A Lenda do Quadro do Diabo

Eis que por acaso, devido ao tópico sobre pinturas em veludo negro, algumas almas gentis vindas de Portugal me escreveram informando mais sobre quadros de crianças chorando. Parece que eles foram muito, muito populares nas terrinhas de Cabral, mais até que no Brasil. Toda casa tinha um, era um ítem de decoração obrigatório como um galo de Barcelos ou paliteiro de porcelana.

É impossível falar desses quadros sem falar da fama horrorenda que os cerca. Graças aos correspondentes de Portugal, essa história ficou mais evidente. Fiquei curioso e procurei através dos links que eles me enviaram (são vários) como seria o danado do quadro amaldiçoado pra postar aqui.

E qual não foi minha surpresa em descobrir que TODOS os quadros de criança chorando são considerados do mal? Que todos os quadros com crianças chorando trazem tragédias pra casa, que trazem doenças e o diabo dança na mesa de jantar…essa lenda urbana não é brasileira, ela é comum em todos os países latinos e alguns outros da Europa, como Holanda e República Tcheca.

Todos eles dizem que se virar o quadro ao contrário, olhar a imagem em um espelho ou mesmo procurar atentamente você vai encontrar a cara do chifrudo!

Não é o que diz o ditado? Que o diabo mora nos detalhes? Hahaha!

Imaginem! Pintores fazendo pacto com o diabo! E pensava que a gente só fazia isso quando negociava valor de uma ilustração com o diabo do editor ou do art buyer.

A lenda urbana completa dizia que o Quadro do Menino Chorando, quando virado ao contrário, surgia a imagem do Continue reading

Shuman e os mitos e lendas da ilustração.


O grande Angelo Shuman é muito conhecido entre os ilustradores, mas como a grande maioria de nós, desconhecida por maior parte do público consumidor. Mas com certeza você já comeu ou desembrulhou alguma coisa que tinha o desenho dele, a não ser que você seja vegan ou sua religião não permitir comer doces.

(Sim amiguinhos, ele é um dos culpados de você ganhar alguns quilos na frente do computador, ó doce remorso).

Como vocês podem ver em seu site, o foco dele é bem dirigido à publicidade, assim como eu. Pra trabalhar com grandes agências com grandes corporações como clientes é preciso ser, além de ilustrador, também Continue reading

Quando Jesus e Elvis se encontram

Brega nem seria a palavra correta para esse tipo de ilustração.

É algo maior, eles te dão uma experiência sensorial…faz você lembrar de cheiro da casa da sua tia velha que tem cristaleira cheia de cupim e pequinês decrépito que solta pêlo em nacos e fede ranço; faz você lembrar que teve medo do quadro do menino que chora (que dizem que tem um espírito morando nele), faz lembrar de existe gosto pra tudo. Não importa, esse tipo de desenho nunca me traz sensação boa, é como se fosse um trauma de infância querendo se manifestar quando vejo um quadro de cachorros jogando sinuca.

(reparem no detalhe do dedo do buldogue, mutação canina)
De qualquer forma, descobri que existe uma Meca para esse tipo de desenho. É um museu chamado Velveteria, que fica em Portland, o maior (???) acervo de pinturas em veludo negro do mundo. Pasmem, nem em meus piores pesadelos imaginaria que pintura em veludo negro seria um estilo de arte extremamente difundido, adorado e cobiçado! Quem precisa de Renoir quando se tem Continue reading

Britney Careca Pra Montar

Atenção amantes da tesourinha e da cola Pritt, já adicionei uma categoria nova no blog só pra coisas pra cortar, montar e colar. Um por semana, é diversão de montão. Aliás, “de montão” era a expressão-coringa que a gente usava pra vender os brindes de McLanche Feliz (“esse mês carimbinhos pra você brincar de montão, esse mês figurinhas pra você se divertir de montão…”)

Como as pessoas não perdoam celebridades com parafusos a menos, nesta semana apresento-lhes Britney Spears careca pra montar!

É só clicar aqui, tovarish, e clicar na imagem da superstar com cabelo e cérebro de menos pra fazer o download. O site é da Rússia mas baixe sem medo de vírus soviéticos (eu pessoalmente tenho minhas encanações com sites terminados com .ru)

Mas espere, ainda tem mais diversão!

Clicando aqui você leva um conjunto de perucas ridículas para usar na Britney Careca e aumentar ainda mais seu constrangimento que parece não ter mais fim.

Dosvidanya!

Aqua Teen Frank Frazetta Style

Senhores, contemplem!

As tosqueiras mais toscas vão virar filme!
Não é todo mundo que curte Aqua Teen, que passa no Cartoon Network na programação do Adult Swim. Mas quem curte mija de dar risada (ainda que a primeira temporada era mais suja e desbocada) com os diálogos (é igual a um filme que tô procurando faz tempo, chamado “O Filme Mais Idiota do Mundo”, mas tem que ser na versão dublada).

Uma almôndega tapada, uma batata frita alienada e um milk shake que gosta de pornografia e que moram numa boca-de-porco, animados em Flash de maneira capenga, com vilões que vão desde monstros de piche afeminados a múmias com voz do seu Perú.
Tem horas que o cérebro pede uma tranqueira de vez em quando pra soltar umas risadas, são como Baconzitos mentais, e ao lado do Harvey, o Homem Pássaro, Aqua Teen é o fino do politicamente incorreto.

Isso só tá sendo postado aqui por que deparei com o pôster do filme no Omelete e olhem que viagem:

Fizeram a ilustração no estilo do Frank Frazetta! Uhú!
Lógico que não foi feito pelo Frank Frazetta (ou será que foi?), vou procurar o autor do crime e Continue reading

Coisas que meu cliente diz

Já tive cliente – especificamente um diretor de arte – que me pediu uma ilustração desse jeito, sem mostrar nenhum rafe:
” A cara da garota tem que ficar entre a senhora do logotipo da Casa do Pão de Queijo e a coelhinha do filme Space Jam”.
Entendeu? Nem eu.
Depois de umas cinco refações, o que ele queria era um desenho de uma senhora feito em estilo de uma xilogravura!!
Já tive um cliente que reprovou um desenho a partir do rafe, porque ele não gostou do acabamento! Ele achou “sujo e primário demais”…
Já tive um diretor de marketing que bateu o pé que queria que queria que a menina da ilustração de um pôster usasse uma camisa cor laranja cítrico, aqueles laranja fluorescentes – pra imprimir em quadricromia!

Todo ilustrador tem sua coleção de historinhas bizarras envolvendo entidades de um plano superior e incompreensível: o cliente, podendo ser esse um diretor de arte, um diretor de marketing ou a mulher do diretor de marketing.
São casos onde você se pergunta se estamos falando a mesma língua, se acha que ficou burro de repente por que não consegue entender uma linha de raciocínio que deveria ser linear ou ou simplesmente dá vontade de agarrar o sujeito pelo pescoço e berrar: “Explica direito, porra!”

E fuçando a internet à procura de uma referência de catedral gótica, eis que me deparo com um site que é o Muro das Lamentações de designers, ilustradores e até mesmo de diretores de arte: Clientcopia

O site (clique aqui) traz mais de 5 mil histórias de terror do mundo das artes gráficas. É o desabafo digital de gente que tem que trabalhar com clientes obtusos, ignorantes e arrogantes. É o saco de pancada dos fracos e oprimidos da publicidade e do mundo editorial.

Dá pra você colocar sua própria história de dor e angústia para ser partilhada e avaliada. Com sorte você recebe 5 estrelas de apoio incondicional (recomendo ler apenas as historinhas com 4 ou 5 estrelinhas, senão você vai perder seu tempo precioso lendo as pérolas de sofrimento alheio).

Tem histórias que você passa raiva.
Por exemplo, a do cliente que liga para a agência na véspera de Natal pedindo um anúncio para o dia 26 e quando é informado que não tem gente pra fazer o anúncio ele questiona “Por quê?”
Ou a do cliente que exige que o webdesigner comprima as imagens do site dele pra ficarem com 1k de tamanho sem perder a qualidade, e quando o designer diz que não dá pra comprimir as imagens sem perder a qualidade, o cliente diz que ELE consegue comprimir imagens desse jeito, então ele também tem que conseguir…

É, vai dando risada que amanhã (ou hoje mesmo) pode acontecer com você.

Milton Glaser e Saul Bass

Talento é fundamental, para ilustradores, diretores de arte, escritores, designers (ou qualquer outra profissão que exija habilidades específicas). Mas tão importante quanto talento, é conteúdo, prática e referência. Conteúdo se aprende ao longo do tempo e nunca termina, todo dia você aprende uma coisa nova, e isso é estimulante. A prática leva à quase perfeição, pois a perfeição é uma meta que nunca é alcançada, mas sempre perseguida. Referência é exemplo que você toma como o norte da sua carreira ou da sua vida. Quem você segue como exemplo?

Aqueles que não conhecem Milton Glaser, tenham a honra de conhecê-lo:

Esse velhinho simpático seria o equivalente em design o que foi Hirschfeld pra ilustração (pra mim, pelo menos).

Talvez seja o mais talentoso, prolífico e consciente designer gráfico que já Continue reading

Pau Grande

Essa toalhinha é velha, mas é divertida à beça. Cidades brasileiras com nomes engraçados (tem que clicar na imagem pra ampliar, senão não dá pra ler os nomes).

Os desenhos são toscos de propósito. Foi muito fácil fazer essa.
A pesquisa foi toda em cima do Guia Postal Brasileiro, um livro que pesa mais do que um carrinho de feira e tem mais páginas que a população da Colômbia. Caçando linha por linha por nomes de cidades que me faziam rir.

Teve um prefeito de uma das cidades mencionadas que fez até festa quando soube que a cidade dele ia sair no McDonald’s. Mandou carta oficial, fez convite pra gente conhecer a cidade e só não saiu no jornal da cidade porque a cidade não tinha um jornal.

Será que quem nasce em Sopa é sopense? Quem nasce em Felpudo é….macio?
E Jijoca de Jericoaquara, o que é jijoca? Quem souber, mande a resposta, por favor.

Agora duas fotos que são coisas vindas de uma mente suja e distorcida:


Essa daí não precisa de comentários. A lâmina acima tem Pintópolis com um prosaico pintinho, mas vendo o nome estourado na placa, ganha outro sentido.
Mas imagino a diversão que deve ser passar de carro por uma placa dessas. Deve dar assunto pro resto da viagem.

E essa outra cidade, famosíssima pelo querido Garrincha:

O cara tinha perna torta, jogou o melhor futebol do Brasil e vinha de Pau Grande (se quiser trocar o vinha por tinha, o problema é seu), sem dúvida ele era macho.

Essa não deu pra colocar na toalhinha nem com reza brava.

Creature Comforts

Da série “coisas legais que trouxe das minhas férias”, que foi em outubro, mas só consegui assistir agora, no Carnaval.

Os mais fãs já devem conhecer, mas nem todo mundo sabe de todas as coisas, então eis que lhes apresento uma palhinha de ‘Creature Comforts”, uma obra-prima dos estúdios Aardman e de Nick Park, o cara que criou Wallace & Gromit.

Pra quem não conhece, são sketches de animais sendo entrevistados em diferentes situações.
Por exemplo, o que os animais acham de serem vendidos a um preço baixo nas lojas de pet shop ou o que eles acham do problema da alimentação. O depoimento da mosca dando opiniões sobre os difentes tipos de merda é fabuloso, assim como o das galinhas querendo implantar feng shui no galinheiro.

Muita gente se lembra do primeiro Creature Comforts que saiu, há anos e anos atrás. Passava muito no genial canal Locomotion (ahh, Rex the Hunt e Dr. Katz), que foi trocado pelo imprestável Animax.
Tinha um jaguar (!!!) brasileiro que falava inglês com sotaque mesmo de brasileiro! (I need ispeice! In Brazil we have ispeice!). Quem quiser conferir tem o primeiro Creature Comforts inteiro no Youtube. Viva el Youtube! É hilário.


O design dos bichos de Nick Park é único, reparem como ele coloca dentes nos pássaros. E o roteiro e os diálogos é de longe mais inteligente que Wallace e Gromit, mas a cenografia não é tão detalhada (afinal, é um reality show de bichos e massinhas, um estilo de trabalho chamado VoxPop).

Quem quiser comprar o DVD dá pra encomendar pela Livraria Cultura ou pela Amazon. O que eu tenho é uma versão de Portugal, então tem um quê divertido a mais quando escuta os bichos falando com sotaque lusitano.

Muchas Fruchas

Senhores, contemplem!!

Minhas frutinhas ganharam vida própria. Tudo bem que eles agora têm bracinhos e perninhas, senão a animação seria de frutas pula-pula, como feijões mexicanos.
É o filme da Tangalera, que já deve estar rolando na TV.

A Power 4 cuidou da criação da promoção, a Ogilvy cuidou da comunicação e o filme foi feito pela Trattoria di Frame.

E agpra tem um link pro filminho no Youtube, yeah!

Animais Quase Pelados

As melhores idéias vêm de combinações absurdas, sem medo de ser feliz e despidos de qualquer vergonha. Vai lá e faz, e quando são feitas, um conceito inusitado aparece. Coisa que infelizmente no Brasil você vê cada vez menos na profissão que mais deveria utilizar esse recurso, que é a publicidade (chega de mulher gostosa vendendo cerveja, chega de documental pra vender creme e pasta de dente).

Foi assim que nasceram as Tartarugas Ninjas, Snakes on a Plane, Shaolin Soccer, Happy Tree Friends…e esse alucinado “Almost Naked Animals“, ou em bom português, “Animais Quase Pelados”

Criação do ilustrador Noah Jones.

Nem indique esse site para a Peta ou para a Sociedade Protetora dos Animais.
Como dizer pra eles “imagine como deve ser um bicho sem a pele?”

Sinto dizer, mas o politicamente incorreto ainda é delicioso quando bem manipulado. Ninguém aqui (imagino) deve concordar com a idéia de matar raposas bonitinhas pra servir de pele pra madame, mas imaginá-las peladas de cueca de bolinhas é irresistível.

Influências da minha infância, quando ganhava dinheiro pra ir no cinema pra ver “Marcelino Pão e Vinho”, mas comprava ingresso pra assistir “Terence Hill e Bud Spencer”.

Essa dica de site veio de uma amiga bióloga, Jaina. Pedia carona na entrada da USP comigo quando os Circulares demoravam pra chegar no ponto.

Zoografia

Esse site já é bem velhinho, conheço-o há pelo menos 6 anos.
Bembos Zoo é uma experiência gráfica dirigida pra crianças, mas tem design de gente grande.
O site mostra 26 animais construídos a partir das letras que formam seus nomes em inglês, numa animaçãozinha em Flash simples, mas bastante criativa.

Pavão (peacock)

Perdiz (quail)

Lobo (wolf)
O criador dessa idéia é do brasileiro Roberto deVicq de Cumptich.

Que deve ser parente do brasileiro Ricardo deVicq de Cumptich, sem exageros um dos maiores fotógrafos do Brasil. E além disso é um mar de tranqüilidade em pessoa (preciso perguntar pra ele).
Bastante conhecido no meio publicitário, ele fotografa boa parte dos sanduíches e comidinhas que vocês vêem no McDonald’s e muitas outras fotos que você vê em anúncios ou outdoors por aí.

Os Come-Dorme da Vila Belmiro

Essa toallhinha de bandeja saiu há algum tempo. A proposta era fazer um mini-dicionário de futebolês.

Infelizmente, as melhores palavras futebolescas caíram fora por serem consideradas inadequadas ou fora de contexto. Mas dariam desenhos ótimos.

Alguns deles:

Sala do xixi: lugar onde os jogadores recolhem urina pra fazer exames antidoping.
Clubeco: Clubinho insignificante
Demônia: Sinônimo de bola
Caceteiro: Jogador sujo e violento
Matar a coruja: Fazer gol em um dos ângulos da baliza
Homem de luto: Juiz
Gol Espírita: Gol que não podia acontecer, mas acontece
Juiz de roça: Juiz medíocre
Casca de ferida: Jogador ruim.

Eu entendo de futebol como entendo de propulsão a jato, o oposto que acontece com o Gustavo Duarte. Mas o livro “Dicionário de Futebol” de Haroldo Maranhão supriu essa minha deficiência masculina.

Fazedor de Monstros

Essa é outra daquelas idéias você bate a mão na testa e diz: “Putz, por que não pensei nisso antes?”
David Devries é um ilustrador que teve a idéia maravilhosa de pegar monstros desenhados por crianças e fazer uma ilustração bem acabada a partir disso.


No site dele tem outras imagens bacanas.
A idéia é genial porque ninguém consegue superar a falta de limites da criatividade de uma criança. Junte isso com uma técnica apurada e o resultado é um conceito de trabalho muito original.

Outro que entra na minha lista de inveja construtiva.

Howl’s Moving Castle pra montar


Senhores, contemplem!!

Esse link maravilhoso vai levar você até esse supercalifragiliexpialidocious treco pra montar! Cortesia do Heinar Maracy, editor da revista Mac+, que me passou o link há um ano atrás e esqueci completamente que ele existia!

Sim, siim, amigos…esse link vai fazer o download do Howl’s Moving Castle do mestre Hayao Miyazaki, infamemente chamado de Castelo Animado no Brasil…pra montar!

Quem é fã de cola, tesoura e estilete vai ter um orgasmo. E preparar para ter uma tendinite, porque são mais de 26 folhas em pdf para construir esse castelo super-hiper-detalhado. São quase 50 megas pra download, não é coisa de embalagem de sucrilho não. Fantastique.

Se você estiver desempregado ou com tempo sobrando e for fã de Miyazaki, sorria! Encontrou um sentido para a vida para as próximas horas.

O ideal é você gravar um CD e levar para imprimir numa laser colorida pra ficar mais o profiça possível.

Eu imprimi só algumas folhas e desisti quando vi a complexidade do negócio. Vou deixar pra fazer isso com calma nas férias de outubro.

Em tempo, as instruções em inglês você acha aqui.

Feliz paranóia!

Sociedade das Camas Voadoras

Esse desenho saiu da lâmina de bandeja do McDonald’s chamada “Grandes Direitos para Pequenas Crianças” que fiz há alguns anos atrás. Especialmente esse desenho teve um gostinho especial de fazê-lo porque eu esboçava essa menininha voando na cama desde a época de 70, quando fazia o primeiro grau em Mogi das Cruzes. Ou seja, carreguei essa imagem na minha cabeça por 30 anos, e num momento oportuno ela virou uma ilustração até que bem feitinha pra ser vista por mais de 10 milhões de pessoas. Bah!

Felizardo fui eu que tive um pai que me deu Little Nemo in Slumberland com Continue reading

O Zen e a Arte de Montar Portfólios

Durante dez anos trabalhando como diretor de arte da Taterka, devo ter visto mais de 200 portfólios de ilustradores. A grande maioria em início de carreira. Desse montante, eu me lembro de uns dez que me impressionaram. E não foi por causa da apresentação ou da qualidade da pasta, mas por causa do conteúdo.

Escuto muitas receitas pra se fazer um portfólio, umas absurdas, outras bem úteis. Tem umas regras básicas, mas pra mim só duas delas valem: Continue reading

Produtos ACME

Ah, os finais de tarde com o Pernalonga…
Esse site é o Polishop da Warner, simplesmente um luxo. É o catálogo dos produtos ACME. Todas aquelas traquitanas e geringonças que o Coiote usava pra pegar o Papaléguas vinham dali. As pílulas de terremoto, os skates com propulsão a jato e o singelo alpiste comum. Quem quando criança nunca pensou em ter um vidrinho de pílulas de tornado pra brincar na rua?

Quem achava que ACME era uma sigla de uma corporação obscura, errou. ACME é uma palavra em inglês e significa o auge de uma carreira, o ponto mais alto de alguma coisa não material (projeto, vida, casamento), escrito em maiúsculas. Perfect!

Blacksad

Blacksad é um dos gibis mais bonitos feitos nos últimos anos. Sem exageros.
E encontrei esse livro feito de açúcar para os olhos na livraria Continuara, a maior loja de gibis de Barcelona. Um livro de sketches do Blacksad.

Sketches são como churrascos de filé feitos em churrasqueira de barril. Dependendo do churrasqueiro ficam divinos ou coisas que o gato joga terra em cima.

Blacksad é um personagem que mistura Batman, o detetive Sam Spade, de Raymond Chandler, Disney e Thundercats. Ele é o próprio Cavaleiro das Trevas que ronrona, o gato preto detetive com porte do ator Jean Reno.

As histórias são escritas por Juan Diaz Canales e o desenho, ah o desenho…quem faz é Continue reading

Mais revistas para ilustradores digitais

O hábito de ler revistas de ilustração está mudando a cesta do banheiro, saem as VIPs e os Tio Patinhas e entram as Computer Arts, Design e Opera Graphica.

Andando pela Livraria Cultura, encontrei uma revista chamada Layers, específica sobre Photoshop e After Effects:

É uma revista até que boazinha. Tem um nível de informação médio, com muitos tutoriais e dicas. Não traz muitos textos mais complexos sobre os programas, como calibragem ou uso de canais, que são difíceis de se encontrar. Mas tem uma boa diagramação e a qualidade dos textos é boa. Vale os R$75,00, ainda mais porque ela é bimestral.

Essa outra, Illustrator Techniques, como o nome diz, só traz dicas para Illustrator. E tome dicas! Essa revista é melhor, a qualidade das dicas são melhores e a quantidade também é grande.

O ruim é que ninguém importa essa revista no Brasil. Tem que comprar através do site ou da Amazon. Só vale a pena se você tiver uma graninha sobrando (ha ha). Ela é baratinha, 7 doletas. O frete é que sai caro. Quando eu a compro é no meio de encomenda de outros livros a trabalho pela Amazon. Também é bimestral.

De lambuja, aqui tem o link para um tutorial para fazer ilustrações no estilo do filme “Scanner Darkly” e “Waking Life” de Richard Linklatter (esse último achei chato como um prato de moyashi). Scanner Darkly vem do texto de Philip K. Dick, de Blade Runner, então pode ser que seja um pouquinho melhor.

Neo vem agora em versão CS2.

Fazendo bebês em Portugal

Podes olhar este tópico, se faz favoire.

Esses infantes fófis acabaram de ser paridos para a campanha “Dicas Volvo para Jovens Pais” para a FL Europe, de Portugal. Ficou muito gira.

Ora pá, estás a passaire nos melhores canais de TV de Portugal, de Algarve a Trás-os-Montes.
A criação foi do compadre redator Marcelo Lourenço e do diretor de arte Pedro Bexiga. Participação especial de Juju, rebenta de Marcelo, irreconhecível no estilo icônico da ilustração.

Pode ver os filminhos cá abaixo, passe o rato nas fotos que aparecem no ecrã do seu ordenador e aproveite por que é à borla!!


Em tempo:
Gira = Legal
Rato = Mouse
Ecrã = Monitor
Ordenador = Computador
À Borla = Grátis

Quando Zé Carioca morava na favela

Encontrei em um sebo uma coletânea recente do Zé Carioca ilustrado por Renato Canini (reconheceram o talento dele pelo menos, chamando-o de Mestre). Matou minha saudade dos tempos de criança, colírio para os olhos e abrindo o baú do mesencéfalo.

Talvez os mais moçoilos não conheçam, mas foi a fase mais criativa e bem ilustrada do Zé Carioca.

Canini tinha um traço gostoso e bem característico, e mostrava o Zé Carioca morando em um barraco de favela, filando feijoada de sábado e em rodas de samba com o Pedrão e Nestor. Foi a primeira e última vez que colocaram um tom de brasilidade agradável nos quadrinhos Disney, até algum infeliz achar que era melhor o Zé Carioca morar numa casa feita de laje, em historinhas pasteurizadas como queijo Polenguinho.

Sou da velha guarda, da época que colecionava as figurinhas Disney (quem com mais de trinta não teve pelo menos dois álbuns ao mesmo tempo, um oficial e outro pra colar repetidas?) e Bingola Disney, que vinha nas tampinhas de Coca-Cola. Cheiro de mofo no ar…

Junto com Canini, apenas dois outros ilustradores me arregalavam os olhos. Carl Barks e Don Rosa, esse mais recente.
Comprei todos gibis que apareciam desenhos de Carl Barks. Não tinha National Geographic naquela época, mas as histórias de Barks quebravam um galho.

E também de Don Rosa, com uma impressionante semelhança com o estilo de Barks. Mas o desenho sacadas de humor visual mais afiadas do que Barks, que era mais acadêmico (os desenhos de Rosa têm várias piadinhas no fundo e nos cenários, em quase todos quadrinhos, tem que ter espírito de Onde Está Wally pra perceber tudo. Barks deixava tudo mais limpinho).

Ilustradores de Toalhinhas

Ao longo desses 12 anos, nem sempre fui eu quem ilustrei as toalhinhas de bandeja do McDonald’s. No começo eu só as criava, desenvolvia e escrevia. Não tinha muito tempo pra ilustrar, então chamava outros ilustradores pra me ajudar. Esse contato com outros ilustradores foi fundamental para eu retomar a carreira de desenhista, em detrimento da de diretor de arte. Mesmo hoje trabalhando paralelamente com consultoria de marketing infantil e direção de arte, ser ilustrador ainda é o que me satisfaz pessoalmente. Graças à eles.

O maior deles foi o Adelmo Barreira . Ele é o caipira mais talentoso do mundo. E também é mutante, nunca vi ninguém aprender uma técnica ou dominar um equipamento tão rápido como ele (sete dias entre comprar um mac, mexer e entregar o primeiro trabalho digital).

Essa lâmina foi ele quem ilustrou, e o texto é meu. Foi um espoco de criatividade, a gente podia fazer o que quisesse na época. A única restrição dela foi a respeito do título, com medo de dar problemas com uma música da Gal Costa.

Outra musa inspiradora foi a Cecília Esteves. Por várias razões, virei um fã não apenas do traço, mas também da maneira de se trabalhar como ilustradora.

Essa foi ela quem desenhou, num momento em que eu estava lotadaço de trabalho. Foi uma das que fizeram mais sucesso por aí.

O último que pegou o bastão foi o Carlos Sá, vulgo Carlão. Brilhante ilustrador, salvou minha pele quando saí de férias em outubro do ano passado. Essa foi a toalhinha que ele fez:

O Erevan e o Paulo Zilberman foram outros grandes ilustradores que fizeram as toalhinhas de bandeja. Assim que eu encontar a caixa onde está o CD de backup deles eu posto aqui.

Xixi Cocô Cuti-Cuti

Senhores, contemplem!

Minha amiga com nome de homem Juca mandou isso pra colocar no blog. O horror, o horror!
Quando o aquecimento global parecia ser o resultado máximo da demência do homem, eis que surge outro que consegue algo que nem Hyeronimus Bosch pensaria! Mascotes de Xixi e Cocô!

Pee e Poo, seus amiguinhos nº1 e nº2!!

O que leva um ser humano a humanizar seus dejetos mais abjetos?
É uma idéia do caralho!!
Chego a chutar meu cachorro de raiva por não ter pensado primeiro nisso.

Eles são vendidos no site, além de outros produtos fofentos (fofos + nojentos).

Será que eles são perfumados?
Oliviero Toscani já tentou fazer arte numa série de fotos de fezes pra Benetton, justificando que nenhuma merda era igual a outra e isso caracterizava identidade e personalidade. Mas merda por merda qualquer um faz, o difícil é fazer uma merda bonita. E um xixi também.

Na verdade, esses amiguinhos de privada devem fazer parte de um conceito chamado “toy art”, brinquedos mais artísticos dirigidos para um público menos infantil (e não mais adulto), que faz a festa de 10 entre 10 designers e diretores de arte pra colocar em cima do computador, de preferência um mac, e completar o ar de modernidade que a barbichinha ou o piercing começou.

Eles são inocentinhos, mas têm um toque de transgressão. Se você colar uma estampa na camiseta de uma Barbie escrito “Eu não sou lésbica, mas minha namorada é!”, você já tem um toy art.

O bom é que é um nicho novo de trabalho para ilustradores que conseguem ter o nome um pouco mais projetado, como Jon Beinart, Tim Biskup, Will Sweeney e o italiano criador dos Tokidoki, cujo nome ainda não sei, no sentido horário:

Hummm, me deu uma idéia de fazer uma série toy art do Homem-Maravilhoso ….

P.S: Se não sabem quem é Hieronymus Bosch, aqui vai um detalhe de um dos seus quadros:

Ele fazia toalhinhas de bandeja esquizofrênicas.

O Livro dos Seres Imaginários

Livros são um combustível criativo para qualquer ilustrador. Os bons livros criativos dão vontade imediata de rabiscar depois de ler a última página. Ou antes disso.

Jorge Luis Borges foi feliz com o título desse livro (O Livro dos Seres Imaginários). Só de ler o título já dá vontade de folheá-lo. Encontrei um exemplar há anos e anos, em um sebo perto da praça da Sé. Pequenas jóias empoeiradas.

Borges descreve cerca de 100 monstros e entidades imaginárias, de todas mitologias possíveis, mas com aquele toque que só ele sabia escrever. Algo como um Pokemón poético (que infâmia!).
Esse livro quase não tem desenhos, mas as descrições são deliciosas, ideal pra massagear a mente pra buscar inspiração. E as descrições são curtinhas, sintéticas, como nesse exemplo:

“Entre os monstros da Tentação figuram os Nesnás, que só tem um olho, uma face, uma mão, uma perna, meio corpo e meio coração. Salta com muita agilidade e possui a capacidade da lingagem articulada; alguns tem o rosto no peito, como os blemies, e cauda semelhante à ovelha; sua carne é doce e procurada.”

Dá vontade de desenhar todos os monstros, um por um.

Esse é um desenho muy antigo do Catoblepas, bicho relatado no livro.

Consegui esse livro na mesma época em que li outro magnífico quebrador de limites criativos, o Bestiário de Julio Cortázar. Realismo fantástico, esse me roubaram e nunca mais encontrei outro pra vender.