eu desse meu quadradinho bonitinho pra caridade, ainda vá lá. Mas eu ter que tirar o dinheiro do bolso, nem que seja centavinhos, pôxa…

Com certeza isso nasceu a partir desse projeto que Alex Tew, um estudante americano criou, o “Million Dollar Home Page“. Isso sim foi uma sacada de marketing de guerrilha particular.

Ele vendeu cada pixel do seu site por um dólar para empresas que quisessem aparecer por lá dar um agrado no moleque. Eles fazem propaganda e o logotipo é clicável. Nesse golpe de mestre, o cara que era um durango ficou rico praticamente da noite para o dia. Sem usar trabalho de terceiros de graça ou pedindo dinheiro pra eles….

Já ouviram essa? “Olha, se você desenhar pra gente seu trabalho vai ficar exposto e você pode conseguir outros trabalhos”!

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  1. Manoel Netto disse:

    Hiro,

    Quem nunca ouviu essa famigerada frase, nunca fez um freela na vida. E isso não é só para artistas ilustradores ou designers. Nós programadores também sofremos desse “mal”. Muitos clientes tentam “negociar” dessa forma, oferecendo mais trabalho em troca do seu trabalho.

    Eu, sinceramente, do alto da minha arrogância (assim que eles enxergam), perco o cliente ou o trabalho, mas não trabalho de graça.

    Obras assistenciais existem aos milhares. E as poucas que são realmente sérias e pobres, geralmente estão perto de nossa casa, nós podemos visitar e comprovar o trabalho feito. Para essas eu posso fazer um trabalho gratuito, desde que seja por iniciativa minha e não porque alguém me cobre uma caridade.

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