Gianni Rodari e os Binômios Fantásticos
Anos e anos atrás, quando eu tinha que defender uma idéia muito maluca de uma ilustração ou o conceito de um jogo formidável mas absurdamente difícil de explicar para vender ao cliente (diga-se McDonald’s), eu ficava de cabelo em pé porque sempre faltavam argumentos. Afinal era um criativo contra um calculista, um falando de criatividade e o outro querendo resultados. E eu queria que ele apenas entendesse o que eu estava falando, mas as palavras saíam como se eu falasse a língua dos Klingons.
Um tempo depois eu descobri um pedagogo italiano simpático, chamado Gianni Rodari. Seu livro, “A Gramática da Fantasia” virou de ponta-cabeça a minha maneira de enxergar o processo criativo, principalmente vindo do ponto de vista de uma criança.

Ele quebra dogmas que a gente carrega desde que a gente esquece de ser criança e coloca em palavras de gente grande, de forma ridiculamente simples.
Um exemplo:
Todo erro em uma criança não deve ser ignorado, pois quando uma criança erra, gera uma potencialidade criativa. Assim, se uma criança escreve um livvro com 2 vês e é questionada, ela poderá responder: o livvro com dois vês é um livro grande e pesado.
Nada que quem tenha filhos, sobrinhos ou netos não tenha vivenciado. Essas lógicas de crianças que desconstróem o racional adulto.
Gianni Rodari analisa esse processo e ensina a gente a explicar uma coisa que era aparentemente difícil de ser explicada, porque é muito criativa, usando uma lógica diferente do nosso costumeiro.

Essa toalhinha de bandeja foi feita usando uma variante de uma teoria desenvolvida por Giani Rodari: a teoria dos Binômios Fantásticos (combinando as frases você consegue mais de 147.000 histórias diferentes. Podem fazer as contas, é análise combinatória).
Apesar do nome matemático-espirituoso, é um processo criativo onde você pega duas palavras aleatórias, de preferência dadas por duas crianças diferentes, e gera uma história com elas, usando a relação menos lógica e óbvia possível.
Novamente exemplo:
Alguém diz “Cachorro” e outro diz “Armário”.
As possibilidades de se construir uma história:
Um cachorro em cima do armário? Não, muito simples.
Um cachorro dentro do armário? Pfff!
Um cachorro carregando um armário nas costas! Isso sim é diferente, dá história e gera um binômio fantástico.
O cachorro carrega o armário nas costas pra quê?
Pra levar um osso? Óbvio demais.
Pra levar um gato? Cruel demais.
Ele leva armário que tem um monte de mapas e garrafas de leite dentro! Mais um Binômio Fantástico.
Por que ele leva leite e mapas dentro do armário?
O cachorro entrega leite a domicílio e precisa do mapa pra ele nunca se perder e lembrar por que ele faz isso, que é pra juntar dinheiro e comprar uma motocicleta e viajar pela Espanha….(mais binômios fantásticos)
Pra quê? – e dando a resposta menos óbvia, a história não tem fim.
E essa é uma das dezenas de teorias que ele comenta no livro. Todas elas parecem malucas mas são adoravelmente funcionais pra quem trabalha com criatividade. Aliás, elas parecem simples, e até simplórias de um ponto de vista. Mas por trás dessa simplicidade se esconde uma capacidade de observação lúdica sem igual. Quem ler o livro e entender a reflexão sobre o “0 anjo e o diabinho” vai entender que a coisa não é tão simples.
Ele já morreu faz tempo. Antes disso ele fez um livro que fez muito sucesso na Itália, “O Livro dos Porquês”.
É uma compilação de textos que ele escrevia num jornal, na época da Segunda Guerra. Crianças escreviam para o jornal perguntando coisas que adultos não respondiam, inclusive referentes aos pais que não voltavam do front, morte, essas coisas. Ele assumiu a correspondência e foi explicando os porquês das crianças de forma que ela simples e lúdica.
















Estou lendo o livro, porque curso a faculdade de pedagogia e estou achando ele bastante interessante
Hiro, você tem essa toalhinha de bandeja em tamanho maior? Fiquei curioso, e acho que não vou conseguir mais uma dessas no McDonalds, hehehe…
Não resisti e comprei o livro!
[]s
Absolutamente Fascinante! Livro obrigatório para qualquer educador…
preciso arranjar esse livro e a historia do escritor, por causa da faculldade…. se alguem puder me ajudar!!!
[...] Ian Stewart, e Gramática da Fantasia, de Gianni Rodari (cuja dica de leitura eu achei no blog do Hiro). Pois bem, a página 119 do primeiro livro fala sobre a fita de Möbius – um curioso e [...]