Art Spiegelman em Paraty

Saiu hoje na Folha, Art Spiegelman vem ao Brasil pra Feira Literária de Paraty, o Flip, em julho desse ano.
Dá até uma tentação de pegar um ônibus e ir pra lá.
Valeria a pena, ficar de frente com Art Spiegelman só pra ver o que ele tem pra falar. O cara tem conteúdo, e lembraria dos meus tempos de tiete quando pedi um autógrafo pro Will Eisner. Veremos o que acontece em julho.

Pra quem não conhece o figura, Spiegelman é o criador de “Maus”, uma das melhores histórias ilustradas já feitas. Acho que é leitura obrigatória pra quem pretende escrever, seja livros ou histórias em quadrinhos, por causa da maneira que ele escreve, a estrutura da história e a qualidade dos diálogos. De certo modo, ele é até melhor do que “A Lista de Schindler”, por eliminar o contexto “emotivo” de uma história sobre campos de concentração contada por um judeu.
A narrativa é crua e didática, não faz concessões nem pro pai, retratado no livro. Não foi à toa que ganhou o prêmio Pulitzer de literatura em 1992 e a revista Time o elegeu como uma das 100 pessoas mais influentes no mundo.

Olha ele aí como um “Maus”, com o indefectível colete preto.

É o tipo de história anos-luz à frente de uma historinha em quadrinhos simples, tanto que nem vale a pena comparações. Um dos erros que não cometo mais é empurrar esse tipo de literatura para quem pede sugestões, mas adora Quarteto Fantástico e Dragon Ball. Se ele tiver que pegar gosto por esse tipo de livro, tem que ser naturalmente, para não acontecer o contrário e pegar aversão. Aí só o tempo vai fazer esse amadurecimento, como acontece com o mamão verde. Só dou o nome do livro, sempre acompanhado com as sempre presente frases “ah, o desenho não é muito bom”, ou “tem texto demais, dá preguiça de ler”, ou ainda “não tem explosão, não acontece nada”.

Outra que é nessa mesma linha e tão bom quanto é Persépolis, que já está no volume 4. Também pra quem não sabe, é a autobiografia da ilustradora/escritora Marjane Satrapi, e paralelamente conta também a história da revolução cultural no Irã. Desenhos simples que apóiam uma história rica e bem-contada.


Outro dia estava numa reunião com um cliente e uma diretora de marketing perguntou se eu havia lido “O Livreiro de Cabul”. Eu disse que sim, o que foi um gancho pra ela soltar a verborragia sobre o que achou do livro, que era maravilhoso e tal, a maioria retirada de matérias da Veja ou Folha de São Paulo. Igual na época em que filmes iranianos estavam na moda. De qualquer forma, ela perguntou se eu havia gostado do livro e eu disse “é bem didático, mas como história sobre o Oriente Médio, Persépolis dá de dez a zero”.
E ela: “Persépolis? Não ouvi falar, não deve ser muito bom”.

Afe! Vai ler “O Segredo” e seja feliz, então.

3 Comments

  1. Baxt disse:

    Pqp!!!! Agora que eu vim para Londres o cara vai no Flip?????? Sacanagem…

    Maus é uma das melhores coisas que eu já li. Foi a única vez que eu consegui chegar mais ou menos perto de sentir o que foi ser judeu naquela época. Os detalhes da história, ao mesmo tempo que o desenho tira a parte gory, deixando só o espírito da coisa, me deixaram impressionadíssima. Afinal, aquelas cenas de montes de cadáveres de judeus (que as pessoas adoram passar em documentários ou reportagens) são algo tão abestalhante que é impossível se identificar, relacionar aquilo com a sua vida.

    Mas uma carta mandando levar os velhos para um “asilo”, ou os velhinhos escondidos no armário, aí sim dá para entender.

    …droga! A minha edição de Maus ficou no Rio também.

  2. Hiro disse:

    Putz Barbara, descreveu bem o espírito de Maus.
    A passagem em que o pai guarda a roupa enrolada em papel pra ganhar mais comida é um desses exemplos que você citou.

  3. miki w. disse:

    nossa, hiro, mas que coincidência, estou lendo mauz exatamente por esses tempos. a narrativa é muito envolvente, uma obra maravilhosa mesmo!
    [ ]s miki

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