O Zen e a Arte de Montar Portfólios

Durante dez anos trabalhando como diretor de arte da Taterka, devo ter visto mais de 200 portfólios de ilustradores. A grande maioria em início de carreira. Desse montante, eu me lembro de uns dez que me impressionaram. E não foi por causa da apresentação ou da qualidade da pasta, mas por causa do conteúdo.

Escuto muitas receitas pra se fazer um portfólio, umas absurdas, outras bem úteis. Tem umas regras básicas, mas pra mim só duas delas valem: não colocar rascunhos (se não é arte final não tem por que estar lá, a não ser que eu perca a respiração com seu rabisco) e desenho dos outros em seu portfólio, isso é óbvio (mas mais comum do que se imagina).
De resto, não existem regras. Algumas pancadices que leio ou escuto por aí:
“Coloque só quinze desenhos na sua pasta”.
“Coloque vários estilos pra mostrar que você é versátil”.
“Coloque apenas o que tem seu estilo pra se vender como ilustrador autoral”.
“Compre uma pasta de couro tamanho A2”
“Mande encadernar como se fosse um livro”.

Não há fórmulas, nem regras pra se fazer um portfólio. Pra mim basta colocar o que você tem de melhor que já basta. Mas isso vale para portfólios de ilustração. Para portfólios de direção de arte a conversa é bem diferente…

Existem diretores de arte e diretores de arte. E art buyer e art buyers. São eles quem ficam do outro lado da mesa.
Cada um tem uma maneira de ver uma pasta.
Conheço alguns que já avaliam a marca da pasta. E torcem o nariz pro conteúdo sem abrir o zíper.
Conheço outros que não tem paciência pra ver cinco desenhos seguidos, outros adoram folhear portfólios e chegam a perguntar se tem mais de onde veio.
A grande maioria, felizmente, ainda trabalha com bom senso e entende que o conteúdo é mais importante do que a apresentação (tudo bem, ela conta um bocado, mas não é o fundamental).
Já contratamos um ilustrador que apareceu por lá com os desenhos soltos dentro de uma pasta plástica com elástico, onde guardava todos os desenhos dentro de um saco plástico. Apresentação zero, desenhos 10. Venceu o último.

Também já torci o nariz para uma garota toda patricinha que veio com um portfólio da Louis Vuitton!! Nem sabia que isso existia, para meu desespero. O quer era importante, os desenhos, eram cópias de mangás, uma profundidade criativa de um pires de gato.

Só uma coisa que sempre digo: Ilustrador NÃO precisa ter trabalhos publicados no portfólio. Portanto se alguém vier com a conversa mole de você fazer um trabalho de graça pra colocar no portfólio, cuspa no chão e diga não.

Quem vai olhar?

Não sei exatamente como funciona dentro das editoras, pois não é o meu forte. Mas dentro das grandes agências de publicidade quem olha é o art buyer, o cara que é encarregado de contratar todos os serviços de arte (ilustração, produção, fotografia) para a criação de uma agência. Geralmente eles não tem a formação de um diretor de arte, é um intermediário que vai negociar valores e prazos com você. Nem todos olham portfólios através de contatos telefônicos. A grande maioria só contrata através de Networking, vulgo QI (Quem Indica). Se o art buyer gosta do sujeito e do trabalho, ele anota no caderninho e repassa para a criação ou não, dependendo da correria do lugar. O triste da publicidade é que você vai perdendo contato pessoal. A avaliação é feita através do sites, contato telefônico, entrega do trabalho via e-mail, ftp ou portador e recebe o valor em conta. Eu mesmo trabalho para três agências e não faço a mínima idéia da cara da art buyer e do diretor de arte que já conheço por telefone há mais de 6 meses.
E há de ser muito habilidoso na negociação e na conversação. É comum hoje em dia o ilustrador nem ter mais contato com o diretor de arte quando fizer um trabalho, o que gera stress desnecessário e tempo desperdiçado. O diretor de arte faz o pedido pro art buyer, o art buyer contacta o ilustrador e passa o job. Quando o job é claro e definido, ele entrega a nota e o trabalho de volta pro art buyer que repassa pro diretor de arte. Quando o trabalho é complicado eles pedem uma reuniãozinha pra explicar o job, mas geralmente o contato acaba aí.

Como ficar do outro lado da mesa.

O que eu posso aconselhar é COMO você vai apresentar seus trabalhos.
A grandiosa maioria das pessoas comete o mesmo erro: falam demais.
Sempre tentam explicar cada desenho, o porque está na pasta, e o que é pior: a insegurança é tão grande que cometem o erro de ficar explicando por que não ficou tão bom. Oras, se não ficou tão bom, não coloca na pasta.

Tem um ditado dentro da criação das agências de publicidade:
Quando o sujeito for mostrar a pasta, só pode falar três frases:
“Sim, senhor”.
“Não, senhor”.
“Tem razão, senhor”.

É claro que não é isso, mas é quase. Se for mostrar o portfólio, fique quieto. Fale só se precisar mesmo ou se quem estiver olhando a pasta perguntar algo. Jamais justifique nada. Postura é fundamental nesse processo, e a gente sempre se lembra dos tagarelas e inseguros de forma negativa. Dos arrogantes e presunçosos também.

Segundo, não peça opinião do seu trabalho se não estiver preparado pra ouvir críticas. Embora alguns diretores de arte e art buyers mais ácidos comentam mesmo sem pedir, o mais comum é ver pessoas tentando arrancar algum tipo de elogia ou incentivo da parte do entrevistador. Ledo engano.
É só ver “American Idol” no começo da temporda. Os piores se acham os melhores e não se conformam de serem chamados de piores. Acontece o mesmo com alguns desenhistas em começo de carreira. Bom senso e auto referência valem ouro, pelamordedeus.

Conselho número 2
Saiba também direcionar seu portfólio. Levar uma pasta cheia de peitudas para a redação da Recreio, uma pasta de cartuns para conseguir um trabalho de hiper-realismo não vai te ajudar muito. Defina seu estilo, seu foco de trabalho e monte sua pasta em cima dessa decisão.

Esse conselho é uma daquelas que só prestando atenção no meio.
Sem querer ser sexista, mas acontece mesmo.
Se você é homem ou mulher, não importa. Procure saber quem vai olhar seu portfólio.
Se for homem, geralmente eles atendem melhor as meninas. Ficam mais tempo e são mais graciosos. Se for homem, boa sorte, vai depender de que lado o ovo dele levantou da cama.

Se quem for olhar a pasta for mulher, dê um trato no visual.
É fato, mulher repara em detalhes. Sapatos, barba, em cheiros, se a roupa tá amarrotada. Não precisa se vestir na Hugo Boss pra ser entrevistado, mas jamais vá: com camiseta amassada, com sapato desamarrado ou caindo aos pedaços, com bodum e catinga e sem escovar os dentes.
Já tive amigas diretoras de arte que só conseguiam se lembrar do cofrinho do cara aparecendo por cima de uma cueca amarelada ao invés do trabalho dele.

Vale a pena ainda ter portfólio?

Claro, sempre vale. Mas hoje em dia o que é preciso mesmo é um portfólio digital na internet, um site com seus trabalhos. Isso é fundamental, principalmente no mundo da publicidade onde o pessoal não tem tempo pra ficar olhando pastas. Pra se ter uma idéia, até mesmo um CD com uma apresentação em Powerpoint ou multimídia do seu portfólio não compensa muito,pois só o trabalho de tirar da embalagem, abrir o computador e ficar clicando desanima. Site é muito mais prático e funciona. Divulga seu trabalho de maneira mais ampla e segura.

Meu portfólio de couro tá encostado no armário há mais de dois anos, tenho mantido ele mais por precaução do que por necessidade.

Por isso, não faça sites muito pesados ou com musiquinhas irritantes. Quanto mais limpo melhor. Esperar mais de 15 segundos para uma página abrir é morte lenta e dolorosa, a pessoa desiste mesmo.

21 Comments

  1. [...] Para quem trabalha em uma profiss

  2. [...] Para quem trabalha em uma profiss

  3. Ricardo disse:

    Pra mim vc se acha pra caraleo, isso sim. Nada do que vc disse ae ajuda ou indica um caminho pra quem esta usando portfólio. E sim pra dizer como vc e outros são arrogantes. Passe bem.

  4. Hiro disse:

    Caro amiguinho Ricardo Fake com o frescor acre da negatividade

    Aproveite esse espaço e ensine como é a maneira correta de se mostrar uma pasta. Sempre estamos abertos a aprender novos truques e macetes.

    Feliz bile.

  5. flep disse:

    Texto simples e objetivo, principalmente por derrubar alguns absurdos, como o de colocar os melhores trabalhos no inicio e no fim.
    Além disso lembra que devemos saber nos comportar, termos um pouco de segurança e não sair falando pelos cotovelos.

    E ao Ricardo aí de cima, se liga, faça um post melhor e publique em algum lugar… inveja mata amigo.

  6. Sabine disse:

    Arrogante é ele que veio escrevendo desse jeito, sem educação.

    Caraleo pra ele.

  7. Petra disse:

    As dicas são excelentes. Eu adoraria ter tido essas dicas quando estava começando. Ia evitar muita dor de barriga :) ))
    Também tenho uma dica: levar trabalhos que tem a ver com o lugar.
    Acontece muito de um cara levar ilustração de mulher-pelada para editor de livro infantil e desenhos de caricaturas para agência que faz embalagens.

  8. Hiro disse:

    Essa dica da Petra também vale ouro. Coerência no estilo e no tipo de trabalho também são importantes.

    Se você for na Recreio mostrar seu portfólio, não vá colocar desenhos no estilo do Carlos Zéfiro pra tentar vender. Essa de “vai que os caras gostam e me contratam” não cola nem com superbonder e ainda vai queimar seu filme.

  9. Claudio Assis disse:

    Já tinha ouvido comentários sobre sua pessoa, por sinal muito bons.
    Toques bacanas para quem esta começando ou querendo migrar de área.

    VALEU

  10. LSF disse:

    gostei do texto ;)

  11. arouca disse:

    bastante elucidativo seu texto.confesso que caiu por terra varios conceitos que tinha quanto a apresentacao de portifolio.

  12. Marco Stiepcich disse:

    Salve, Hiro.

    Sou redator (pasme…) e cai no seu blog graças ao maravilhoso processo randômico que às vezes nos acomete. E gostei tanto das suas dicas que não resisti, tive que comentar: são tão apropriadas que alcançam até outros profissionais de criação. Destaco, entre tantos bons toques, que a boa aparência é muito importante, sim, e não entra em conflito com ‘conteúdo’. (“O mundo trata melhor quem se veste bem” – lembra dessa? – é um fato que não adianta negar, por mais contúdo que você tenha.)

    Abraço, amigo, e parabéns.

    Ah! E quanto ao Ricardo ‘Bile’, coitado… Vamos mudar de assunto. :)

  13. Bruno Amaral "Bokuwa" disse:

    Muito legal o post . Muito bom ter gente ajudando uma geração desinformada e desconstruída pela fama , o sucesso e o dinheiro …

    Íncrivel como existem pessoas sem o mínimo de coerência profissional . O ditocujo que escreveu coisas sem fundamento contra o Hiro me lembrou uma garota do sul , que certa vez encontrei num DA da vida . Tinha gostado do design dela , do conceito que ela fazia . Seu trabalho com ilustrações e desenhos com influência oriental era bem fraca , tinha que melhorar bastante . Mas o design dela eu havia gostado muito . E iria indicá-la para contatos nos quais ela poderia talvez conseguir alguma coisa .

    Quando comecei a conversa , logo ela causou furor quando eu mencionei a palavra ‘amador’ . Ela fez um estardalhaço e eu me desculpei , dizendo que amador = quem ama o que faz ( literalmente ) , e profissional = quem ganha dinheiro com isso , quem tem algo como profissão . Ouvi de suas palavras que ela já era designer há milhões de anos , que eu estava sendo grosseiro e metido ao dizer que podia ajudá-la indicando para outras pessoas , e o pepino de ouro : disse que não queria que eu visse o trabalho dela como fonte de renda , porque os trabalhos dela não eram comerciais oO !!!!

    Então , o que seria ? Se ela mesmo em seu FAQ diz que aceitaria propostas ; se uma pessoa se permite divulgar trabalhos na internet , é porque quer ser vista . Se quer ser vista , é pra conseguir algo . E isso é ser comercial ~~ Incrível como conseguem distorcer as palavras . Eu mesmo disse à ela que era amador , e na verdade eu digo mais : tenho muito o que aprender . E quanto mais aprendemos mais notamos que não sabemos nada . Então não interessa se vc tem milhões de anos , porque isso muitas vezes cai contra vc mesmo . Se vc diz que trabalha há 8 anos e tem trabalhos piores do que um que só trabalha há 4 meses , seu nome vai ficar marcado negativamente .

    Então eu pedi desculpas à ela, que estava visivelmente abalado em seu ego , e a excluí de meu msn e DA . E obviamente ela não foi indicada a ninguém .

    O que eu vi de semelhante no post da pessoa mal-educada acima , foi a falta de visão , de experiência no próprio ramo . POdem existir panelas , pode . Mas pela minha experiência , vejo fodas com fodas sempre . E as pessoas que conheço são todas humildes , com seus sonhos de criança , se divertindo com seus próprios desenhos . Entre cartunistas há uma rixa incrível , especialmente aqui no RJ . Mas conheço muita gente que se diverte junta , que desenha , compara , zoa , ri ..

    As pessoas não entendem essa arte como profissão . Ou seja , devemos agir como profissionais , não como amadores babões e chorões , que não param pra ouvir ,prestar atenção , serem cobrados e aceitar críticas .

  14. Bruno Amaral "Bokuwa" disse:

    Muito legal o post . Muito bom ter gente ajudando uma geração desinformada e desconstruída pela fama , o sucesso e o dinheiro …

    Íncrivel como existem pessoas sem o mínimo de coerência profissional . O ditocujo que escreveu coisas sem fundamento contra o Hiro me lembrou uma garota do sul , que certa vez encontrei num DA da vida . Tinha gostado do design dela , do conceito que ela fazia . Seu trabalho com ilustrações e desenhos com influência oriental era bem fraca , tinha que melhorar bastante . Mas o design dela eu havia gostado muito . E iria indicá-la para contatos nos quais ela poderia talvez conseguir alguma coisa .

    Quando comecei a conversa , logo ela causou furor quando eu mencionei a palavra ‘amador’ . Ela fez um estardalhaço e eu me desculpei , dizendo que amador = quem ama o que faz ( literalmente ) , e profissional = quem ganha dinheiro com isso , quem tem algo como profissão . Ouvi de suas palavras que ela já era designer há milhões de anos , que eu estava sendo grosseiro e metido ao dizer que podia ajudá-la indicando para outras pessoas , e o pepino de ouro : disse que não queria que eu visse o trabalho dela como fonte de renda , porque os trabalhos dela não eram comerciais oO !!!!

    Então , o que seria ? Se ela mesmo em seu FAQ diz que aceitaria propostas ; se uma pessoa se permite divulgar trabalhos na internet , é porque quer ser vista . Se quer ser vista , é pra conseguir algo . E isso é ser comercial ~~ Incrível como conseguem distorcer as palavras . Eu mesmo disse à ela que era amador , e na verdade eu digo mais : tenho muito o que aprender . E quanto mais aprendemos mais notamos que não sabemos nada . Então não interessa se vc tem milhões de anos , porque isso muitas vezes cai contra vc mesmo . Se vc diz que trabalha há 8 anos e tem trabalhos piores do que um que só trabalha há 4 meses , seu nome vai ficar marcado negativamente .

    Então eu pedi desculpas à ela, que estava visivelmente abalado em seu ego , e a excluí de meu msn e DA . E obviamente ela não foi indicada a ninguém .

    O que eu vi de semelhante no post da pessoa mal-educada acima , foi a falta de visão , de experiência no próprio ramo . POdem existir panelas , pode . Mas pela minha experiência , vejo fodas com fodas sempre . E as pessoas que conheço são todas humildes , com seus sonhos de criança , se divertindo com seus próprios desenhos . Entre cartunistas há uma rixa incrível , especialmente aqui no RJ . Mas conheço muita gente que se diverte junta , que desenha , compara , zoa , ri ..

    As pessoas não entendem essa arte como profissão . Ou seja , devemos agir como profissionais , não como amadores babões e chorões , que não param pra ouvir ,prestar atenção , serem cobrados e aceitar críticas .

  15. valeria disse:

    òtimas dicas, colocadas de um jeito eficiente e linguagem descontraída.Muito bom porque quando alguém como eu que lê estas dicas antes de divulgar o seu trabalho não será pêgo de surpresa e vai buscar a melhor maneira de demonstrá-los. Acho que as críticas aqui são irrelevantes pois, não acrescentam nada para quem está precisando de orientação. Melhor que usem o tempo para publicar palavras que venham a acrescentar como outros fizeram.

  16. Gustavzk disse:

    sou fotógrafo e estas dicas tamb. se enquadram muito dentro da fotografia, desde o contato com a agência até apresentação pessoal e do portfólio.
    bom texto!!!

  17. McOrthey disse:

    Olá Hiro!
    Deixa eu te contar uma coisa mas não espalha, hehehe…
    Eu não curto muito os lanches do Mac, mas sempre que vejo uma ilustra sua de bandeja eu peço o basicão, só pra ter o direito de levá-la comigo.

    Sou fãnzão seu e gostei muito das dicas de ouro que vc colocou aqui!
    Valeu!!!!

  18. JKakaroto disse:

    adorei seu ensinamentos aqui cara!! parabens!!

  19. Dani Fischer disse:

    Olá, Hiro (“com o perdão da intimidade”)
    Gostei muito desse e de outros posts nesse blog (como o do bob e o photoshop 7).
    Esse lance de portfolio as vezes me deixa em cólicas pelo seguinte…sei que o lógico é montar de acordo com a tendência do contratante, mas e quando o próprio ilustrador ainda não sabe qual é seu estilo?
    Gostaria de saber em que ponto na sua vida você tinha noção do seu traço a ponto das pessoas perceberem que o desenho é feito por você?
    Olho para o meu portfolio e pra mim nenhum desenho tem coerência ALGUMA com outro, pois tem épocas que eu me sinto de saco cheio do meu traço e teimo que tenho que desenhar outro estilo (de preferÊncia um que eu não saiba, só pra dar trabalho e me deixar bem nervosa). Mas ainda sim tem amigos que me dizem que reconhecem um desenho pelo meu traço…que não faço idéia como seja.
    Quando você “descobriu” seu traço? Ocorre esse fenômeno de estar possesso com o próprio jeito de desenhar?

  20. Camila disse:

    Muito bom Hiro! Várias dúvidas que a gente tem mesmo…
    Sugestão: vc podia dar dicas de como podemos abordar uma agencia, editora etc…

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