A reencarnação de um ilustrador

Ilustradores! Vocês pensam que ao morrer poderão descansar de fazer ilustrações e ficarem até tarde da madrugada rabiscando freneticamente? Vocês poderão ter o privilégio de continuarem trabalhando mesmo depois de mortos com essa idéia:

Olhem pra esse lápis.

Ele já foi uma pessoa!!

Ele foi cremado e suas cinzas se tansformaram no grafite!!
Segundo a criadora do projeto, a artista plástica Nardine Jarvis, dá pra fazer 240 lápis com as cinzas de uma pessoa!
Não é o máximo?
Você morre, é cremado, e ainda pode ser vendido como recordação, ou sua mulher pode dar você como lápis para aquele cliente ranzinza! Ou você como lápis pode virar uma belíssima ilustração na mão de outro ilustrador! Com 240 lápis, você tem chances de virar apoio pra uma plantinha meio capenga, ou acabar esquecido numa caixa registradora vagabunda de uma padaria sebenta. As possibilidades são infinitas!

Eu quero virar um lápis grafite 6B porque já fui muito duro em minha vida. E dêem um lápis meu pra Ana Hickmann ou pra Fernanda Lima, vai que elas sejam uma dessas que tem mania de morder ponta de lápis…nham!

Numa época onde todo mundo precisa de consciência ecológica, isso é o cúmulo da reciclagem!

O projeto de Nardine Jarvis é justamente como reutilizar as cinzas de cremação, sabiamente chamado “Projeto Post Morten”.

Agora, se você não gostou de ser um lápis, você pode ser uma….casinha de passarinho! Também feito de cinzas.

Se seu karma for pesado, só vai ter corvo pousando nele.

Momento Hiro

Recebi o registro do logotipo do meu estúdio, pra fazer um pouco de propaganda de moi.

Tirei o logo da representação gráfica do átomo de hidrogênio. Um elétron, o elemento mais simples da natureza, que se liga a quase tudo. E quem leu Watchmen vai se lembrar da cena em que Dr. Manhattan marca esse símbolo em sua testa. Nas suas palavras, “já que tenho que ter um simbolo, que seja um que eu respeito”.

Como sou taoísta, as cores preta e amarela simbolizam sabedoria pra fora e equilíbrio para dentro. Virtudes extremamente úteis pra quem é ilustrador e autônomo.

E como numa tigela de Musli, esse logo tem todas as letras do meu nome escondido.

Tudo bem, esse “R” foi meio forçada de barra.

Bichinhos de papel

Pra turma da cola e tesourinha e que gosta de animais, dêem uma visita no Ichiyama’s Paper Cards pra baixar uma tartaruga e uma lagartixa pra montar.

Mas para aquelas moçoilas que acham que lagartixa não é bicho, portanto não há problemas em eliminá-los da face da terra, tem também um passarinho cuti-cuti pra montar.

E para aqueles que não se contentam com animais de verdade, mas precisam de algo mais substancioso, no site da Canon tem esse dragão e muitos outros bichos pra montar.

Aliás, é interessante que no Japão e EUA é comum você encontrar dentro dos sites de grandes impressoras páginas e páginas para você fazer download, imprimir, recortar e montar.
Assim você gasta seus caríssimos cartuchos em coisas que você se arrepende depois. Bela estratégia.

A incrível e estática família Fuccon

Mais uma do Japão, sempre eles…

Há um ano comprei um DVD no site J-List no escuro, só por causa da resenha e do visual. E acertei em cheio.

Imagine essa mistura: A técnica de animação dos antigos desenhos do Homem de Ferro e Capitão América, onde eles “animavam” as ilustrações dos quadrinhos com os personagens estáticos, com o visual dos Thunderbirds, mais o clima de “Desperate Housewives” e diálogos com a velocidade de “Gilmore Girls”.

Isso dá uma série de (animação? não-animação? não sei definir) chamada “Oh Mikey – The Fuccon Family”.

É uma idéia genialmente bizarra, dignas de passarem no Adult Swim do Cartoon Network. Mas é bom, você fica dando risada sem querer, o que é um bom sinal. Mas é aquele tipo de show que você ama ou odeia, exponencialmente.

Conta a história de uma família de manequins americanos que se mudam para o Japão por causa do emprego do pai. Lá eles tem que se adaptar com a cultura japonesa, tanto Mikey, que é o filho marionete do casal,para os pais eternamente sorridentes.


Os episódios são os manequins em cenários, sem movimento algum, com um diálogo ácido correndo solto (nosso filho foi sequestrado, o que faremos? Faremos outro filho, oras).

No Youtube tem uma palhinha deles e veja se não tô exagerando (risadas pela volta do filho desmembrado, o que pode ser mais negro do que isso?)

Como fazer fogo com chocolate e Coca-Cola

Vamos supor que um dia um amigo ilustrador vá passear no meio da mata Atlântica e se perca em pânico e desespero feito o trio da Bruxa de Blair.

Com certeza ele estará levando na sua mochilinha um iPod, um caderninho de sketches e um lápis ou caneta, mas com certeza nenhum fósforo. (supondo que ele tenha uma vida saudável e não fume). Como fazer um fogo para aquecê-lo numa noite fria enquanto o socorro não vem?

Se ele for tranqueira como a maioria, deve ter uma barra de chocolate e uma lata de Coca-Cola. Presto, é o suficiente pra fazer fogo, digno do McGuyver (ou será Magáiver)?

Tirei esse coelho da cartola desse site há algum tempo atrás, quando queria fazer uma toalhinha de bandeja de dicas de sobrevivência na selva. Não rolou e ela ficou vagando no limbo.

All you need is love and a chocolate bar and a soda can…

Aí você vai gastar seu precioso chocolate na parte de baixo da lata e lustrar como se fosse o sapato do patrão….

Até ele ficar brilhoso como um espelho.

Não sei se funciona, mas toda vez que pensei em testar isso, o Toblerone vai goela abaixo mesmo, por dó de desperdiçar chocolate.

Aí você pega a superfície côncava espelhada da lata e concentra os raios solares pra queimar papel ou graminha seca.

Faça isso num momento de privação e irá ganhar o respeito dos amigos pra todo o sempre.

Novos Herculóides

Óia que idéia legal.

Isso não é oficial, é uma viagem na maionese do rapaz.

James Groman sentiu saudades da turma do Glipt, Glupt (que pareciam os Barbapapas albinos) e Igor, o Homem de Pedra, que mais se parece com um macaco, além de Zandor e sua família Robinson do espaço e fez um remake a partir dos originais criados pelo mestre Alex Toth.

O resultado é mais criativo e inovador do que necessariamente bacana (já que ele mudou podia radicalizar um pouco mais nos bichos), mas já que ele não o fez, fica aqui a deixa pra alguém fazer.

Se já fizeram um remake do Homem-Pássaro que transa com o pessoal do Galaxy Trio, porque não fazem um dos Herculóides?

Brianne Drouhard

Um dos motivos que estou colocando um post sobre Brianne Drouhard é porque essa menina tem um humor refinado e um traço genial.

Eu comprei seu livro de sketches, chamado Banana Cats na livraria de Stuart Ng, nos EUA. E que surpresa, ele veio autografado com uma pequenina dedicatória. Muito meigo. Só isso já vale uma menção aqui.

O traço de Brianne puxa um pouco pro mangá, mas tem seu toque pessoal, o que não torna uma ilustração plástica e docemente diabeticamente oriental.

As sereias e fadinhas que ela faz são um arraso.

E ela é nerd. Assumida. Adora os moogles de Final Fantasy.

Vale a pena dar uma lida no seu blog. Ela tem um humor bem peculiar, faz parte do meu time, daquelas que conseguem ver poesia em cocô de cachorro.

Ela também fez alguns personagens dos Teen Titans, esse sim com um estilo mais mangá com todos aqueles cacoetes exagerados e desnecessários.

O trabalho que ela fez em “Uma Robô Adolescente” é mais original.

Nova toalhinha

Acabou de entrar nas lojas a nova toalhinha de bandeja do McDonald’s.
Não é um tema muito interessante pra uma lâmina, é bem institucional, sobre o Instituto Ronald McDonald. Mas tem um fundo assistencial que a torna digna de ser feita, de certa forma é por uma boa causa.
Por inúmeros motivos, essa lâmina foi o maior stress pra ser feita.

Originalmente, eu queria passar esse trabalho pra Patricia Lima. Como disse anteriormente, estava tão certo de que a idéia iria ser aprovada com estouro de champanhe que levei um baque na testa quando reprovaram a idéia.

O layout original era esse.

Com a mão da Patricia Lima nisso iria arrasar quarteirões e corações.

Mas como não rolou, tive que refazer esse trabalho em praticamente 1 dia. É um recorde infeliz, pois odeio fazer as coisas correndo. É nessas horas que a gente realmente se sente uma maquininha de desenhar.

Mea culpa, reconheço.

Tubarão Filé

É post off-topic, não tem nada a ver com ilustração, mas esse tipo de foto me dá vontade de ser vegan e só ficar na saladinha.

Precisa fatiar um animal magnífico desses pra comer (mais de 20 metros de comprimento e dócil como um carneiro)? As vacas que temos não dão pro gasto?
Só de olhar pro tamanho da serra dá pra ver que não é a primeira vez que isso acontece.

Azar pra quem come. Carne de tubarão tem alta concentração de mercúrio.

Com quantas letras se faz uma mulher

Se o Bembos Zoo é uma experiência tipográfica dirigida para crianças, o calendário criado por Taylor Lane é uma experiência tipográfica dirigida para marmanjos.

Afinal, não é todo dia que se vê pin-ups feitas com Garamond, Arial ou pela ordinária Helvetica.

Apesar de todo o esforço, ainda acho mais simpático a tipologia do Bembos Zoo e as pin-ups do Benício ou do Gil Elvgreen.


Têm mais consistência, se é que me entendem…

Tarô Kitty

A criatividade dos empresários alternativos, vulgo piratas, é maior do que os melhores publicitários das grandes agências. Que também é proporcionalmente inversa à qualidade dos seus produtos. Freqüentadores da Galeria Pagé que o digam.

O que acontece quando se misturam Esoterismo com uma das maiores propriedades de licenciamento infantil que existem?

Fácil, Tarô Kitty. O tarô para meninas que falam com o coração (é por isso que Hello Kitty não tem boca, ao contrário da malfeita animação que passa na TV).

O pessoal da Sanrio, proprietária dos direitos da Hello Kitty e do Chococat devem se torcer de agonia atrás das mesas. Nem a pau que esse produto é licenciado oficial.

E ainda devem ser para colorir. Que lindinho, pintar com crayon a carta da Morte ou a carta do Louco com o sapinho Keropi.

Hello Kitty vende que nem gasolina em véspera de feriado.

Quando saiu essa promoção do McLanche Feliz da Hello Kitty (fui ieu quem criou as caixinhas), ela esgotou em 5 dias. Calculávamos 15 ou 20 dias.

Amargamente lembro que a gente teve que sair em desembalada carreira pra criar uma nova caixinha pra tapar o buraco. Nem eu consegui os brindes pra levar pra casa.

Fortaleza da Solidão Mexicana

A Fortaleza da Solidão – aquele lugar meio brega, gigante, cristalizado e gelado onde o Super-Homem vai chorar as pitangas e chupar o dedão quando entra em crise – existe e fica no México.

É a maior caverna de cristal do mundo, que fica ironicamente na cidade de Chihuahua, ao norte do México.


Tem mais fotos pra fazer qualquer socialite chorar de estragar o rímel de tanto desejo (ou de esotéricos que encontraram sua Meca) no site oficial.

Aproveitando o gancho sobre “Superman”, achei esse vídeo no Youtube:

Ganhou do famigerado e ultra-tosco filminho do Daileon.

É um filminho feito na Índia, onde Super-Homem com cara de Govinda e uma Mulher-Aranha rebolam mais do que a banda Calypso, enfrentam bandidos com qualidade de Hong Kong e…sei lá, são tantas coisas misturadas que nem dá pra escrever, é um X-Tudo feito em carroça no meio do parque.

Tem gente que gosta.

Plug-ins de Illustrator poderosos

Quem é micreiro ama um plug-in de Photoshop. A comodidade cria botões instantâneos que fazem efeitos de fogo, pêlos e até mesmo um Automatic 3-D Modelator Simulator, vulgo Alien Skin ou Eye Candy. Esses filtros são como bacon frito, tem que usar com moderação. No geral, sempre dão uma aparência plástica e artificial no trabalho feito em Photoshop, o que não me faz um fã desse tipo de plug-in.

Agora em relação a plug-ins de Illustrator, tem dois que valem cada centavo gasto neles. Afinal, cartão de crédito virtual não serve só pra assinar site pornô, tem suas utilidades práticas.

Eu uso esses dois plug-ins há algum tempo, mas só no mês passado comprei as novas versões para Adobe CS:

X-Tream Path é um plug-in que adiciona uns 20 novos recursos no menu de trabalho e depois que você instala vê como é doce a sensação de simplificar a vida, nem que seja só em trabalhos feitos em Illustrator.

Esse plug-in permite que você edite qualquer path sem necessidade de acrescentar pontos, usar ferramentas adicionais para deixar as pontas redondas entre outros recursos. Todo o processo de manipulação de vetores vira intuitivo. Eu recomendo.

Esse outro é o Filterit. Ele cria formas e arranjos usando vetores simples, como galáxias, fractais e outras coisas bacanas e que demoram (um pouco) se tiverem que ser feitas na munheca, como esses exemplos (o primeiro foi feito só com uma estrelinha e o outro só com uma bolinha, o plug-in fez o resto):


Mas o mais legal do Filterit são as ferramentas de distorção. São como o “Envelop Distort” que já existe no Illustrator, mas melhorados à beça e com opções a dar com o rodo. Dão também cerca de 30 novos recursos para o Illustrator, ficando fácil fazer coisas como imagens em perspectiva, simulações de lente de aumento, fitas e outras coisas mais mundanas. E diferente dos plug-ins de Photoshop, esses dependem da mão e do talento de quem estiver manipulando.

Os dois custam na faixa dos U$130,00 e são encontrados no site oficial da Filterit.

Dá pra baixar um demo de 30 dias, mas se você é um heavy user de Illustrator, vai arranhar o rosto de arrependimento por não ter encontrado esses plug-ins antes.

Como ser feliz na Coréia do Norte

Não dá, não enquanto um sujeito com esse cabelo (e com o que tiver debaixo dele) continuar se achando o queridíssimo amabilíssimo poderosíssimo e belo líder da nação.


Como prova que cabeça de tirano comunista é tudo igual, é só comparar os pôsteres anti-USA norte-coreanos com os pôsteres da Revolução Cultural da China. Com a diferença que não tem o acabamento de matar dos chineses. Mas o ranço é o mesmo.



Ainda vamos ter as versões made in Venezuela desses pôsteres (também tem a Bolívia, mas do jeito que a coisa funciona lá, é capaz de serem os mesmos cartazes do Hugo Chavez).

Numa nação paupérrima onde o governo gasta a maior parte do seu orçamento em questões militares e o resto em xampú e condicionador vagabundo, só quem é soldado é quem pode ter uma perspectiva de vida melhor do que o resto da população. Pulem de alegria, companheiros de armas!

Para aqueles que acham que a coisa não é tão ruim assim e que dá pra ser feliz sim vivendo na Coréia do Norte, então essa camiseta foi feita pra você:

Plantanimais (e um tributo a Margareth Mee)

Alguns amigos meus da faculdade de Biologia me enviaram esse vídeo do Youtube. É uma interessante viagem na maionese de plantas com estruturas animais e metálicas. Lembra um pouco o conceito de “After Man” com enfoque botânico.

Um incentivinho pra estimular a criatividade. Mas nada melhor do que a própria natureza. Garanto que se você cortar um botão de flor na transversal, vai encontrar tanta inspiração quanto esse filminho, com a vantagem de ser real.

A gente fala muito de ilustrações pro mercado editorial, pra propaganda, desenho de graça pra safado, desenho técnico pra montar móveis de casa, mas pouca gente conhece o mundo das ilustrações botânicas (e zoológicas também) acadêmicas. São ilustrações feitas por pessoas que possuem um mínimo de conhecimento de biologia (na maioria são biólogos ou ex-biólogos como eu, que se não tivesse esbarrado em certas pessoas estaria fazendo isso hoje). Em botânica existe um estudo de classificação de plantas (família, gênero e espécie) chamado Taxonomia. Por exemplo, quando você come um tomate, na verdade tá comendo uma solanácea, samambaia e avenca são pteridófitas que dão em serra. Pepino e melão são parentes, cucurbitáceas. Aprendi a reconhecer as plantas do jardim só de olhar pras flores graças ao Joly, que é um livro do tamanho de um baldinho que ensina a classificação das plantas brasileiras e era ítem obrigatório na faculdade.

E a classificação vegetal se dá pelo número de pétalas, desenho da folha, estruturas sexuais, coisas de fácil identificação externa, mas tem que ter paciência pra ficar contando e analisando estruturazinhas, não é coisa pra quem gosta de desenhar caminhão e robô gigante.

A ilustração botânica documenta esse tipo de estruturas, mostra a planta como um todo e ainda consegue ficar bonita! A maioria ilustra com nanquim, bico de pena e aquarela. É técnico, mas também é uma obra de arte.

E a maior dama desse tipo de arte é Margareth Mee. Nasceu na Inglaterra, se apaixonou pela natureza do Brasil e morreu em 1988.

Não dá vontade de enrolar num cobertor e levá-la pra casa?

Foi a maior aquarelista botânica da nossa época. Tive o prazer de conhecê-la (ou melhor, de vê-la, porque nem conversei com ela, só a vi à distância) quando ela foi visitar a editora Três, onde comecei a trabalhar. Era uma verdadeira lady, uma dama que vivia com um caderno de rascunhos e aquarelas. Falava mansinho, e carregava além do caderno, uma bolsinha com uns saquinhos de chás.

Pena que eu era moleque e demente, não aproveitei o que deveria daquele momento, já que eu só descobri a importância de Margareth Mee uns dois ou três anos depois.



Margareth Mee era como um Hirschfeld de saias, ilustrou até o final da vida com paixão. É o tipo de ilustração que a gente, que sempre trabalha de forma a agradar o cliente ou com um cálculo envolvido, não se encaixa. São aquelas ilustrações que duram centenas de anos e ainda continuam a arrepiar os cabelos.

Detalhe, sem computador, só na munheca.

Hoje existe uma fundação que leva seu nome. A Fundação Margareth Mee procura educar e formar ilustradores botânicos pra levar adiante o que seu trabalho.

De novo, tudo o que ela conseguiu fazer é de arrepiar os cabelos.

O caipira mais talentoso do mundo e o Kako mais talentoso do mundo

Há muito muito tempo atrás, exatamente há 12 anos, as primeiras toalhinhas de bandeja eram ilustradas pelo Adelmo Barreira. Eu só criava e desenvolvia o trabalho. Depois ele passou por um sabático, deu um tempo pra descansar e aí eu também comecei a desenhar, por pura necessidade e falta de prazos. Mas foi a providencial, porque se não fosse por isso, não teria retomado o gosto por ilustrar e de ser o que sou hoje. Foi por causa dele que larguei meu emprego como diretor de arte pra virar ilustrador e poder trabalhar de calção em casa.


Adelmo é um mutante que ilustra. É impressionante a velocidade que ele aprende técnicas novas e faz trabalhos complexos em pouco tempo. Eu lembro até hoje o dia em que ele foi na agência consultar a gente sobre quais computadores e equipamentos ele deveria comprar pra ilustrar, pois ele só fazia na munheca. Qual não foi a surpresa, uma semana depois de ter comprado o Macintosh ele entregou um display e uma toalhinha de bandeja 100% feitas no computador. Fiquei com medo desse caipira.

Essas raposas me deram pesadelo na época.
Ele mora em Bauru, no meio do verdão e das galinhas. Não são raras as vezes que eu converso pelo telefone com ele berrando e atirando coisas nas maritacas que pousam no fio telefônico interrompendo o download e upload de arquivos que ele manda pra São Paulo. Já aconteceu dele ter que apartar uma briga entre cachorro com um tatú que entrava dentro de caixões e comia defuntos no cemitério.

Ele é extremamente discreto, quase ninguém o conhece (a não ser gente do meio da propaganda), mas é ele quem faz os peixinhos da campanha da H20 ou as coisas psicodélicas da Claro.

Agora ele foi indicado para um prêmio chamado “Os Melhores do Mercado”, promovido pelo Clube de Criação de São Paulo, dando louros para os melhores fotógrafos, ilustradores, produtores e outros freelancers que trabalham no mercado publicitário. Nem sabia que existia esse prêmio, mas como ele mesmo diz, “meu fio, por essa eu num esperava!”

Adelmo já foi agraciado pela revista Archive, um mamute de rigor e talento do mercado publicitário mundial (olha só que poderoso título), numa edição especial chamada “200 Best Illustrators WorldWide”. Não é o mesmo que estar presente na Talento, onde qualquer um com dinheiro e cara de pau pode comprar um espaço . Nesse só fera entra. Gente como Brasílio Matsumoto, Gilberto Lefevre, Suppa e Paulo Speto.

Kako

O mais novo ilustre ilustrador a entrar nesse rol é o Kako.

Toda vez que recebo um “Em Progresso” dele no meu e-mail tenho a sensação de virar um macaco na frente de um Playstation. São os trabalhos em andamento que ele envia pro pessoal da SIB.
É a mesma sensação também de ver David Blaine levitar no ar. Você fica fascinado e louco pra descobrir como ele faz aquilo.

Dá uma olhada nisso aqui pra ver se não exagero:




Não conheço o Kako pessoalmente, mas ele me ajudou um bocado, ao lado do Spacca, em questões relacionadas sobre trabalhos feitos fora do Brasil. É gente boa virtual, pessoalmente deve ser mais ainda.

E além de ser talentoso, ele tem uma postura profissional incomum, briga e ensina quem precisa a respeito dessas questões faustianas de direitos e contratos. (meninos aprendam, ser ilustrador não é rolar no mel e sonhar com mangás, tem que mexer com o lado negro de vez em sempre).

Ele também coordena o já famoso Bistecão, encontro periódico de ilustradores em volta de um pedaço de carne. Deve ser legal misturar tinta com carvão de churrasco. O pessoal lá troca sketches autografados entre si. No próximo Bistecão eu saio da concha e vou participar. Quem sabe saio no lucro e ganho um rascunho autografado dele (ou de qualquer outro ilustre que estiver lá) e levo também uma sacola cheia de ossos pro meu cachorro, que também se chama Bisteca.

Jogue sua Sony no lixo

Numa época onde existem crianças que não acreditam que máquinas fotográficas usavam filme, nada como um artefato que lembre desses tempos de um passado não muito distante (tão pouco distante que há 12 anos atrás só rico tinha internet e celular do tamanho de sorvete de 2 litros, e ainda se achava bacana).

Entre no site da Linatree e descarregue uma magnífica old-fashioned máquina fotográfica feita de papel que fotografa de verdade, uia!

Pra quê pagar quase mil reais numa Sony em Camelot (vulgo Standcenter da Paulista, terra dos piratas do extremo oriente) se com uma folha de papelão e um alfinete você pode gravar seus momentos mágicos com sua mulher ou seu cachorro?


Aí você mostra pro seu sobrinho e fala que é mágica.

Engrish

A Petra me indicou um site só sobre Engrish – a maneira doída e impertinente que orientais escrevem em inglês.

Pode-se alegar que um japonês, chinês ou coreano que escreva errado em inglês possa ser ignorância – e é na maioria das vezes. Mas já vi erros crassos de inglês em avisos no prédio da Sony, no Japão, ou em capas de estepes de Suzuki Vitara, ou seja, erro de peixe grande.

A grande verdade é que orientais não possuem domínio fluente sobre caracteres romanos, a mente deles é formatada pra escrever e ler em ideogramas, acho que existe um nó na bainha de mielina dos neurônios deles que dão tilt de vez em quando.

Mas o problema não é só a ortografia ou a gramática que é punível, mas a construção das frases é a mais brega, melosa e enfadonha possível, coisa de redação de colegial.

Acho que eles devem pensar a mesma coisa de nós, que tatuamos ideogramas bizarros nas costas, vestimos camisetas achando que está escrito “amor” mas na verdade o ideograma é de “enfarte fulminante” ou compramos quadros de ideogramas escritos “Esquerda” pensando ser ideogramas de “Paz”.

Esse post é um complemento do post “Oookimochi” onde mostrava o bizarro mundo dos títulos pornôs japoneses.


Cebolinha falando “refresh”…

Almas que não estão à venda….

Tomar café pelado é um hábito secular, quequiéisso….

Esse proíbe masturbação em público…

Sem comentários.

Cafofos e muquifos de ilustradores (plus Fernanda Guedes)

Senhores, contemplem!

Saiu a “Revista Casa de Caras” dos publicitários. Vindo direto do BoingBoing, encontrei esse blog que é uma delícia: Quem não adora fuçar o muquifo dos outros ilustradores pra ver se a bagunça deles é maior do que a sua?

O blog se chama “On My Desk” e vários ilustradores mandam fotos de seus estúdios e/ou buracos de trabalho. Só não mando da minha boca-de-porco porque eu tenho camadas e camadas de papéis e livros sobre minha mesa, junto com post-its do ano passado e contas a pagar. Talvez uma camada de fungos e lodo que não consigo limpar debaixo da impressora, mas nada que um maçarico não resolva.

Esse estúdio é de um ilustrador chamado Bryan Biggs:

Esse é de Geoff Gibson (dá pra ver que eles chamaram a faxineira antes pra dar um trato)

Esse monstro de estúdio é de Jane Wynn (por que os estúdio das mulheres sempre parecem mais limpos e organizados?)

E esse daqui, olha que surpresa, é da brasileiríssima e maravilhosa Fernanda Guedes!

Realmente foi surpresa ver o estúdio dela no blog. Sou fã dessa mulher, o trabalho que ela faz é único, estiloso e maravilhoso. Além disso ela deve ser a ilustradora mais glamourosa por essas bandas, daquelas que você tem que fazer a barba e vestir uma camiseta limpa quando falar com ela por telefone.
Adorei também o blog dela com sketches.


Pois é, tem gente que nasce com charme desde o berço, um “it”, como La Guedes e minha esposa. Outros, como eu, nascem com pedras na cintura com porte do Quasímodo com cachorro São Bernardo.

Um milhão e meio de desenhos

Coincidentemente vi dois posts sobre ilustrações a granel. Esse foi no blog Drawn!:

Robert Shadbolt tem um projeto de fazer um milhão de desenhos para serem vendidos na internet. Um milhão! No próprio site ele já alega que não é dirigido para o mercado de ilustração, o que naturalmente o torna um artista.
Ou o cara é megalomaníaco ou ele é um desses savants, autistas com poderes especiais. Vejamos, se ele demora 10 minutos pra fazer um desenho, trabalhando 10 horas por dia, todos os dias, ele levaria 45 anos pra terminar esse projeto, sem descanso. Levando em conta que ele nasceu em 1960, ou seja, tem 47 anos, só com 102 ele iria conseguir fazer um milhão de desenhos.


Não querendo comentar nada sobre o estilo ou a qualidade do trabalho, mesmo temendo pela saúde de seus tendões e juntas, existe um gostinho amargo nesse tipo de projeto que é o de simplificar a ilustração, de parecer que é fácil demais ao ponto de conseguir fazer um milhão de desenhos. É o conceito da ilustração virar grão de feijão, que se compra por quilo e se dois ou três grãos caírem fora do saco nem são contabilizados como perda, fica pro rato.
É o tipo de argumento que faz o cliente querer pagar menos por um trabalho porque é “fácil” ou “tem mais de onde veio”. Não curti.
E isso porque ele já desenhou anteriormente uma série chamada “1000 Cats”:

E eu que achava um absurdo fazer 60 ilustrações numa toalhinha de bandeja.

E esse foi no BoingBoing:

John Hodgman quer fazer um angariar “parceiros ilustradores” para desenvolver um projeto chamado “700 desenhos”. Na verdade ele quer criar 700 categorias(700 piratas, 700 mutantes, e assim vai), com 700 desenhos cada um, o que dá 490.000 desenhos, menos do que nosso amigo acima e sem intenções de ficar rico, até porque nesse caso, ele não desenha, mas junta desenhos (tem um cheiro rançoso de criar um tipo de “stock” ou banco de imagens, mas pode ser só minha neurose de ilustrador solitário).
Esses são exemplos da categoria “700 coelhos” que por enquanto, só tem 2 desenhos:


Mesmo assim esse tipo de projeto também deixa o gosto ruim de banalizar a ilustração como algo vendido por quilo e que é tão comum como folhas de árvores.

O dia que esse tipo de conceito vingar, vou virar açougueiro e vender sebo pra passar em bola de capotão que saio ganhando.

O fim de um ilustrador

Há 9 anos eu vi uma cena que nunca esqueci, de tão doída.

Estava voltando do trabalho a pé pra casa, num dia frio de julho. Enquanto esperava pelo dono da banca arranjar troco, fiquei olhando um casal de mendigos bem velhinhos, com cachorros ao lado e um monte de sacos, sentados no banco da praça da frente. O senhor arrumava as tralhas enquanto a mulher dormia ao seu lado.
O velho desamarrou dois cobertores bem sujos e esfarrapados e ele cobriu a mulher com os dois, de maneira bem carinhosa. Aí quando ele terminou, ele deu um beijinho na testa dela. Aquela cena deixou meu peito pesado como um estepe de caminhão estivesse dormindo sobre ele.

Os dois, no final da vida, quando deveriam descansar e aproveitar por merecimento, estavam lá, jogados num banco de praça ao lado de sacos e sacos de latas de alumínio.
Mesmo assim, aquele senhor tentava cuidar dela da melhor maneira possível, dentro do possível e ainda com um carinho inusitado para a situação…

Imaginei uma cena dramalhão mexicano. O homem é provedor da família, acontece algo inesperado e ele vai dizendo: “calma, está tudo sobre controle”, “calma, a gente dá um jeito”, “calma, alguém vai ajudar a gente”, até chegar no “que Deus nos ajude”.

Quantas pessoas não entraram para o abismo agindo de maneira correta, sendo bons pais e maridos, mas arrastou todos à sua volta por falta de consciência e percepção? Justamente quando é tarde demais é que vem a vontade de reagir.

Desde que eu vi essa cena eu prometi pra mim mesmo que ninguém que dependesse de mim iria passar por aquilo, inclusive eu mesmo.
Pode chamar de paranóia aguda, mas é minha paranóia, e ela me faz seguir em frente.

Aqui entra o ilustrador
Pra quem vive pedindo conselhor pra mim como começar como ilustrador, vou dar uma de japonês e falar como TERMINAR como um ilustrador.


E você, amigo ilustrador JOVEM, deve estar imaginando…o que ISSO tem a ver?

Tem tudo a ver, e não só apenas pra ilustradores, mas pra qualquer profissional.
Tem a ver de ganhar seu sustento. E principalmente, tem a ver como você vai ser os últimos anos da sua vida.

Não vou retomar a questão de como cobrar nem de não fazer trabalhos de graça. A questão aqui é outra. É de como se programar pro futuro sendo ilustrador.

Como fazer isso com uma profissão que não é fixa nem é estável, que tem a fama de ser uma carreira isolada e solitária?

Primeiro: É preciso criar a consciência de que ninguém vai ser jovem pra sempre. É chavão, mas quando a gente é novo, não pensamos em nós como velhos ou inadimplentes. Afinal, cheio de hormônios e energia pra dar e arrebentar, pra que pensar em épocas decrépitas? Quando a ficha cai pode ser tarde demais.

Segundo, tem que mudar a mentalidade e perder a vergonha de cobrar o que é correto.
Tem gente que tem vergonha de cobrar caro por um trabalho que tem que ser cobrado caro mesmo. Tem gente que não sabe simplesmente cobrar.
A cada centavo não faturado é um centavo que não entra na sua conta.

Tem que pensar em sua carreira como algo pra fazer dinheiro. Simples e óbvio.

Terceiro, tem que poupar. Não importa você ganha 10 mil, 1 mil ou 100 reais, tem que poupar no mínimo, no mínimo, 15% disso e esquecer esse dinheiro lá. Tem que pensar que esse dinheiro é sua garantia na velhice. Nunca, jamais conte com esse dinheiro.
É difícil, principalmente pra quem tem filhos ou pais pra cuidar, mas TEM que ser feito. Isso não é um ítem negociável, é uma ação de sobrevivência.

Então pára de fazer desenho de graça, cobre direito, cobre a mais, aumente sua renda. Trabalhar por trocado hoje é trabalhar por latinha amanhã.

Uma dica é perder a vergonha e consultar o gerente da sua conta. Nem que você só tenha 200 reais pra investir, é um começo, que em pouco tempo pode se tornar 2.000 e muito mais além disso.

Invista em Renda Fixa, DI, poupança, ações, se tiver nervos de aço, mas poupe. É a única maneira honesta de fazer o dinheiro render. Senão você vai ter que passar vergonha e viver de favor de da caridade dos outros, mesmo que esses outros sejam seus pais ou seus filhos.

E outra dica, é chavão, mas é preciso. Nesse caso, a fábula da cigarra e da formiga encaixa direitinho, só que ao invés do violão a cigarra tem um pincel.
Planeje seus gastos, é impressionante o que dez reais aqui e quinze acolá fazem no bolso depois de um ano.

Quarto: fazer uma previdência privada com seguro em vida. Se você for embora desta para a melhor, pelo menos aqueles que estão perto de você vão receber uma renda. Caso você não morra, quando chegar aos 65 anos você vai receber um salário correspondente ao que contribuiu todo mês.
A soma de dinheiro guardado + previdência privada pode salvar sua velhice.

Garanto, já vi com meus próprios olhos doídos que a pior coisa de alguém é perceber que caiu a ficha tarde demais. Já vi ilustradores feras e que ganhavam rios de dinheiro na época de 70 caírem na miséria ao ponto de terem que dormir escondido na agência em que trabalhavam, por motivos que nem é da minha pertinência discutir aqui.

Quinto: Plano de saúde.
Plano de saúde é uma merda, é daquelas coisas que você paga uma grana esperando nunca usar.

Esse treco come um bocado de dinheiro, principalmente se você tiver filhos. E vai ficando mais caro quanto mais velho ou doente você fica. É impiedoso.
Essa dica descobri há pouco tempo, portanto vale a pena saber disso.

Primeiro, se você vive numa comunidade de tamanho razoável (igreja, clube) pode conversar com um corretor e pedir um plano de seguro em grupo.
Ilustradores, taí a dica. Por que não juntamos o pessoal da SIB pra ter um plano de saúde para ilustradores, assim como existe para advogados, engenheiros e dentistas? Tudo bem, essa é outra história.

Agora, se você é sozinho e independente, fica na dúvida em que tipo de plano comprar.
Então, se você é saudável, forte como um touro e come de maneira sapiente (ha ha), evite um plano que cubra todo tipo de exame, médico, os melhores laboratórios e os melhores hospitais.

É mais barato se você pagar alguns exames e médicos à parte, ainda com possibilidade de reembolso.

O que quebra qualquer um são diárias hospitalares. Então ao invés de pedir o melhor plano com médicos, hospitais e exames, é melhor centralizar o seu dinheiro em um plano que ofereça seguro e internações hospitalares. Ficar uma semana numa UTI pode quebrar toda sua poupança que você juntou em 20 anos, isso não é brincadeira. Tenho amigos meus que hoje estão na miséria porque tiveram que pagar dois meses de UTI, vendendo carros, apartamentos e zerando as contas.

Sexto: Pensar no que fazer quando ficar velho. Qual seu plano B?
É fato. À medida que o tempo avança a visão piora, a audição enfraquece, as juntas ficam mais duras e a cabeça começa a dar uns tilts. Sorte daqueles que conseguem ilustrar com mais idade, e com a mente funcionando beleza. Mas são poucos aqueles que conseguem ser como Ziraldo ou Hirschfeld. Mas também não precisam chegar no final da vida como grandes ilustradores que conheço que acabaram na miséria porque fizeram algumas besteiras na vida, besteiras que não podem ser mais consertadas.

Então, o que você vai fazer quando não desenhar mais? Ou o que você vai fazer pra continuar desenhando depois de velho?

Qual seu plano B?

E tem a agravante de somar a isso as seguintes idéias:
• Ninguém é insubstituível;
• Se você for empregado, um dia seu patrão não vai mais dar dinheiro pra você;
• Filhos não são garantia de que eles vão te sustentar na velhice;
• Nada é pra sempre, o que pode ser bom hoje amanhã pode ser péssimo.
• Um dia você vai embora e vai deixar o quê pra quem precisa?

Pra não extender, vou ser prático, mostrando em números.

Um fulano com 30 anos de idade. Ilustrador, tentando entrar no mercado, ganhando o básico do básico, nunca sobrando nada pra poupar. Com filhos, mulher e pais pra cuidar.

Vamos imaginar que você irá trabalhar até os 65 anos. A sorte é que ilustrador não é estivador do Porto de Santos, então o desgaste físico é menor, dá pra trabalhar além disso. Com um pouco de sorte vai chegar no patamar do Ziraldo, Hirschfeld ou Alex Toth.

Mas como um humano normal, você tem 35 anos pra fazer seu pé de meia. 35 anos pra juntar um patrimônio pra garantir sua vida e não ter que sair catando latinha em lixo de restaurante.

Não quero parecer dono da verdade, nem querer ensinar como ganhar e guardar o pão de cada um. Isso é experiência que eu tive e que comecei a (tardiamente) a colocar em prática. Não nasci em berço de ouro, venho de uma família de feirantes e não nasci com tino pra negociar até os 35 anos, bem tarde pra profissão. Mas como todo burro insiste no caminho, insisti nesse e talvez isso ajude quem tá começando a não cometer barbeiragens quando ficar mais velho. Mas tem gente mais organizada do que eu e que sabe dicas e macetes melhores do que esse pra se garantir, mas infelizmente (ou felizmente), foi isso o que eu aprendi até agora.

Para os amigos ilustradores da SIB, na faixa dos 40, 50 ou mais aninhos, essas dicas não são novidade. A vida vai dando pauladas na cabeça e a gente aprende com isso (se quiser). Senão a gente morre de overdose num quarto de hotel vagabundo no centro da cidade.

Mas pra quem é novo, onde tudo é possível, vale a pena frisar o que seu pai fala e você torce o nariz. Quanto mais cedo você guardar 20% do que você ganha, mais cedo você vai respirar aliviado na velhice.
Isso é garantia de velhice tranqüila? Claro que não, mas NÃO fazer isso com certeza vai trazer alguma conseqüência funesta nos seus anos dourados..
Ser ilustrador é fantástico e ao mesmo tempo um sacrifício. Fantástico porque me faz sentir orgulhoso do que sou e do que eu faço, e isso não tem preço. E um sacrifício porque ser ilustrador é como subir uma escada que não tem fim. Não pode parar. Sempre vai ter um degrau a mais pra escalar amanhã, e depois de amanhã, e assim por diante.

O que hoje está bom amanhã pode não estar mais. E vice-versa.

É uma merda? É, mas é nossa vida, nossa filosofia de ganhar dinheiro honestamente com ilustração.

Computador e robô de papelão

São essas coisas, além dos caras que fazem as melhores pontuações no ITA, que dão má fama aos japoneses, geeks por natureza (eu também fui nerd quando era criança e adolescente, mas um nerd violento, então ninguém mexia comigo senão levava reboco de parede na cabeça).

O problema não é a primeira idéia, que é bizarra, mas passável. O que vem depois, o upgrade, é que é um atestado de ócio de ouro.

Num tempo onde a gente fica glorificando o design dos computadores, onde é fácil comprar um computador brega com neon e frente de Fake Ferrari, por que tem gente que faz esse tipo de coisa?

Um computador feito de papelão!

Ah, minha paranóia se eu tivesse um desses. Pra pegar fogo é um peidinho. Tem que ter um sistema de ventilação bem eficiente, ou não pode ter cupim no estúdio.

Teoricamente é só instalar o hardware, montar a caixa como se fosse um arquivo morto e trabalhar com ele, dando um ar de pobreza incontestável para seu estúdio.

Agora vem o tiro de misericórdia.

Pra que economizar papel e salvar árvores se tem gente que se ilumina vendo desenhos de robôs gigantes (alguém ainda precisa me dar uma teoria convincente do porquê japoneses são tarados por robôs gigantes, ai de que disser que é problema sexual).

Não sei por que ou pra quê, mas também criaram um robô gigante feito de papelão, articulável, pra encaixar o computador de papel.
Tem até espaço pra colocar um monitor de 15 polegadas no peito. Pra quê??


Se fosse um Mac todo mundo estaria babando, mas pelo menos o design seria excepcional.

Arte Peso-Pena

Julie Thompson torce o nariz pra papel Canson, Schoeller, Fabriano ou sulfite.
O negócio dela é pintar em pena de rabo de águia e de outros bípedes plumados.

A despeito da qualidade do desenho, aqui vale pela mídia inusitada. Tem um quê que lembra um pouco aquelas garrafinhas de areia colorida vendidas em Fortaleza (ou as famigeradas pinturas em veludo negro).

No site dela tem mais artes penosas.

Resenha de Painter X

Já está nas bancas a revista Mac+ nº10.
Poderia se chamar “edição ilustradores”.

Tem a capa do Junião.

Uma matéria sobre fontes que o Samuel Casal desenvolve.

Casal, por mais que a lógica diga que não, ilustra no computador usando o mouse! Com o rato, como diriam os portugueses!

E tem uma resenha que eu escrevi sobre o Painter X. Com uma menção ao Eduardo Schaal.

É porque na nova versão do programa, na abertura surgem vários trabalhos de ilustradores, aleatoriamente. E Schaal foi um dos ilustradores convidados a dar uma palhinha virtual no programa com essa ilustração:

Schaal também trabalha na Trattoria, e foi ele quem ajudou a adaptar as frutinhas do filme da Tangalera.

Oookimochiiii!!

Tirem as crianças da sala! Tem mulher pelada nesse post.

Todo mundo sabe que japonês é famoso por ter algumas das coisas mais bizarras, como bebidas com nome “Pocari Sweat” ou doce de feijão.

Escondam o cartão de crédito antes de entrar no site J-List. Dependendo do seu nível de paranóia, fetiche ou otaku, vai acabar com ele molhado ou derretido, com o saldo estourado.

Esse site é o paraíso das tranqueiras e artes visuais japonesas. Tem de tudo o que você possa imaginar, desde coisas sérias, passando por toy art, até pornografia pesada. E o site é sério, é seguro e eles entregam direitinho.

Foi lá que encontrei esse DVD maravilhoso, o encontro de John Lasseter com Hayao Miyazaki. Sai faísca dele de tão bom.

Lá você também encontra livros de ilustração de Yoshitaka Amano, Kim Kurosawa e vários outros.

Também encontra inutilidades inocentes como todos os cacarecos de Totoro, Kiki e cia.

Agora vem a parte divertida:

Você também encontra as coisas mais freaks possíveis, coisas que só dá pra culpar a bomba por tamanha criatividade e demência, tais como esse travesseiro, pra você se sentir acompanhado por um belo par de coxas mais a intimidade de estar perto da zona do agrião. Continue reading

Capacho de duplo sentido

Esse capacho é ótimo.

Serve para pessoas bipolares, mulheres com crises de TPM, gente que recebe muita visita e pra gente muito indecisa. Serve para duas intenções com o preço de um. Nada como ser econômico sendo designer;

Esse lado é pra você colocar na porta quando receber seus amigos ilustradores, seus avôs, seus pais, a namorada ou o cliente:

E esse lado você vira de ponta-cabeça quando seus souber que tem visita dos seus tios escrotos, do vendedor de Herbalife, do cobrador ou da sua ex-mulher:

Não é um gênio o cara que bolou esse design? (tudo bem, a letra “o” de “Go” tá um pouco forçada, mas vale pelo conjunto da obra).

Conceito parecido tem a capa de um livro muito bom chamado Handbook of Pricing and Ethical Guidelines, da Graphic Artists Guild, uma associação de ilustradores e artistas gráficos americanos. A ilustração é de Lou Brooks, um cara que faz belas ilustrações no estilo dos anos 40 e 50.
É um livro que tem tabelas, modelos de contratos, referências de preços, códigos de ética, orçamentos, tudo que um ilustrador precisa saber pra ter o que comer no final do mês. Mesmo sendo dirigido para ilustradores americanos, ler esse livro te dá referências para calcular um orçamento, orientar profissionalmente e chorar copiosamente por ver como ser ilustrador nos EUA é diferente de ser um ilustrador tupiniquim.
Custa R$101,00 encomendando pela Livraria Cultura, e leva um mês pra chegar. Não reclama do preço, é investimento.
A capa normal é a gente como ilustrador, feliz da vida porque vai desenhar, fazer coisas bonitas que vai deixar o cliente feliz e nosso ego repleto:

Virando a capa temos a situação seguinte, quando o ilustrador tem que negociar contratos e orçamentos. Cadê a alegria que estava aqui? O art buyer comeu!

Exemplo gráfico do que sempre digo: O ilustrador tem que ser desenhista e negociante ao mesmo tempo, e tem que ser bom nos dois.

Ver para crer

Mais um pra série “Ilustrações pra mostrar no culto”.

Vai pro Marcelo Martinez, que ficou frustrado com o dragão, porque o dele não funciona.

Olhe pra imagem abaixo (pode clicar pra ficar maior, o espanto também aumenta).
A face raivosa tá na esquerda e a calma na direita.

Agora afaste-se do monitor lentamente e você vai ver que elas vão trocar de lugar!! Ungaublich!!

Se você ficou com medinho, então veja esta que é mais comportada.

Acredita que o quadrado A e o quadrado B são da mesma cor?

Se um ilustrador não pode mais acreditar em seus olhos, o que resta para ele??

Taí a prova. Tudo ilusão de ótica, amiguinho.

Cobradores podem ser pintores

Já repararam que todo cobrador de ônibus (pelo menos na minha época) tinham sempre a unha do mindinho mais comprida? Diziam que era mais fácil separar dinheiro, mas eu, moleque que sempre ficava no banco de trás do ônibus, o que sempre via é que eles usavam aquela extensão nojenta do dedo para tirar cera de ouvido. Credo.

Essa daqui eu vi hoje no UOL.

É legal pra você que acha que tá na merda porque não tem dinheiro pra comprar um pincel melhor que seu Tigre com cerdas de piaçava, ou você que não consegue trabalhar se não tiver um Talens pelo de marta nº 10 lambido com destreza pra trabalhar.

Olhem só que beleza de unha. Esse se não tiver cuidado tira até a cóclea, martelo e estribo do ouvido quando tirar cera de lá.

Como hoje eu tô cansado, vou colar e pestapar a legenda da foto:
“Artista indiano Nangaji Bhati, 45, usa sua unha de 12 cm para pintar quadro em Ahmedabad”

Amanhã eu posto algo melhor do que isso.
Ainda tenho um camundongo pra matar.

O olho que tudo vê

My God, it’s full of stars!

Mais um da série “eu já sabia, você também, mas tem gente que não sabe”.

Quem não ficou parecido como os macacos na frente do monolito negro quando se deparam com uma ilustração tã complexa ou intrincada que você fica se perguntando “como é possível”? Soltando grunhidos enquanto tenta entender como foram feitos os trabalhos da Patrícia Lima ou do Kako?
E como na cena do filme, do macaco jogando o osso no ar, é a vontade de jogar a canetinha do tablet de frustração porque simplesmente não entende?

E esse é o HAL. O computador mau-caráter de 2001.

Pode ser coincidência (mas acho que não é).

As letras seguintes da sigla HAL formam….IBM!!! Arthur C. Clarke não faria uma coincidência inconsciente..


O que seria isso? Que significado teria? Que os computadores da IBM podiam ser os melhores amigos de um nerd se fossem bem tratados? Ou se chamassem Dave? Nham?

Usando essa lógica, quem procura um nome de agência de publicidade do mal, pode usar a DPZ como base e montar a COX publicidade. E olha que tem bom som e tem duplo sentido também.

Materializando 3D

Ah, se eu tivesse esse programa quando fazia as caixinhas de McLanche Feliz eu seria mais….feliz!!!

É um programa japonês chamado Pepakura (“pepa” é a maneira que japonês fala “paper”, coisa difícil prum povo que tem trava silábica na língua) e ele transforma qualquer coisa modelada em um programa 3D num projeto para montar em papel! Ele interpreta as faces do modelo, desmonta, calcula a física do projeto e pimba, sai com uma folha pra montar do outro lado. Para Vigo me voi!

Tem disponível pra download por um curto espaço de tempo. Não pude ainda avaliar, embora minha curiosidade esteja a ponto de matar o gato, porque só tenho macs em casa, e o programa só funciona em PC. Tudo bem, tudo não terás.
Aqui vão alguns exemplos do que esse programa pode fazer:


(som de lagriminha sendo enxugada)
Há uns cinco anos eu fiz esse brinde de papel de McLanche Feliz, era ainda a época em que os brindes eram bem capengas, então fazíamos melhorias na embalagem e criávamos brinquedos de papel pra dar o que em marketing se chama “valor agregado”, ou seja, dar idéia de que o produto vale mais com soluções simples.

Esse dragão voava de verdade! Tinha uma curiosidade que pra voar direitinho era preciso encaixar uma moeda de 10 centavos na cabeça! Eram 4 modelos diferentes e levamos quase um mês pra fazer o projeto. Acho que até chegar na estrutura final que conseguisse voar de verdade foram feitos uns 30 dragões diferentes. Com esse programa acho que faria tudo em 2 dias.

E eis que na hora de lançar o produto…..o McDonald’s não aprovou o projeto (que foi finalizado direitinho)! Vai entender porquê (esse eu realmente não entendi até hoje).
Um dia eu ainda vendo esse projeto pra outro cliente e vou sair rindo feito vilão de filme vagabundo.