Hirschfeld, Alarcão e Montalvo
Na filosofia oriental, principalmente na taoísta, o conceito de “fazer o bem” não significa, como no Ocidente, ser proativo e estender a mão pra acolher um mendigo ou fazer uma boa ação. Simplesmente fazer o bem é não fazer o mal. Não fazendo o mal (como chutar cachorro na rua, destratar pessoas humildes, fabricar armas, lucrar com coisas ilícitas, essas coisas escritas com tinta mais escura) você faz uma boa ação, porque simplesmente alguém vai usar essa ação como exemplo e passar pra frente. Gente que você nunca viu e nem vai ver na sua vida, mas fez um bem pra ela. E que vai usar esse exemplo por inúmeros motivos. É o caso de pessoas que a gente usa como referência. De vida, de trabalho ou ambos.
Três pessoas fazem esse papel comigo. Elas me estimulam toda vez que eu fico meio pra baixo por causa de art buyers de quatro patas, diretores de arte caolhos, contratos que arranham ou agências que parecem navios pirata.
Um deles é americano e já morreu. Al Hirschfeld.

Hirschfeld deve ser referência de dezenas de outros ilustradores. A despeito do seu traço, o rei da linha me inspira simplesmente pelo que ele é, que é o que eu quero ser: um velhinho que desenha bem. E que vai morrer desenhando. Nunca conheci Hirchfeld, infelizmente, mas o bem que ele me faz quando penso no meu futuro como ilustrador e como gente quando as coisas ficam meio esfumaçadas é como seu avô dando um afago na cabeça pra dar ânimo e seguir em frente pra enfrentar a molecada do bairro.
A boa ação dele pra mim foi desenhar e ficar velho com uma dignidade tocante.
O segundo é um carioca vivinho da silva Continue lendo 'Hirschfeld, Alarcão e Montalvo'»
































