Meu Mac laranja-caqui

Achei essa dica no blog Digital Drops, que é da hora pra quem é geek como eu e curte qualquer coisa que tenha silício no meio.

Eu faço muitas apresentações de projetos de trabalhos em agências e diretamente pra clientes. E antes ou depois das apresentações, sempre vai ter um sujeito de marketing ou diretor de arte que vai querer fuçar no seu MacBook. O Mac é perfeito pra apresentações, não pelo hardware, pois um Tablet PC impressiona mais do que um MacBook Pro numa reunião. O que diferencia é o programa, as apresentações feitas no Keynote no Mac são tão bacanas que fazem gerente de marketing pular da cadeira de susto, literalmente falando (já teve momentos que isso realmente aconteceu). Depois que você usa uma vez, você manda o gato jogar terra em cima do PowerPoint. Embora pareça cosmético, na verdade são recursos que fazem com que meus alunos ou as pessoas para quem estou apresentando gravem melhor a apresentação.

Mas quer ver o que é cosmética? Isso é cosmética:

Isso é mais pra quem chora por ter um MacBook branco, ou pra quem tem dinheiro sobrando e não sabe o que quer fazer com ele.

Pelo visto é um trabalho bem feito, vendido na Colorware. Você manda o seu MacBook, laptop ou até o Wii ou X-Box 360 que eles encapam com a cor que você quiser. Ou pode comprar direto deles já colorido. Mas como disse, tudo tem um preço, e nesse caso não é pouco.

Mas não acho que pagar quase 500 doletas nisso seja um bom negócio. Ainda compensa comprar um MacBook preto, se tiver horror a branco. Mesmo porque eles não aceitam pedidos fora dos EUA.

Pixel Art

Existem alguns trabalhos que a gente se propõe a fazer e no meio do caminho percebe que entrou numa encrenca e fica coçando a cabeça pensando “pra que fui abrir a boca?”

Há dois meses estou fazendo uma toalhinha de bandeja (que deve estar nas lojas só por volta de setembro ou outubro) totalmente em Pixel Art.

Pra quem não sabe, Pixel Art são ilustrações feitas como se fossem telas de videogame de 8 bits, do tipo Master System. Basicamente você trabalha pixel por pixel, formando uma imagem bem serrilhada.

É um trabalho danado! Estimei errado, achei que conseguiria acabar em duas semanas. Mas são detalhes demais, mesmo seguindo uma perspectiva isométrica, fixa. Dois culpados pra essa demora: o fato de estar adiantando um trabalho, onde não existe a pressão do prazo, e ficar manipulando pixel por pixel, coisa que arrebenta com os olhos de tanto esforço. Mas apesar do mimimi, o resultado é muito legal!

O resultado (que ainda não posso mostrar) tem que ficar igual aos trabalhos do eBoy, um dos maiores, senão o maior, ilustrador de Pixel Art do momento:



De perto, os desenhos ficam com essa cara:

Tem todo um método pra se fazer esse tipo de trabalho. Pra quem quiser aprender, tem um tutorial passo-a-passo muito bem elaborado nesse link. Tem que saber ler em inglês, mas se você procurar no Google “Tutorial Pixel Art”, vai encontrar vários outros.

É um pesadelo feito de quadradinhos. Mas ao mesmo tempo ele relaxa como assistir novela. É uma técnica que tem que ser feita em baixa resolução, o tamanho da imagem é pequena e dá até pra fazer no Paint ou no Image Ready.
Eu mudei tudo no meio do caminho e recomecei do zero, fazendo esse tipo de ilustração no Illustrator, e não no Photoshop. Acho mais fácil e mais rápido trabalhar com vetores, e tem a questão do controle de cores na saída pra impressão, embora amigos ilustradores disseram que já é maluquice fazer algo parecido com o e-Boy, mas é demência suicida fazer isso em vetor. Vamos ver, vamos ver…assim que eu terminar a ilustração, eu posto aqui.

Por causa do efeito terapêutico do Pixel Art, retomando os tempos da minha tenra infância, lembro que aqui no Brasil existia um brinquedo chamado Ministeck, fabricado pela Troll. Ele ainda vende muito bem na Europa, mas aqui ele desapareceu como os sorvetes da Gelato.

Eram peças minúsculas coloridas de plástico no formato de peças do Tetris que deveriam ser encaixadas em uma tela toda perfuradinha, formando um desenho muuito parecido com uma tela de baixa resolução.

As caixas ensinavam a fazer coisas bregas, como paisagens de navios e flores, mas se eu tivesse um deles hoje, eu faria um Pixel Art de plástico com eles. Era um brinquedo muito querido por tias e mães estressadas. Relaxava melhor do que palavras cruzadas ou crochê.

Ô dúvida cruel

Logo, logo vou ter que tomar uma decisão.

Como eu posto imagens aluciandamente como um chapeiro do McDonald’s na hora do almoço, o espaço vagabundo que a Locaweb dá pra gente usar tá acabando. Mais um ou dois meses, quiçá três, e o espaço acaba.

Culpa minha, deveria ter planejado melhor antes de postar no blog-brinde da Locaweb, mas não imaginei que a brincadeira seria tão divertida e iria trazer melhores resultados que o meu site particular. Mas aconteceu. E esse blog porco não permite que eu exporte os posts, senão seria mamão com açúcar.

Agora não sei se passo os posts mais antigos pro novo blog, deletando-os e liberando espaço, e continuo com esse, que tem tantas opções de templates como um monge tem de roupas no armário, ou se deixo esse como está e começo do zero no novo. Pra piorar a Locaweb nem permite redirecionamento do blog também.

Aceito sugestões de alguma alma mais iluminada nesse assunto.

Catálogo Acme & Oxide

Nem só de Nietzche e contratos com letras escritas por joaninhas consiste a leitura deste afável ilustrador. De vez em quando eu encontro alguns livros que correspondem a minha expectativa de trazer alguma inspiração, e ela sempre vem em livros que não tem muito a ver com ilustração.

Não é o caso desses dois, que saem direto da fonte da animação.

Eu já fiz um post parecido com esse primeiro, mas o acabamento dele é divino. É o mesmo catálogo dos produtos Acme, o Polishop do Coiote. O diferencial do “The Acme Catalog” é que ele pega o espírito da coisa e dá um acabamento mais realista aos produtos, seguindo a linha de design da época de 60, e ainda cria anúncios e embalagens para eles, com preços e planos de pagamento.

O pai do livro é Charles Carney, que escreveu roteiros pro Pernalonga durante 16 anos.
Encontrei ele na Galeria Pop, na Augusta, uma lojinha de toy art e galeria simpática que fica na Augusta, por cinquenta contos.

Esse outro eu já conhecia de fama e veio no pacote com os pôsteres que encomendei da Galeria Nucleus.

Oxide 2: Carta Numinous não é japonês, foi feito por um sul-coreano, Hyung Tae Kim, para um game. Não sou fã em absoluto de mangás, pelo menos não dessa linha de produção em massa, o que não acontece com material autoral, como Blade ou Maka-Maka.
Mas o que me agradou de montão nesse livro foram as referências de acabamento de pele, tecido e metal. As roupas são escabrosas e alegorentas como os figurinos da Marquês de Sapucaí. Como os desenhos são bem grandes, você percebe e diferencia as pinceladas e as cores que ele usa. Tem até um mini-tutorial de uma ilustração sendo feita no Painter. Mesmo preferindo trabalhos delicados feitos em pastel ou aquarela, com um traço mais autoral, é bom como guia de acabamento de texturas, luz e sombras. Pura técnica.

(opa, essa daí tem peito pequeno, ao contrário das outras mamosas do livro)

Como matar um ilustrador de fome em 20 anos

Mais um dos mesmos criadores do “Projeto 700″. Ilustrações a granel, por quilo, por baciada, a dar com o pau.

A proposta é esdrúxula:

Você inventa um título de um filme de terror e eles te mandam pelo correio uma ilustração de um monstro que represente seu delírio criativo, por US$20. Por US$30 ele manda o making-off.

Por trás dos meus grossos óculos de grau, o que eu enxergo nesse tipo de trabalho é um golpe de marketing efêmero que provoca tendinite, pelo volume de trabalho, e degrada o ofício do ilustrador, por causa dos valores ridículos, dignos de serem oferecidos na comunidade “Desenhistas” do Orkut. Sem converter a moeda, vinte dólares lá valem mais ou menos vinte reais aqui. Já me ofereceram vinte reais por uma ilustração e a sensação ao recusar esse tipo de oferta foi a mesma de darem um tabefe na minha mãe. Imagino que a sensação de um ilustrador que OFERECE esse valor pelo seu trabalho deve ser a de entregar a mesma mãe pra fazer programa no viaduto do Brás.

Esse conceito estúpido, de que “desenho é baratinho”, “paga mais dez que leva o filme”, “isso é uma pechincha”, é o pior veneno que pode existir no meio da ilustração profissional. Começa com um fazendo isso, vai pra dois, até chegar numa comunidade de desenhistas que fingem ser ilustradores. O problema é quando isso ultrapassa a esfera do mercado doméstico, do porta-em-porta caseiroe passa para o mercado profissional, das editoras e agências.

E existem muitas dessas que procuram neguinho que faça ilustração por 20 reais. É só oferecer. E é como dar comida pra gato de rua na sua casa: uma vez que se faz isso ele não quer saber de ir embora, quer mais e mais e mais.

Esse tipo de trabalho teria muito mais valor se ele simplesmente NÃO cobrasse! Assim isso ficaria no campo da arte interativa, e não afetaria o mercado de ilustração.

O lado bom é saber que não é só no Brasil que existe esse tipo de cupim que ilustra. A praga é global.

Tem gente que vai falar “ai, como você exagera, deixa o cara, ele faz por diversão, você tá com inveja por que ele tá fazendo sucesso”, e por aí vai. Pra mim é o seguinte: o que começa como uma brincadeira vai afetar o trabalho de milhares de pessoas que dependem disso pra sustentar a família. E é como o aquecimento global, os efeitos dessa traquinagem não surgem agora, mas daqui a alguns anos, na próxima geração.

Ei sei que tem ilustrador passando fome, sem chances de entrar no mercado, sem trabalhar há um ou dois anos, com filhos e mulher pra sustentar. Aceito nesses casos que exista uma negociação, mesmo se ele fizer um achatamento de preços, que o faça com consciência que isso seja temporário, pra pagar um supermercado ou agüentar mais um mês até as coisas melhorarem. Depois retormar os valores que deveriam ser cobrados, nem tenho como argumentar isso.
O que me irrita e acho mais perigosos são aqueles que estão começando e querem entrar no mercado de trabalho na marra, que reclamam que não tem dinheiro mas compram gibis, bonés e cds piratas na Santa Efigênia. Simplesmente por que não possuem consciência.

É por isso que defendo, juntamente com vários colegas ilustradores, como ensinar a cobrar e trabalhar direito pra quem está começando, nem que seja para dar dicas de ouro particulares sobre orçamentos, cobranças e técnicas de pintura.

O que parece tonteria, como os espanhóis dizem, na verdade é uma precaução. Ensinando a trabalhar e a cobrar pra quem não sabe garante que o nível de qualidade dos trabalhos e do pagamento dentro do mercado continue estável por um bom tempo. Eu posso dar minha melhor dica que o novato vai utilizá-la ao seu modo, não é perigo pra mim. Esse tipo de ajuda só favorece quem trabalha com ilustração.

Numa profissão onde já é taxada de “coisa de artista”, “trabalho superficial” ou que não tem a mesma importância de profissões que salvam ou fodem vidas, como médicos, advogados ou bombeiros, é obrigação de cada um preservar seu cantinho no mercado pra garantir o futuro e o leitinho das suas crianças e dos seus netos.

Talvez seja essa a grande diferença, que é uma grande merda na ilustração: quando o médico erra, ele mata e paga por isso (quando o Conselho de Medicina deixa dar os cascudos). O desenhista que finge ser ilustrador, quando erra, das duas uma: ou ele desliga o telefone de casa por uns dias ou ele alega que todo mundo trabalha desse jeito, e que na próxima ele acerta.

Jen Wang

Mais um post que poderia ter o subtítulo “Por que não nasci mulher?”. Ou “Por que não tenho aquarela nas veias?”
Já são quase 6 da manhã, então esse post é meio curtinho porque mr. Sandman tá me chamando pra ir pra cama e eu tenho que acordar às 9 pra uma reunião.
Mas tudo bem, o trabalho de Jen Wang é tão suave e delicado que não precisa falar muito.
É o tipo de traço que você perde minutos e minutos só pra observar os detalhes. Não é serviço para lenhadores de prancheta como eu.



Mnham!

Freakshow

Quando não havia internet nem TV, o pessoal caprichava nos cartazes pra divulgar todo tipo de evento. Eram os cartazes que estimulavam a imaginação das pessoas, criando a motivação pra irem bem vestidas para o espetáculo à noite, na esperança de ver o diabo em ação.

Já fiz um post sobre cartazes de circo, mas esse é uma extensão específica dele: cartazes de atrações bizarras, o freakshow. Apresentações de mutantes circenses, da mulher barbada, o homem-leão, o homem-peixe. Quando era criança sempre passava um ônibus vermelho na minha cidade, Mogi das Cruzes, que era um Freakshow sobre rodas. Tinha vidros de leitões de duas cabeças, bezerros empalhados com seis patas, e tinha a Monga, a mulher-gorila, que tadinha, era mais bonita quando estava usando a máscara. Eu ficava fascinado com toda aquela bizarrice embebida em formol, pois me achava tão estranho naquela época que acreditava que meu lugar era ali, ao lado da Monga.

No site holandês Circus Museum existe uma vasta coleção de cartazes de aberrações, além de fotos dessas criaturas atormentadas. Tem também cartazes de outros tipos de espetáculos, como mágicos e malabaristas.

Não tem como não se lembrar do filme Freaks olhando pra esses cartazes. Pra quem gosta de filme de terror, é um filme que marca. Foi feito em 1932, por Todd Browning e achei um dos mais esquisitos que já vi. O terror dele não é explícito, o que é até pior, pois você fica imaginando as atrocidades que o filme apenas sugere. Ele é muito estranho, e deixa uma sensação pra lá de desagradável quando você vê como a bela bailarina se transforma na mulher-galinha. Tem aquele toque orgânico e agonizantes dos livros do Clive Barker.

(O que fizeram com essa mulher é horrííível!)

Toalhinha nova de maio

Já deve estar entrando a nova toalhinha de bandeja.

Nova em termos, pois ela já havia sido aprovada há um ano, passou por uma revisão, e foi reprovada por forças obscuras. Ficou na geladeira por mais de 10 meses e voltou com uma funilaria geral.

Essa versão é a anterior, que me agrada muito mais.
Quem for nas lojas vai reparar que a quantidade de desenhos é menor e o tamanho dos textos beem maior. Cortaram as idéias mais trangressoras (que pessoalmente acho que dão o maior tempero pra esse trabalho) e o texto ficou (muito) mais explicativo, ficando em alguns pontos até redundante. Mas foi necessário por questões legais.

No final, o conceito inicial, de mentiras que todo mundo acha que é verdade e coisas reais que parecem mentira de tão fantásticas ficou bastante disperso.
Provavelmente essa será a última toalhinha de bandeja com curiosidades, pois operacionalmente está inviável trabalhar com esse tipo de informação. Coisas misteriosas ou curiosas, que são aquelas informações que sempre fogem do comum (e sempre são as mais divertidas), sempre geram reclamações daqueles que exigem exatidão ou simplesmente são céticos ou cricas, dando margem pra algum processo ou uma carta malcriada, coisa que o cliente não tolera de jeito maneira.

Mas nem tudo está perdido! Ainda existe caminho aberto pra trabalhar com fantasia e besteirol, coisas que não precisam de fontes ou checagem de informação. Até um mané argumentar que fadas não existem e estou estimulando alienação lúdica para crianças e adolescentes.

O compadre Marcelo Lourenço matou a charada: o que eu não consigo colocar mais nas toalhinhas de bandeja eu despejo aqui no blog, com a vantagem de não ter limitação no texto e nos assuntos.

Starbucks Makeover

Os cafés do Starbucks são uma experiência cardíaca. Se pedir um extraforte com chantily, seu coração é bombardeado ao mesmo tempo com doses grotescas de cafeína e colesterol doce. Eles deveriam dar um marcapasso de brinde. Juntando 50 selinhos você ganharia um desfibrilador.

Quando entrei em um pela primeira vez, em Barcelona, eu queria saber qual era a sensação ridícula de andar na rua tomando um latte num copo de isopor do tamanho de um baldinho, como é mostrado em uma porrada de filmes e seriados. Talvez eu me sentiria cool como o Chandler, de Friends. Mas no máximo você se sente como a tonta da Phoebe.

Eu também odeio essa intimidade forçada de escreverem seu nome no copo e te chamarem como se fosse seu companheiro de academia. Eu dou meu nome errado de propósito. Assim eles me chamam de Kurosawa, Dan, Hayata, Kaneda, mas nunca de Hiro. Eu me divirto com pouco.

Chega de mimimi, voltando agora o foco no símbolo piscoso da rede.
uem diria, a sereia do Starbucks era gordinha e com peitos generosos. Assim que foi ganhando uma graninha, fez uma plástica e ficou 500 anos mais jovem.

Mais um da série “logotipos antes e depois”, igual o da Canon:

A idéia original foi tirada de uma gravura medieval de uma sereia de dois rabos. Essas sereias se chamavam “Melusines”.

Antes o logotipo era marrom e com a sereia rechonchuda sem tratamento. A vida era difícil sem Photoshop.

Passado algum tempo e com dinheiro no bolso, ela muda o visual, diminui os peitos, mas os dois rabos e o barrigão ainda estão lá. Rumo à lipo…

Por fim, acontece a segunda plástica e a sereia não consegue emagrecer. A solução foi dar um zoom no rosto, cortando a barriga e os dois rabos, o que é um erro, porque agora viraram duas coisas-sem-definição ao lado dela. O verde-Palmeiras é adotado como cor oficial do logo.

Eu sou da velha guarda. Toda vez que escuto “Starbucks” eu me lembro é do capitão Starbuck de “Galáctica”.

Quando artistas usam gravata

Além de talentosos, ficam bem na estica.
Benício com o eterno sorriso branco, que contrasta elegantemente com seu costume preto.
Ver Ziraldo de terno é tão difícil como ver um peixe-lanterna.

Ei-los recebendo uma homenagem-mais-do-que-merecida na entrega dos prêmios da Academia Brasileira de Cinema, que aconteceu domingo, pela contribuição na história do cinema pelos seus pôsteres.

Storyboards do Batman

Para os amantes do Batman (Robin não incluso), e que não curtem a fase pink-retrô do Batman barrigudinho dos anos 60, uma pequena jóia: uma página lotaada de storyboards do desenho do Homem-Morcego, todas da série animada, que por sinal, é muito boa. Tudo ilustrado pelo manhoso Ronnie del Carmen.

Também tem storyboards da série “Batman do Futuro” e do Superman. Achtung!

Falando no Morcego, saiu também no UOL ontem uma imagem do Coringa para o novo filme, “The Dark Knight”. Heath Ledger (sim, daqueele filme meigo de caubóis) é o cara.

Desenhar salva

Tem certas coisas que só funcionam fora do Brasil. O que é uma pena, pois potencial nós temos, o que falta é organização e credibilidade.

Por exemplo, essa é uma dessas idéias. Em abril e maio acontece um movimento chamado “Worldwide Sketchcrawl and Emergency”. A idéia é o seguinte: dezenas, centenas de pessas (não é preciso ser desenhista, basta vontade de desenhar) se reunem para ficar o dia inteiro desenhando e ilustrando. Pra dar credibilidade e atrair mais gente, vários ilustradores e artistas de peso ficam no meio deles desenhando, como Steve Purcell, o criador da dupla Sam e Max, formando uma comunidade chamada “Sketchcrawl”. Essa comunidade pede doações para quem pode para ajudar outra organização chamada “Emergency”, que ajuda necessitados na África e vítimas de minas subterrâneas. Aparentemente, tudo muito sério e correto. Mais detalhes no blog do Ronnie del Carmen, excelente ilustrador (sou apaixonado por Paper Biscuit).

Além disso, os sketches dos artistas mais conceituados feitos nesse dia vão para um leilão, que ajudam a aumentar o caixa de donativos.

(Fala sério, não dá vontade de ficar no meio desse pessoal?)
O conceito pode parecer um pouco estranho no começo, mas se pensar bem, seria como um “Bistecão Comunitário”. Quem sabe não sai alguma coisa parecida em um futuro não muito distante? Mas teria que ser bem organizada e planejada, senão, como dirira “seo” Tetê, o velho jardineiro que não acredita que o homem foi à Lua: ” vou ter que pagar pro menino desenhar o dia inteiro?”

Brincadeiras à parte, é uma iniciativa extremamente feliz, pois junta as melhores virtudes de um ilustrador de bom coração: talento e caridade.

Afinal de contas, se você faz o que gosta e ainda ajuda a salvar vidas, você tem metade das prestações do seu lugar no Paraíso já quitadas.

Gonzalo Cárcamo

Senhores, contemplem!

Apresento mais um da miríade de ilustradores dignos de admiração e inspiração. O chileno Gonzalo Cárcamo entrou no universo da blogosfera há pouquíssimo tempo e para a felicidade dos admiradores, incluindo este que vos digita, está postando seus trabalhos magníficos com um vigor taurino. Mais um que descobriu que fazer um blog é um vício.

É um blog lindo, é como um bolo de aniversário de criança para os olhos.


Brilhante artista, aquarelista, chargista e outros “istas” relacionados ao mundo da ilustração, Cárcamo tem uma produção contínua e pode ser visto em várias revistas, na Folha de São Paulo e em livros, muitos e muitos livros. Visitem seu blog e sequem suas córneas por um bom motivo.



As martas que doaram seu pêlos para os pincéis que fizeram estas pinturas estão lisonjeadas.

Para os pequeninos

Esse trabalho foi feito para o projeto “Mundo Feliz” do McDonald’s. Um cartaz-jogo direcionado para o público que só enxerga na altura dos joelhos (criancinhas pequenininhas, dãã), usando a temática “verde”, que tá na moda. Já deve estar rolando em algumas lojas, pois nem todas disponibilizam esse projeto.

Um dia de trampo, no Illustrator 10 véio de guerra (antes que alguém pergunte, sim, tenho o CS2 mas tenho mais simpatia de usar o avô dele, quem sabe agora na geração CS3 eu mudo?).

Vera Brosgol

Na minha vida passada eu devo ter sido mulher e ilustradora. Possivelmente lésbica. Porque, apesar do meu porte de urso marrom sedentário e do convívio com vários tipos de arte e ilustradores, que vão desde street art até arte acadêmica, apesar de também conseguir fazer vários estilos de desenho, o meu forte ainda são os desenhos com um fundo “cuti-cuti”. 90% das toalhinhas de bandeja do McDonald’s tem esse estilo. Mesmo mudando o acabamento ou estilo de pintura, elas acabam meio “fofóides”.
Adoro ilustrações fofas e suaves, mas tem que tem um elemento transgressor no meio, não suporto coisas açucaradas e diabéticas. Por isso me apeguei direto com os desenhos de Brianne Drouhard, Ronnie del Carmen, Cecília Esteves e Mari Saito.

A outra que me chamou atenção foi uma russa chamada Vera Bee, ou Vera Brosgol.
Achei seus traços muito legais e elegantes, e tem uma linguagem gráfica também bem refinada, apesar da sua idade. Óia só que legal:




Elas possuem uma leveza no traço que eu não tenho, talvez por causa que meus dedos não são fininhos e delicados como as delas, parecem tocos de cenoura.

Toy Art pra viagem

Esse post era pra ser o final do post sobre Gary Baseman, mas considerei fazer algo à parte, pra não misturar demais o assunto, mesmo sendo pertinente.

Há alguns meses eu tive uma discussão com um diretor de marketing em que ele detonava o conceito “Toy Art”, pois num momento brainstôrmico no meio da reunião eu aleguei que era um conceito maior do que simplesmente um capricho egocêntrico de designers e ilustradores, que poderia se transformar em algo comercial em larga escala, juntando o conceito de inovação de embalagem, renovação da marca e cativando uma fatia de consumidor diferente. Era uma idéia perfeita pro produto dele, mas sua resposta foi “você tá confundindo arte com business, isso não é viável comercialmente”

Dá vontade de mandar essas imagens pra ele, que você encontra no site Sketch One, pra ver se muda o conceito dele do que é ser “viável comercialmente”.
Vai que alguém não inventa um ratinho fofinho como embalagem de queijo Catupiry?



Como se as crianças precisassem de um empurrãozinho a mais pra comerem mais tranqueiras…

Esse aqui é da Tokidoki, que embora pareça japonês, na verdade vem da Itália

Nada como entupir as artérias em nome da arte.

Dando nome aos bois e pacús

Um dos trabalhos que eu faço, além de ilustração, é ajudar a desenvolver conceitos, planejamento e promoção de produtos infantis diretamente para empresas ou agências de design e promoção, por causa do tempo que fiquei desenvolvendo quase tudo pro McLanche Feliz e outros produtos infantis do McDonald’s.

Um desses trabalhos se chama “Naming”, que é a “arte” de dar um nome vendável a produtos. O que parece ser algo facinho, que o filho do dono da empresa consegue fazer, na verdade é um processo mais elaborado. Imagine a dor de cabeça pra criar o nome de um console de videogame inicialmente batizado de “Revolution” para “Wii”, que na opinião deste humilde servo, é uma das melhores sacadas de naming no mercado atual. Imagine a dor de cabeça que é saber que um dos seus melhores produtos vira sinônimo do capeta no Brasil, caso da van Besta, famosa por ser conhecida como a “van do cachorro-quente”. O nome original é o mesmo, mas com um espacinho a mais, “Best A”.

Feliz da empresa que criou o nome do chocolate Talento. Piadinha horrível recorrente em agências de publicidade: “tó um talento pra quem não tem nenhum”. Ou o diretor criativo berrando até sangrar os pulmões: “Talento nessa agência, só chocolate!”

Até você comprar um produto que chama “Suflair” ou “Morangorango”, muita coisa rola em termos de planejamento, saliva e neurônios queimados.

E todo esse esse trabalho nobre vai junto com a descarga da privada quando a gente depara com um produto com esse nome…

Gary Baseman

Esta quinta aconteceu um workshop com Gary Baseman na Fnac de São Paulo, em Pinheiros.
Ilustrador e artista gráfico cohecidíssimo por diretores de arte, ilustradores e pela turma de vanguarda, é um sujeito extremamente produtivo e bem-humorado.

Muita gente (adoradores de X-Men, mangás e arte renascentista) podem torcer o nariz por causa dos seus traços (que este ser acha maravilhosos justamente por ser simples e expressivo}, mas foi interessante entender o processo de criação de Baseman. Seus personagens, desenhos e toy arts possuem um conceito bem definido, que não deve agradar às naturezas mais pudicas. É divertido e trangressor ao mesmo tempo, algo como fazer sexo em lugares públicos.

Ilustração bem elaborada com Toby, considerado seu alter-ego.
Como Pee e Poo, ele criou bostas como personagens, sexo oral, empalamento, regozijo com fluidos corpóreos, fixação anal e outras perversões divertidas. Mas não é algo depravado hardcore, como ver um “snuff movie” ou assistir um filme pornô fetichista com excrementos dos anos 80. É um trabalho bem humorado e com uma sólida base conceitual. Dá pra colocar na parede da sua sala sem problemas, só não dá pra decorar um salão de festa infantil com ele (até dá, porque ele fez uma série bem dirigida ao público infantil, um desenho animado pra Disney (oh!) chamada Teacher’s Pet).

Não é um aventureiro. Já ganhou 3 Emmys e foi considerado um dos 10 caras mais criativos do mundo.

Esse é Hot Cha Cha Cha. Quase todos os personagens são recorrentes e são batizados também.
Em um momento, ele definiu bem a fina barreira entre um ilustrador e um artista. O ilustrador possui “bondaries”, ou limites, que são definidos pelo uso, pelo cliente, por diversas variáveis que hoje tem o nome de briefing. O artista não possui esses “bondaries”, ele é livre como uma capivara pra explorar o que ele bem entender. O céu e o fim da tela são os limites.

Seus trabalhos são muito ligados à confecção e comercialização de toy arts, um mercado que vem crescendo aos poucos no Brasil, mas nos EUA, Europa e Japão é bem desenvolvido, tanto que eles jogam terra em cima da Polly Pocket.

Novamente, mais um profissional de calibre que mostra que o principal é ter um conceito muito forte antes de desenvolver um trabalho, pois fazendo isso é meio caminho andado. Mesmo que esse conceito lide com fezes e vísceras bonitinhas.

E também realçou a importância de se ter um sketchbook, que em sua definição, é seu “safety blanket”, ou o cobertor que dá segurança, como Linus da turma do Snoopy.

Finding Hiro

Uma das surpresas mais estranhas que tive com o trabalho das toalhinhas de bandeja foi a quantidade de gente que me escreve dizendo que procura minha assinatura ( e a quantidade de gente que também me escreve pedindo pra dizer ONDE o maldito nome está, porque não conseguem encontrar). Coisa de 50 a 70 pessoas por mês.

Surpresa porque jamais pensei que colocar meu nome de maneira super-ultra discreta fosse gerar esse tipo de ação. Virou um “Onde Está Wally” involuntariamente.

Elas são desse jeito porque dificilmente as ilustrações para fins publicitários são assinados, a não ser que seja por motivo autoral. Como a tiragem dessas toalhinhas chegam a 12 milhões por mês, eu queria colocar alguma coisa autoral sem ficar evidente. Então ela fazia parte da própria ilustração, integrada direitinho como um bicho-pau dormindo num graveto de bambú. Coisas de ego.

Mas é nome, não assinatura. A assinatura é constante, não muda o “shape” de obra pra obra. O legal é o lado mutante do nome, uma hora é uma placa de carro, outra são rachaduras, outra são plaquinhas, e assim vai.

A idéia, é claro, veio do Al Hirschfeld e da sua assinatura. Ele também é famoso por colocar sempre uma “Nina” escondida em seus desenhos, muito, mas muito bem camuflada e constante, sempre igual e feito com traços finos como cabelo de fada. Sem querer ter a tola pretensão de ser como ele, é obvio. Mas como os americanos dizem, é um “copycat”, bastante útil. Já houve um caso onde um sujeito usou minhas ilustrações pra fazer um anúncio de jornal de bairro e só fiz consegui fazer o cara baixar a cabeça quando mostrei meu nome escondido dentro do desenho que ele usou.
Existe até uma lenda urbana que diz que a Força Aérea americana usa as ilustrações de Hirschfeld para os pilotos procurarem “Nina” pra aguçarem a capacidade de buscar um alvo visualmente.

Aí já virou uma brincadeira dos dois lados. Do meu, de quebrar a cabeça pra esconder meu nome e em seguida do pessoal que procura enquanto derruba maionese em cima dos meus desenhos. E assim se passa o tempo dentro da lanchonete, o que se torna uma diversão perfeita para comedores solitários ou casais que vivem apostando entre si.
Existem algumas lâminas de bandeja que eu não coloco meu nome, porque não concordo com o tema ou da maneira que ela foi proposta e criada, e o resultado final não me agradou. Como no cinema, diretores que não querem que seu nome apareça nos créditos pode usar o nome genérico “Alan Smithee”.


Alguma vezes o nome está bem visível, em outras quase vira uma mensagem subliminar, de tão escondida.
Aliás, tem muita gente que realmente acha que Hiro não existe, é alguma coisa subliminar que deve estimular comprar mais milk-shake ou enfiar o Cheddar na cabeça pra nunca mais sair, inventada pelos americanos, pois não acreditam que elas sejam feitas aqui no Brasil. Tem gente que vê o que quer ver, parece um teste de Rorschach colorido.
Afinal, se tem gente que vê a Virgem Maria numa forma de bolo, porque não veriam um plano pra conquistar a Amazônia nas toalhinhas de bandeja?

Pequenas exempli gratia de como o nome fica em alguns desenhos:


Essa tá tão escondida que pode provocar uma lesão na córnea.


Tem vezes que o nome tá tão pequeno que vira uma sujeirinha.


Ou tão minúscula que vira leitura de mosca.

Briga de rua

Se no site-blog Fist-a-Cuffs o duelo entre ilustrações ficava restrito ao campo virtual, o movimento Secret Wars é pau puro entre grafiteiros e ilustradores de vanguarda.

A idéia é o seguinte: vários grafiteiros (ou street art artists) degladiam-se entre si pra ver quem é o melhor, como um campeonato de luta livre, com chaves de classificação e tudo mais.
Foi criado por dois sujeitos chamados Monorex e John Burgerman’s Black Convoy. Começou como algo pequeno e foi ganhando dimensões cada vez maiores. No geral, é um belo conceito de marketing de guerrilha pra ganhar simpatia de adolescentes ligados em hip-hop e grafites, pois o projeto é todo financiado por firmas bem parrudas, como Ecko Ltd.

São campeonatos que levam dias e dias pra terminar, sempre em lugares que são definidos na última hora.

Tudo isso por 500 libras, mais uma cesta básica para um humilde grafiteiro e um contrato de trabalho.

Se você é daqueles que acha que grafite é coisa de desocupado e só Mona Lisa é arte, talvez mude de idéia vendo o trabalho desse sujeito, WK Interact.



O conceito de street art dele é um pouco diferente, mas deve agradar mais porque tem uma linguagem mais fácil de ser entendida. Tão fácil que ele faz esse tipo de trabalho para clientes como Adidas, Nokia e outras empresas ligadas como o público adolescente. Aí já muda de figura, e a coisa já pode ser encarada como ilustração.

Ossos do ofício

Voltando à programação normal depois de uma overdose de carne e guache no final de semana, volto com minha veia mórbida misturada com arte e ilustração.

O russo Yuri Shpakovski foi cachorro na vida passada, ou operador de raio-X, pois tem uma fixação por ossos.

Por exemplo, esse até parece o raio-X do menino-caracol do mangá Uzumaki, um gibi tão sem pé nem cabeça e com diálogos tão medonhos que é até divertido, involuntariamente (apesar de ser uma história de “terror”).

Em primeira instância, ninguém gosta de ver raio-X a não ser que esteja com boa saúde. Qualquer coisa fora do normal na radiografia pode significar que o fim está próximo, então nesse ponto a ignorância vira bênção. Tinha uma empregada no meu trabalho que tinha pavor de esqueleto, e se recusava a acreditar que embaixo das bochechas tinha uma caveira dentro dela. “Isso é coisa do diabo”, dizia ela fazendo o sinal da cruz.
Também tinha um jardineiro, o seu Tetê, que duvidava que o homem tinha ido à Lua.

Curioso e mórbido, e tem lá sua beleza anoréxica.

Ainda falando de ossos, a Samanta “Cornflake” Floor, colaborou com esse “missing link”. Eu já tinha visto há muito tempo atrás, mas nem imaginava qual seria o endereço do site.

Imagine se você tivesse que desenterrar o Pikachu pra fazer uma autópsia dois anos depois dele ter morrido de curto-circuito. Ou, numa versão menos glamourosa, imagine você desenterrar o Pikachu de dentro de uma caixa de sapatos pra fazer uma piscina. Michael Paulus faz isso com uma pá de personagens meigos em decomposição.

Quando minhas tartarugas, periquitos ou peixes morriam, eu tinha essa coisa funesta de enterrá-los e depois de um ou dois anos revirar a terra pra ver o esqueleto. Na faculdade de Biologia eu montei um esqueleto de morcego e um pelicano, foi bem divertido.

Afinal, se cartoons fossem de carne-e-osso, eles teriam a mesma doença do Homem-Elefante, a Síndrome de Proteus. Tem gente que diz que ele tinha na verdade uma outra doença, chamada neurofibromatose. Mas elefantíase ele não tinha mesmo, é falsa relação com o nome do infeliz.

Não dá pra imaginar a Lindinha cheirando carniça.

É por isso que quando eu for desta pra melhor, quero ser cremado e virar 240 lápis.

Workshop do Benício

Pois bem, o final de semana acabou e ainda estou em estado de graça.

Terminei o Workshop do Benício. A sensação que dá é de querer se matar pra reencarnar e começar tudo de novo, só que da maneira correta. A sensação do Rosso foi de que colocaram um balde na cabeça dele e ficaram batendo sem parar, pra acordar e sair de lá zonzo.

Já falei bastante sobre o Benício, mas nunca é demais.
Ele é uma lenda viva da ilustração brasileira, um monstro talentoso e uma pessoa encantadora. É uma pessoa feita de açúcar e guache.

Ele é a definição in persona da palavra “Mestre”. Segundo a filosofia oriental chinesa, um mestre deve inspirar só pela sua presença, e cada movimento que ele faz é seguido de admiração. Ele se torna referência porque está numa posição superior. Mas ele não é arrogante, mas humilde. É a própria definição do Benício, com o adendo de que ele está sempre sorrindo!

Em primeiro lugar, nada disso teria acontecido se não fosse a iniciativa da Cris Alencar , que teve sangue-frio de convidar o Benício do nada pra fazer um workshop aqui em São Paulo (ele é do Rio), o qual ele aceitou com toda simpatia, e do pessoal da escola Riguardare, que cedeu o espaço.

Observar Benício se preparando para ilustrar gera uma expectativa idêntica à do mágico que faz o grand finale do show ou de abrir aquele pacote de presente grande que você não faz a mínima idéia do que tem lá dentro. Como ele faz? Ele tem tique? Que cara que ele faz quando pinta? Como ele dá as pinceladas? Brrrr!!

E que surpresa, coisa de deixar a medula contorcida de agonia….tudo o que eu imaginava de como seria a maneira do Benício pintar estava a milhares de anos-luz errada! O método dele é simplesmente único! Esqueçam o que vocês leram e aprenderam sobre pintar com guache. Quer saber como é essa técnica? Digamos, tomando emprestado as palavras do Eduardo Schaal, que o Benício não pinta. Ele “renderiza” com guache! Pra saber mais, só fazendo o workshop com ele.

As suas mão são firmes, tem uma segurança que só alguém com sua experiência pode ter. Eu ficava imaginando “quero ver como ele soluciona cabelo”, “quero ver como ele resolve essa sombra”…e ele fazia de uma maneira que era como um tapa na cara de tão simples, mas uma simplicidade que leva anos para ser domada.

E essa é a grande lição que o Benício passou neste workshop. Não importa quantos anos você tenha como ilustrador, sempre vai ter o que aprender. Sempre vai ter que estudar, treinar, rabiscar 500.000 desenhos (que no meu caso são 5 milhões) pra fazer 1 que preste. Mas o mais importante, se sentir estimulado e feliz em fazer isso.

Foi isso o que aconteceu. São quase 4 da manhã e vim seco pra casa pra treinar a maneira que o Benício trabalha, e ainda tenho pique de continuar mais e mais…

Por isso, pra quem está começando e acha que nasceu com o dom de ilustrar e não precisa de aulas nem professor, repense nesse conceito quadrado, pois ter um professor te orientando só vai fazer seu dom e carreira crescer. Ter esse dom sem orientação não é superioridade, é burrice de quatro patas.

Não só eu, mas todos que estavam lá, inclusive o Rosso, o Spacca e o Baptistão, quem eu tive a honra de conhecer pessoalmente, além da Petra, que sempre escreve aqui no blog. Eles também são macacos velhos na profissão, mas garanto que se sentiram como crianças de 7 anos no jardim da infância ao verem Benício pintar.

Esse é o Spacca, fascinado como um inseto pela luz.

Outra coisa inesquecível é ouvir ele contar as histórias da vida dele. A maneira que ele começou, o tempo que ele tocou piano em novelas da época de ouro da rádio, os pitis das atrizes de pornochanchadas que faziam parte dos cartazes e meu deleite, como era a conversa com ele os Trapalhões pra fazer os cartazes. Me belisca que tô no céu.

Olha o estojo de guache dele! Uma lancheira dos Trapalhões! Que tuco!
Não querendo rotular o Benício, porque é até uma ofensa, porque ele é único, mas comparativamente ele é para o patrimônio artístico e cinematográfico do Brasil o que foi o Al Hirschfeld foi para os EUA. Os estilos são diferentes, mas a importância cultural é a mesma.
Ele é um tesouro que ilustra.

Fui um pouco emocional, mas me reservo o direito. Afinal, como disse antes, o Benício é meu ídolo desde criança. São tantas coisas que passaram por mim que não sei mais o que escrever aqui, porque não importa o que seja colocado aqui, sempre vai ser pouco pra tentar descrever esse tipo de experiência.

Acho que no final, tudo se resume a isso:

Tive a chance de ficar perto do Benício como pessoa e profissional, e foi inesquecível.

Esse foi o auge do meu momento tiete.

Bistecão Ilustrado de abril

Como é que pode, uma sexta-feira 13 ser um dia de tanta sorte?

Na última sexta aconteceu o novo Bistecão Ilustrado, o Búfalo d’Água dos ilustradores, dessa vez em homenagem ao Benício, já que ele veio pra São Paulo pra dar um workshop (que este ser fez e vai postar depois suas impressões e falta de ar).

Imagine a cena. Você chega no Sujinho, sobe as escadas e dá de cara com o pessoal e o mestre Benício com um lugar vago na frente dele. Sem eufemismos, as pernas ficaram um pouco bambas quando o vi. Dezenas de pôsteres dos Trapalhões e as fantasias que tive com as coxas da Sônia Braga quando moleque passaram pela minha frente. E eu fiquei com 10 anos de idade ao cumprimentá-lo. Mestre é pouco.

E logo em seguida os ilustradores começaram a chegar, aos montes. Em pouco tempo o segundo andar do Sujinho estava lotado como um vagão de metrô na Zona Leste. A maior concentração de talento por metro quadrado.

Não chegamos a 300, mas lutamos por um espaço como espartanos. Só não comemos como um.

Se na primeira vez eu sequei as córneas com a efeméride de estrelas na minha frente, dessa vez foi um tira-teima pra ver se não era coisa deslumbre de iniciante. Pelo contrário, não só confirmou as saudáveis sensações que tive na primeira vez como foi melhor!

Pra este ser que vos digita, que sempre foi anti-social como um besouro rola-bosta, a capacidade de interagir e fazer amigos em pouco tempo foi uma conquista pessoal.

Reparem que o número de canetinhas é maior do que garfos e facas.

Dessa vez ilustrei vários e vários cadernos, e também ilustraram o meu. Foi como um ritual de iniciação, algo como a “Sociedade dos Poetas Mortos” só que com ilustradores. Definitivamente me senti integrado na classe dos dibujantes. Esse calor humano e da grelha da cozinha me fez esquecer os traumas da época em que era 100% publicitário.

E o mestre Benício rodando em volta das mesas, conversando humildemente com todos é uma cena que você não vai esquecer jamais. E ele tem um pique, não vi uma única vez que ele não estava sorrindo! Que fofo, dava vontade de dobrar e levar pra casa!

Montalvo e Benício sorteando os pratos para poucos felizardos.
Foi uma daquelas noites que você vai contar pros seus netos, ou mesmo pra um estranho no banco do metrô.

Dessa vez conheci o Hector Gomez Aloisio, que sentou ao meu lado e ficamos comentando sobre o meu blog e conheci um pessoal que veio também de Minas Gerais só pro Bistecão. Tive a honra de conhecer o Julião, que veio de Fortaleza com a mulher estourando pra ter o nenê (ele ia sair do Sujinho direto pro aeroporto) e também fiquei sabendo de um ilustrador que iria se casar de manhã e estava lá, marcando presença naquele mundão de cadernos e ossos. Olhando o exemplo desses dois, não existe desculpa pra um ilustrador ou desenhista paulistano não frequentar o Bistecão.

Montalvo disse que lá é a Disneyworld dos publicitários, mas acho que está mais pra uma mistura de Museu do Louvre com Oktoberfest. Afinal onde mais você encontra um sarau de ilustradores, onde todo mundo desenha no caderno de todo mundo, o traço corre solto entre as mesas e a inspiração chega junto com a cerveja e as bistecas do tamanho de uma pata de elefante?

Eu brinco aqui com as palavras, mas é uma tentativa inútil e às vezes frustrante de metaforizar o quanto me sinto bem de saber que estou no caminho certo, profissional e pessoal, pois apesar da ilustração ser uma profissão solitária, não significa que você tem que estar sozinho. Aposto cem reais que não sou o único que pensa desse jeito.

Ali você ganha estímulo e se sente renovado pra seguir em frente nessa carreira que pede sangue e tinta, para quem sabe, ficar igual ao Benício e ser um formidável ilustrador feliz e resolvido de cabelos brancos.


Rogério Vilella observando minunciosamente um mestre em ação.


Madame Kako Butterfly com o instrumento de correção de colégios católicos ilustrado pelo Benício.Eles vão ser sorteados no próximo Bistecão pra quem estiver lá em corpo e alma.


Kako deve ter sido um abade ilustrador de livros com iluminuras na vida passada.


Leo Gibran fazendo o que sabe fazer de melhor.

Santa Onomatopéia, Batman!

Quando era criança, eu descia do ônibus da escola desembestado, como um mexicano ilegal que atravessa a fronteira americana, só pra chegar em tempo pra assistir Super-Dínamo, Fantomas e Ultraman. E também adorava ver o Batman barrigudo com a Mulher Gata que tinha um traseiro maravilhoso. Na verdade, eu SÓ assistia o Batman pra ver o traseiro dela, era melhor do que o “Sala Especial” que passava na Record. Ficava acordado de madrugada, com a TV baixinha pra não acordar os pais só pra ver dois minutos de peito e um minuto de bunda.

E não é que um argentino saudosista tem uma idéia daquelas que você pensa “por que não pensei nisso antes”?

Ele teve a paciência de colecionar todas as onomatopéias do seriado. Todos os “Bang!” “Pow!” e “Zungg!” que estouravam na tela da TV Telefunken como espirro de um viciado em ácido. Hoje serve como referência de tipologia alucinógena. Clique aqui pra ver a coleção de gemidos e gruhidos em estilo “flower power”, aqui mais flower do que power. Nada de Arial nem Helvética, o negócio aqui é de arrepiar as sombrancelhas.



Como é que a gente gostava disso? Só dublando hoje com muito palavrão pra conseguir ver de novo. Hoje é só saudade de uma época em que a nossa única preocupação era estudar e fugir das aulas de educação física.

Por fim, mando essa em homenagem ao Marcelo Lourenço, vulgo Tom Stines, que tem uma fixação homoerótica no Homem-Morcego:

Movido a hamster

Ferramenta indispensável para desenhistas solitários em crise criativa, fresquinha do Neatorama.

Se você não tem nenhum amigo, compre um hamster pra te fazer companhia e uma gaiola que é um picotador de papel ao mesmo tempo. O bicho paga o aluguel e a comida girando a roda pra fragmentar aqueles desenhos que iam pro lixo de qualquer maneira, ao mesmo tempo que viram uma cama quentinha pro roedor gracioso.

Agora só falta inventarem uma utilidade pro peixe de briga e pro periquito.

Segunda sessão

O filminho supermeigo da Carina, da Fundação Telefônica, feito com a ajuda desta entidade que vos digita, voltou a ser veiculada há uma semana.

Aqui tá o post onde tem o pseudo passo-a-passo desse trabalho.

Esse é um dos trabalhos que deixa a gente com um sorriso de cachorro satisfeito.

Galeria Nucleus

Fuçando o site da Brianne Drouhard, descobri uma galeria na Califórnia onde ela vende suas artes originais e prints pra qualquer vivente, como dizem os gaúchos. O lugar se chama Gallery Nucleus, uma galeria de arte só de ilustrações, o que achei uma bela duma sacada (imagino que muitos ilustradores brazucas já devem conhecer esse lugar).

Por que a gente não tem um lugar desses no Brasil? Podia ser só um site mesmo, mas que vendesse apenas originais e prints de ilustradores brasileiros. Muita gente estaria interessada em comprar esse tipo de arte (sim, ilustração é arte sim, pois se uma fatia de salsichão é arte porque uma ilustração do Gilberto Marchi ou do Benício não seria?). Imagine comprar uma gravura original da Fernanda Guedes ou um sketch do Orlando ou do Gustavo Duarte? Seria uma maneira de ganhar um dinheirinho, mas principalmente, de difundir o trabalho do pessoal entre o público em geral, e não apenas entre editoras e agências de design e publicidade.

Arrepiei quando vi essa foto, eles fizeram uma vernissagem com as páginas ilustradas da revista Flight, que é uma pérola em quadrinhos (são quadrinhos feitos por ilustradores que não são da área de quadrinhos, e o resultado é muuito legal, consegui encontrar os 3 volumes em Barcelona).

Também vendem livros, que alguns você encontra aqui no Brasil fácil, fácil, mas tem outras raridades também, além de brinquedos e outras tranqueiras.

Eles aceitam encomendas de fora e enviam por correio. O horror, o horror.

Esses foram os prints que a fada Visa vai trazer pra mim daqui a algumas semanas:
Ilustração de Kazuo Kibushi, que é uma das capas da revista Flight.

Ilustração de Wakako Katayama, liiindo.

Ilustração de Chris Appelhans, também meigo e lindo.

Essa é da Brianne Drouhard

Essa é minha preferida, do Ronnie del Carmen. Fiquei surpreso que ele também vende seus trabalhos lá, pois sou um fã da Nina, personagem que ele criou e só existe em dois livros chamados “Paper Biscuit”.

Todos são prints autografados e numerados que vão de 40 a 60 dólares, os originais custam os olhos da cara, de 500 a 4 mil dólares. Tem um original da Audrey Kawasaki, que é uma ilustradora que pinta ninfas em óleo ralo sobre madeira que fiquei namorando um tempão, ainda bem que ele já havia sido vendido, pois ele custa 900 doletas, e eu não tô com essa verba toda.

O difícil é escolher, são centenas de ilustrações e obras de arte. Mas tem que se conter, senão a conta bancária vai pro saco, e você fica com a parede cheia de obras e arte, mas almoçando biscoito e jantando pipoca com água.

Dica

Há anos eu compro coisas pela internet usando um cartão de crédito virtual. O Itaú tem esse produto, acredito que outros bancos também o tenham. É um cartão de crédito que só existe virtualmente, com um limite bem baixo, pois caso aconteça alguma fraude é facílimo de cancelar, além de não cair na tentação de comprar um Mac Pro de 3 mil dólares. Assinaturas de revistas, pagamento de mensalidades de hospedagem de sites, livros da Amazon, sites pornôs, tudo dá pra fazer através dele. Ô coisa boa que inventaram!

Bistecão Pintado

Desculpe pelo trocadilho do título, nesse caso é irresistível.

As pinturas de carne crua de Victoria Reynolds são pra chocar, principalmente vegetarianos e vegans (mas, como diz o pai da Dharma, se não é pra comê-los então por que Deus os fez tão gostosos?).

Só de olhar já sinto minhas artérias entupirem.

Você penduraria dois quilos de contra filé na parede?

E não pensem que é coisa de amador. Cada pintura custa na faixa dos US$4.000. Perfeito pra colocar na parede do Sujinho.

Agora, quem é que gasta 4 mil doletas numa fatia gigante de salsichão com pimentão (que vai bem com uma rodela de limão e uma fatia de pão) pra colocar na parede?

Comprando 3 reais de presunto na padaria você consegue um quadrinho pra colocar no banheiro e ainda sobra pra fazer o lanche da tarde.

Mais Benício

Uma das melhores coisas de fazer parte dos fóruns da SIB e do Ilustrasite é receber ilustrações fresquinhas de feras com penas de desenho no lugar das unhas, entre eles Kako e Benício.
E por acaso, ontem recebemos um fantástico antes-e-depois do mestre Benício. Ele deve ter guache nas veias.

Se alguém disser que não é supercalifragiliexpialidoso leva porrada.
Eu daria minha mão esquerda, que não serve pra muita coisa mesmo, só pra conseguir fazer esse cabelo.

Porém, posso me considerar um homem feliz, pelo menos este mês, pois numa tacada só vou poder ficar do lado dele durante três dias, em duas oportunidades diferentes, no novo Bistecão Ilustrado e no workshop que ele vai dar no Espaço Riguardare.

Imagina se eu perco essa chance de estar perto dele! Vai que ele esbarra em mim sem querer e passa um pouco do talento por osmose?

Pode me chamar de deslumbrado, porque sou mesmo quando o motivo é deslumbrante.

Um milhão é pouco

Os fins justificam os meios? Por exemplo, é válido te acordarem às 8 da manhã de sábado pra pedir doação pra criancinhas com câncer na clavícula? Posso roubar uma gravata da Dior se eu só tenho dinheiro pra comprar um da Luigi Bertoli e tenho uma reunião com o Justus à tarde? Posso me sentir feliz se eu comprar um carro que não preciso e que custa 60 mil por 45 mil e dizer orgulhoso pra minha mulher: “querida, economizamos 15 mil!”? Hummm.

Vejam esse caso:

O projeto “One Million Masterpiece“, ou “Um Milhão de Obras de Arte” é uma mistura de assistencialismo, ilustração, teoria do caos e marketing de guerrilha, até que bem inteligente.

Você se dá um “join” no site e faz uma ilustração quadrada para ser carregada num mosaico que mais parece uma tela de Game Boy quebrada. Pode desenhar qualquer coisa, uma letra “A” ou o decote da Monalisa. Nem precisa ser ilustrador (na verdade, a maioria não é, de acordo com os desenhos).

Depois que dar o upload da sua ilustração, ela vai ficar nesse mundinho, onde seus desenhos ficam do tamanho de bactérias:

Aumentando um pouco dá pra definir melhor as ilustrações.

A proposta é tornar seu “trabalho” visível para o mundo inteiro, ao mesmo passo que angaria fundos pra entidades com Childs Care e WWF. Mas eu pensava que esse dinheiro vinha de outras maneiras, mas pelo que vi, as doações vem de VOCÊ, que desenhou um quadradinho de graça e nem pediu nada pelos direitos autorais. Achava que era um projeto onde grandes empresas doavam uma grana em troca do seu quadradinho, mas não…o que era pra ser um Devianart para micróbios vira uma fonte de captação de renda vinda direto do autor, que coisa!

Se ainda eu desse meu quadradinho bonitinho pra caridade, ainda vá lá. Mas eu ter que tirar o dinheiro do bolso, nem que seja centavinhos, pôxa…

Com certeza isso nasceu a partir desse projeto que Alex Tew, um estudante americano criou, o “Million Dollar Home Page“. Isso sim foi uma sacada de marketing de guerrilha particular.

Ele vendeu cada pixel do seu site por um dólar para empresas que quisessem aparecer por lá dar um agrado no moleque. Eles fazem propaganda e o logotipo é clicável. Nesse golpe de mestre, o cara que era um durango ficou rico praticamente da noite para o dia. Sem usar trabalho de terceiros de graça ou pedindo dinheiro pra eles….

Já ouviram essa? “Olha, se você desenhar pra gente seu trabalho vai ficar exposto e você pode conseguir outros trabalhos”!